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Mais um aniversário de Jorge de Lima (23 de abril de 1893 – 15 de novembro de 1953): imagens e dois poemas

Álbum de fotos de quando dei palestra em União dos Palmares, cidade natal do poeta, convidado por Claufe Rodrigues em outro 23 de abril, de 2014. Entre outros motivos de satisfação, subir à Serra da Barriga (reduto de Zumbi dos Palmares e onde Jorge esteve pela primeira vez aos 5 anos de idade, experiência marcante), visitar a casa dele, trocar idéias com a filha Maria Tereza Jorge de Lima e outros especialistas.

Separei dos poemas dele que aprecio especialmente, de Invenção de Orfeu. Um deles, o XXVII do Canto Primeiro, trazido a esta oficina literária que estou coordenando no EdArt, bem escolhido como exemplo de imagens poéticas; outro, o XXI do Canto Terceiro, que levarei á próxima sessão da oficina, no qual a meu ver, o som toma a frente do sentido.

 

XXVII

Há uns eclipses, há; e há outros casos:

de sementes de coisas serem outras,

rochedos esvoaçados por acasos

e acasos serem tudo, coisas todas.

 

Lãs de faces, madeiras invisíveis,

visões de coitos entre os impossíveis,

folhas brotando de âmagos de bronze,

demônios tristes, choros nas bifrontes.

 

Tudo é veleiro sobre as ondas íris,

condores podem ser os baixos ramos,

montes boiarem, aços se delirem.

 

Vemos ao longe sombras, e são flâmulas,

lábios sedentos, lírios com ventosas,

ódios gerando flores amorosas.

XXI

As portas finais,

os cantos iguais,

os pontos cardeais

sempre obsidionais.

 

Os tempos anuais,

as faces glaciais,

as culpas filiais,

sempre obsidionais.

 

Os dois iniciais,

as dores tais quais,

os juízos finais

sempre obsidionais.

Palestra “Jorge de Lima – Grande poeta misterioso” será reapresentada

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(desta vez, estou ilustrando com reprodução de “fotomontagens” da série “Poesia em pânico” de Jorge de Lima, dedicada a Murilo Mendes)

Motivo: A tempestade que caiu sobre São Paulo na quarta feira, dia 09 de novembro, impediu, junto com a parada de linhas do metrô, a vinda de muitos interessados. Os que conseguiram chegar apreciaram muito. Quem esteve e quiser assistir novamente está dispensado do pagamento. Observo que será e não será a mesma palestra: nunca me repito, e a reflexão decorrente de examinar Jorge de Lima me possibilita refinar interpretações desse poeta tido como “obscuro” (porém Mallarmé também foi apelidado de “o obscuro”), “hermético”, “ininteligível” etc. Para adicionar credibilidade, transcrevo comentário que o poeta Luciano Garcez publicou no Facebook: “Ontem, depois de quase São Paulo se afundar na chuva – ilha que é – ocorreu o necessário curso na sede da UBE: “Jorge Lima – Grande poeta misterioso”, Claudio Willer, com sua sempre metículo/precisão de poeta também misterioso, desvendou aspectos insuspeitos e originais da obra do sinuoso poeta alagoano, linkando-a e desligando-a de exterioridades e estereotiparias: o surrealismo, o catolicismo, Ismael Nery, Fausto, o Trickster, o Barco Bêbado de Arthur…  Fiquem de olho, pode haver outra invenção órfica decodificada- outra vez o curso será dado, pelo que me disse o Bicelli!”

Quando: Dia 23 de novembro, a próxima quarta feira, às 19 h.

Onde: Mesmo local, mesma hora: na UBE, União Brasileira de escritores, rua Rego Freitas, 454 – Cj. 61 (Em tempo: para quem vier de automóvel, há estacionamentos viáveis dos dois lados da entrada do prédio da UBE).

Observem, a seguir, instruções para inscrição e pagamento. Mais informações, ligue para: (11) 3231-3669. Para se inscrever basta enviar seu nome completo para secretaria@ube.org.br. Para efetuar pagamento (R$ 30,00 para associados e R$ 60,00 para não associados), dados bancários para depósito: Conta Corrente: Titular: União Brasileira de Escritores  Agência: 0170 Conta: 21495-1 Banco: Itaú CNPJ da União Brasileira Escritores: 62921937/0001-57 (também são aceitos pagamentos no local e na hora)

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Reproduzo anúncio anterior da palestra:

Há muito tempo pretendia escrever ou dizer algo sobre Jorge de Lima. Influência forte. À admiração somava-se a atração pelos labirintos, pela decifração de enigmas. Comecei a saldar esse débito, instigado pelo poeta Claufe Rodrigues, em União dos Palmares, Alagoas (sua cidade natal), durante a II Semana Jorge de Lima promovida pela Secretaria de Cultura local em abril de 2014, com a palestra “Aproximações a Jorge de Lima: o surrealista”. Em seguida, publiquei artigo na revista digital Agulha. Em setembro de 2015, voltei a ele no ciclo “Pensar o Brasil”, idealizado por Marcelo Marcus Fonseca do Teatro do Incêndio: fixei-me no trecho de Invenção de Orfeu sub-intitulado “O índio interior”. A cada vez, com a impressão de haver mais a ser dito. Por isso, aceitei com satisfação o convite da União Brasileira de Escritores para colaborar com o ciclo de palestras promovido pela entidade, escolhendo-o como tema.

Da programação distribuída pela UBE, incluindo sinopse:

Invenção de Orfeu, obra máxima de Jorge de Lima, é considerada não apenas hermética, porém caótica por alguns críticos. Serão apresentadas tentativas de interpretação, em parte originais, em parte citando a bibliografia existente, além de mostrar qualidades que justificam conferir-lhe especial relevo. Também será focalizado o modo como dialoga com outros poetas, tanto da tradição clássica, como Dante e Camões, quanto os românticos e rebeldes, especialmente Baudelaire e Rimbaud. Outros de seus livros também serão comentados – em especial, os Poemas negros. E ainda será examinado o autor, o próprio Jorge de Lima, como exemplo de integridade, de conduta eticamente elevada.

MAGIA E CRIAÇÃO POÉTICA: O XAMANISMO

Peço ampla divulgação desta palestra. Venham. Tenho certeza de que apreciarão:

O que é um xamã? A que modalidades de magos, feiticeiros e sacerdotes se aplica o termo? Até que ponto alguns poetas podem ser identificados a xamãs? O que em suas obras justifica essa associação? Por que uma declaração como “O Eu é um outro” de Rimbaud resume algo típico do xamanismo? Qual a contribuição de Herberto Helder à compreensão das afinidades de poesia e xamanismo? Um poema como “o índio interior” da Invenção de Orfeu de Jorge de Lima pode ser lido como xamânico? O soneto “Versos dourados” de Gérard de Nerval é poesia xamânica? Cabem as associações de Artaud ao xamanismo?

 

Local: Rua Salvador Simões, 918, no Ipiranga Business Center (a um quarteirão da estação de Metrô Alto do Ipiranga, saída na Rua Gentil de Moura) (agradeço hospitalidade e cederem espaço)

Data e horário: Sábado, dia 23 de julho de 2016, das 18h00 às 20h30 (com intervalo para lanche).

Valor do ingresso R$ 12, 00.

Capacidade do Auditório- 60 lugares.

Haverá projeção de audiovisual, imagens e textos.

 

Como fazer sua Inscrição?

Para efetuar sua inscrição você deverá se cadastrar no “Fale Conosco” pelo link: http://www.ipirangabusinesscenter.com.br/#!blank-3/lb231 .

O valor de contribuição de R$12,00 deverá ser pago no dia do evento. Qualquer dúvida entre em contato pelo e-mail: contato@ipirangabusinesscenter.com.br ou pelo telefone 50616205 e fale com Philippe

SINOPSE

O termo xamã, originariamente aplicado a sacerdotes ou feiticeiros siberianos e uralo-altaicos, deve sua extensão, comsideravelmente, a Mircea Eliade, autor de O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase, livro de 1951. O historiador das religiões registrou suas características em povos e sociedades de diferentes lugares e períodos. Examinou iniciações com viagens aos céus e ao centro da terra, subidas e descidas ao longo de um eixo do mundo; experiências de morte e renascimento, destruição e reconstituição do corpo; utilização de substâncias psicoativas; o ocasional travestimento ou transexualidade; as provas de aquisição de poderes como profetizar, curar, deslocar-se. E a expressão através de outra linguagem –origem da poesia – possibilitando a comunicação com espíritos, animais, a natureza.

Serão citados estudiosos mais recentes, enriquecendo esse exame e tornando mais preciso o uso do termo. E será mostrado de que modo temas e traços do xamanismo podem ser encontradas em uma diversidade de autores, desde Dante Alighieri, passando por William Blake, Gérard de Nerval e Rimbaud, até modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Vicente Huidobro, Herberto Helder, Michael McClure, Jerome Rothemberg, Roberto Piva e outros mais recentes. O objetivo é enriquecer a leitura da poesia, possibilitando enxergar mais sentidos.

O CONFERENCISTA: Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: A verdadeira história do século 20, poesia (Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); Geração Beat (L&PM Pocket, 2009); Poemas para leer en voz alta (Andrómeda, San José, Costa Rica, 2007); Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004). Traduziu Lautréamont, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Antonin Artaud. Publicado em antologias e periódicos no Brasil e em outros países. Presidiu a UBE, União Brasileira de Escritores, em vários mandatos. Doutor em Letras na USP, onde completou pós-doutorado. Deu cursos, palestras e coordenou oficinas e outras atividades em uma diversidade de instituições culturais. Mais em https://claudiowiller.wordpress.com/about .

 

Resolvi mudar o tema da minha palestra na próxima sexta feira

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Em vez de simbolistas brasileiros, conforme programado, tratarei de Jorge de Lima. No ciclo “Pensar o Brasil”, que coordeno e no qual atuo como conferencista, e que tem lugar no Teatro do Incêndio (link com a notícia a seguir).

Por quê? Pelo seguinte:

  1. Não precisamos ser escravos da cronologia e sempre objetei a ensinarem Literatura como série histórica;
  2. Aprecio Jorge de Lima – é poeta colossal, insuficientemente lido;
  3. Tivemos índios, por Pedro Cesarino, na sessão passada do ciclo “Pensar o Brasil”, e teremos novamente índios, por Sérgio Medeiros, na sexta feira subseqüente. Um dos poemas extensos de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima, o XXXI do Canto Primeiro, está glosado como “O índio interior”: vou examinar esse poema e interpretá-lo no contexto do ciclo “Pensar o Brasil”.
  4. Tivemos presença africana no Brasil na primeira sessão do ciclo. Então examinarei Jorge de Lima como afrodescendente (por parte da mãe) criado no sopé da Serra da Barriga, sede dos Palmares de Zumbi, indignado com o preconceito, a intolerância e a perseguição aos sincretismos afro-brasileiros – e não só nos Poemas negros.
  5. Primeiro examinarei o débito de Jorge de Lima com relação á grande matriz simbolista. Depois farei o mesmo com Manoel de Barros. Finalmente, apresentarei uma proposta de releitura do simbolismo brasileiro, tão negligenciado, tão á margem de nossos estudos literários, projetando, por exemplo, o “Eu é um outro” de Rimbaud em Cruz e Souza – e também nos Maranhão Sobrinho, Pedro Kilkerry e Dario Veloso.

A notícia sobre o ciclo “Pensar o Brasil”: https://claudiowiller.wordpress.com/2015/07/27/pensar-o-brasil-poesia-reflexao-e-criacao-palestras-no-teatro-do-incendio/

Sobre Jorge de Lima, já publiquei aqui: http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com.br/2015/03/claudio-willer-aproximacoes-jorge-de.html . Ampliarei.

Sobre Manoel de Barros, o artigo mais acessado dos que publiquei em Academia.edu: https://www.academia.edu/4676460/Manoel_de_Barros_novo . Direi outras coisas, desta vez.

Sincronia na livraria

na Livraria Cultura image Quem faz os arranjos de livros na Livraria Cultura? Na foto tirada e enviada por Lucas Bertolo, meu livro de poemas, Estranhas Experiências (editora Lamparina, está sendo vendido a R$ 25,00) e minhas traduções de Os cantos de Maldoror e o restante de Lautréamont (Iluminuras) e de Uivo e outros poemas de Ginsberg (L&PM) na excelente companhia da nova edição de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima pela Cosac Naify. Por acaso, dei palestra e estou preparando um ensaio extenso sobre Jorge de Lima, poeta colossal.

Palestra sobre Jorge de Lima em União dos Palmares, AL, terra de Jorge de Lima, a 23/04, dia de Jorge de Lima

Na Serra da Barriga, no reduto de Zumbi dos Palmares, com Claude Rodrigues e Mano Melo; as demais fotos, diante da casa / memorial de Jorge de Lima e durante a palestra

Na Serra da Barriga, no reduto de Zumbi dos Palmares; as demais fotos, diante da casa / memorial de Jorge de Lima e durante a palestra

Diante da casa de Jorge de Lima em União dos PalmaresPalestra sobre Jorge de Lima em União dos Palmares, AL, terra de Jorge de Lima, a 23/04, dia de Jorge de Lima

Palestra sobre Jorge de Lima em União dos Palmares, AL

Será dia 23 de abril, na próxima quarta feira, às 17 h, em uma mesa em companhia do poeta Claufe Rodrigues. Durante a II Semana Jorge de Lima, iniciativa da prefeitura local e outras instituições. Local, o Memorial Jorge de Lima. Há mais atividades, que podem ser vistas na programação aqui inserida. Meu tema: O surrealista. Já se escreveu bastante a respeito. Procurarei dar um enfoque original.

Nem preciso dizer o significado de falar sobre um poeta tão importante, em geral e para mim, em sua terra natal, junto à Serra da Barriga. Conforme depoimento para Homero Sena, Jorge de Lima sentiu-se pela primeira vez “tocado pela poesia” aos oito anos de idade, ao subir a serra e chegar ao antigo reduto de Zumbi dos Palmares.ImagemImagem