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Biografias e assombrações

É meu artigo que saiu hoje, 30/10, no Correio Braziliense. Página de internet do jornal só permite acesso de anunciantes, por isso reproduzo o arquivo em word. Que coisa, havia-me esquecido do exemplo mais expressivo para ilustrar essa fobia dos biografados: O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde – obras na qual, justamente, se encontram os dois temas, do duplo ameaçador e do espelho.

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Biografias e assombrações

Claudio Willer

Que estrondoso tiro pela culatra deram os integrantes do movimento “Procure saber”, através da desastrada porta-voz secundada por um coral de declarações titubeantes, algumas delirantes, da plêiade de artistas. Transformarão o Brasil em um país de leitores de biografias. Não sabem que a censura estimula o interesse pelo censurado? Que o recalcado volta com mais força? Que as vendas de Howl and other poems (Uivo e outros poemas) de Allen Ginsberg dispararam após o processo por obscenidade de 1957? Que gerações quiseram ler D. H. Lawrence e Henry Miller para saber o que havia desencadeado a fúria puritana? A divulgação em meu blog do depoimento de Domingos Pellegrini sobre Paulo Leminski bateu um recorde de acessos. Meu artigo de 2008 sobre a proibição da biografia de Guimarães Rosa por Alaor Barbosa (e sobre Lorca por Ian Gibson, Joyce por Richard Ellman etc) voltou a ter leitores.

Autorização para publicar biografias, assim como tutela antecipada, impedindo circulação: aberrações inexistentes em países civilizados. Atingem a produção do conhecimento. Não se trata apenas dessa ou daquela personalidade da literatura, artes ou política; mas de informação histórica, sociológica, sobre a vida. Pois já não houve herdeiros sequiosos que interferiram em pesquisas legitimamente acadêmicas?

Biografias podem ser de má qualidade, com equívocos, distorções? Que a crítica se manifeste. Podem ofender? Que ofendidos recorreram á justiça. O judiciário é lento? A pior solução, criar leis esdrúxulas.

Como o jogo parece definido, quero avançar. Examinar contrapartidas literárias da polêmica sobre biografias. São os doppelgänger, os duplos romântico dos relatos de E. T. A. Hoffmann, Von Chamisso e tantos outros. Receberam um tratamento de especial brilho através do “William Wilson” de Edgar Allan Poe, publicado em 1839. A história do jovem aristocrata, vítima de alguém idêntico – ao ganhar um jogo e ser denunciado como trapaceiro, ao ser impedido de seduzir uma mulher maravilhosa. Mata o “absoluto na identidade”: descobre que também se matara. Diz-lhe o duplo: “Em mim tu existias… e vê em minha morte, vê por esta imagem, que é a tua, como assassinaste absolutamente a ti mesmo”.

Outra história famosa de duplos, dessa vez não idênticos, porém opostos, é a do médico e o monstro, O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson, publicada em 1886. Com um final igualmente sanguinolento: o duplicado, ao destruir o duplo, dá fim a si mesmo. Mais uma variação sobre o tema, literariamente poderosa: O duplo de Dostoiévski, de 1846. Sincrônica àquela de Poe, mas protagonizada por um burocrata e não um aristocrata: o alterego o prejudica até levá-lo à destruição.

Duplos, o outro eu, foram, mais que tema, uma obsessão de Jorge Luis Borges. Assim como espelhos – abomináveis, disse, desde sua História universal da infâmia, por duplicarem a realidade. Julio Cortázar também escreveu contos esplêndidos com duplos.

Sua matriz, penso, está em Shakespeare, no Caliban que não suporta ver-se no espelho, em A tempestade. Contém ensinamentos que os membros do “Procure saber” desconhecem. Inspiraram a Freud o ensaio famoso, Das Unheimliche – que pode ser traduzido como “estranho”, “insólito”, “sinistro”. Categoria-chave para entender sua marcante presença literária, recorrendo à psicanálise: o narcisismo. São histórias de pessoas centradas em si, incapazes de estruturar o ego e relacionar-se com o mundo. Simbolicamente, os artistas que se puseram em evidência, de modo tão desfavorável, querem controlar suas imagens e o restante, o mundo todo. Os sucessores, pior ainda: o ilustre antepassado, agenciado ou representado, é uma pessoa interposta, através da qual buscam reduzir sua irrelevância.

Que vão todos bater á porta dos psicanalistas e outros terapeutas. Resolvam seus problemas de identidade, seu narcisismo, neuroses e fobias, sem impedir o trabalho de pesquisadores; sem criar transtornos a autores e editores; sem nos sonegar informação.

Uma consulta

Em tempo (postado no dia seguinte, 11/08): somando comentários aqui e no Facebook, é dez a zero, unanimidade, em favor de juntar tudo, montar um só dossiê. Agradeço. Vou proceder já à edição.  

Ia fazê-la pelo Facebook. Mas este blog é melhor para textos mais extensos. Agradeço se responderem, seja nos comentários da própria rede social, seja aqui.

É o seguinte: como é notório, havia aberto o dossiê “Censura no Facebook”, transcrevendo relatos e denúncias, em março de 2012. Desfile de absurdos: usuários suspensos por exibirem quadros clássicos em museus, notícias de jornal etc, além de casos evidentes de censura política, de idéias e posições. Este:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/03/22/censura-no-facebook-um-dossie/

Ao chegar a 69 relatos, achei extenso demais, pouco confortável para consulta. Abri um segundo post:

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/08/01/dossie-censura-no-facebook-2/

No entanto, ter tudo junto, mesmo disfuncional para blogs, facilita pesquisas e consultas. Deu-me vontade de juntar tudo outra vez.

O que acham? Mantenho dossiê 1 e 2, ou junto tudo?

O primeiro deles, o extenso, teve milhares de acessos. Todo dia consultam. Vem sendo citado e tenho dado entrevistas.  Exemplos:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/facebook_reintroduz_a_censura_no_brasil

http://www.bhaz.com.br/censura-de-volta/

Acabei de atender a repórter de – de onde mesmo? – revista Imprensa, acho – logo saberei. Enfim, estratégia de fazer dossiê funcionou, somada, é claro, a outras iniciativas.

Próximo passo, urgente: tema chegar ao debate parlamentar sobre Marco Civil da Internet. É simples: basta constar que termos de adesão não podem sobrepor-se às leis brasileiras, principalmente no que se relaciona à liberdade de expressão e privacidade. Parece óbvio: no entanto, já houve consulta ao Ministério Público – por incrível que pareça, alegaram os contratos, termos de adesão. Haveria outros direitos a proteger, de usuários verem só aquilo com que concordam? Simples; que os incomodados bloqueiem quem mandou o que lhes parecer ofensivo. Evidentemente, quem ultrapassa limites e quebra normas jurídicas – casos de nazismo, outros modos de discriminação, incitação á violência (tem, e muito), comércio sexual do tipo ilegal, calúnias e difamações etc – continua sujeito às conseqüências.

Pretendo fazer novas consultas jurídicas. Importante o tema chegar a movimentos sociais progressistas e respectivas manifestações; que se propague.

Os posts aqui citados não foram minhas únicas manifestações. A tag “censura no Facebook” tem bastante:

https://claudiowiller.wordpress.com/?s=Censura+no+Facebook

Dossiê censura no Facebook 2

Reuni os dossiês a 11/08 – todos os casos ficam, portanto, em uma única publicação. 

Em tempo (postado a 07/08):  Resistência à censura no Facebook é assim: a gente vai denunciando, repercussão vai aumentando, como se vê por este link enviado por Elizabeth Lorenzotti, que inclui a Nina Simone de Floriano Martins :
http://www.bhaz.com.br/censura-de-volta/

Ia ampliar meu dossiê sobre censura no Facebook. Aquele:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/03/22/censura-no-facebook-um-dossie/

Mas ficou extenso demais – ultrapassou 60 casos. Então, melhor abrir um novo post. Perplexo – fazem questão de passar à história como retrógrados idiotizados. Imaginem só, censurarem aquela foto manjadíssima de Marilyn Monroe quando ainda era Norma Jean Baker, que já rodou o mundo infinitas vezes desde 1950. Além das notícias de jornal, quadros de museus, fotos de índios …

Em tempo (no dia seguinte): adiciono o excelente artigo de Eliozabeth Lorenzotti no Observatório de Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/facebook_reintroduz_a_censura_no_brasil

Mantenho a sugestão de alerta para a tramitação do Marco Civil da Internet. Pode subordinar essas corporações à legislação brasileira nos tópicos da liberdade de expressão e privacidade. Ou não.

1. Postado por Celia Musili a 31/07:

No segundo ano consecutivo do Dia Pela Livre Manifestação do Nu no Facebook tivemos dezenas de fotos censuradas durante o protesto. Na minha página, duas de nu masculino, uma de cara fazendo xixi de costas numa praia e uma clássica do poeta Allen Ginsberg , que considero um meio-nu porque ele segura uma tabuleta na frente dos órgãos genitais. Isso me dá a certeza de que não há o menor critério quanto às imagens censuradas. As denúncias, na sua maioria, partem de usuários anônimos do FB que denunciam outros usuários, de acordo com a política de delação estimulada e instituída pela rede, coisa em si vergonhosa. Feita a denúncia não creio que os censores do FB analisem os casos, se o fizessem não censurariam a foto de Ginsberg que nem é exatamente um nu. Eles apenas acatam as denúncias e se alguém não vai com sua cara pode denunciá-lo por isso e não exatamente por sua postagem. Neste Dia do Nu tivemos, como disse, algumas páginas e postagens censuradas. Os bloqueios, que impedem os usuários de usarem normalmente a rede e funcionam como punição, variam de 24 horas a 30 dias, peguei 30 dias pela segunda vez, talvez porque seja uma reincidente contra à censura ao nu. Entre os amigos censurados tenho conhecimento dos seguintes casos: foram censuradas páginas e postagens das poetas Líria Porto e Prisco Rizzo, do fotógrafo (ex Estadão) Carlos Ruggi , do jornalista Luiz Carlos Lorencetti e da amiga que assina La belle de Jour, todos no dia do protesto. No dias subsequentes, houve remoção de imagens em outras páginas o que mostra que a delação e censura se acenderam após o Dia do Nu, entre eles cito censuras a fotos postadas por Elizabeth Lorenzotti e Cyntia Lopes que participaram ativamente da manifestação. Entres os casos mais gritantes e vergonhosos para o FB, cito a censura a nus de tribos indígenas. Não é mais possível tolerar este tipo de censura que é pura discriminação com outra cultura, que os “homens” do FB desconhecem e não compreendem. Isso se chama simplesmente intolerância e não devemos admiti-la sob hipótese nenhuma. Tenho um perfil 2 que uso quando sou censurada no meu perfil original e continuo na rede por teimosia e vontade de seguir na luta contra a ignorância de uma mídia da Idade Mídia!

2. Por Elizabeth Lorenzotti a 01/08:

Fui suspensa pelo Facebook por 24 horas. Depois de censurarem duas fotos – uma de Iansã e outra de indios – agora censuraram a clássica foto de Marilyn Monroe posando nua, quando ainda era Norma Jean. Esta última foto não postei nesta página, mas no Grupo contra a censura no Facebook, que é fechado. O Facebook estimula a delação, o que é um horror. Um artigo meu no Observatório da Imprensa sobre a censura no Facebook deve sair brevíssimo. Eu avisarei e passarei o link.

Marco Civil da Internet e ameaças à liberdade de expressão

Temos que acompanhar a discussão e votação do Marco Civil da Internet.

Transcrevo matéria de Célia Musili publicada domingo, 28/07, no jornal Folha de Londrina, alertando. Também traz observações sobre censura e exposição da nudez no Facebook e outros lugares. Cito: “por que a Mulher Melancia passa e a Vênus de Botticelli é censurada no Facebook?”.

Conforme denunciado pelo sociólogo Sérgio Amadeu, membro do Comitê Gestor da Internet, citado por Célia, tópicos do Marco Civil, especialmente aquele deixando claro que contratos de adesão ás redes sociais não se sobrepõem às leis brasileiras, podem ser desfigurados. O loteamento do meio digital para um condomínio de grandes empresas de comunicação resultaria em algo semelhante ao que ocorreu, em meados da década de 1990, com nossa TV a cabo. Passariam a ter o direito de filtrar conteúdos, em uma relação semelhante àquela da empresa jornalística com as matérias publicadas – com uma diferença fundamental: se um jornal ou revista me contrata e remunera, pode, evidentemente, decidir qual texto vai publicar ou não; no entanto, não somos empregados do Facebook e similares; nós é que geramos renda, receita publicitária; se não postássemos, anunciante nenhum se interessaria.

Transcrevo trechos de artigo por Sérgio Amadeu, copiados de http://www.rubensnaves.com.br/imagens/revistas/3122012_223554.pdf:

Independentemente das polêmicas, o projeto do Marco Civil é uma resposta equilibrada e poderosa ao vigilantismo e à violação dos direitos individuais na rede, principalmente porque garante a privacidade em um cenário em que forças retrógradas querem impor um “momento hobbesiano”: chamamento para que abramos mão de direitos em razão do combate ao terrorismo e em defesa da propriedade intelectual. […] Permitir que os controladores de cabos e fibras por onde trafegam nossos conteúdos comunicacionais tenham o poder de filtrá-los, atrasá-los ou ordená-los conforme seus interesses econômicos equivale a implantar pedágios inaceitáveis na rede. Garantir a neutralidade é definir na lei que quem controla a infraestrutura de telecomunicações seja neutro em relação às informações que passam por ela, independentemente de sua origem, destino, aplicação e conteúdo. […] O que está em jogo no Marco Civil é se a cultura da liberdade continuará vigorando na internet ou se a substituiremos pela cultura da permissão.

O artigo do Marco Civil da Internet sob ameaça é este:

Art. 7º O acesso à Internet é essencial ao exercício da cidadania e ao usuário são assegurados os seguintes direitos:I – à inviolabilidade da intimidade e da vida privada, assegurado o direito à sua proteção e à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; II – à inviolabilidade e ao sigilo de suas comunicações pela Internet, salvo por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;  III – à não suspensão da conexão à Internet, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização; IV – à manutenção da qualidade contratada da conexão à Internet;  V – a informações claras e completas constantes dos contratos de prestação de serviços, com previsão expressa sobre o regime de proteção aos registros de conexão e aos registros de acesso a aplicações de Internet, bem como sobre práticas de gerenciamento da rede que possam afetar sua qualidade; e VI – ao não fornecimento a terceiros de seus registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet, salvo mediante consentimento livre, expresso e informado ou nas hipóteses previstas em lei;VII – a informações claras e completas sobre a coleta, uso, tratamento e proteção de seus dados pessoais, que somente poderão ser utilizados para as finalidades que fundamentaram sua coleta, respeitada a boa-fé; VIII – à exclusão definitiva dos dados pessoais que tiver fornecido a determinada aplicação de Internet, a seu requerimento, ao término da relação entre as partes; e IX – à ampla publicização, em termos claros, de eventuais políticas de uso dos provedores de conexão à Internet e de aplicações de Internet. Art. 8º A garantia do direito à privacidade e à liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do direito de acesso à Internet..

O projeto de Marco Civil na íntegra:

 http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=32316#.UfbO7o2Tios

O assunto deveria receber atenção de movimentos sociais e ser tema de manifestações. Inclusive, porque, mesmo tendo havido censura a postagens da Mídia Ninja no Facebook, as mobilizações recentes têm um enorme débito à circulação de informações ainda possível no meio digital.  Afinal, se a rejeição da PEC 37 fez com que um lobby de delgados se evaporasse, por que não exercer a mesma pressão em favor da liberdade de expressão e demais direitos fundamentais?

Transcrevo também uma postagem deElizabeth Lorenzotti, estranhando a indiferença de alguns diante do que ocorre no Facebook. Mas, pergunto, o que esperar de gente para quem o modelo de jornal bom, mesmo, é o antigo Pravda soviético? De pessoas que rejeitaram as recentes manifestações por, supostamente, não expressarem a luta de classes?

De um lado, articulações de conglomerados empresariais. De outro, a indiferença de alguns donos da verdade política.

O artigo de Célia Musili:

O MUNDO FICARÁ MAIS NU

Protesto hoje na rede social aponta contradições e traz postagens de nus

Pelo segundo ano consecutivo um grupo anticensura realiza neste domingo o Dia da Livre Manifestação do Nu no Facebook. Bloqueios a páginas de pessoas que postaram uma foto da cantora Nina Simone sem roupa, esta semana, dispararam de novo o gatilho do inconformismo de usuários que consideram agressiva este tipo de proibição na rede. Afinal, tratava-se do nu de uma figura emblemática, além de cantora e compositora, Nina Simone era conhecida por sua militância em favor dos negros nos EUA.

O protesto de hoje, quando milhares de pessoas vão postar nus na rede, é pertinente porque escancara o preconceito em relação ao nu artístico, de protesto ou cultural – como o das tribos indígenas – frequentemente censurados no Facebook. A contradição fica por conta da vulgaridade escrachada presente em toda mídia, sobretudo com a exposição frequente do corpo feminino como mercadoria. Afinal, a soma de tudo isso significa uma liberalidade estrábica ou mera hipocrisia? Em que tempos vivemos e com quais lentes enxergamos a moral e a cultura?

No momento este debate também é pertinente porque o chamado Marco Civil da Internet – que vai inaugurar uma legislação específica para a internet no Brasil – deverá ser votado na segunda semana de agosto no Congresso Nacional, depois de quase dois anos de discussões e atrasos. A votação é bem-vinda, porém devemos ficar de olho para saber o que vem por aí. O sociólogo Sérgio Amadeu, que acompanhou a elaboração do Marco Civil, faz críticas severas a modificações que vêm sendo feitas no texto. Em entrevista recente, divulgada em vários sites, ele aponta como uma das principais contradições a medida que permite que se retire de circulação um conteúdo sem ordem judicial. Isso excluiria a chamada “neutralidade na rede”. Além disso, o novo texto sinaliza uma influência maior das empresas de telecomunicações e de copyright no Brasil. Ele explica: “Umas querem controlar os fluxos de informação e outras não querem reconhecer uma prática corriqueira das pessoas na internet que é o compartilhamento de arquivos digitais”. Segundo Sérgio, “querem transformar a internet numa grande rede de TV a cabo. Acham que, por controlarem os cabos, por estarem numa situação estratégica de controle da sociedade da informação, podem controlar os fluxos”. E reforça: “Quando a operadora tiver poder de filtrar o tráfego e dizer que tipo de conteúdo poderá passar nesses cabos, quando ela puder pedagiar o ciberespaço, matará a criatividade da internet”.

Neste ponto, retomo a discussão sobre o controle de conteúdos no Facebook, onde existe, por exemplo, um mecanismo de censura que prevê a denúncia de um usuário contra outro que tenha publicado “conteúdos indesejáveis”. Neste sentido, a rede social, além de incentivar a delação, desconsidera totalmente a Constituição do país que prevê irrestrita liberdade de expressão artística e ideológica.

Como brasileira, acho que os direitos previstos na Constituição estão muito acima de um contrato virtual que defecadores de regras costumam evocar quando burlamos as normas na rede, em franca desobediência a mecanismos contraditórios sob o ponto de vista moral e cultural. Em síntese: por que a Mulher Melancia passa e a Vênus de Botticelli é censurada no Facebook? Os defecadores de regras estão sempre a postos e quando você questiona coisas assim eles ditam uma norma, quando você revela uma contradição eles tiram um contrato virtual da gaveta dizendo: “Mas você aceitou isso quando entrou no Facebook”. Para eles não existe atitude flexível, possibilidade de mudança, novo enfoque nas relações. O mundo é estático, as regras permanentes, a paralisia está além da vida. E me perdoem se uso uma expressão tão feia quanto “defecadores de regras”, podia usar expressão mais popular, vocês sabem a que me refiro, mas para bom entendedor meia feiura basta e vou continuar protestando. Hoje, a partir das 11 horas, o mundo vai ficar mais nu no Facebook.

A nota de Elizabeth Lorenzotti:

Fico pensando que certas questões de comportamento ainda são relegadas a segundo plano,”porque existem questões mais urgentes.”. Sempre foi assim neste país com questões de gênero, minorias, etc e tal. Hoje, a situação avançou bastante. Mas… entra em cena – e olhem que já faz tempinho- a internet, entram em cena as redes sociais. Na vida virtual, colocam-se outros problemas, não diferentes da vida real. A censura moralista, por exemplo. Uma corporação poderosa quer nos ter em suas mãos. Uma rede preferida pelos brasileiros, e da qual os ativistas têm lançado mão, com sucesso, nos seus movimentos. E onde, volta e meia, são censurados politicamente também. Mas essa corporação, embora tenha todos os nossos dados, não conseguiu, ainda, o controle total. Nem conseguirá. Já tentam desde o início da internet. Mas agora temos, na rede, um problema que não temos fora dela no Brasil: a censura.Seja o Facebook ponto com ou o escambau, ele atua e se locupleta neste território e tem de respeitar suas leis. Seria da mesma forma no país deles, certo?.Mas a censura ao nu no Facebook, a censura política a textos, não parece incomodar muitos. A rede ainda não faz parte da vida de muitos pensadores nossos, como escrevi num artigo para o Observatório da Imprensa. Entretanto, o século 21 não tem volta.. Esses problemas também parecem não atingir muitos dos ativistas- partidários ou não, militantes de causas das minorias, etc , de causas dos excluídos em geral.
Eu acho que é como aquele poema atribuído ao Brecht, mas de autoria do Eduardo da Costa: não é comigo, é com o outro, mas chega um dia em que eles entram na minha casa e…

Nudez

Bad Homburg, a estância balneária encostada em Frankfurt, a meia hora de trem. Hölderlin criou poemas importantes lá. No parque, recanto onde ficava. Também tem casa onde morou, em uma relação semelhante à de Frankfurt com Goethe.

Além do parque enorme, das festas de rua, tipicamente alemãs, dos sobradinhos idem, de um discreto cassino, há os banhos. Visitei, uns vinte anos atrás. Lugar amplo, limpo, funcional, confortável, oferece vapor, sauna seca, piscina, massagistas, duchas, bronzeador, hidromassagem, tudo. Homens e mulheres – ao natural, não precisa maiô.

Assexuados? Nem tanto. “Bleibe…” (fica…), suspirou o alemão a meu lado no vapor, quando a mocinha escultural, em pé à nossa frente, saiu. Às vezes passava um tipo com a toalha dobrada sobre o braço na altura da barriga, obviamente para disfarçar uma ereção. Paquera, nem pensar. Quem se metesse a besta seria posto para fora.

Eu queria mesmo era ir à sauna, reduz o desconforto de fuso horário e demais efeitos de viagem. Mas achei um tanque de hidromassagem ao nível do chão, bem em frente a uma ala de duchas e chuveiros, dava um ângulo muito bom para ficar olhando banhistas de baixo para cima, fiquei lá por algum tempo, apreciando a vista.

Passei uma tarde agradável, saí disposto. Fui visitar Ray Güde-Mertin, a agente, tradutora e crítica que morava ao lado, só atravessar a rua. Comentei o balneário. Contou-me que dois bons escritores contemporâneos brasileiros, ambos saudáveis e progressistas, haviam-se afinado. Constrangidos, não quiseram entrar (entrego…? um deles está vivo, encontrei outro dia).

As diferenças culturais. Como tudo é relativo. Alemães (e os de outros lugares, nos países escandinavos é assim em todos os balneários) não ficam daquele jeito em público. Mas há mulheres que tiram a parte de cima para tomar sol na beira do rio e em parques, no verão. Aqui, tentaram topless no Rio de Janeiro, não deu, juntava gente. Um dos meus primos de Frankfurt, que achava o balneário de Bad Homburg a coisa mais natural, fui com ele ao Rio. Ao chegarmos à praia, eufórico: “Die Bikinimädchen! Die Bikinimädchen!”, como se estivesse entrando no paraíso. Levei-o ao Sargentelli, apreciou aquele exotismo todo.

Talvez freqüentadores imperturbáveis de lugares como aquele de Bad Homburg sejam, ao mesmo tempo, fregueses de turismo sexual na Praia de Iracema, em Bancoc, ou seja onde for. A hipocrisia não tem fronteiras, e nós pagamos a conta – ou faturamos em cima?

Na virada do século 19 para o 20, mulher deixar ver tornozelo ao subir no bonde podia dar reclamação, até queixa por ofensa ao pudor. Até 1930, usavam aquelas roupagens para ir à praia. Saia até um pouco abaixo do joelho, mostrando barriga da perna, inicialmente foi um terremoto. Em 1961, Jânio Quadros proibiu biquínis, entre outros despropósitos. Havia gente acreditando que índias, por andarem nuas, fossem sexualmente disponíveis. O mundo tem de tudo – até censura no Facebook.

Lembrei-me de Bad Homburg ao ver esta matéria na Revista da Folha do fim de semana passado:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/07/22/ato-de-feministas-e-vaiado-por-peregrinos-da-jornada-na-zona-sul-do-rio.htm

Leio o jornal, mas não a revista. Publicação com uma seção chamada “criticidade”, recuso-me. Mas a série de besteiras chamou minha atenção. “Naturistas” (viva o eufemismo, outrora eram “nudistas”) dizendo que não pode em público. “Ofensivo”, “obscenidade”: não percebem que são palavras sem valor absoluto, com um significado oscilante conforme o lugar, a época, a hora? Olympia de Manet deu um enorme escândalo em 1863 – parece que foi por ser uma moça que todo mundo conhecia, não pela nudez, comum na pintura. Hoje, só não pode no Facebook, especialmente no setor brasileiro, com maior concentração de imbecis a serviço. Que contribuição por um mundo mais arejado prestam as irreverentes do Femen. E todas as outras, inclusive as que celebram a visita do papa reivindicando. Apoiaremos sempre – ou enquanto for preciso.

Imaginem só, bloquearam-me no Facebook

Por 24 horas. Por causa desta imagem, da cantora Nina Simone:

http://www.google.com.br/imgres?um=1&newwindow=1&sa=N&hl=pt-BR&biw=1360&bih=599&tbm=isch&tbnid=ihYWkx-W9RB3AM:&imgrefurl=http://temporarilyeuropean.tumblr.com/post/34020007326/you-guys-pwzwinger-nina-simone-nude&docid=MS5-R8EM-jF1VM&imgurl=http://25.media.tumblr.com/tumblr_mc682xGAjy1ryp6kjo1_1280.jpg&w=585&h=875&ei=fpHtUa-fFqLi4AOP7YGgBw&zoom=1&iact=rc&dur=343&page=1&tbnh=160&tbnw=106&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:5,s:0,i:94&tx=58&ty=98

Havia sido postada por Floriano Martins e censurada. Por isso, eu a reproduzi, com recomendação para que a multiplicassem.

Idiotas, correndo atrás – já havia tido mais de 20 compartilhamentos, só a minha postagem. E aqui, em meu blog, terá maior alcance do que em minha página de Facebook.

Floriano, por sua vez, me informa: “Um de meus perfis acaba de ser removido. Isto está se tornando um grande problema, inclusive porque li o texto de estímulo à delação anônima, que é excitação criminosa.” Concordo – classificação como excitação criminosa é precisa.

É que estou sem tempo para nada, preparando duas palestras, a de amanhã (Campo Grande) e de quinta-feira (Barueri). Ia publicar – vou publicar – algo sobre nudez, a propósito das bobagens que saíram na Revista da Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/2013/07/21/1314013-guerra-dos-pelados.shtml

Acho que só consigo preparar mais para o fim de semana. Enquanto isso, multipliquem a foto de Nina Simone.

Ah, sim – fácil de resolver, essa questão de Facebook. Basta ficar claro, nesse marco civil de internet em preparação, que termos de adesão dessas redes sociais não se sobrepõem à legislação brasileira. (nessa questão, da liberdade de expressão, e em outras, é claro)

Conversação com Claudio Willer: beats, anarquistas e os jovens em movimento – desta vez, na PUC

Terei a satisfação de tratar desses temas, cada vez mais atuais, diria até urgentes.

Data: dia 27 de junho, esta quinta feira

Horário: às 19:30 h.

Local: sala 100A, 1º andar do prédio relativamente novo da PUC – em frente ao elevador

Endereço: Rua Monte Alegre, 984, Perdizes – São Paulo, SP

Fui convidado por Edson Passetti, professor do Departamento de Política e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP. Coordena o Núcleo de Sociabilidade Libertária (NU-Sol), que tem gerado trabalhos de qualidade. Há um projeto temático: ecopolítica. Temas como esses são comigo mesmo – irei para falar e para ouvir; inclusive, para saber mais sobre anarquismo, que me interessa vivamente.

Uma frase de Passetti, em uma entrevista recente, para desencadear debate ou estimular reflexão: “O capitalismo na sociedade de controle é um investimento político inibidor de resistências; qualquer deslocamento para exigir mais ou menos atenções sociais do Estado apenas atualiza seus contornos discursivos.” Concordo? Concordamos? Eu teria alguma visão alternativa? Ou apenas mais perguntas, adicionadas a estas que estou formulando aqui?

No dia seguinte, sexta feira, conforme já noticiado aqui, será em Diadema, sobre poetas malditos e Piva. Haverá continuidade.

Blogosfera ameaçada

Duas notícias, lado a lado, na Folha de S. Paulo de hoje.

Uma, sobre a decisão judicial determinando a retirada de uma das colunas de José Simão do meio digital, a pedido de uma ex-candidata a vereadora de Indaiatuba:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/110334-juiza-ordena-que-coluna-de-simao-seja-retirada-da-web.shtml

É um caso sumamente ridículo. Simão publicou o previsível comentário por essa candidata apresentar-se, na campanha eleitoral de 2012, como Alzira Kibe Sfiha. Ora – não quer ser objeto de gozações do colunista? Então, não adote pseudônimos como esse, convite à sátira.

A outra traz o espantoso caso da blogueira do Amapá que teve bloqueados os R$ 5.000,00 de sua aposentadoria, por dever multas acima de R$ 2 milhões, decorrente de processos movidos por aliados de José Sarney.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/110331-blogueira-processada-por-aliados-de-sarney-e-multada.shtml

Literatura do absurdo, a declaração de Sarney: quem moveu a ação não foi ele, porém o advogado.

Havia comentado aqui, recentemente, o caso do usuário do Facebook atingido por ações em série, por divergir de um empreendimento imobiliário na sua vizinhança.

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/05/19/censura-judicial-e-na-rede-social-somadas/

Trata-se, como havia observado, de episódio especialmente grave. Decisão de um colegiado, um tribunal superior, configura jurisprudência, me parece.

Ademais, no caso da imobiliária e de Sarney e PMDB do Amapá, há uma evidente discriminação econômica. Ganha essas paradas quem tem condições de bancar os escritórios de advocacia.

Decisões como essas, impondo tutela antecipada, caracterizam censura judicial. Abrem precedentes. Justificariam controle e vigilância, com algo de totalitário, do que circula no meio digital. Representam ameaça ao conjunto dos usuários dessas mídias.

Inclusive a este blog.

Censura judicial e na rede social, somadas

Trago a notícia publicada no Estadão de hoje. Sobre decisões judiciais que, ao invés de limitarem a censura no Facebook, reforçam-na. Eles querem mais. Acham que censura pouca é bobagem. Ou que liberdade de expressão tem que ser severamente vigiada. Aí vai:

http://noticias.r7.com/sao-paulo/protestos-nas-redes-sociais-vao-parar-na-justica-19052013

Trata da proibição de um usuário do Facebook expressar-se, protestando – certamente com razão – contra um empreendimento imobiliário.

O que me parece mais grave: a decisão é do Tribunal de Justiça de São Paulo. Uma instância superior, um colegiado, e não apenas algum juizão retrógrado. Estão institucionalizando a censura, apesar de expressamente proibida pela Constituição.

Já tratei aqui de censura judicial, proibição liminar da circulação de livros. Houve, também, inúmeras decisões proibindo jornalistas e jornais de mencionarem políticos – e ainda multando-os pesadamente: resultou, entre outros casos, em alguns jornalistas inadimplentes no Acre, de tão multados que foram por mexerem com Sarney e membros do clã. Também partiram para cima de blogs e do google.

E já tratei bastante de censura no Facebook, em várias postagens, formando dossiê.

Desta vez, com um tribunal interferindo em postagens no Facebook, é como se as duas modalidades convergissem, ou se somassem.

O arcaico contra o moderno. Quem ganhará a parada?

Mas, enquanto isso, qualquer hora dessas, é capaz de ainda quererem censurar este blog.

Mais censura: agora, o caso Kassandra em Santa Catarina

A seguir, texto vigoroso de Marco Vasques sobre censura a uma peça teatral em Santa Catarina.

Como prolifera. Tivemos a apreensão de livros em Macaé, a lei em favor da moral e dos bons costumes no Rio de Janeiro, os incríveis casos no Facebook (os mais recentes, mais uma foto de jornal de índios brasileiros e uma foto de 1939 exposta no museu do Jeu de Paume em Paris…), cláusulas de censura prévia em edital do Ministério da Cultura – tudo registrado aqui, neste blog. Haverá mais, receio.

Após a reprodução do artigo, alguns links: sobre o Erro Grupo, também catarinense, que foi autuado por causa de uma cena de nudez de 30 segundos; reprodução da matéria de Marco Vasques na revista catarinense Osiris; matérias em O Estado de S. Paulo de hoje sobre ocupação de comissões pela “bancada evangélica” – costumavam chamar a isso de aparelhamento.

CASO KASSANDRA

Por Marco Vasques

Publicado no jornal Notícias do Dia [18/03/2013]

Todos sabemos, pelo menos aqueles que vivem intimamente no meio teatral, que durante o último Festival de Teatro Isnard Azevedo tivemos um caso explícito de censura por conta da nudez cênica. Como se a nudez não estivesse todos os dias ao nosso alcance por tudo o que é meio de massa que insiste em fazer do corpo mais um produto do capitalismo. Todos sabemos, pelo menos aqueles que presenciaram, que o Erro Grupo foi autuado por conta de um nu de 30 segundos, que era um dos possíveis finais do espetáculo Hasard. Todos sabemos que a peça teatral O Tempo de Eduardo Dias – tragédia em 4 tempos, dos escritores Amílcar Neves e Francisco José Pereira, sofreu interdição judicial.

Todos sabemos que uma empresa, vendedora de planos de saúde, exigiu de um músico ― que pleiteava recursos para fazer seu álbum ― que retirasse algumas frases de umas letras. Ele retirou e foi agraciado com o famigerado recurso. Todos sabemos que a mesma empresa, que pretendia apoiar um livro de contos, exigiu que o autor retirasse um conto em que um dos personagens, um adolescente de 15 anos, morre divagando sobre a possibilidade de todas as enfermeiras agirem como prostitutas, doando-se fisicamente a todos os enfermos com um ato de extrema unção. O autor não aceitou e não recebeu o recurso solicitado.

Todos sabemos que a Ditadura Militar perseguiu, matou, censurou artistas e intelectuais. Todos sabemos que entramos em outras ditaduras: a do consumo, a da economia, a da ignorância, a da intolerância, a da opressão, a da omissão… Agora, todos ficamos sabendo que o espetáculo Kassandra, que é um ato poético grandioso, foi censurado por ter como cenário uma das casas de diversões mais famosas da cidade, o Bokarra.

Tudo que tínhamos para falar sobre as qualidades estéticas, poéticas e cênicas de Kassandra já expusemos neste jornal, onde exercemos também a crítica teatral. Talvez seja preciso dizer que o espetáculo Kassandra usa o Bokarra Club apenas como cenário, ou seja, o bordel fecha para recebê-lo; talvez seja preciso dizer que Kassandra é um trabalho construído com o aval financeiro da Fundação Nacional das Artes; talvez seja preciso dizer que a censura tem que ser combatida, jamais aceita; talvez seja preciso dizer que aceitar a ingerência, em uma programação cultural que tem uma curadoria, revela muito do que gestores, políticos, artistas e produtores culturais são capazes de fazer (ou não) para alcançarem seus objetivos; talvez seja preciso rever ― e os franceses estão fazendo isso ― o namoro milenar entre o poder político e a arte; talvez seja necessário saber quem solicitou a ausência de Kassandra na Maratona Cultural e indagar o motivo do “pedido” e, talvez, o mais triste dos talvezes seja pensar porque se aceitou tal “pedido”.

http://www.errogrupo.com.br/v4/pt/

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,evangelicos-miram-comissoes-que-tem-poder-de-barrar-temas-sensiveis-a-igreja,1009916,0.htm

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,de-cada-7-deputados-1-faz-parte-da-bancada-,1009985,0.htm

http://revistaosirisliteratura.wordpress.com/

Haverá mais – receio.