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Uma seleta de passagens edificantes e instrutivas do “Manual de boas maneiras para meninas” de Pierre Louÿs

Pierre Louÿs downloadDa Azougue editorial, 2006, coleção Devassa, tradução de Bernardo Esteves, Tiago Esteves e Paulo Wernek. No original francês, “Manuel de civilité pour les petites filles à l’usage des maisons d’éducation”, publicado em 1926. A data deve ser levada em conta: um livro anacrônico, pois hoje a educação das mocinhas é menos rígida, não são obrigadas a ir semanalmente à missa e a comungar, nem a rezar ao espertar e na hora de dormir, tampouco a comparecer a fastidiosos jantares em família; ademais, há menos tabus relativos a sexo e erotismo. Não obstante, a obra é relembrada e ultimamente vem suscitando manifestações iradas. Como já observei no Facebook, toda vez que vêm à tona denúncias de estupros, algumas pessoas acham que a culpa é de Pierre Louÿs.
O manual é dividido em capítulos: ‘No teatro’, ‘No baile’, ‘No confessionário’ etc, culminando com “Na cama com uma amiga”e “Na cama com um velho”. Já levei a rodas de leitura e cursos, para tratar de sátira. Examinei as negações afirmativas, os “Nunca faça” e a série final do “Nunca diga”.
Após reproduzir trechos, informo sobre Pierre Louÿs e comento as broncas recentes. Seguem alguns dos espirituosos conselhos às menininhas:
“Não fique na varanda cuspindo sobre os passantes, sobretudo se estiver com porra na boca.
Não mije no degrau mais alto da escada para fazer cascata.
Se lhe perguntarem o que você bebe nas refeições, não diga que só bebe porra.
Não faça ir e vir um aspargo em sua boca olhando languidamente o jovem que você pretende seduzir.
Não faça cocô na musse de chocolate, ainda que, por estar proibida de tomar sobremesa, você esteja certa de que não vai comê-la.
Se bater uma punheta para seu vizinho com o guardanapo dele, seja discreta para que ninguém perceba.
Se encontrar um cabelo suspeito em sua sopa, não diga: “Oba, um pentelho do cu!”
Colocar mel entre as pernas para que um cãozinho venha lambê-la é permitido a rigor, mas é inútil retribuir-lhe o serviço.
Meninas bem educadas não mijam no piano.
Caso tenha se masturbado no elevador, coloque suas luvas de volta antes de entrar.
Se uma mulher se recusar a se sentar, não lhe dê conselhos sobre o perigo de ser enrabada por um estabanado.
Ao despertar, uma menina deve terminar totalmente de se masturbar antes de começar a rezar.
Se você não se masturbou o bastante de manhã, não termine na missa.
Se chupar um homem antes de ir comungar, controle-se para não engolir a porra: você não estaria mais em jejum como deveria estar.
Se você transar à tarde em uma igreja do interior, não lave sua bunda na água benta. Longe de purificar o pecado, você estaria agravando sua falta.
Não se masturbe no confessionário para ser absolvida logo em seguida.
Não entre nos mictórios para ver os homens mijando.
Se um velho sátiro lhe mostrar seu membro numa curva de uma aléia, nada a obriga a lhe mostrar sua xoxotinha por educação.
Não entre em um salão de cabeleireiros pedindo descaradamente para escovar os pêlos do cu.
Não ponha a mão na calça do seu vizinho para ver se o balé o deixa de pau duro.
Ao nadar, não peça às pessoas presentes permissão para fazer xixi. Faça sem autorização.
Não mande anunciar pelo vilarejo que você perdeu o cabaço. O homem que o encontrou não o devolverá.
Quando seu pai se apresentar no círculo social que freqüenta, não diga: “Olha o corno aí!”; se disser, faça-o baixinho.
Se você sentar na coxa esquerda do seu pai, não esfregue a bunda na pica dele para deixá-lo de pau duro, a menos que vocês estejam a sós.
Se você estiver se masturbando quando seu pai entra no quarto, pare: é mais conveniente.
Não chame sua mãe de vaca velha, piranha de beira de estrada, chupadora de puta, cagadora de porra, pústula ambulante etc. Essas são expressões vulgares.
Se sua mãe perguntar o que você prefere beijar, não responda: “O cu da empregada”.
Masturbe seu irmão na cama dele, nunca na sua. Isso a comprometeria.
Quando sua irmã estiver mijando, não retire o penico para que ela faça no chão. Seria uma brincadeira de mau gosto.
Não faça troça da sua irmã se ela não quiser dar a bunda. Uma menina é inteiramente livre para oferecer apenas um buraco a seus amantes.
Todas as noites, antes de se masturbar, faça a sua oração ajoelhada.
Algumas meninas muito vigiadas compram uma santinha em marfim polido e usam-na como consolo. É um uso condenado pela Igreja.
Se você descobrir que é filha do amante e não do marido, não chame esse homem de papai na frente de vinte e cinco pessoas.
Quando tiver acabado de chupar alguém, não vá à cozinha cuspir a porra em uma panela. Os criados fariam mau juízo de você.
Nunca diga: “Minha boceta”. Diga: “Meu coração”.
Nunca diga: “Quero trepar”. Diga: “Estou nervosa”
Nunca diga: “O pau dele é muito grande para minha boca”. Diga: “Sinto-me pequena quando converso com ele.”
ETC
PIERRE LOUŸS (1870 – 1925), belga, se tornou mais conhecido por “As canções de Bilitis”, musicadas por Claude Debussy. Críticos caíram na pseudo-epigrafia e acreditaram que existisse uma poeta grega chamada Bilitis, contemporânea de Safo de Lesbos. E por “La femme et le pantin” (A mulher e o fantoche), drama filmado por Joseph von Sertenberg, estrelado por Marlene Dietrich em 1935. Escreveu uma quantidade de narrativas históricas. “Afrodite”, sobre prostituição sagrada em Alexandria, tem edição brasileira. Há outra edição, rara, de “Três filhas da mãe”, obra transgressiva, perto da qual o “Manual” é recatado. Já integrei banca de uma boa tese de doutorado, “Cortesãs de Pierre Louÿs” de Paula Gomes Macario, UNICAMP, dezembro de 2012.
Sobre as reações recentes, já me havia manifestado:
https://claudiowiller.wordpress.com/2014/03/31/obscurantismo-histeria-e-principalmente-analfabetismo-funcional/
Parece que o fundamento das reclamações é o patrocínio dessa e outras edições, em 2006, pela cervejaria Devassa. O capitalismo corruptor. Até a década de 1980, censores achavam que era o comunismo, para dissolver a família. Este artigo sobre representações da mulher na propaganda, não como lasciva, mas como dedicada servidora doméstica, que me foi encaminhado por Sergio Cohn da Azougue, é muito bom: http://fuersie.tumblr.com/
A categoria “sexismo” é coisa de gente que anseia pelo retorno da moral vitoriana. A leitura literal de sátiras é sintoma de semianalfabetismo. Infelizmente, há ativistas empenhadas em confundir feminismo, responsável pelo fim da subordinação da mulher ao homem em sociedades modernas, com obscurantismo. Chegou a ser aberto um procedimento no Ministério Público, por causa da celeuma – felizmente não deu em nada.
A praga do politicamente correto: pois já não houve um edital da Funarte e Biblioteca Nacional, em 2012, oficializando censura? Denunciei: https://claudiowiller.wordpress.com/2012/09/17/caso-gravissimo-censura-em-edital-da-funarte-e-biblioteca-nacional/
Se deixarem, proibirão não apenas títulos de Pierre Louÿs, mas Lolita de Nabokov, a obra obscena de Hilda Hilst, todo William Burroughs, Henry Miller etc, além, é claro, do Marquês de Sade. Reverterão conquistas que consumiram tempo, e também dinheiro: as batalhas judiciais da Grove Press de Barney Rosset na década de 1960 enfraqueceram a editora e contribuíram para seu fim, conforme relatado em “A hora terna do crepúsculo” (Globo, 2013) de Richard Seaver, um dos editores. Enfim, não faltam motivos para não admitirmos retrocessos.

Obscurantismo, histeria e principalmente analfabetismo funcional

Transcrevo informe de Sergio Cohn, da editora Azougue, sobre ataque a obra de Pierre Louÿs publicada por ele. Em seguida, meus comentários:

Em 2006, a Azougue Editorial publicou o livro “Manual de boas maneiras para meninas”, de Pierre Louÿs. O livro, escrito pelo importante escritor e poeta belga, é uma paródia dos manuais de comportamento da época, e se tornou um dos grandes clássicos da literatura libertina mundial. A edição do livro não é a primeira no Brasil, mas foi realizada com apuro e prazer. Agora, o livro e a editora, assim como a empresa que foi parceira do empreendimento (e que foi posteriormente vendida para uma empresa internacional, não tendo mais nada a ver com a história) estão sofrendo forte ataque na rede por conta de um trecho do livro, destacado de forma absolutamente parcial. Sendo o livro uma paródia, que buscava lutar contra as convenções sociais da época, é preciso a contextualização o conteúdo completo da obra e do seu significado, algo que é constante na edição, para o entendimento real deste trecho. Coisa que não foi feita pelos acusadores. O ataque contra a imagem da editora é grave, e a tentativa de censura a um livro de reconhecida importância para a literatura nos lembra períodos sombrios da nossa história. O que está por trás deste ataque não sabemos, mas é preciso estar atento. A Azougue Editorial repudia qualquer forma de censura, assim como reafirma o seu respeito às causas não apenas das mulheres, mas de igualdade de direitos entre os gêneros e liberdade comportamental.

O ataque, caudaloso, com bastante gente endossando, uma sucessão de disparates nos comentários, é este:

https://twitter.com/ThinkOlga/status/450619340157906944

Minhas observações:

  1. Justamente na efeméride, nos 50 anos do 31 de março, não precisavam provocar sensações de volta no tempo, de retorno do que, felizmente, deixamos para trás.
  2. É analfabetismo funcional por não se darem conta de que é sátira ao moralismo. Ou, sendo moralistas do tipo obscurantista, por sentiram-se atingidos.
  3. Ataque agora, em 2014, a um livro publicado no Brasil e patrocinado em 2006? Que saiu na França em 1917? Tardígrados.
  4. Logo pedirão novamente a censura de Henry Miller. De James Joyce. De D. H. Lawrence. De William Burroughs. De Sade. Das obras libertinas de Apollinaire. De… E reativarão, é claro, o escândalo de 1990 em torno de Hilda Hilst e de ‘O caderno rosa de Lori Lamby’.
  5. Essa gente é absolutamente inculta. Dê para lerem as cartas de Joyce a Nora Barnacle, para verem o que é bom.
  6. De Hilda, está em cartaz adaptação de ‘A obscena senhora D”. Mandar ingressos promocionais. Aí sossegam.
  7. Brindá-los com ‘A história de O’, atribuído a Pauline Réage (participação de Jean Paulham até hoje não está esclarecida, Alexandrian acha que foi ele). Melhor: na versão em quadrinhos por Guido Crepax. Tenho, empresto se precisarem.
  8. Sergio Cohn: publique mais Pierre Louÿs,. ‘Afrodite’. Principalmente, ‘Três filhas da mãe’ – aí se acalmam com relação ao “Manual de boas maneiras para meninas”. Faça edição do ‘Manual’ barata, com ampla distribuição. Que o escândalo divulgue um autor de qualidade.
  9. Descobrir onde se reúnem. Despejar sobre eles, de helicóptero, as reedições de Carlos Zéfiro. Enfim, há uma substanciosa biblioteca à espera deles, para instruir e edificar.
  10. Ah, quer dizer que a bronca é pela marca de cerveja Devassa estar patrocinando? Enxergam a mão maligna do capitalismo, empenhada em perverter os costumes? Durante o regime militar, censores achavam que era o “Movimento comunista internacional’, com o propósito subversivo de dissolver a família (li dossiês com relatórios deles, escrevi a respeito). Mudou o inimigo objetivo – a idiotice prossegue a mesma. Quanto a cervejas, substituirei Original, Itaipava e Cerpa, as menos ruins das brasileiras, pela Devassa. Aguardem fotos minhas no Facebook de garoto propaganda – segurando o livro e tomando a cerveja.
  11. Dá para evitar mais observações sobre a vida sexual mal resolvida dessa gente? Contenho-me.
  12. Falando sério – se bem que estou sendo sério o tempo todo e o episódio é grave: ver “apologia do estupro” em “Manual de boas maneiras para meninas” de Pierre Louÿs mostra que há pessoas sentindo-se ameaçadas pelo livro. Ilustra mais uma dessas confusões entre a esfera simbólica e aquela do real. Esse prefeito de Coari, Amazonas, que finalmente, anos depois, foi preso por encabeçar uma rede de prostituição infanto-juvenil – ele, seus inúmeros comparsas, seus incontáveis equivalentes – vocês acham que algum deles já leu Pierre Louÿs? Nem sabem quem é. Vocês acham que algum estuprador de verdade leu Sade? Enfim, e como sempre, os moralistas, os preconceituosos, retrógrados e histéricos jamais chegam perto de qualquer problema real. Só enchem a paciência.

Jack Kerouac, o biografado

Ao final de O livro de Jack, recém-publicado em edição brasileira (Globo – Biblioteca Azul), a bibliografia, a relação dos títulos que constituem sua extensa obra. São vinte e seis. Há mais, a lista está incompleta. Contudo, a quantidade de biografias e ensaios biográficos sobre o porta-voz beat é ainda maior. Só aqui, em minha estante, tenho sete.

É compreensível – não só pelo impacto de On the Road e outras de suas narrativas, mas por serem autobiográficas. Ou melhor, serem e não serem – há omissões, histórias contadas pela metade, alguma ficcionalização. Daí despertar tamanho interesse, desde o trabalho pioneiro, e que continua valendo, de Ann Charters, trazendo à luz o que houve entre Jack, Neal e Carolyn Cassady, Luanne Henderson– o “quadrângulo amoroso”, como é dito em O livro de Jack – ou pentágono, adicionando Allen Ginsberg, ou alguma figura geométrica ainda mais complexa. A mais completa dessas biografias continua sendo Memory Babe de Gerard Nicosia. Recentemente foi lançada no Brasil Jack Kerouac – King of the Beats de Barry Miles (pela José Olympio) – é um especialista, também biografou Ginsberg e Burroughs.

Daí, no prefácio mais recente de O livro de Jack, de 1912, Barry Gifford comentar biografias:

“Em carta para Arnold Zweig, datada de 30 de maio de 1936, Sigmund Freud escreve: “Para ser biógrafo, você precisa ocupar-se de mentiras, acobertamentos, hipocrisias, falsidades e mesmo apagar sua falta de compreensão, pois a verdade biográfica é impossível e, se a ela chegássemos, não poderíamos utilizá-la… A verdade não é possível, a humanidade não a merece…” […] Foi Allen Ginsberg, amigo de longa data de Jack, que disse, tendo terminado de ler as provas ainda não revisadas do volume: “Meu Deus, é como o Rashomon – todo mundo mente, e a verdade vem à tona!” […] Kerouac não tinha atributos divinos, nem O livro de Jack foi pensado para ser a hagiografia de um ser inatingível. […] A despeito do dr. Freud, há, sim, uma espécie de verdade a ser encontrada aqui.”

Se fosse no Brasil, ou, pior, se o mundo seguisse o Brasil, e se a família Sampas (sucessores de Kerouac) perfilasse no ‘Procure saber’, obviamente O livro de Jack e boa parte do restante da bibliografia kerouaquiana jamais teria chegado aos leitores. Autores como Barry Miles e tantos outros amargariam o ineditismo ou teriam que escrever sobre outra coisa. A pergunta sobre a verdade, suscitada pelo confronto de opiniões de Freud e Ginsberg, permaneceria eternamente sem resposta – ou sequer haveria como formulá-la.

Biografias e assombrações

É meu artigo que saiu hoje, 30/10, no Correio Braziliense. Página de internet do jornal só permite acesso de anunciantes, por isso reproduzo o arquivo em word. Que coisa, havia-me esquecido do exemplo mais expressivo para ilustrar essa fobia dos biografados: O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde – obras na qual, justamente, se encontram os dois temas, do duplo ameaçador e do espelho.

Este blog está com 101.850 acessos, terá mais de 6.000 este mês e conta com 189 assinantes. QUERO MAIS. Premam o botão “seguir” – assim ficarão sabendo de todos os acontecimentos imanentes e transcendentes, espaciais e temporais.

Biografias e assombrações

Claudio Willer

Que estrondoso tiro pela culatra deram os integrantes do movimento “Procure saber”, através da desastrada porta-voz secundada por um coral de declarações titubeantes, algumas delirantes, da plêiade de artistas. Transformarão o Brasil em um país de leitores de biografias. Não sabem que a censura estimula o interesse pelo censurado? Que o recalcado volta com mais força? Que as vendas de Howl and other poems (Uivo e outros poemas) de Allen Ginsberg dispararam após o processo por obscenidade de 1957? Que gerações quiseram ler D. H. Lawrence e Henry Miller para saber o que havia desencadeado a fúria puritana? A divulgação em meu blog do depoimento de Domingos Pellegrini sobre Paulo Leminski bateu um recorde de acessos. Meu artigo de 2008 sobre a proibição da biografia de Guimarães Rosa por Alaor Barbosa (e sobre Lorca por Ian Gibson, Joyce por Richard Ellman etc) voltou a ter leitores.

Autorização para publicar biografias, assim como tutela antecipada, impedindo circulação: aberrações inexistentes em países civilizados. Atingem a produção do conhecimento. Não se trata apenas dessa ou daquela personalidade da literatura, artes ou política; mas de informação histórica, sociológica, sobre a vida. Pois já não houve herdeiros sequiosos que interferiram em pesquisas legitimamente acadêmicas?

Biografias podem ser de má qualidade, com equívocos, distorções? Que a crítica se manifeste. Podem ofender? Que ofendidos recorreram á justiça. O judiciário é lento? A pior solução, criar leis esdrúxulas.

Como o jogo parece definido, quero avançar. Examinar contrapartidas literárias da polêmica sobre biografias. São os doppelgänger, os duplos romântico dos relatos de E. T. A. Hoffmann, Von Chamisso e tantos outros. Receberam um tratamento de especial brilho através do “William Wilson” de Edgar Allan Poe, publicado em 1839. A história do jovem aristocrata, vítima de alguém idêntico – ao ganhar um jogo e ser denunciado como trapaceiro, ao ser impedido de seduzir uma mulher maravilhosa. Mata o “absoluto na identidade”: descobre que também se matara. Diz-lhe o duplo: “Em mim tu existias… e vê em minha morte, vê por esta imagem, que é a tua, como assassinaste absolutamente a ti mesmo”.

Outra história famosa de duplos, dessa vez não idênticos, porém opostos, é a do médico e o monstro, O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde de Robert Louis Stevenson, publicada em 1886. Com um final igualmente sanguinolento: o duplicado, ao destruir o duplo, dá fim a si mesmo. Mais uma variação sobre o tema, literariamente poderosa: O duplo de Dostoiévski, de 1846. Sincrônica àquela de Poe, mas protagonizada por um burocrata e não um aristocrata: o alterego o prejudica até levá-lo à destruição.

Duplos, o outro eu, foram, mais que tema, uma obsessão de Jorge Luis Borges. Assim como espelhos – abomináveis, disse, desde sua História universal da infâmia, por duplicarem a realidade. Julio Cortázar também escreveu contos esplêndidos com duplos.

Sua matriz, penso, está em Shakespeare, no Caliban que não suporta ver-se no espelho, em A tempestade. Contém ensinamentos que os membros do “Procure saber” desconhecem. Inspiraram a Freud o ensaio famoso, Das Unheimliche – que pode ser traduzido como “estranho”, “insólito”, “sinistro”. Categoria-chave para entender sua marcante presença literária, recorrendo à psicanálise: o narcisismo. São histórias de pessoas centradas em si, incapazes de estruturar o ego e relacionar-se com o mundo. Simbolicamente, os artistas que se puseram em evidência, de modo tão desfavorável, querem controlar suas imagens e o restante, o mundo todo. Os sucessores, pior ainda: o ilustre antepassado, agenciado ou representado, é uma pessoa interposta, através da qual buscam reduzir sua irrelevância.

Que vão todos bater á porta dos psicanalistas e outros terapeutas. Resolvam seus problemas de identidade, seu narcisismo, neuroses e fobias, sem impedir o trabalho de pesquisadores; sem criar transtornos a autores e editores; sem nos sonegar informação.

Uma consulta

Em tempo (postado no dia seguinte, 11/08): somando comentários aqui e no Facebook, é dez a zero, unanimidade, em favor de juntar tudo, montar um só dossiê. Agradeço. Vou proceder já à edição.  

Ia fazê-la pelo Facebook. Mas este blog é melhor para textos mais extensos. Agradeço se responderem, seja nos comentários da própria rede social, seja aqui.

É o seguinte: como é notório, havia aberto o dossiê “Censura no Facebook”, transcrevendo relatos e denúncias, em março de 2012. Desfile de absurdos: usuários suspensos por exibirem quadros clássicos em museus, notícias de jornal etc, além de casos evidentes de censura política, de idéias e posições. Este:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/03/22/censura-no-facebook-um-dossie/

Ao chegar a 69 relatos, achei extenso demais, pouco confortável para consulta. Abri um segundo post:

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/08/01/dossie-censura-no-facebook-2/

No entanto, ter tudo junto, mesmo disfuncional para blogs, facilita pesquisas e consultas. Deu-me vontade de juntar tudo outra vez.

O que acham? Mantenho dossiê 1 e 2, ou junto tudo?

O primeiro deles, o extenso, teve milhares de acessos. Todo dia consultam. Vem sendo citado e tenho dado entrevistas.  Exemplos:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/facebook_reintroduz_a_censura_no_brasil

http://www.bhaz.com.br/censura-de-volta/

Acabei de atender a repórter de – de onde mesmo? – revista Imprensa, acho – logo saberei. Enfim, estratégia de fazer dossiê funcionou, somada, é claro, a outras iniciativas.

Próximo passo, urgente: tema chegar ao debate parlamentar sobre Marco Civil da Internet. É simples: basta constar que termos de adesão não podem sobrepor-se às leis brasileiras, principalmente no que se relaciona à liberdade de expressão e privacidade. Parece óbvio: no entanto, já houve consulta ao Ministério Público – por incrível que pareça, alegaram os contratos, termos de adesão. Haveria outros direitos a proteger, de usuários verem só aquilo com que concordam? Simples; que os incomodados bloqueiem quem mandou o que lhes parecer ofensivo. Evidentemente, quem ultrapassa limites e quebra normas jurídicas – casos de nazismo, outros modos de discriminação, incitação á violência (tem, e muito), comércio sexual do tipo ilegal, calúnias e difamações etc – continua sujeito às conseqüências.

Pretendo fazer novas consultas jurídicas. Importante o tema chegar a movimentos sociais progressistas e respectivas manifestações; que se propague.

Os posts aqui citados não foram minhas únicas manifestações. A tag “censura no Facebook” tem bastante:

https://claudiowiller.wordpress.com/?s=Censura+no+Facebook

Dossiê censura no Facebook 2

Reuni os dossiês a 11/08 – todos os casos ficam, portanto, em uma única publicação. 

Em tempo (postado a 07/08):  Resistência à censura no Facebook é assim: a gente vai denunciando, repercussão vai aumentando, como se vê por este link enviado por Elizabeth Lorenzotti, que inclui a Nina Simone de Floriano Martins :
http://www.bhaz.com.br/censura-de-volta/

Ia ampliar meu dossiê sobre censura no Facebook. Aquele:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/03/22/censura-no-facebook-um-dossie/

Mas ficou extenso demais – ultrapassou 60 casos. Então, melhor abrir um novo post. Perplexo – fazem questão de passar à história como retrógrados idiotizados. Imaginem só, censurarem aquela foto manjadíssima de Marilyn Monroe quando ainda era Norma Jean Baker, que já rodou o mundo infinitas vezes desde 1950. Além das notícias de jornal, quadros de museus, fotos de índios …

Em tempo (no dia seguinte): adiciono o excelente artigo de Eliozabeth Lorenzotti no Observatório de Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/facebook_reintroduz_a_censura_no_brasil

Mantenho a sugestão de alerta para a tramitação do Marco Civil da Internet. Pode subordinar essas corporações à legislação brasileira nos tópicos da liberdade de expressão e privacidade. Ou não.

1. Postado por Celia Musili a 31/07:

No segundo ano consecutivo do Dia Pela Livre Manifestação do Nu no Facebook tivemos dezenas de fotos censuradas durante o protesto. Na minha página, duas de nu masculino, uma de cara fazendo xixi de costas numa praia e uma clássica do poeta Allen Ginsberg , que considero um meio-nu porque ele segura uma tabuleta na frente dos órgãos genitais. Isso me dá a certeza de que não há o menor critério quanto às imagens censuradas. As denúncias, na sua maioria, partem de usuários anônimos do FB que denunciam outros usuários, de acordo com a política de delação estimulada e instituída pela rede, coisa em si vergonhosa. Feita a denúncia não creio que os censores do FB analisem os casos, se o fizessem não censurariam a foto de Ginsberg que nem é exatamente um nu. Eles apenas acatam as denúncias e se alguém não vai com sua cara pode denunciá-lo por isso e não exatamente por sua postagem. Neste Dia do Nu tivemos, como disse, algumas páginas e postagens censuradas. Os bloqueios, que impedem os usuários de usarem normalmente a rede e funcionam como punição, variam de 24 horas a 30 dias, peguei 30 dias pela segunda vez, talvez porque seja uma reincidente contra à censura ao nu. Entre os amigos censurados tenho conhecimento dos seguintes casos: foram censuradas páginas e postagens das poetas Líria Porto e Prisco Rizzo, do fotógrafo (ex Estadão) Carlos Ruggi , do jornalista Luiz Carlos Lorencetti e da amiga que assina La belle de Jour, todos no dia do protesto. No dias subsequentes, houve remoção de imagens em outras páginas o que mostra que a delação e censura se acenderam após o Dia do Nu, entre eles cito censuras a fotos postadas por Elizabeth Lorenzotti e Cyntia Lopes que participaram ativamente da manifestação. Entres os casos mais gritantes e vergonhosos para o FB, cito a censura a nus de tribos indígenas. Não é mais possível tolerar este tipo de censura que é pura discriminação com outra cultura, que os “homens” do FB desconhecem e não compreendem. Isso se chama simplesmente intolerância e não devemos admiti-la sob hipótese nenhuma. Tenho um perfil 2 que uso quando sou censurada no meu perfil original e continuo na rede por teimosia e vontade de seguir na luta contra a ignorância de uma mídia da Idade Mídia!

2. Por Elizabeth Lorenzotti a 01/08:

Fui suspensa pelo Facebook por 24 horas. Depois de censurarem duas fotos – uma de Iansã e outra de indios – agora censuraram a clássica foto de Marilyn Monroe posando nua, quando ainda era Norma Jean. Esta última foto não postei nesta página, mas no Grupo contra a censura no Facebook, que é fechado. O Facebook estimula a delação, o que é um horror. Um artigo meu no Observatório da Imprensa sobre a censura no Facebook deve sair brevíssimo. Eu avisarei e passarei o link.

Marco Civil da Internet e ameaças à liberdade de expressão

Temos que acompanhar a discussão e votação do Marco Civil da Internet.

Transcrevo matéria de Célia Musili publicada domingo, 28/07, no jornal Folha de Londrina, alertando. Também traz observações sobre censura e exposição da nudez no Facebook e outros lugares. Cito: “por que a Mulher Melancia passa e a Vênus de Botticelli é censurada no Facebook?”.

Conforme denunciado pelo sociólogo Sérgio Amadeu, membro do Comitê Gestor da Internet, citado por Célia, tópicos do Marco Civil, especialmente aquele deixando claro que contratos de adesão ás redes sociais não se sobrepõem às leis brasileiras, podem ser desfigurados. O loteamento do meio digital para um condomínio de grandes empresas de comunicação resultaria em algo semelhante ao que ocorreu, em meados da década de 1990, com nossa TV a cabo. Passariam a ter o direito de filtrar conteúdos, em uma relação semelhante àquela da empresa jornalística com as matérias publicadas – com uma diferença fundamental: se um jornal ou revista me contrata e remunera, pode, evidentemente, decidir qual texto vai publicar ou não; no entanto, não somos empregados do Facebook e similares; nós é que geramos renda, receita publicitária; se não postássemos, anunciante nenhum se interessaria.

Transcrevo trechos de artigo por Sérgio Amadeu, copiados de http://www.rubensnaves.com.br/imagens/revistas/3122012_223554.pdf:

Independentemente das polêmicas, o projeto do Marco Civil é uma resposta equilibrada e poderosa ao vigilantismo e à violação dos direitos individuais na rede, principalmente porque garante a privacidade em um cenário em que forças retrógradas querem impor um “momento hobbesiano”: chamamento para que abramos mão de direitos em razão do combate ao terrorismo e em defesa da propriedade intelectual. […] Permitir que os controladores de cabos e fibras por onde trafegam nossos conteúdos comunicacionais tenham o poder de filtrá-los, atrasá-los ou ordená-los conforme seus interesses econômicos equivale a implantar pedágios inaceitáveis na rede. Garantir a neutralidade é definir na lei que quem controla a infraestrutura de telecomunicações seja neutro em relação às informações que passam por ela, independentemente de sua origem, destino, aplicação e conteúdo. […] O que está em jogo no Marco Civil é se a cultura da liberdade continuará vigorando na internet ou se a substituiremos pela cultura da permissão.

O artigo do Marco Civil da Internet sob ameaça é este:

Art. 7º O acesso à Internet é essencial ao exercício da cidadania e ao usuário são assegurados os seguintes direitos:I – à inviolabilidade da intimidade e da vida privada, assegurado o direito à sua proteção e à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; II – à inviolabilidade e ao sigilo de suas comunicações pela Internet, salvo por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;  III – à não suspensão da conexão à Internet, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização; IV – à manutenção da qualidade contratada da conexão à Internet;  V – a informações claras e completas constantes dos contratos de prestação de serviços, com previsão expressa sobre o regime de proteção aos registros de conexão e aos registros de acesso a aplicações de Internet, bem como sobre práticas de gerenciamento da rede que possam afetar sua qualidade; e VI – ao não fornecimento a terceiros de seus registros de conexão e de acesso a aplicações de Internet, salvo mediante consentimento livre, expresso e informado ou nas hipóteses previstas em lei;VII – a informações claras e completas sobre a coleta, uso, tratamento e proteção de seus dados pessoais, que somente poderão ser utilizados para as finalidades que fundamentaram sua coleta, respeitada a boa-fé; VIII – à exclusão definitiva dos dados pessoais que tiver fornecido a determinada aplicação de Internet, a seu requerimento, ao término da relação entre as partes; e IX – à ampla publicização, em termos claros, de eventuais políticas de uso dos provedores de conexão à Internet e de aplicações de Internet. Art. 8º A garantia do direito à privacidade e à liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do direito de acesso à Internet..

O projeto de Marco Civil na íntegra:

 http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=32316#.UfbO7o2Tios

O assunto deveria receber atenção de movimentos sociais e ser tema de manifestações. Inclusive, porque, mesmo tendo havido censura a postagens da Mídia Ninja no Facebook, as mobilizações recentes têm um enorme débito à circulação de informações ainda possível no meio digital.  Afinal, se a rejeição da PEC 37 fez com que um lobby de delgados se evaporasse, por que não exercer a mesma pressão em favor da liberdade de expressão e demais direitos fundamentais?

Transcrevo também uma postagem deElizabeth Lorenzotti, estranhando a indiferença de alguns diante do que ocorre no Facebook. Mas, pergunto, o que esperar de gente para quem o modelo de jornal bom, mesmo, é o antigo Pravda soviético? De pessoas que rejeitaram as recentes manifestações por, supostamente, não expressarem a luta de classes?

De um lado, articulações de conglomerados empresariais. De outro, a indiferença de alguns donos da verdade política.

O artigo de Célia Musili:

O MUNDO FICARÁ MAIS NU

Protesto hoje na rede social aponta contradições e traz postagens de nus

Pelo segundo ano consecutivo um grupo anticensura realiza neste domingo o Dia da Livre Manifestação do Nu no Facebook. Bloqueios a páginas de pessoas que postaram uma foto da cantora Nina Simone sem roupa, esta semana, dispararam de novo o gatilho do inconformismo de usuários que consideram agressiva este tipo de proibição na rede. Afinal, tratava-se do nu de uma figura emblemática, além de cantora e compositora, Nina Simone era conhecida por sua militância em favor dos negros nos EUA.

O protesto de hoje, quando milhares de pessoas vão postar nus na rede, é pertinente porque escancara o preconceito em relação ao nu artístico, de protesto ou cultural – como o das tribos indígenas – frequentemente censurados no Facebook. A contradição fica por conta da vulgaridade escrachada presente em toda mídia, sobretudo com a exposição frequente do corpo feminino como mercadoria. Afinal, a soma de tudo isso significa uma liberalidade estrábica ou mera hipocrisia? Em que tempos vivemos e com quais lentes enxergamos a moral e a cultura?

No momento este debate também é pertinente porque o chamado Marco Civil da Internet – que vai inaugurar uma legislação específica para a internet no Brasil – deverá ser votado na segunda semana de agosto no Congresso Nacional, depois de quase dois anos de discussões e atrasos. A votação é bem-vinda, porém devemos ficar de olho para saber o que vem por aí. O sociólogo Sérgio Amadeu, que acompanhou a elaboração do Marco Civil, faz críticas severas a modificações que vêm sendo feitas no texto. Em entrevista recente, divulgada em vários sites, ele aponta como uma das principais contradições a medida que permite que se retire de circulação um conteúdo sem ordem judicial. Isso excluiria a chamada “neutralidade na rede”. Além disso, o novo texto sinaliza uma influência maior das empresas de telecomunicações e de copyright no Brasil. Ele explica: “Umas querem controlar os fluxos de informação e outras não querem reconhecer uma prática corriqueira das pessoas na internet que é o compartilhamento de arquivos digitais”. Segundo Sérgio, “querem transformar a internet numa grande rede de TV a cabo. Acham que, por controlarem os cabos, por estarem numa situação estratégica de controle da sociedade da informação, podem controlar os fluxos”. E reforça: “Quando a operadora tiver poder de filtrar o tráfego e dizer que tipo de conteúdo poderá passar nesses cabos, quando ela puder pedagiar o ciberespaço, matará a criatividade da internet”.

Neste ponto, retomo a discussão sobre o controle de conteúdos no Facebook, onde existe, por exemplo, um mecanismo de censura que prevê a denúncia de um usuário contra outro que tenha publicado “conteúdos indesejáveis”. Neste sentido, a rede social, além de incentivar a delação, desconsidera totalmente a Constituição do país que prevê irrestrita liberdade de expressão artística e ideológica.

Como brasileira, acho que os direitos previstos na Constituição estão muito acima de um contrato virtual que defecadores de regras costumam evocar quando burlamos as normas na rede, em franca desobediência a mecanismos contraditórios sob o ponto de vista moral e cultural. Em síntese: por que a Mulher Melancia passa e a Vênus de Botticelli é censurada no Facebook? Os defecadores de regras estão sempre a postos e quando você questiona coisas assim eles ditam uma norma, quando você revela uma contradição eles tiram um contrato virtual da gaveta dizendo: “Mas você aceitou isso quando entrou no Facebook”. Para eles não existe atitude flexível, possibilidade de mudança, novo enfoque nas relações. O mundo é estático, as regras permanentes, a paralisia está além da vida. E me perdoem se uso uma expressão tão feia quanto “defecadores de regras”, podia usar expressão mais popular, vocês sabem a que me refiro, mas para bom entendedor meia feiura basta e vou continuar protestando. Hoje, a partir das 11 horas, o mundo vai ficar mais nu no Facebook.

A nota de Elizabeth Lorenzotti:

Fico pensando que certas questões de comportamento ainda são relegadas a segundo plano,”porque existem questões mais urgentes.”. Sempre foi assim neste país com questões de gênero, minorias, etc e tal. Hoje, a situação avançou bastante. Mas… entra em cena – e olhem que já faz tempinho- a internet, entram em cena as redes sociais. Na vida virtual, colocam-se outros problemas, não diferentes da vida real. A censura moralista, por exemplo. Uma corporação poderosa quer nos ter em suas mãos. Uma rede preferida pelos brasileiros, e da qual os ativistas têm lançado mão, com sucesso, nos seus movimentos. E onde, volta e meia, são censurados politicamente também. Mas essa corporação, embora tenha todos os nossos dados, não conseguiu, ainda, o controle total. Nem conseguirá. Já tentam desde o início da internet. Mas agora temos, na rede, um problema que não temos fora dela no Brasil: a censura.Seja o Facebook ponto com ou o escambau, ele atua e se locupleta neste território e tem de respeitar suas leis. Seria da mesma forma no país deles, certo?.Mas a censura ao nu no Facebook, a censura política a textos, não parece incomodar muitos. A rede ainda não faz parte da vida de muitos pensadores nossos, como escrevi num artigo para o Observatório da Imprensa. Entretanto, o século 21 não tem volta.. Esses problemas também parecem não atingir muitos dos ativistas- partidários ou não, militantes de causas das minorias, etc , de causas dos excluídos em geral.
Eu acho que é como aquele poema atribuído ao Brecht, mas de autoria do Eduardo da Costa: não é comigo, é com o outro, mas chega um dia em que eles entram na minha casa e…