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Foi a 13 de outubro de 2016. 685 reações, 242 compartilhamentos e  43 comentários, informa a rede social. Acompanhou-a este texto:

Lembrando que, após ler ‘On the Road’ de Jack Kerouac, o jovem Robert Zimmerman saiu de casa e adotou o nome de Bob Dylan (referência ao poeta galês). Literatura move. Aqui, a foto famosa, Ginsberg e Dylan no túmulo de Kerouac. Estamos em um mundo que dá voltas sobre si mesmo. Polêmicas não faltarão. .

Mais tarde no mesmo dia, declarei (para a Globonews) que poderiam ter dado o prêmio para Patti Smith. Obviamente sem saber disso, Dylan indicaria Patti para o representar na entrega do prêmio. Tarântula de Dylan é prosa poética kerouaquiana de excelente qualidade. Linha M de Patti é memorialística, também em prosa poética, primorosa.

E eu resolvi postar algo ameno, em face da sensação de haverem destampado, neste nosso país, uma enorme cloaca, ou de terem aberto a caixa de Pandora, ou qualquer outra metáfora que se ajuste ao momento presente.

“Linha M” de Patti Smith

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Quem, dentre meus amigos, presenteou-me com Linha M de Patti Smith? É excelente! De cara, na abertura, um relato de sonho em prosa poética. O restante segue assim, sendo autobiográfico também é onírico, de ponta a ponta. Viagens a lugares impossíveis, cercanias da Ilha do Diabo na Guiana Francesa, pegar umas pedrinhas para enviar a Jean Genet, assim homenageando-o. Ou à Islândia, a um simpósio para saber mais sobre o fim de um personagem impossível, Wegener (aquele da deriva continental). Ao interior do México, por servirem um café de qualidade especial (fissurada em café, dá roteiro de lugares). Ou à esquina de onde mora. Culto da “flânerie”, disponibilidade surrealista, é com ela mesma – e o texto retrata ou expressa isso. A obsessão por seguir passos de outros escritores; no livro anterior, Rimbaud na África, neste, Silvia Plath. Ao encontro de espectros beat em Tanger (deu tempo de entrevistar Paul Bowles, achá-lo ainda vivo). Capaz de encantar-se com Sebald e Murakami (faz tour de escritores japoneses suicidas e seus túmulos) e ao mesmo tempo acompanhar atentamente séries de TV como CSI: Miami – isso é típico de cultura pop.

Só garotos, autobiografia mais linear, mais focada na relação com Robert Mapplethorpe, já me havia agradado. Tenho livro de poesias dela e alguma gravação. Na palestra deste ano sobre poesia e xamanismo, apresentei trechos de sua interpretação da Ghost Dance. Trarei mais na próxima.

Ao ser entrevistado pelo Globonews Literatura sobre o Nobel para Bob Dylan, aprovei, mas declarei que melhor ainda teria sido darem-no para Patti Smith. E nem havia lido ainda Linha M.