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POESIA E XAMANISMO NO COLÓQUIO DE ESTÉTICA INDÍGENA DA FAFIL / UFG EM GOIÂNIA

Estetica indígena

Falo dia 2 de agosto, quinta feira, a partir das 19 h, na Galeria da FAV. Minha palestra será complementada por uma fogueira, peixe, tapioca, tacacá e sucos. Programação saborosa. Se pudesse, assistiria aos três dias desse colóquio da Universidade Federal de Goiás, para aprender mais sobre tópicos que me interessam vivamente. Vejam, a seguir, o extenso cardápio. Mais informações em http://www.filosofia.ufg.br/n/105796-iii-coloquio-de-estetica-da-fafil-ufg-estetica-indigena-programacao-completa:

ESTÉTICA INDÍGENA
III Colóquio de Estética da FAFIL/UFG
2 a 4 de agosto de 2018
Locais: Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (NTFSI), Cine UFG, Prédio de Humanidades (Auditório e salas), Galeria da FAV.

Dia 02/08:   Local: Auditório do Prédio das Humanidades 8:15 – Abertura oficial do evento 8:30 – Conferência: As artes indígenas: referentes sociais e cosmológicos, Lúcia Hussak van (Pesquisadora Titular do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI, vinculada ao Museu Paraense Emilio Goeldi)  Mediação – Carla Milani Damião (UFG) 09:00 – 10:00– Mesa redonda I: Expressões estéticas, Maria Luiza Rodrigues de Souza: (FSCUFG), Néle Azevedo (UNESP) e Kássia Oliveira Borges (UFAM).  Mediação – Samuel Gilbert de Jesus (FAV-UFG) 10:15 – 12:45 – Mesa redonda II: Relato sobre a produção do documentário A cultura do beijú – Povo Waura, Amatu Waura (EI-UFG) e Mauricio Kamayura (EI-UFG), Imagem e sonho: o diálogo da Claudia Andujar com os Yanomami, Raquel Imanishi Rodrigues (UnB)  Mediação – Rodrigo Cássio Oliveira (UFG)  12:45– 14:00 – Almoço  14:00 – 16:30 – Mesa redonda III: Imagens ameríndias, outro paradigma para pensar a arte, Rachel Costa (IFAC-UFOP), Auto-definições literárias, Tarsila Couto (FL-UFG) e Estética Boe-Bororo: o rito funeral como afirmação da vida, Alice Lino Lecci (UFMT).   Mediação – Luciana de Oliveira Dias (FL-UFG)  16:30 – 17:00 – Pausa

Local: Galeria da FAV: 17:00 – 18:30 – Conferência-conversa com Edgard Franco (FAV-UFG) – Arte, Hipertecnologia & Tecnoxamanismo: Processos criativos artísticos com Ciberpajelanças

19:00 – 21h – Abertura da exposição na FAV Performance Branco pureza sobre terra vermelha, Rubens Pillegi  Leitura de Cláudio Willer: Poesia e xamanismo Confraternização (fogueira, peixe, tapioca, tacacá e sucos)

Dia 03/08:  Local: Prédio das Humanidades

8:00 – 9:30 – Comunicações (Sala de defesas do PPGFIL) Coordenação: Lorraynne Bezerra Freitas 8:00 – 8:30 – As máscaras de Tawã e Iraxão: os artefatos encantados entre os Tapirapé – Vandimar Marques Damas

8:30 – 9:00 – Os Apyãwa e as imagens audiovisuais – Paula G. Viana dos Reis (UFMG) 9:00 – 9:30 – O nome vermelho de Yosano Akiko – Herick Martins Schaiblich (Graduação/UFG)

9:30 – 10:00 – Pausa  Coordenação: Bergkamp Pereira Magalhães

10:00 – 10:30 – Os donos do Brasil – João Lourenço Borges Neto (UFG)

10:30 – 11:00 – Vestires indígenas: reflexões iniciais sobre uma história da indumentária no Brasil – Rita Morais de Andrade (UFG)

11:00 – 11:30 – O rigoroso olhar índio: sobre “o quem das coisas” – Mariana Andrade (UFG)

11:30 – 12:00 – A estética da resistência e memória utópica em três filmes sobre o pós-maio de 68 – Rita Márcia Magalhães Furtado (UFG)

8:00 – 9:30 – Comunicações (Sala de defesas da FCS I) Coordenação: Kéllen A. Nascimento Ribeiro 8:00 – 8:30 – Filosofia com cinema – Rafael Fernandes (Unicamp/Fapesp)

8:30 – 9:00 – Imagens do pensamento selvagem: estética e cosmopolítica entre povos nômades da floresta – Francisco Augusto Canal Freitas

9:00 – 9:30 – Estética tropical. Objetos e ontologias culturais não-ocidentais (uma introdução) – Márcia Aurélio Baldissera

9:30 – 10:00 – Pausa Coordenação: Rámon Pereira Ataíde  10:00 – 10:30 – A escrita como cena substitutiva da pólis: memória, silêncio e testemunho em Salinas Fortes – Gilmário Guerreiro da Costa (UFG)

10:30 – 11:00 – “Que tipo de conceito é arte?”: a dissolução do problema da definição em Morris Weitz – Fernanda Azevedo Silva (UFG)

11:00 – 11:30 – Naveguei de Londres à Pérsia: devaneios errantes e flâneuses na obra de Annemarie Schwarzenbach e Virginia Woolf -Vrndavana Vilasine Laune Correia (UnB)

11:30 – 12:00 – O corpo como “texto-vivo”: uma leitura merleau-pontiana da obra Mulheres de Cinzas: as areias do Imperador, de Mia Couto – Iracy Ferreira dos Santos Júnior (UFOP)

8:00 – 9:30 – Comunicações (Sala de defesas da FCS II) Coordenação: Hugor Henrique Afonso Dias 8:00 – 8:30 – Quilombismo, descolonização e psicologia colonial: uma abordagem do pensamento negro de Abdias do Nascimento e Frantz Fanon – André Luiz de Souza Filgueira (PUC-Go/UnB

8:30 – 9:00 – A influência indígena na formação cultural do povo do sudoeste goiano – Eduardo Ferraz Franco (UFG)

9:00 – 9:30 – A arte rupestre no cotidiano: percepções estéticas da comunidade de Serranópolis – Goiás – Pollyanna de Oliveira Brito Melo (UFG)

9:30 – 10:00 – Pausa

Coordenação: Guilherme Bruno Giani 10:00 – 10:30 – O que não vemos, O que nos olha: Regimes do Visível nas Pinturas Anacé. Hércules Gomes de Lima (UFG) 10:30 – 11:00 – Grafismo indígena gavião: a pintura como elemento feminino – Ana Paula de Souza Fernandes (Univ. Federal do Sudeste do Pará)

11:00 – 11:30 – Música Timbira – Veronica Aldé

11:30-13:30 – Almoço

13:30-15:00 – Espaço de oficinas de criação com indígenas (Local: Núcleo TAHINAHAKY) 15:00 – 16:30 – Mesa IV – Pensamento em busca de raízes, Leca Kangussu (UFOP), Artes visuais, escritas de vida e decolonialidade, Manoela A. Afonso (FAV-UFG), Mirna Anaquiri Kambeba Omágua (FAV-UFG)  16:30 – 17:00 – Pausa  17:00 – 18:30 – Mesa redonda V – Autoria e expressões estéticas/artísticas indígenas em experiências pedagógicas interculturais, André Marques do Nascimento (EI-UFG), Lorena Dall’ara Guimarães (EI-UFG) e Arthur Bispo de Oliveira/Ricardo Kutokre Canela (EI-UFG).  Mediação – Carmelita Brito Felício (UFG/PPGFIL)

 

 

Dia 04/08: Programação: Fabiana Assis (PPGACV) e Benedito Ferreira Local: Cine-UFG (Auditório da FL)  8:30 – 10:00 – Itão kuegü: as hiper mulheres (2011) de Takumã Kuikuro, Carlos Fausto e Leonardo Sette (1h20) 10:00-10:30 – Pausa  10:30 – 12:30 – Corumbiara (2009) de Vincent Carelli (1h57) 12:30-14:00 – Almoço  14:00 – 16:00 – Cultura do Beiju – Povo Waura (2017) de professores e alunos do Núcleo de Formação Superior Indígena Takinahaky (00:42) e apresentação de produção áudio visual dos alunos indígenas (00:20) 16:00 – 16:20 – Pausa  16:30 – 17:45 – Taego Ãwa (2017) de Henrique Borela e Marcela Borela (1:15) 17:50 – 18:30 – Lançamento do documentário ITO (2017) de Takumã Kuikuro (00:22)   18:30 – 20:00 – Mesa VI – com convidados cineastas Takumã Kuikuro, Henrique Borela e Marcela Borela.

 

POESIA E XAMANISMO NO SESC DE SANTO ANDRÉ, II

Antonin Artaud download

IMAGINEM SÓ, FUI SUSPENSO PELO FACEBOOK POR 24 HORAS POR CAUSA DA POSTAGEM ANUNCIANDO ESTE CURSO ILUSTRADA POR UMA FOTO DE ÍNDIOS NO PARQUE DO XINGU QUE FIZ EM 1967. Ilustro agora com uma imagem de Antonin Artaud – mostrarei que Para acabar com o julgamento de Deus é poesia xamânica – e quem quiser ver a foto de índios, basta olhar a página precedente neste blog. Mostrar índios, não pode – já para controlar a proliferação de notícias falsas impulsionadas por robôs, mensagens de ódio e picaretagens comerciais, redes sociais se mostram incapazes e omissas. Monstro ambivalente, o Facebook – ao mesmo tempo, foi decisivo em movimentação recente para que eu enfrente algumas dificuldades pessoais (voltarei ao assunto). Em um post recente comentei que, se na época em que fizemos o VIVA PIVA já houvesse a rede, teríamos arrecadado muito mais.

Poesia e Xamanismo:

Serão quatro encontros. Não faltará assunto.

QUANDO: Aos sábados, dias 24 e 31 de março, 7 e 14 de abril. Horário, das 15 às 16h20 (o informe do SESC traz das 15 às 16 h, mas acho pouco)

ONDE: R. Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar, Santo André – SP, fone (11) 4438-9819, (11) 4469-1200, EMAIL email@santoandre.sescsp.org.br, Facebook www.facebook.com/SESCSantoAndre, Site sescsp.org.br/santoandre

INFORMA O SESC – SANTO ANDRÉ:

O que é um xamã? A que modalidades de magos, feiticeiros e sacerdotes se aplica o termo? Até que ponto alguns poetas podem ser identificados a xamãs e o que em suas obras justifica essa associação?

O ciclo de encontros, divido em quatro partes não sequenciais,  mostra de que modo temas e traços do xamanismo podem ser encontradas em uma diversidade de autores, desde Dante Alighieri, passando por William Blake, Gérard de Nerval e Rimbaud, até modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Vicente Huidobro, Herberto Helder, Michael McClure, Gary Snyder, Jerome Rothemberg e Roberto Piva.

Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: A verdadeira história do século 20, poesia (Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); Geração Beat (L&PM Pocket, 2009); Poemas para leer en voz alta (Andrómeda, San José, Costa Rica, 2007); Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004). Traduziu Lautréamont, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Antonin Artaud. Publicado em antologias e periódicos no Brasil e em outros países. Presidiu a UBE, União Brasileira de Escritores, em vários mandatos. Doutor em Letras na USP, onde completou pós-doutorado. Deu cursos, palestras e coordenou oficinas e outras atividades em uma diversidade de instituições culturais.

Na Sala de Múltiplo Uso.

POESIA E XAMANISMO NO SESC DE SANTO ANDRÉ

My beautiful picture

Serão quatro encontros. Não faltará assunto.

QUANDO: Aos sábados, dias 24 e 31 de março, 7 e 14 de abril. Horário, das 15 às 16h20 (o informe do SESC traz das 15 às 16 h, mas acho pouco)

ONDE: R. Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar, Santo André – SP, fone (11) 4438-9819, (11) 4469-1200, email@santoandre.sescsp.org.br, Facebook www.facebook.com/SESCSantoAndre, Site sescsp.org.br/santoandre

INFORMA O SESC – SANTO ANDRÉ:

O que é um xamã? A que modalidades de magos, feiticeiros e sacerdotes se aplica o termo? Até que ponto alguns poetas podem ser identificados a xamãs e o que em suas obras justifica essa associação?

O ciclo de encontros, divido em quatro partes não sequenciais,  mostra de que modo temas e traços do xamanismo podem ser encontradas em uma diversidade de autores, desde Dante Alighieri, passando por William Blake, Gérard de Nerval e Rimbaud, até modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Vicente Huidobro, Herberto Helder, Michael McClure, Gary Snyder, Jerome Rothemberg e Roberto Piva.

Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: A verdadeira história do século 20, poesia (Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); Geração Beat (L&PM Pocket, 2009); Poemas para leer en voz alta (Andrómeda, San José, Costa Rica, 2007); Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004). Traduziu Lautréamont, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Antonin Artaud. Publicado em antologias e periódicos no Brasil e em outros países. Presidiu a UBE, União Brasileira de Escritores, em vários mandatos. Doutor em Letras na USP, onde completou pós-doutorado. Deu cursos, palestras e coordenou oficinas e outras atividades em uma diversidade de instituições culturais.

Na Sala de Múltiplo Uso.

Ilustrei desta vez com uma foto que tirei no Parque Nacional do Xingu em 1967 – quando conheci Takumã, pajé camaiurá, um xamã legítimo.

NO FESTIVAL DE INVERSO DO SESC-RIO: OFICINA DE POESIA E XAMANISMO COM CLÁUDIO WILLER

ONDE: Em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo.

QUANDO: de 29 de julho a 06 de agosto de 2017

Será o curso, com adaptações e atualizações, que ofereci recentemente aqui, na Cia. Corpos Nômades. Reproduzo a sinopse, copiada da divulgação do SESC-Quitandinha, de Petrópolis (mas será a mesma nas três localidades).

http://www.festivalsescdeinverno.com.br/programacao/petropolis/oficina-de-poesia-e-xamanismo-com-cl-udio-willer-3661/

A SINOPSE: O que é um xamã? A que modalidades de magos, feiticeiros e sacerdotes se aplica o termo? Até que ponto alguns poetas podem ser identificados a xamãs? O que em suas obras justifica essa associação? Por que uma declaração como “O Eu é um outro” de Rimbaud resume algo típico do xamanismo? Qual a contribuição de Herberto Helder à compreensão das afinidades de poesia e xamanismo? Um poema como “o índio interior” de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima pode ser lido como xamânico? O soneto “Versos dourados” de Gérard de Nerval é poesia xamânica? Cabem as associações de Antonin Artaud ao xamanismo? O termo xamã, originariamente aplicado a sacerdotes ou feiticeiros siberianos e uralo-altaicos, deve sua extensão, consideravelmente, a Mircea Eliade, autor de O xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase, livro de 1951. O historiador das religiões examinou iniciações com viagens aos céus e ao centro da terra, subidas e descidas ao longo de um eixo do mundo; experiências de morte e renascimento, destruição e reconstituição do corpo; utilização de substâncias psicoativas; o travestimento ou transexualidade; as provas de aquisição de poderes como profetizar, curar, deslocar-se. E a expressão através de outra linguagem –origem da poesia – possibilitando a comunicação com espíritos, animais, a natureza. Serão utilizados estudos e depoimentos mais recentes, a exemplo de A queda do céu de Davi Kopenawa e do que Viveiros de Castro escreveu sobre xamanismo na Amazônia, e dos estudos, por exemplo, de Piers Vitebski e Jerome Rothenberg. Enriquecem esse exame e tornam mais preciso o uso do termo. Será mostrado de que modo temas e traços do xamanismo podem ser encontradas em uma diversidade de autores, desde Dante Alighieri, passando por William Blake, Gérard de Nerval e Rimbaud, até modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Vicente Huidobro, Herberto Helder, Michael McClure, Gary Snyder, Jerome Rothemberg e Roberto Piva. O objetivo é enriquecer a leitura da poesia, possibilitando enxergar mais sentidos.

A PROGRAMAÇÃO: OFICINA LITERÁRIA | POESIA E XAMANISMO | CLÁUDIO WILLER

Unidade: Sesc Quitandinha. Local: Biblioteca. Data: 29 e 30 de julho. Horário: 10h-13h. Classificação etária: livre

Unidade: Sesc Teresópolis. Local: Biblioteca. Data: 03 e 04 de agosto. Horário: 10h-13h. Classificação etária: livre

Unidade: Sesc Nova Friburgo. Local: Biblioteca. Data: 05 e 06 de agosto. Horário: 10h-13h. Classificação etária: livre

LINKS: . Petrópolis: http://www.festivalsescdeinverno.com.br/programacao/petropolis/oficina-de-poesia-e-xamanismo-com-cl-udio-willer-3661/

Nova Friburgo:  http://www.festivalsescdeinverno.com.br/programacao/nova-friburgo/oficina-liter-ria-poesia-e-xamanismo-cl-udio-willer-93692/

(Teresópolis em construção)

CURSO DE POESIA E XAMANISMO: UMA SINOPSE DA PRIMEIRA AULA

Tivemos um bom público, visivelmente interessado. Quem mão conseguiu vir, mas quiser comparecer à próxima sessão, pode, na forma prevista neste informe: https://claudiowiller.wordpress.com/2017/02/22/poesia-e-xamanismo-um-novo-curso/

Esta sinopse, como faremos para que chegue aos participantes? Grupo de e-mails? Grupo de Facebook? Coletar os e-mails? (acho que perdi meus enso de organização em algum lugar no trajeto entre a Av. Paulista e o teatro de Corpos Nômades)

Comecei pelo final, invertendo a sequência que adotei em minha palestra de julho de 2016.

  1. Abri com trecho do vídeo de Michael McClure rugindo para leões; li seu relato de experiência semelhante, conversar com animais, leões marinhos.
  2. Xamanismo e sua relação com a poesia segundo Jerome Rothenberg em Etnopoética do milênio
  3. A contribuição de Viveiros de Castro em Metafísicas canibais; o ataque à separação aristotélica, cartesiana e cientificista de sujeito e objeto (disse algo do que penso sobre behaviorismo e cientificismo em estudos literários) (também disse algo sobre mitos da criação do mundo, confrontando Gênesis, tão simples, com a exuberância do Popol Vuh)
  4. Poemas que podem ser lidos como xamânicos, valendo-nos da contribuição de Viveiros de Castro: “Versos dourados” de Gérard de Nerval. Voltarei a tratar de Nerval,a propósito de viagens órficas. “O céu jamais me dê a tentação funesta / de adormecer ao léu, na lomba da floresta” etc (que Roberto Piva declamava quando o conheci) em Invenção de Orfeu de Jorge de Lima.
  5. A distinção de Michel Riffaterre, o semiótico inteligente, entre delírio e alucinação em “Estilística estrutural”. Aplica-se a poemas que designei como xamânicos (ressalvando que no âmbito do xamanismo também há delírio, visões, sonhos e o restante).
  6. Enunciados xamânicos:
    1. “Eu sou um outro” de Nerval; os duplos românticos
    2. “O Eu é um outro” de Rimbaud – a vidência comentada por Rothenberg. Quem é este “outro” em Rimbaud? O bárbaro, o selvagem, conforme a declaração de princípios em “Mau sangue” de Uma temporada no inferno.
    3. O “índio interior” em Invenção de Orfeu de Jorge de Lima: um duplo. Minha leitura delirante de Jorge de Lima, enxergando xamanismo em toda a sua poesia – justifiquei com informação biográfica (e mais um ataque ao “recorte” cientificista de autor e obra)
    4. Os múltiplos “eus” em Michael McClure. O mamífero. “quando um homem não admite que é um animal, ele é menos que um animal”, etc.
  7. A múltipla percepção de animais e humanos, novamente conforme Viveiros de Castro – o morto humano no animal, a presa do animal no humano. Animais na literatura: quando são xamânicos?
    1. O Bestiário ou cortejo de Orfeu de Apollinaire, comparei o tratamento dado ao leão e ao polvo.
    2. A diferença entre a pantera de Rilke e o tigre de Blake, em dois poemas antológicos. A natureza sagrada em Blake, o “grande mamífero” segundo McClure.
    3. Mais animais xamânicos na poesia: a série de “cavalo em chamas” de Jorge de Lima. Remete a Lautréamont, o mais zoófilo dos escritores – comentei. Ou seria Guimarães Rosa o mais zoófilo? – observei que Guimarães Rosa é tão grande que não cabe neste curso.
    4. Herberto Helder: “espaço do leopardo”, “máscara”, “leopardo e leão”, “o idioma bárbaro”, “Estrelas africanas” “paisagem”.
    5. Os animais banidos ou submetidos nos grandes monoteísmos e no cartesianismo (mencionei M. E. Maciel, Literatura e animalidade).
    6. Li trecho de Oswald Spengler sobre deuses, cultos arcaicos e animais. Voltarei ao assunto, citarei Alain Danielou
  8. O xamanismo e o poeta performático segundo Rothenberg –O trickster, a “gargalhada de Deus”; o coiote em Gary Snyder. Artaud, nesse sentido – e em outros – foi intensamente xamânico. Mas Jorge de Lima foi performático? Não. Contudo tratou disso: o “claune”, o “triste palhaço”. Dois poemas que podem ser lidos como reconstituição de cenas xamânicas: “O grande circo místico” e “Exu comeu tarobá”.
  9. Ainda trocamos algumas idéias e informações sobre alucinógenos no xamanismo. Esbocei minha interpretação, mas voltaremos ao assunto.
  10. PRÓXIMA SESSÃO: voltarei a “tricksters”, brincalhões e travessos no xamanismo, pois acho que não examinei isso suficientemente. Há mais correlatos poéticos. E passarei a tratar de iniciação; especialmente, de catabases, viagens ao mundo dos mortos, e de Orfeu – “xamã exemplar” segundo Raymond Christinger.

Xamanismo em Herberto Helder

Qual poderia ser a relação destes dois belos trechos de Húmus de Herberto Helder com xamanismo? (a marcação de páginas é desta recente edição da Tinta-da-China) Qual passagem de Metafísicas canibais de Eduardo Viveiros de Castro pretendo citar para mostrar essa relação? Venham ao meu curso, que se inicia na próxima quarta feira, e saberão.

HERBERTO HELDER

Fecho os olhos: vejo virem os gestos. O espanto

recamado de mundos caminha

desabaladamente.

Sinto os mortos.

A terra remexe. De mais longe

vem um ímpeto. Põe-se a caminhar a imensa

floresta apodrecida. Ouve-se

a dor das árvores. Sente-se a dor

dos seres.

vegetativos,

ao terem que apressar a sua

vida lenta. Pôs-se a caminho

um remexer de trevas. E não tardaram

as dispersas primaveras

uma atrás da outra. (p. 217)

[…]

Vê tu a árvore: uma camada de flor – um grito,

outra camada de flor – outro grito.

Sob o fluido eléctrico, o quintal

tresnoita. Até o escuro se eriça. Há diálogos

formidáveis na obscuridade.

Nesta primavera há duas primaveras – perfume,

ferocidade. Turbilhão azul sem nome.

O sonho irrompe como hastes de cactos, pélago

desordenado.

– Eu sou a árvore e o céu,

faço parte do espanto, vivo e morro. (p. 221)

Também separei trechos de Os selos de Helder – e mais de Gérard de Nerval, Rimbaud, Jorge de Lima e outros. O curso já foi divulgado aqui: https://claudiowiller.wordpress.com/2017/02/22/poesia-e-xamanismo-um-novo-curso/

POESIA E XAMANISMO: UM NOVO CURSO

poesia-e-xamanismo

Quando: Três sessões às quartas feiras, dias 8, 15 e 22 de março de 2017, das 19h30 às 21h30

Onde: Espaço Cênico O LUGAR da Cia. Corpos Nômades, Rua Augusta 325

Valor do ingresso: R$ 30,00 por aula, com direito à meia entrada para as categorias que têm direito à meia entrada, além de participantes de outros cursos e atividades dos Corpos Nômades, xamãs, poetas surrealistas e quem comprar para os 3 dias. Inscrevam-se e paguem antes através deste e-mail: ciacorposnomades@gmail.com com assunto: Poesia e Xamanismo (convém, pois o número de lugares é limitado, para 40 pessoas). Também poderão retirar/comprar o ingresso no Espaço Cênico O LUGAR de segunda a sexta das 15h às 18h, exceto no Carnaval (dinheiro ou cartão).

O curso: Em julho de 2016 dei uma extensa palestra sobre poesia e xamanismo. Falei por duas horas, público que lotou o auditório apreciou, mas não consegui cobrir todos os tópicos que havia proposto. Sobrou assunto. Desde então, pesquisei mais e novas leituras mostraram-me interpretações e modos originais de examinar o assunto. Daí programar três sessões. O objetivo é, em primeira instância, enriquecer a leitura da poesia, possibilitando enxergar mais sentidos, além de ampliar a sensibilidade dos leitores e proporcionar o acesso ao maravilhoso, ao mundo mágico-poético.

Examinaremos tópicos como estes:

Até que ponto alguns poetas podem ser identificados a xamãs? O que em suas obras justifica essa associação? O mito de Orfeu – patrono dos poetas – é xamânico? (muito, vou adiantando , e sob vários aspectos) A propósito, quais os principais poemas órficos? (quem mencionar Altazor de Huidobro acertou) Por que uma declaração como “O Eu é um outro” de Rimbaud corresponde a algo típico do xamanismo? E de Michael McClure, “QUANDO UM HOMEM NÃO ADMITE SER UM ANIMAL, ele é menos que um animal”? O que pode ser dito sobre animais no xamanismo e na poesia, inclusive em bestiários? E sobre instrumentos? Qual a contribuição de Herberto Helder à compreensão das afinidades de poesia e xamanismo? Um poema como “O índio interior” de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima pode ser lido como xamânico? O soneto “Versos dourados” de Gérard de Nerval é xamânico? Cabem as associações de Antonin Artaud ao xamanismo? (claro que sim, porém detalharei) Quais as evidências de uma percepção lúcida e informada de xamanismo em Roberto Piva? Sobre quais outros contemporâneos nossos eu teria algo a dizer?

Além das abordagens clássicas – como aquela de Mircea Eliade – e contemporâneas – como a de Eduardo Viveiros de Castro (acho brilhante) – e referências obrigatórias como a Etnopoética de Jerome Rothenberg, trarei novidades, contribuições pessoais. Por exemplo, a categoria “alucinação” do semiótico Michel Riffaterre, como distinta do “delírio”, projetada na experiência poético-xamânica. Justificarei minha admiração por Patti Smith. E me apoiarei bastante em recursos audiovisuais, data-show e afins.

Agradeço retransmissão e outros modos de divulgação. Em breve publicarei outros posts, sobre o conferencista de sandálias e em seguida sobre a extensa oficina de criação também preparada para iniciar-se em março. Nosso problema não será a falta de assunto.