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MAIS MANIFESTAÇÕES E HOMENAGENS PELOS 80 ANOS DE ROBERTO PIVA

Informa Gabriel Kolyniak, à frente da Biblioteca Roberto Piva:

Esse fim de semana será de celebrações dos 80 anos do nascimento do Roberto Piva, que se completam no dia 25 de setembro, segunda-feira. No sábado – hoje – uma programação coordenada pelo Claudio Willer na Casa das RosasRoberto Piva 80 Anos na Casa das Rosas. – conforme o post precedente.

Domingo, estaremos na Funarte SP – Complexo Cultural Funarte SP. Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos.- a partir das 19h, para uma homenagem na forma de leituras abertas de poemas do Piva e de autores relacionados a ele.

Segunda-feira, comemoraremos os 80 anos do Piva no Estúdio Lâmina – Av. São João, 108 – 41 – Centro, São Paulo – SP, onde está abrigada a Biblioteca Roberto Piva, a partir das 19h, com direito à apresentação de Marcelo Drummond, que falará os poemas do primeiro livro de poemas do Piva, “Paranoia”.

VENHAM – PARTICIPEM – APOIEM A BIBLIOTECA RIBERTO PIVA

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A propósito da Biblioteca de Roberto Piva, uma consulta

Vejam 

Gabriel Rath Kolyniak alerta que, para manter-se, a Biblioteca de Roberto Piva precisa de recursos: “[…] abril é um mês crítico para nosso projeto. O dinheiro arrecadado com o crowdfunding foi suficiente para apenas pagar alguns meses de aluguel adiantadamente. Passado abril, precisamos encontrar uma solução para manter a Biblioteca onde ela está.” Lembrando, fica à Avenida São João, 108, sala 24, perto do metrô São Bento. Mais em https://www.facebook.com/bibliotecarobertopiva/?pnref=story Vejam também: https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/contact/

Proponho-me – depois de conversar com Gabriel – a dar cursos, destinando metade do arrecadado para a Biblioteca. Recentemente, no teatro da Cia. Corpos Nômades – O Lugar, tivemos Xamanismo e Poesia, com bons resultados: cobramos R$ 30,00 por aula, com direito a meia para quem pagasse pelo curso todo. Valores seriam esses. Mas eu quero saber quais temas suscitam maior interesse. Só não darei oficina de criação literária, por motivos éticos: comecei uma, agora, também cobrando mensalidade, no EdArt, e não concorro comigo mesmo.

Os temas possíveis de cursos – informem quais preferem no espaço para comentários deste blog ou no Facebook, onde isto também aparecerá :

ROBERTO PIVA: POESIA E POÉTICA: quatro aulas, duração de duas horas cada, incluindo a contribuição de teses, dissertações e ensaios tratando dele, além de publicações recentes como a biografia-reportagem Os dentes da memória, a coletânea de entrevistas e a nova antologia, todas lançadas pela Azougue, e o volume de inéditos Antropofagias e outros escritos, pela Córrego.

XAMANISMO E POESIA: também quatro aulas; basicamente, o curso que acabei de dar na Cia. Corpos Nômades – O Lugar, e que suscitou interesse.

SURREALISMO: UMA POÉTICA DO DELÍRIO, com oito aulas, versão atualizada do que apresentei há dois anos na Unicamp e na Cia. Corpos Nômades – O Lugar, tratando de poesia, artes visuais, cinema, objetos, espaços urbanos e arquitetura, acaso objetivo e demais tópicos relevantes.

UMA INTRODUÇÃO À LEITURA DE JACK KEROUAC: três aulas, mostrando a complexidade da obra do criador do termo Geração Beat, sugerindo interpretações e roteiros de leitura. Nas três palestras na mostra de cinema Geração Beat, que atraíram mais de cem pessoas (público excedeu, faltou lugar), ficou claro para mim que sobrava assunto, que caberiam mais palestras

ALLEN GINSBERG E A GERAÇÃO BEAT: três aulas, examinando- como poeta, pensador político e personagem relevante do século 20 – nestes dois tópicos, Ginsberg Kerouac, tenho acréscimos e novidades com relação aos livros e artigos que já publiquei.

POESIA E CIDADES – de William Blake, Gérad de Nerval e Baudelaire até os contemporâneos: seis aulas. Ministrei esse curso por duas vezes, em 2008, e obviamente tenho novidades.

Consulto também sobre datas e horários: sextas feiras à noite, tipo 19h30 às 21h30? Ou sábados no fim da tarde, por volta das 18 hs?

Uma apresentação de Piazzas de Roberto Piva e do meu Anotações para um Apocalipse

Escrita por José Paulo Vieira da Cunha, grande amigo nosso, extraordinário erudito (como podem ver pelo texto a seguir) e parceiro em vários episódios. Distribuído em folha solta para o lançamento dos dois livros – no Barroquinho na Galeria Metrópole, também teve uma banda musical, barril de 100 litros de vinho e uma quantidade de gente que me surpreendeu. Final de outubro de 1964. Transcrito agora por Guilherme Ziggy, como parte dos trabalhos de organização da Biblioteca Roberto Piva:

EM PROL DA NOVA METAMORFOSE

“Sob o sol ardente fundem-se as neves do Himalaia” (1964)

Tempos novos exigem obras novas. Mas o que querem os novos? Povoar naacàlicamente os céus de Inquanok? Ou derrubar as almênares do Qalaat-ul-Hamrâ? Ou ainda provar que o governador do Estado de São Paulo é pederasta? Talvez tudo isto e mais a deglutição da hidra do farisaísmo e filistinismo para vomitar o esplendor novo de sóis azuis e amarelos e mais os frágeis planetas dos tempos longínquos e imemoriais. É o que fazem, como novos, Roberto Piva e Claudio Jorge Willer, nos livros ora apresentados, de uma maneira belíssima, nos seus contatos com uma realidade superior mística e aceitável e uma realidade vizinha e cotidiana que não aceitam e que desejariam ver destruída ou relegada à categoria de ruína. Opondo-se categoricamente a uma realidade inaceitável, constroem, talvez num movimento compensatório, uma estratificação especial onde predominam os valores do por-vir. Isto, entretanto, não significa uma fuga ou uma evasão fundada em motivos psíquicos. É uma reação natural e a única válida na época natural. A literatura, digamos assim, do romantismo para cá, inserida no âmbito de uma sociedade industrial, onde prevalecem o útil, o eficiente, o técnico, o científico, vem passando por transformações tão desmesuradas que só as suas captações constituem, de per sí, uma introdução geral à essência da nossa época. Frente ao espectro do niilismo, porque verdadeiramente o niilismo é o grande devorador da nossa época, a literatura reage de maneiras as mais variadas. Não cabe enumerá-las “hic et nunc”, mas fica o registro do fato. Dentro deste contexto, que dizer de Roberto Piva e Claudio Jorge Willer? Suas obras enquadram-se na situação apenas esboçada acima? Sem dúvida alguma, o que não quer dizer que suas obras sejam de transição, mas sim construções acabadas e destinadas a placentar a nova geração. Pedagógicas ou não, éticas ou não, são obras definitivas e válidas no contexto sempre mutável do momento que passa. Pelas suas obras perpassam o hálito de Nietzsche, Rimbaud, Desnos, Böehme, Lautréamont, Freud, Bosh, dos alquimistas, dos poetas loucos, enfim da imensa sucessão dos eternos ressuscitadores. Além do mais, como obras profundamente geracionais, os seus traços marcantes são um constante esforço de lucidez e conscientização da problemática da época atual, aliada a tomadas de contato com forças estranhíssimas, as quais, hoje sabemos, dirigem verdadeiramente os destinos da Arte. Há, ainda, nestas obras, conexões sutilíssimas para as quais chamamos a atenção. A tarefa de vislumbrar e captar tais conexões pertence por inteiro aos leitores realmente integrados na problemática da nossa época. Para resumir, nada melhor que citar uma frase de Heidegger, o pensador inquietante: “na comunicação e na luta, a força do destino comum liberta-se” (“Ser e Tempo”, pg. 397).

Roberto Piva, verdadeiro “cavaleiro do mundo delirante”, quer e exige a Metamorfose. Daí o seu grito, tanto mais lancinante quanto mais próximo está do núcleo de fogo das forças terríveis. Poeta de segundo livro, com seu “Paranóia” vivenciou o dito de Jean-Paul Richter: “os reinos terrificantes dos mundos em formação”, agora, com “Piazzas”, lança-se segundo suas próprias palavras, “numa contemplação além do bem e do mal” (“Post-fácio”). Claudio Jorge Willer, “entrepreneur et entreteneur des choses terribles”, clarividente de todas as horas, com seu “Anotações para um Apocalipse” arroja-se numa aventura irreversível: a de desafiar as potências demoníacas de que nos fala Blake, para que saiam a campo conduzindo o Himalaia, e o Hindu-Kush, e num supremo transporte de prazer, destruam o potencial larvar-impecilho ainda subsistente em nossas relações e possibilidades de comunicação. Ambos constituem uma ameaça terrível para a continuação dos tempos. Tomem nota. A sucessão endiabrada das insignificâncias do todo-o-dia tem neles os seus mais ferozes inimigos. Que se precavenha a Lei, porque em suas mãos transformar-se-á em Canto. A magia das coisas não ditas transforma-se no teoremas da incompatibilidades totais. Daí, ambos correm para o país das alucinações, e convidam-nos, com insistentes gestos de amizade, para a aventura histórica de abrirmos um significado maior no âmbito da existência plena. Acho que devemos aceitar o convite e o conteúdo das suas mensagens. Aqui estão eles, pois. Degluta-os os leitores. Amém.

JOSÉ PAULO VIEIRA DA CUNHA

Esta esplêndida edição de inéditos de Roberto Piva, ‘Antropofagias e outros escritos’

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Pela editora Córrego de Gabriel Kolyniak. Ilustrada, com fotos de originais por Sendi Moraes. Distribuída como recompensa aos que contribuíram para a Biblioteca de Roberto Piva. Ou, pelo valor equivalente, em http://www.editoracorrego.com.br/departamento/67263/06/gavie3o2dde2dpenacho Minha ilustração aproveita uma foto postada na rede social por Demetrios Galvão.

Suponhamos alguém que desconhecesse a poesia de Piva. Que não houvesse lido as Obras reunidas (Globo, três volumes), ou Paranóia, ou alguma das edições avulsas. Descobriria, através de Antropofagias e outros escritos e do recente Roberto Piva, da Coleção Postal / Azougue editorial / Cozinha experimental, também fora de comércio (só para assinantes da coleção), um poeta com voz própria: vigoroso, contundente, inovador. Um neo-pagão radical com uma imagética riquíssima. Alguém que abusou do direito de contradizer-se reivindicado por Baudelaire: reparem na prosa poética sobre os lugares mágicos de São Paulo, seguida, poucas páginas após, pelo desejo de, transformado em Nero, incendiar um bairro da cidade. E principalmente um poeta culto: onde achou, entre outras raridades, a epígrafe de Germain Nouveau, Qui prend l’encens de l’âme et les roses du corps,/ Qui simbolise um lys et que l’enfant enseigne.? Suas citações e transcrições mostram como leu bem os autores que mencionava – sem nunca parecer erudito chato, porém sempre no modo vital, exuberante e irreverente.

A questão, examinada por mim no posfácio do livro e por Roberto Bicelli na orelha é a seguinte: o que deu em Piva para deixar tanta poesia de qualidade fora das Obras reunidas? Fica claro que os 20 poemas com Brócoli poderiam ter sido, pelo menos, 22. Que poderia ter havido mais em Quizumba, Ciclones, etc. Como diriam os antigos: para gáudio dos leitores. Felizmente, tudo isso está sendo recuperado, bem como os desaparecidos Corações de Hot-Dog e Outdoors.

Algumas hipóteses e interpretações, apresentei-as em uma palestra recente. Esta: https://www.youtube.com/watch?v=72Oz6PjHKmw&feature=player_embedded A sinopse está aqui: https://www.academia.edu/28631158/A_sinopse_de_uma_nova_palestra_sobre_Roberto_Piva

Quero voltar ao assunto. Assim como também pretendo voltar a tratar de Paranóia, mostrando como Wesley Duke Lee incluiu em suas fotografias para esse livro uma escrita cifrada, de alusões, expondo e endossando a poética e visão de mundo de Piva.

Enquanto isso, reproduzo o poema final de Antropofagias e outros escritos, “O que importa é a porta”. Alusão ao poema de Herberto Helder, “joelho, salsa, lábios, mapa”? Observem como Piva investe contra os formalistas, os “cancerosos estudantes de semiótica”, e ao mesmo tempo brinca com eles, mostrando que poderia seguir por esse caminho, jogando com a relação do som e sentido, o quanto quisesse. Mas não quis – não lhe interessava tornar-se letra de música, acho.

 As teorias passam. A rã fica.

Jean Rostand, Carnets d’un Biologiste

O que importa e a porta

cancerosos estudantes de semiótica

não o buraco negro da fechadura

na rigidez apolínea dos esquifes

importa é vento além da porta que ainda ulula no hori-

zonte

gravatas de maconha enlaçadas na aurora

centauros trotando no porre das avenidas

cometas nas praias silenciosas

Eu quero tocar o tambor nesta orgia de claridades

circular na roda-gigante do coração do garoto punk

onde a tribo do futuro cochila

esperando o sinal do Ataque

EM TEMPO: Continua valendo o post precedente, sobre a venda promocional de meus livros de poesia. https://claudiowiller.wordpress.com/2016/12/09/venda-promocional-de-estranhas-experiencias/ E o próximo post será sobre o festival de cinema beat no CNBB, a partir de 06 de janeiro, no qual darei palestra. Aguardem.

“Paranóia” de Roberto Piva e Wesley Duke Lee: a metrópole revisitada

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No evento programado para este sábado à noite, dia 26 – a mesa que faz parte da Balada Literária e ocorrerá no Estudio Lâmina – voltarei a tratar de Paranóia. Direi algo sobre a poesia de Piva e a contribuição desse artista enorme, Wesley. Relatarei episódios que ninguém conhece – por exemplo, a gênese da foto que escolhi para ilustrar este post, uma das que estão no revolucionário poema de Piva. Estarei em companhia de ótimos interlocutores.

O evento: Vanderley Mendonça e Gabriel Kolyniak  conversam com Claudio Willer , Gustavo Benini e Roberto Bicelli, numa homenagem ao poeta Roberto Piva

Onde: Estúdio Lâmina. Avenida São João, 108 – 4o andar. Quando: Dia 26 de novembro, sábado, a partir das 20h

Em tempo: Haverá publicações de Piva e outras boas surpresas. A manifestação faz parte das atividades pela criação da Biblioteca de Roberto Piva. E o ativo Gabriel Kolyniak da editora Córrego confirma que também haverá livros de poesia meus – A verdadeira história do século 20 e Estranhas experiências – em oferta e a preços promocionais.

A programação completa da Balada Literária está aqui: http://baladaliteraria.com.br/programacao/

A sinopse da palestra mais recente sobre Piva

Gravei em Academia.edu, para facilitar o acompanhamento do vídeo.

É esta sinopse:

https://www.academia.edu/28631158/A_sinopse_de_uma_nova_palestra_sobre_Roberto_Piva

O vídeo da palestra na livraria Tapera Taperá, já divulgado, é este:

Boa leitura e audição. Pretendo escrever mais.

 

Boa notícia: minha palestra sobre a colaboração de Roberto Piva e Wesley Duke Lee em Paranóia disponível no meio digital

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Está em https://vimeo.com/111753715

Foi em maio de 2014, no MIS, na mesa “Livros proibidos” do III Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia no MIS, organizado por Iatã Cannabrava / Estudio Madalena.

Gravação de qualidade, nítida. Falei durante 43 minutos: acho que enriquecerá a leitura de Paranóia, além da oportunidade de dizer algo sobre Wesley. Revelei uns segredos adicionais, ao final. Sou seguido por Thiago de Mello, que tratou de outra obra seminal, o livro sobre os Yanomami de Claudia Andujar. Quem me avisou do vídeo estar on line foi Mariana Outeiro, que prepara dissertação sobre essa parceria Wesley – Piva.

Curtam.

(meu próximo post será sobre o festival de cinema beat em Brasilia, no qual darei palestra)