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Cruz e Souza e simbolistas brasileiros: sob o ponto de vista surrealista

Olá. Estou reapresentando meu post de um mês atrás, anunciando minha palestra de 08 de março no Centro Cultural do IEL-Unicamp. Agradeço informarem a interessados. Acrescentei ainda algumas imagens de nossos simbolistas – aqueles a quem darei maior atenção, que apresentam especial interesse sob o ponto de vista surrealista: Cruz e Souza, é claro, Maranhão Sobrinho, Pedro Kilkerry, Dario Veloso .

Repararam que passei o mês de fevereiro todo sem publicar nada aqui? Entre outros motivos, para saber como ficam os acessos independentemente de novos posts. Achei satisfatório.

cruz e sousa sob visão surreal (1)

Abrindo a temporada 2016 de palestras: no Miniauditório do Centro Cultural do IEL-Unicamp, dia 08 de março, às 14 h.

Falei sobre Cruz e Souza e nossos simbolistas no Teatro do Incêndio, final do ano passado, no ciclo Pensar o Brasil. Deu-me vontade de prosseguir, avançando no paralelo com a relação simbolismo-surrealismo na França. E falar mais sobre alguns de nossos ótimos simbolistas – não apenas Cruz e Souza, mas Maranhão Sobrinho, Pedro  Kilkerry e Dario Veloso, . Perscrutar motivos de poetas tão bons, tão interessantes, haverem ficado por tanto tempo á margem, embora, ao mesmo tempo, houvesse proliferação brasileira de simbolistas.

Acho que a palestra será instigante. Assunto não faltará. Agradeço informarem a interessados.

Cruz_e_Sousa

Maranhão_Sobrinho

Pedro Kilkerry

Dario Veloso

 

HAVERÁ PALESTRA SOBRE O SIMBOLISMO BRASILEIRO

Dario VelosoPedro KilkerryCruz_e_SousaMaranhão_Sobrinho

E outros simbolismos também.

QUANDO: Dia 20 de novembro, a próxima sexta feira, às 20 h.

ONDE: No Teatro do Incêndio, á Rua Treze de Maio 53, São Paulo, tel. (11) 2609-3730. Completando o ciclo Pensar o Brasil, criação do Teatro do Incêndio, com apoio do Programa de Fomento ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Sessão havia sido adiada em virtude de turnê e intensa atividade desse grupo e de seu diretor Marcelo Marcus Fonseca.

Pretendo dar uma palestra instigante e provocativa. Mostrarei a conexão de simbolismos e movimentos modernistas, o que André Breton chamou de “correia de transmissão” (exceto no Brasil): falarei também de simbolistas europeus e hispano-americanos. Invectivarei o que chamo de “síndrome Silvio Romero”, o nacionalismo redutor sob influência nefasta do positivismo que contribuiu para que poetas extraordinários fossem marginalizados e atacados pela crítica. Procurarei mostrar o alcance e qualidade de Cruz e Souza, assim como de autênticos malditos como Pedro Kilkerry e Maranhão Sobrinho, e ainda desse interessantíssimo poeta esoterista, Dario Veloso (ou Vellozo).

Estou ilustrando com imagens de Dario Veloso, Cruz e Souza, Kilkerry e Maranhão Sobrinho – esses dois, tão à margem que parece haver apenas um único retrato de cada um deles.

Não faltará assunto. Pretendo falar por uma hora e 20 minutos.

Venham. Agradeço avisarem a interessados.

 

ADIADA PALESTRA SOBRE SIMBOLISMO NO BRASIL

Cruz_e_Sousa

Seria nesta sexta feira, dia 25. Transferimos por causa de turnê do Teatro do Incêndio. Faremos ainda em setembro, completando a série Pensar o Brasil. Minha preferência era por 32 de setembro – seria a sexta feira subsequente – mas como setembro tem só 30 dias, será até quarta feira próxima – informaremos. Darei especial atenção ao poeta da foto, Cruz e Souza, mas também a outros simbolistas, fascinantes.

Dario Veloso ou Dario Vellozo, o simbolista-esoterista de Curitiba

A propósito das imagens disponíveis do original poeta e personagem, em https://www.google.com.br/search?q=dario+vellozo , trecho do que escrevi sobre ele em Um obscuro encanto:

Quanto a Dario Veloso, tratados de história da nossa literatura como o de Alfredo Bosi, dão conta do simbolista curitibano como

[…] poeta das Esotéricas (1900), mestre em ocultismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas de Paris, criada por Papus, e fundador do Instituto Neopitagórico de Curitiba, onde iniciava os discípulos nas doutrinas cabalísticas então enfunadas na Europa pelos novos sopros do irracionalismo.[1]

Irracionalismo? A notícia biográfica na coletânea preparada por Carollo, Cinerário & outros poemas, dá o perfil de um homem público, que tomou posições progressistas, inclusive em seu anticlericalismo, em defesa da separação entre Estado e Igreja e do ensino leigo, e seus protestos precursores contra o extermínio de povos indígenas. Para ilustrar, excertos dessa cronologia:

1895 – […] Liderou o movimento de intelectuais em defesa de Émile Zola, no caso do Affaire Dreyfuss, publicando manifestos, enviando abaixo-assinados e elogiando a obra doe scritor francês. […] 1896 – […] Liderou a campanha desencadeada através da revista O Cenáculo, “Pelos índios!”, defendendo a preservação das terras indígenas, condenando o massacre ocorrido no interior do Paraná, e já deixando entrever a crítica à Igreja pelo trabalho de catequese e, portanto, de descaraterização da cultura dos silvícolas. […] 1901 – […] Promoveu, em março, um meeting anti-clerical, principalmente contra os jesuítas, juntamente com o italiano anarquista Ernesto Pacini. […] 1905 – Publicou dois livros de caráter anti-clerical: Derrocada Ultramontana e No sólio da manhã. […] 1916 – […] Discursou por ocasião da visita de Bilac a Curitiba. […] precede a fala de Bilac com um discurso em favor do pacifismo. 1934 – Desenvolveu um projeto para tornar o Museu Paranaense um centro permanente de estudos populares […][2]

Em artigos para a imprensa, apresentou-se como maçom anti-autoritário e anti-clerical nas referências ao ódio anavalhante dos jesuítas e à arrogância do papado, além de homenagear o anarquismo na pessoa de Francisco Ferrer.[3] Procedeu a uma atualização ao passar do republicanismo e abolicionismo, bandeiras de etapas já vencidas, ao socialismo, como anunciado nestes versos de 1892:

Quebrem-se os cetros que a tormenta arranca!…
Flutue após longa bandeira branca,
O alto estandarte do Socialismo!…[4]

Ao mesmo templo, publicaria títulos como Ciência Oculta, Templo Maçônico, Esotéricas, estabeleceria contato com Papus, traduziria o Sâr Péladan, fundaria o Instituto Neopitagórico. Ao longo de sua vida – de 1869 a 1937 – hermetismo, literatura e atuação política correram paralelamente, de modo articulado. Veloso exemplifica as metamorfoses do esoterismo, de atividade subterrânea no século XVIII até as sessões públicas do Templo Pitagórico curitibano: índices de outras mudanças.

Já se falou muito em idéias fora do lugar a propósito de literatura brasileira. Se as idéias políticas de Veloso estavam fora do lugar, foi por serem precursoras; se a poética simbolista estava fora de lugar, foi por ser divergente.


[1] Bosi, Alfredo, História Concisa da Literatura Brasileira, Editora Cultrix, São Paulo, 1994.

[2] Vellozo, Dario, Cinerário e outros poemas, introdução, organização e notas, Cassiana Lacerda Carollo, Prefeitura Municipal de Curitiba, Coleção Farol do Saber, Curitiba, 1996, pgs. xlvi a l.

[3] Vellozo, Dario, Obras, volume II, Instituto Neo-Pitagórico, Curitiba, 1968, pgs. 284, 281 e 289.

[4] Vellozo, Cinerário e outros poemas, pg. 193.