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HAVERÁ PALESTRA SOBRE O SIMBOLISMO BRASILEIRO

Dario VelosoPedro KilkerryCruz_e_SousaMaranhão_Sobrinho

E outros simbolismos também.

QUANDO: Dia 20 de novembro, a próxima sexta feira, às 20 h.

ONDE: No Teatro do Incêndio, á Rua Treze de Maio 53, São Paulo, tel. (11) 2609-3730. Completando o ciclo Pensar o Brasil, criação do Teatro do Incêndio, com apoio do Programa de Fomento ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Sessão havia sido adiada em virtude de turnê e intensa atividade desse grupo e de seu diretor Marcelo Marcus Fonseca.

Pretendo dar uma palestra instigante e provocativa. Mostrarei a conexão de simbolismos e movimentos modernistas, o que André Breton chamou de “correia de transmissão” (exceto no Brasil): falarei também de simbolistas europeus e hispano-americanos. Invectivarei o que chamo de “síndrome Silvio Romero”, o nacionalismo redutor sob influência nefasta do positivismo que contribuiu para que poetas extraordinários fossem marginalizados e atacados pela crítica. Procurarei mostrar o alcance e qualidade de Cruz e Souza, assim como de autênticos malditos como Pedro Kilkerry e Maranhão Sobrinho, e ainda desse interessantíssimo poeta esoterista, Dario Veloso (ou Vellozo).

Estou ilustrando com imagens de Dario Veloso, Cruz e Souza, Kilkerry e Maranhão Sobrinho – esses dois, tão à margem que parece haver apenas um único retrato de cada um deles.

Não faltará assunto. Pretendo falar por uma hora e 20 minutos.

Venham. Agradeço avisarem a interessados.

 

ADIADA PALESTRA SOBRE SIMBOLISMO NO BRASIL

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Seria nesta sexta feira, dia 25. Transferimos por causa de turnê do Teatro do Incêndio. Faremos ainda em setembro, completando a série Pensar o Brasil. Minha preferência era por 32 de setembro – seria a sexta feira subsequente – mas como setembro tem só 30 dias, será até quarta feira próxima – informaremos. Darei especial atenção ao poeta da foto, Cruz e Souza, mas também a outros simbolistas, fascinantes.

Falarei novamente sobre Manoel de Barros

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QUANDO: esta sexta feira, dia 18 de setembro, às 20 h.

ONDE: no Teatro do Incêndio, à Rua 13 de Maio 53

A palestra faz parte do ciclo Pensar o Brasil, já noticiado aqui: https://claudiowiller.wordpress.com/2015/07/27/pensar-o-brasil-poesia-reflexao-e-criacao-palestras-no-teatro-do-incendio/

Preferi mudar a sequência programada, por uma questão de continuidade com palestras anteriores que trataram de índios, um tema forte também na poesia de Manoel de Barros.

Há um ensaio meu sobre ele que é o mais acessado dos que postei no Academia.edu. Este: https://www.academia.edu/4676460/Manoel_de_Barros_novo

Mas não pretendo repeti-lo. Tratarei, principalmente, do pensamento analógico, da idéia que a analogia rege a natureza, examinando especialmente as prosas poéticas em Gramática expositiva do chão.

Venham. Apreciarão.

Resolvi mudar o tema da minha palestra na próxima sexta feira

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Em vez de simbolistas brasileiros, conforme programado, tratarei de Jorge de Lima. No ciclo “Pensar o Brasil”, que coordeno e no qual atuo como conferencista, e que tem lugar no Teatro do Incêndio (link com a notícia a seguir).

Por quê? Pelo seguinte:

  1. Não precisamos ser escravos da cronologia e sempre objetei a ensinarem Literatura como série histórica;
  2. Aprecio Jorge de Lima – é poeta colossal, insuficientemente lido;
  3. Tivemos índios, por Pedro Cesarino, na sessão passada do ciclo “Pensar o Brasil”, e teremos novamente índios, por Sérgio Medeiros, na sexta feira subseqüente. Um dos poemas extensos de Invenção de Orfeu de Jorge de Lima, o XXXI do Canto Primeiro, está glosado como “O índio interior”: vou examinar esse poema e interpretá-lo no contexto do ciclo “Pensar o Brasil”.
  4. Tivemos presença africana no Brasil na primeira sessão do ciclo. Então examinarei Jorge de Lima como afrodescendente (por parte da mãe) criado no sopé da Serra da Barriga, sede dos Palmares de Zumbi, indignado com o preconceito, a intolerância e a perseguição aos sincretismos afro-brasileiros – e não só nos Poemas negros.
  5. Primeiro examinarei o débito de Jorge de Lima com relação á grande matriz simbolista. Depois farei o mesmo com Manoel de Barros. Finalmente, apresentarei uma proposta de releitura do simbolismo brasileiro, tão negligenciado, tão á margem de nossos estudos literários, projetando, por exemplo, o “Eu é um outro” de Rimbaud em Cruz e Souza – e também nos Maranhão Sobrinho, Pedro Kilkerry e Dario Veloso.

A notícia sobre o ciclo “Pensar o Brasil”: https://claudiowiller.wordpress.com/2015/07/27/pensar-o-brasil-poesia-reflexao-e-criacao-palestras-no-teatro-do-incendio/

Sobre Jorge de Lima, já publiquei aqui: http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com.br/2015/03/claudio-willer-aproximacoes-jorge-de.html . Ampliarei.

Sobre Manoel de Barros, o artigo mais acessado dos que publiquei em Academia.edu: https://www.academia.edu/4676460/Manoel_de_Barros_novo . Direi outras coisas, desta vez.

Pensar o Brasil: poesia, reflexão e criação. Palestras no Teatro do Incêndio

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Começa dia 07 de agosto, sexta feira, o ciclo Pensar o Brasil, uma série de oito palestras, todas as sextas feiras. Idealizado por Marcelo Marcus Fonseca, produzido pelo Teatro do Incêndio, com minha coordenação.

Convidei ótimos especialistas . Darei três das palestras, focalizando poetas e visões originais do Brasil. Inclusive examinando nossos simbolistas, que, para alguns críticos, não foram suficientemente “brasileiros”.

DATAS: às sextas feiras, dias 07 de agosto a 25 de setembro de 2015. HORÁRIO: das 20 às 22h. LOCAL: Teatro do Incêndio, Rua Treze de Maio 53, São Paulo, tel. (11) 2609-3730. ORGANIZAÇÃO E PROMOÇÃO: Teatro do Incêndio, com apoio do Programa de Fomento ao Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. A programação completa, com informação sobre os conferencistas:

  TEMAS E CONFERENCISTAS:

  1. 07 de agosto. Marcelo Marcus Fonseca e convidados: A Travessia dos Orixás – África-Brasil;
  2. 14 de agosto. Roberto Bicelli: A Teoria de São Paulo: a metrópole e a raiz oculta na velocidade;
  3. 21 de agosto. Betty Milan. Isso é o pais? Atualidade de seus ensaios e artigos, examinando interpretações e “explicações” do Brasil.
  4. 28 de agosto: Pedro Cesarino. As teorias do Brasil: Darcy Ribeiro e outras contribuições relevantes–
  5. 04 de setembro. Claudio Willer: Simbolismo e sintonia com a unidade cósmica: Cruz e Souza: outros simbolistas e o modo como apresentaram o Brasil;
  6. 11 de setembro. Sérgio Medeiros: Xamanismo e os Deuses da Mata: a poesia e os índios brasileiros
  7. 18 de setembro. Claudio Willer: Jorge de Lima, surrealista, neobarroco e místico; o poeta e a defesa da diversidade cultural
  8. 25 de setembro. Claudio Willer :Todas as cores em uma só língua: cromatismo, imagens e criação de vocábulos em Guimarães Rosa, Manoel de Barros e outros criadores

OS CONFERENCISTAS: BETTY MILAN é paulista. Autora de romances, ensaios, crônicas e peças de teatro. Suas obras também foram publicadas na França, Argentina e China. Colaborou nos principais jornais brasileiros e  foi colunista da Veja. Trabalhou para o Parlamento Internacional dos Escritores, sediado em Estrasburgo, na França. Foi convidada de honra do Salão do Livro de Paris, cujo tema era o Brasil. Representou o Brasil na Miami International Fairbook em 2014.  Formou-se em medicina pela Universidade de São Paulo e especializou-se em psicanálise na França com Jacques Lacan. CLAUDIO WILLER é poeta, ensaísta e tradutor, identificado ao surrealismo, geração beat e outras rebeliões poéticas . Publicações recentes, Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico; Manifestos – 1964-2010; Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia; Geração Beat; Estranhas Experiências, poesia. Traduziu Lautréamont, Ginsberg, Kerouac e Artaud, entre outros. Doutor em Letras na USP, onde fez pós-doutorado. Mais em https://claudiowiller.wordpress.com/about MARCELO MARCUS FONSECA é ator, diretor de teatro e dramaturgo, responsável por uma quantidade de encenações, desde O Balcão” (1997), versão da peça de Jean Genet, até Pano de Boca, em cartaz. Também poeta e sambista, responsável por uma vasta pesquisa de resgate de sambas pouco conhecidos do grande público. É fundador do grupo Teatro do Incêndio. Tem dois livros lançados pela editora Kazuá, ‘Da Terra O Paraíso’ (2012), prosa poética surrealista, e ‘De Dionísio Para Koré’ (2013), poemas temáticos sobre o mito de Baco e Perséfone. PEDRO DE NIEMEYER CESARINO é mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional/ UFRJ. Desenvolve pesquisas em etnologia indígena, com ênfase em estudos sobre xamanismo, cosmologia, tradições orais, tradução e antropologia da arte. Pós-doutorado noDepartamento de Letras da Universidade de São Paulo (2008-2010). Foi Professor-Adjunto de Antropologia da Arte no Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo. É professor do Departamento de Antropologia da FFLCH/USP. Publicou Oniska – poética do xamanismo na Amazônia Quando a Terra deixou de falar – cantos da mitologia marubo, entre outros artigos e textos literários. ROBERTO BICELLI é formado em Letras, com especialização em Literatura Brasileira e em Gestão Cultural. Foi coordenador adjunto ou interino na Fundação Nacional de Artes- Funarte em diversos períodos. Publicou: Antes que eu me esqueça, poesia, O colecionador de Palavras, romance juvenil, e Ego Trip, diário de viagem. Participa, a partir dos anos sessenta, de inúmeras ações culturais junto ao público interessado em artes, especialmente literatura, teatro, performance e dança. SÉRGIO MEDEIROS  é poeta, tradutor, ensaísta e professor titular no Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da UFSC, cuja editora dirige. Realizou pesquisa sobre o poema maia Popol Vuh, que traduziu em colaboração com Gordon Brotherston; sobre outros mitos indígenas; a obra do Visconde de Taunay, Sua obra poética inspirada no “pensamento selvagem” e no totemismo, inclui Totens e o poema dramático O fim de tarde de uma alma com fome, inspirado em lendas indígenas e no teatro nô, Publicou outras traduções importantes, colaborou em filmes. Coedita o jornal on-line Qorpus.

Cabaret Café: poesia no Panorama do Teatro do Incêndio, SESC-Bom Retiro

Quando: Dia 24 de junho, quarta-feira, às 19h30.

Onde: SESC-Bom Retiro, Alameda Nothmann, 185, Bom Retiro/SP. Tel.: (11) 3332-3600, sescsp.org.br/bomretiro

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A ilustração deve dar uma idéia do que acontecerá. O “Cabaret Café” consistirá em uma improvisação bem planejada (que tal esse oximoro?), apresentando poemas e outras atrações, protagonizada por Marcelo Marcus Fonseca, Roberto Bicelli e por mim.

É parte de um ciclo que inclui ensaio aberto do espetáculo Pano de Boca (dia 25, quinta feira), reapresentação de São Paulo Surrealista (dia 26, sexta feira) e Pornosamba e a Bossa Nova Metafísica (dia 27, sábado).

Outras atrações espantosas também serão anunciadas. Lembrando que tive participação ativa na preparação de São Paulo Surrealista partes 1 e 2: encenações que foram apreciadas e aplaudidas, e por isso ficaram mais de um ano em cartaz.

A seguir, “release” desses acontecimentos:

Sesc Bom Retiro apresenta panorama teatral com a Cia. Teatro do Incêndio

Entre os dias 24 e 28 de junho, o Sesc Bom Retiro apresenta oPanorama – Teatro do Incêndio, que mostra a multiplicidade criativa da Cia. Teatro do Incêndio, fundado e dirigido por Marcelo Marcus Fonseca.

Fazem parte do Panorama os espetáculos Cabaret Café (24/06, quarta, às 19h30), ensaio aberto de seu próximo espetáculo Pano deBoca (25/06, quinta, às 20h) que tem estreia marcada para 11 de julho na sede da companhia, São Paulo Surrealista (26/06, sexta, às 20h),Pornosamba e a Bossa Nova Metafísica (27/06, sábado, às 20h).

Uma das companhias mais atuantes da capital, o Teatro do Incêndio este entre os grupos que têm migrado por várias sedes no centro da cidade, diante da especulação imobiliária. sua temática vai além do teatro, propondo discussões de cunho coletivo onde o cotidiano, a memória e a diversidade estão presentes de maneira absoluta e democrática.

 

Surrealismo no SESC de Piracicaba, no final deste mês

Será um ciclo substancioso, examinando surrealismo sob vários ângulos. Dias 26 a 29 de março; ou seja, na próxima semana. Agradeço por retransmitirem a interessados em Piracicaba e região. Terei o prazer de participar, dando um curso breve – mas substancioso, espero – e participando de mesa instigante com Raul Fiker e Célia Musili. Haverá encenações teatrais pelo Teatro do Incêndio de Marcelo Marcus Fonseca (quem ainda não assistiu a São Paulo Surrealista, aproveite a chance) e outras atrações, como um estimulante workshop.

A seguir, a programação completa, tal como divulgada pelo SESC – mostra ainda segue pelo mês de abril, como pode ser verificado nesta matéria:http://www.sescsp.org.br/online/artigo/7398_ONDE+ESTA+O+SURREAL#/tagcloud=lista

Observem que tem links para inscrições e fones para informações:

Onde anda o surreal?
Retorno ao senso incomum

Projeto sobre um dos mais importantes e radicais movimentos estéticos do século XX e que propõe imersão em universo de símbolos que deslocam o homem de sua passividade habitual e coerência lógica, lançando-o em percepções que transpõem os limites da realidade.

MINICURSO: O Surrealismo no Brasil
As principais características do movimento e suas influências no Brasil, comCláudio Willer, poeta, ensaísta, crítico e tradutor brasileiro, doutor em Letras pela USP, com ensaio publicado no livro O Surrealismo (ed. Perspectiva, 2008). Citado em antologias de poesia surrealista e livros de história da literatura como um dos únicos poetas brasileiros a receber resenha do periódico francês La Brèche – Action Surréaliste, dirigida por André Breton, autor do Manifesto Surrealista19h às 22h. Internet Livre. Não recomendado para menores de 16 anos. Grátis.Inscrições no local ou pelo e-mail inscricao@piracicaba.sescsp.org.br, informando nome do curso, nome completo do participante, idade e telefone.

TEATRO
EM.CENA.AÇÃO

Com Cia Teatro do Incêndio

Fim de Curso
Texto: René de Obaldia
Tradução: Cláudio Willer
Direção: Marcelo Marcus Fonseca
A peça discute a morte de um professor universitário por jovens estudantes, que pedem clemência pelo crime. Os alunos alegam ter assassinado alguém que já estaria morto. Temas como coerção, liberdade, ideologia, morte, Deus e sociedade de consumo estão intimamente ligados nessa fábula de mistério, em que a vida se torna convulsiva e retalhada pela frieza das relações humanas. 20h. Ginásio. Não recomendado para menores de 16 anos.Ingressos: R$ 2,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados), R$ 5,00 (usuários, estudantes, idosos, professores da rede pública, aposentados e deficientes) e R$ 10,00.

ESPECIAL
ENCONTRO SURREAL
Willer & Fiker
Cláudio Willer e Raul Fiker conversam sobre a presença do surrealismo em suas obras literárias e os motivos que os levaram a “dialogar” com o movimento. Mediação: Célia Musilli. 11h. Teatro. Não recomendado para menores de 16 anos. Grátis.

WORKSHOP
Teatro e Surrealismo

Com o diretor Marcelo Marcus Fonseca para apresentação do processo de investigação do universo surrealista da Cia. Teatro do Incêndio. Após exercícios e debates, os participantes acompanharão a preparação e ensaio do espetáculo São Paulo Surrealista junto aos atores do grupo. 16h. Ginásio. Não recomendado para menores de 16 anos. Grátis. Inscrições na Central de Atendimento ou pelo e-mail inscricao@piracicaba.sescsp.org.br, informando nome do workshop, nome completo do participante, idade e telefone.

TEATRO
EM.CENA.AÇÃO

Com Cia Teatro do Incêndio

São Paulo Surrealista
Texto e direção: Marcelo Marcus Fonseca
Na trama, os escritores Mário de Andrade, Roberto Piva e Patrícia Galvão cruzam com cidadãos comuns e, em uma viagem surrealista, convidam o dramaturgo Antonin Artaud e o escritor André Breton, ambos franceses, para um passeio em São Paulo. Durante o trajeto, os poetas descobrem a relação entre a metrópole e o surrealismo, passando por ambientes típicos da boemia paulistana. 20h. Ginásio. Não recomendado para menores de 16 anos.Ingressos: R$ 2,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados), R$ 5,00 (usuários, estudantes, idosos, professores da rede pública, aposentados e deficientes) e R$ 10,00.

Mais em:

http://www.sescsp.org.br/programacao/28776_ONDE+ANDA+O+SURREAL#/content=programacao

SESC – Piracicaba: Rua Ipiranga, 155 , Centro PIRACICABA | CEP: 13400-480 Telefone:(19) 3437-9292 Entre em contato

Antonin Artaud: o ensaio e mais

Já me havia referido a esse texto de 1983. Copidesquei, adicionei as principais referências bibliográficas. Preferi colocar à disposição neste simpático Academia.edu:

http://independent.academia.edu/ClaudioWiller

Se fosse para periódico, teria que atualizar mais, rastrear bibliografia, localizar citações. Melhor, oportunamente, fazer algo novo. Confiram se adiciona ou só tem valor documental, da época da preparação da coletânea de Artaud.

Além de Escritos de Antonin Artaud (L&PM, esgotado), tenho mais. Meu preferido, a conversa com Paule Thévenin, amiga, secretária e subseqüente organizadora da sua obra completa. Figura admirável. Foi durante um Evento Artaud no Rio de Janeiro em 1987 (aquele campus com edifícios antigos entre a Urca e Praia Vermelha, é UFRJ ou UERJ?), participávamos, publiquei em seguida no Leia e recuperei em Agulha:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag1willer.htm

Confirma algumas das hipóteses ou intuições no ensaio anterior, esse que recuperei.

Minha participação naquele Evento Artaud: relatei como havia sido a leitura do Van Gogh no ano anterior em São Tomé das Letras – à noite em um galpão sem paredes à beira do abismo, tempestade de relâmpagos, luz interrompida, escuridão total, lanterna na mão, lendo cada vez mais forte á medida que crescia o temporal, legítimo teatro da crueldade, a natureza acompanhando, quem assistiu achou eletrizante. Parece história do Marsicano. Daria crônica, escreverei.

Também em Agulha, um primeiro texto sobre as glossolalias – depois ampliaria o exame do tema:

http://www.revista.agulha.nom.br/agwiller7.htm

É o que li em uma sessão no auditório da Folha de S. P. em 1998, pelos 50 anos da morte dele. Houve manifestações, colaborei, encenação no MASP de A conquista do México por Maura Baiocchi e Wolfgang Pannek e Para acabar com o julgamento de Deus pelo Oficina / Zé Celso.

Um texto de que gosto muito, já aqui, deste blog, sobre a relação de Artaud e André Breton:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/02/03/andre-breton-e-antonin-artaud/

Corrige distorções, acho – equívocos da crítica mal informada sobre a relação dele com surrealismo. É de 2012. Foi aproveitado por Marcelo Marcus Fonseca e seu Teatro do Incêndio, adaptado e incorporado a São Paulo surrealista, 1.

Ir além, francamente, só com subvenção ou cachê substancioso.

A propósito, o esgotadíssimo Escritos de Antonin Artaud após sucessivas reedições – teve aquela confusão com sucessores depois da morte de Paule Thévenin, e a Gallimard afrescalhou, avisou que só negociava direitos de toda a obra completa – pesquisava no Google, apareceu um bom pedaço da edição, inclusive meu prefácio, postado por um tal de Coletivo Sabotagem. Tudo bem, já que não está disponível, mas é um desaforo reproduzirem sem os créditos, não dizerem qual edição, nem que fui eu quem preparou. Roubar direitos autorais, em alguns casos pode ser – mas sonegar informação e desrespeitar trabalho alheio, isso não.

Ainda a propósito daquela edição (que retorne, está viva, vejo pela bibliografia subseqüente, ensaios sobre Artaud que citam), nunca ninguém reclamou de eu traduzir Van Gogh, le suicidé de la societé por Van Gogh, o suicidado pela sociedade. Até elogiaram. Isso, apesar de suicidé, em francês, ser um suicida. Mas também existe suicidaire. Artaud endossa o uso reflexivo em “O suicídio é uma solução?”, de 1925: “E certamente já morri faz tempo, já me suicidei. Me suicidaram, quero dizer”. E, como tradutor, jamais faria “o suicida da” ou “o suicidado da”.

Dedico esta postagem à resistência contra o fechamento da Escola Livre de Teatro de Santo André, bem documentada neste vídeo recente: http://escolalivredeteatro.blogspot.com.br/  

Que todos os administradores públicos que depreciam a cultura sejam sempre achincalhados. Se me levarem (e trouxerem) vou lá e dou palestra, esqueçam o que escrevi sobre cachê – pode ser sobre Artaud.

A segunda parte de São Paulo Surrealista

Teatro do Incêndio estreia segunda parte de São Paulo Surrealista: A Poesia Feita Espuma

No espetáculo de estreia, os poetas paulistas Claudio Willer e Roberto Bicelli, ícones da geração beat no Brasil, fazem participação especial interpretando a si próprios.

A Poesia Feita Espuma é a segunda parte do espetáculo São Paulo Surrealista, da Cia. Teatro do Incêndio, que cumpriu temporada de março a agosto, na casa noturna Madame.  A montagem, sob direção de Marcelo Marcus Fonseca, estreia dia 17 de agosto, sexta-feira, no mesmo espaço, às 21 horas. A montagem, amparada pela estética do Surrealismo, nesta edição viaja pelo submundo paulista pela ótica poética do poeta paulista Roberto Piva.

A primeira parte do projeto apresentava um mergulho no Inferno de Dante Alighieri, mostrando a capital paulista inserida nos nove círculos da Divina Comédia, observada por Pagu e André Breton. Em São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma, a saga surrealista sobre a cidade prossegue, agora pelo purgatório e a caminho do céu. Apesar de se tratar de uma continuação, as peças podem ser vistas como espetáculos independentes. Segundo o diretor Marcelo Marcus Fonseca, os diálogos são baseados em depoimentos de pessoas que conviveram com Roberto Piva e na sua própria experiência ao lado dele, pois mantiveram anos de amizade. “São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma é um espetáculo regado pelo humor dos absurdos religiosos e pela poesia seca do submundo da capital. Tudo em um universo onírico que retrata uma cidade possível de ser vista a olhos nus, somente pela visão mística e/ou mítica de suas esquinas e cidadãos”, argumenta o diretor. O projeto foi contemplado com a 18ª edição da Lei de Fomento ao Teatro. A segunda parte da peça é um passo evolutivo na pesquisa do grupo que conta com a curadoria de Claudio Willer (também transformado em personagem no espetáculo).

Local: Madame – Rua Conselheiro Ramalho, 873 – Bela Vista/SP – Tel: (11) 2592-4474 Estreia dia 17 de agosto – sexta-feira – às 21 horas Temporada: sextas-feiras e sábados – às 21 horas – até 15/12. Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00), o ingresso dá direito à balada após sessão. Bilheteria: 1h antes da sessão – Aceita somente dinheiro – Duração: 70 min. Gênero: Surrealismo – Classificação etária: 18 anos – 120 lugares – Ar condicionado. Acesso universal – Estacionamento (R. Conselheiro Ramalho, 853): R$ 20,00.

O enredo: Fernando Pessoa chega à capital paulista trazido pelo mar, sendo recebido por Beatriz, musa irreal e amada de Dante. Ela reflete sobre o cidadão mecânico, que gesticula por obrigação e anuncia o teatro como salvação: neste momento uma peça do espanhol Salvador Dalí, inédita no Brasil, é representada dentro da própria encenação sob direção do mestre da pintura surrealista. Dante surge à procura de Beatriz. Ela está pregada em um quadro, mas se desprende para seguir com ele os caminhos que levam ao paraíso. Nessa trajetória invocam, do fogo, o poeta Roberto Piva e com ele parte da geração beat paulista, além do americano Allen Ginsberg. Piva tem seu tão sonhado encontro com Dante e Beatriz, envolve-se com a cidade de rap, com chacina de adolescentes e com muitas prostitutas (inclusive Neusa Sueli, personagem de Plínio Marcos). O poeta vive a deformação poética de cada rua em que passa. A caminho do céu, depois de perder de vista Dante e Beatriz, Roberto Piva vê o alinhamento dos planetas, anunciando o fim do mundo. Chega às portas do Paraíso onde é recebido por São Bernardo, Santo André e São Caetano, enquanto Deus dorme entediado: uma figura surpreendente, a partir da descoberta recente de “sua partícula” (quase impossível de se achar). Roberto Piva – embriagado de fogo paulista – trava um diálogo com Deus sobre a cidade. E lixo invade a cena como um temporal. Garis montam suas esculturas com os restos deixados pelos cidadãos, anunciando o fim do mundo.

Ficha técnica: Peça: “São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma”. Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca. Direção Musical: Wanderley Martins. Iluminação: Rodrigo Alves. Curadoria poética e suporte teórico: Claudio Willer. Espaço Cênico: Sérgio Ricardo e Marcelo Marcus Fonseca. Assistência de direção: Paula Micchi. Debatedor de ensaios: Paulo Sposati Ortiz. Fotos: Bob Sousa. Arte gráfica: Giuliano Henrique. Composições originais: Wanderley Martins e Marcelo Marcus Fonseca. Projeções: Vinícius Gusman. Produção e realização: Cia. Teatro do Incêndio. Apoio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. ww.teatrodoincendio.com.br

Elenco: João Sant’Ana, Wanderley Martins, Marcelo Marcus Fonseca, Sergio Ricardo, Giulia Lancellotti, David Guimarães, Sonia Molfi, Tássia Melo, Camila Araujo, Tais Luna, Lillian Almeida, Yasmine Colucci, Laís Thales, Vinícius Gusman, Barbara de Almeida, Pedro Casali, Diego Freire, Bárbara Santos, Talita Righini, Antonio Motta, Vinicius Pimentel, Cláudia Motta, Beatriz Malagueta, Pricila Lima, Caroline Marques e Vanessa Klitzke.

 São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma, por Marcelo Marcus Fonseca:

Os poetas estão doentes. A população foi amansada na cidade onde nada mais é permitido. Só existe uma possibilidade de reparo: a palavra poética. A cidade que pariu e sufocou o poeta Roberto Piva treme com mais um ano eleitoral, como se isso importasse. Apelamos para a nova partícula descoberta e mandamos o Piva  conversar com Deus, mas ele estava bêbado e tocando banjo. Em virtude desses acontecimentos, nos manifestamos solicitando:

1 – A imediata transformação do Marco Zero e dos Shopping Centers em termas de livre acesso, pela localização estrategicamente privilegiada e espaço suficiente para receber jovens em idade de curiosidade.

2 – Jaulas para os fiéis que praticam homofobia caridosa.

3 – Reflorestamento do Memorial da América Latina.

4 – Adoção da obra de Rimbaud nas escolas para adolescentes em idade de identificação com a rebeldia e feijoada na merenda.

5 – Caixas de som tocando Villa-Lobos na Avenida Paulista.

6 – Livros de poesia Beat ao lado de microfones a cada dois quarteirões, para que o cidadão possa parar e ler em voz alta durante seu trajeto.

7 – Atualização periódica do “Necrológio” de poetas e artistas inteligentes.

8 – Teatro-Samba.

9 – Taças de vinho distribuídas gratuitamente nos escritórios e agencias bancárias.

Essas, entre outras solicitações que o espectador pode sugerir, contribuindo para que a vida recupere sua vocação sensual e lírica, são nossas propostas para cada apresentação de São Paulo Surrelista 2: A Poesia Feita Espuma,  onde homenageamos a cidade eternamente escondida pela hipocrisia e pelas leis corroedoras da felicidade. A segunda parte dessa produção que surgiu a partir do projeto aprovado pela Lei de Fomento ao Teatro, agrega jovens atores à Cia. Teatro do Incêndio, abrindo portas para sua manifestação artística, formação técnica  e aquisição de referências literárias e estéticas em geral.  É ainda um reencontro com personalidades marcantes de São Paulo e também com toda espécie de cidadão, bicho e flor que nasce no asfalto incandescente da metrópole de todas as possibilidades.  O espetáculo é um ritual e, portanto, não está sujeito às ações proibitivas da lógica ou da moral.  Convidamos a todos para celebrar, com os olhos voltados para as divindades desse lugar que sustenta o céu com suas colunas de edifícios.

 

          

São Paulo Surrealista prossegue em cartaz

Que beleza. São Paulo Surrealista, o espetáculo encabeçado por Marcelo Marcus Fonseca e Liz Reis, e que tem minha colaboração, foi prorrogado e fica em cartaz por mais um mês, até o dia 23 de junho. E às sextas-feiras passou de 21:30 a 21 h – achei bom. Tem tido sessões lotadas, antecipadamente vendidas. Surrealismo e inventividade despertam interesse. Quem ainda não viu, vá ver. A seguir, reproduzo ficha técnica e release.

Espetáculo: São Paulo Surrealista

Com: Cia. Teatro do Incêndio

Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca

Consultoria teórica e voz em off: Claudio Willer

Co-direção e figurinos: Liz Reis

Elenco: Liz Reis, Marcelo Marcus Fonseca, João Sant’Ana, Wanderley Martins, Sérgio Ricardo, David Guimarães, Giulia Lancellotti, Talita Righini, Sonia Molfi e outros.

Direção musical: Wanderley Martins

Iluminação: Rodrigo Alves

Fotografia: Bob Sousa

Composições originais: Marcelo Marcus Fonseca e Wanderley Martins

Produção e realização: Cia. Teatro do Incêndio

Apoio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo

Serviço

Local: Madame (antiga Madame Satã) – www.madameclub.com.br Endereço: Rua Conselheiro Ramalho, 873 – Bela Vista/SP – Tel: (11) 2592-4474 Temporada: sexta e sábado às 21 horas – Até 23/06/12 Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00), o ingresso dá direito à balada após apresentação. Bilheteria: 1h antes da sessão – Aceita cartões de crédito/débito (V, MC e AE). Reservas: 2347 1055  e  9628 1772 – Gênero: Surrealismo – Duração: 70 min – Classificação etária: 18 anos – Capacidade: 200 lugares – Ar condicionado Acesso universal – Estacionamento c/ manobrista (R. Cons. Ramaalho, 853): R$ 20,00.

A Cia. Teatro do Incêndio apresenta seu novo espetáculo São Paulo Surrealista, ritual teatral dirigido por Marcelo Marcus Fonseca. Com dia 2 de março (sexta-feira, às 21h30), a montagem inaugura a programação teatral da casa noturna Madame (antiga Madame Satã que reabriu suas portas totalmente reformada e sob nova direção).

Este novo projeto da companhia, contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, é uma ode à cidade e seus personagens, confrontando – em um jogo de imagens sobrepostas – as contradições e fantasias da metrópole. Em São Paulo Surrealista o público confere o resultado da primeira fase desta pesquisa do Teatro do Incêndio.

Claudio Willer – escritor e poeta, cujos vínculos literários são com a criação mais rebelde e transgressiva, como aquela representada pelo surrealismo e geração beat – foi consultor da companhia para esse projeto. Willer também fará participação especial na estreia do espetáculo.

O espetáculo não conta, necessariamente, uma história. Para revelar a cidade real, nada é realista. Os textos são colagens emolduradas por imagens e figuras da metrópole, sejam elas reais ou distorcidas, tendo na música ao vivo um elemento essencial para traduzir sua pulsação. “Esta montagem propõe também que o público perceba a cidade pelos olhos de André Breton, um dos criadores do surrealismo, em um jogo que ressalta pontos turísticos, monumentos, terreiros, restaurantes e bordeis paulistanos”, explica o diretor Marcelo Marcus Fonseca. Mário de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos comuns, ninfas e animais recebem o surrealista André Breton, observado por Antonin Artaud (dramaturgo francês, surrealista), para um mergulho na capital paulista, percorrendo Os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri. Em cena, 25 atores em uma celebração musical da cidade com alusões ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Frederico Fellini e textos escritos durante o processo pelo próprio grupo, com base na escrita automática característica do Surrealismo. Todas as canções foram compostas por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins especialmente para o espetáculo, algumas delas “em parceria” com Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire. São Paulo Surrealista é um espetáculo que interage com o público, questionando a existência pela natureza histórica, política, sensual e caleidoscópica de uma cidade anárquica num delicado equilíbrio de contrários. O público é recebido com uma taça de vinho (quem quiser beber outras terá que comprá-las) e também pode degustar o absinto, mas oferecido pelos atores em conta gotas. O espetáculo ainda propicia a experiência surreal de ver uma escola de samba tocando peça de Heitor Villa-Lobos.