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Antonin Artaud: o ensaio e mais

Já me havia referido a esse texto de 1983. Copidesquei, adicionei as principais referências bibliográficas. Preferi colocar à disposição neste simpático Academia.edu:

http://independent.academia.edu/ClaudioWiller

Se fosse para periódico, teria que atualizar mais, rastrear bibliografia, localizar citações. Melhor, oportunamente, fazer algo novo. Confiram se adiciona ou só tem valor documental, da época da preparação da coletânea de Artaud.

Além de Escritos de Antonin Artaud (L&PM, esgotado), tenho mais. Meu preferido, a conversa com Paule Thévenin, amiga, secretária e subseqüente organizadora da sua obra completa. Figura admirável. Foi durante um Evento Artaud no Rio de Janeiro em 1987 (aquele campus com edifícios antigos entre a Urca e Praia Vermelha, é UFRJ ou UERJ?), participávamos, publiquei em seguida no Leia e recuperei em Agulha:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag1willer.htm

Confirma algumas das hipóteses ou intuições no ensaio anterior, esse que recuperei.

Minha participação naquele Evento Artaud: relatei como havia sido a leitura do Van Gogh no ano anterior em São Tomé das Letras – à noite em um galpão sem paredes à beira do abismo, tempestade de relâmpagos, luz interrompida, escuridão total, lanterna na mão, lendo cada vez mais forte á medida que crescia o temporal, legítimo teatro da crueldade, a natureza acompanhando, quem assistiu achou eletrizante. Parece história do Marsicano. Daria crônica, escreverei.

Também em Agulha, um primeiro texto sobre as glossolalias – depois ampliaria o exame do tema:

http://www.revista.agulha.nom.br/agwiller7.htm

É o que li em uma sessão no auditório da Folha de S. P. em 1998, pelos 50 anos da morte dele. Houve manifestações, colaborei, encenação no MASP de A conquista do México por Maura Baiocchi e Wolfgang Pannek e Para acabar com o julgamento de Deus pelo Oficina / Zé Celso.

Um texto de que gosto muito, já aqui, deste blog, sobre a relação de Artaud e André Breton:

https://claudiowiller.wordpress.com/2012/02/03/andre-breton-e-antonin-artaud/

Corrige distorções, acho – equívocos da crítica mal informada sobre a relação dele com surrealismo. É de 2012. Foi aproveitado por Marcelo Marcus Fonseca e seu Teatro do Incêndio, adaptado e incorporado a São Paulo surrealista, 1.

Ir além, francamente, só com subvenção ou cachê substancioso.

A propósito, o esgotadíssimo Escritos de Antonin Artaud após sucessivas reedições – teve aquela confusão com sucessores depois da morte de Paule Thévenin, e a Gallimard afrescalhou, avisou que só negociava direitos de toda a obra completa – pesquisava no Google, apareceu um bom pedaço da edição, inclusive meu prefácio, postado por um tal de Coletivo Sabotagem. Tudo bem, já que não está disponível, mas é um desaforo reproduzirem sem os créditos, não dizerem qual edição, nem que fui eu quem preparou. Roubar direitos autorais, em alguns casos pode ser – mas sonegar informação e desrespeitar trabalho alheio, isso não.

Ainda a propósito daquela edição (que retorne, está viva, vejo pela bibliografia subseqüente, ensaios sobre Artaud que citam), nunca ninguém reclamou de eu traduzir Van Gogh, le suicidé de la societé por Van Gogh, o suicidado pela sociedade. Até elogiaram. Isso, apesar de suicidé, em francês, ser um suicida. Mas também existe suicidaire. Artaud endossa o uso reflexivo em “O suicídio é uma solução?”, de 1925: “E certamente já morri faz tempo, já me suicidei. Me suicidaram, quero dizer”. E, como tradutor, jamais faria “o suicida da” ou “o suicidado da”.

Dedico esta postagem à resistência contra o fechamento da Escola Livre de Teatro de Santo André, bem documentada neste vídeo recente: http://escolalivredeteatro.blogspot.com.br/  

Que todos os administradores públicos que depreciam a cultura sejam sempre achincalhados. Se me levarem (e trouxerem) vou lá e dou palestra, esqueçam o que escrevi sobre cachê – pode ser sobre Artaud.

A segunda parte de São Paulo Surrealista

Teatro do Incêndio estreia segunda parte de São Paulo Surrealista: A Poesia Feita Espuma

No espetáculo de estreia, os poetas paulistas Claudio Willer e Roberto Bicelli, ícones da geração beat no Brasil, fazem participação especial interpretando a si próprios.

A Poesia Feita Espuma é a segunda parte do espetáculo São Paulo Surrealista, da Cia. Teatro do Incêndio, que cumpriu temporada de março a agosto, na casa noturna Madame.  A montagem, sob direção de Marcelo Marcus Fonseca, estreia dia 17 de agosto, sexta-feira, no mesmo espaço, às 21 horas. A montagem, amparada pela estética do Surrealismo, nesta edição viaja pelo submundo paulista pela ótica poética do poeta paulista Roberto Piva.

A primeira parte do projeto apresentava um mergulho no Inferno de Dante Alighieri, mostrando a capital paulista inserida nos nove círculos da Divina Comédia, observada por Pagu e André Breton. Em São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma, a saga surrealista sobre a cidade prossegue, agora pelo purgatório e a caminho do céu. Apesar de se tratar de uma continuação, as peças podem ser vistas como espetáculos independentes. Segundo o diretor Marcelo Marcus Fonseca, os diálogos são baseados em depoimentos de pessoas que conviveram com Roberto Piva e na sua própria experiência ao lado dele, pois mantiveram anos de amizade. “São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma é um espetáculo regado pelo humor dos absurdos religiosos e pela poesia seca do submundo da capital. Tudo em um universo onírico que retrata uma cidade possível de ser vista a olhos nus, somente pela visão mística e/ou mítica de suas esquinas e cidadãos”, argumenta o diretor. O projeto foi contemplado com a 18ª edição da Lei de Fomento ao Teatro. A segunda parte da peça é um passo evolutivo na pesquisa do grupo que conta com a curadoria de Claudio Willer (também transformado em personagem no espetáculo).

Local: Madame – Rua Conselheiro Ramalho, 873 – Bela Vista/SP – Tel: (11) 2592-4474 Estreia dia 17 de agosto – sexta-feira – às 21 horas Temporada: sextas-feiras e sábados – às 21 horas – até 15/12. Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00), o ingresso dá direito à balada após sessão. Bilheteria: 1h antes da sessão – Aceita somente dinheiro – Duração: 70 min. Gênero: Surrealismo – Classificação etária: 18 anos – 120 lugares – Ar condicionado. Acesso universal – Estacionamento (R. Conselheiro Ramalho, 853): R$ 20,00.

O enredo: Fernando Pessoa chega à capital paulista trazido pelo mar, sendo recebido por Beatriz, musa irreal e amada de Dante. Ela reflete sobre o cidadão mecânico, que gesticula por obrigação e anuncia o teatro como salvação: neste momento uma peça do espanhol Salvador Dalí, inédita no Brasil, é representada dentro da própria encenação sob direção do mestre da pintura surrealista. Dante surge à procura de Beatriz. Ela está pregada em um quadro, mas se desprende para seguir com ele os caminhos que levam ao paraíso. Nessa trajetória invocam, do fogo, o poeta Roberto Piva e com ele parte da geração beat paulista, além do americano Allen Ginsberg. Piva tem seu tão sonhado encontro com Dante e Beatriz, envolve-se com a cidade de rap, com chacina de adolescentes e com muitas prostitutas (inclusive Neusa Sueli, personagem de Plínio Marcos). O poeta vive a deformação poética de cada rua em que passa. A caminho do céu, depois de perder de vista Dante e Beatriz, Roberto Piva vê o alinhamento dos planetas, anunciando o fim do mundo. Chega às portas do Paraíso onde é recebido por São Bernardo, Santo André e São Caetano, enquanto Deus dorme entediado: uma figura surpreendente, a partir da descoberta recente de “sua partícula” (quase impossível de se achar). Roberto Piva – embriagado de fogo paulista – trava um diálogo com Deus sobre a cidade. E lixo invade a cena como um temporal. Garis montam suas esculturas com os restos deixados pelos cidadãos, anunciando o fim do mundo.

Ficha técnica: Peça: “São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma”. Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca. Direção Musical: Wanderley Martins. Iluminação: Rodrigo Alves. Curadoria poética e suporte teórico: Claudio Willer. Espaço Cênico: Sérgio Ricardo e Marcelo Marcus Fonseca. Assistência de direção: Paula Micchi. Debatedor de ensaios: Paulo Sposati Ortiz. Fotos: Bob Sousa. Arte gráfica: Giuliano Henrique. Composições originais: Wanderley Martins e Marcelo Marcus Fonseca. Projeções: Vinícius Gusman. Produção e realização: Cia. Teatro do Incêndio. Apoio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. ww.teatrodoincendio.com.br

Elenco: João Sant’Ana, Wanderley Martins, Marcelo Marcus Fonseca, Sergio Ricardo, Giulia Lancellotti, David Guimarães, Sonia Molfi, Tássia Melo, Camila Araujo, Tais Luna, Lillian Almeida, Yasmine Colucci, Laís Thales, Vinícius Gusman, Barbara de Almeida, Pedro Casali, Diego Freire, Bárbara Santos, Talita Righini, Antonio Motta, Vinicius Pimentel, Cláudia Motta, Beatriz Malagueta, Pricila Lima, Caroline Marques e Vanessa Klitzke.

 São Paulo Surrealista 2: A Poesia Feita Espuma, por Marcelo Marcus Fonseca:

Os poetas estão doentes. A população foi amansada na cidade onde nada mais é permitido. Só existe uma possibilidade de reparo: a palavra poética. A cidade que pariu e sufocou o poeta Roberto Piva treme com mais um ano eleitoral, como se isso importasse. Apelamos para a nova partícula descoberta e mandamos o Piva  conversar com Deus, mas ele estava bêbado e tocando banjo. Em virtude desses acontecimentos, nos manifestamos solicitando:

1 – A imediata transformação do Marco Zero e dos Shopping Centers em termas de livre acesso, pela localização estrategicamente privilegiada e espaço suficiente para receber jovens em idade de curiosidade.

2 – Jaulas para os fiéis que praticam homofobia caridosa.

3 – Reflorestamento do Memorial da América Latina.

4 – Adoção da obra de Rimbaud nas escolas para adolescentes em idade de identificação com a rebeldia e feijoada na merenda.

5 – Caixas de som tocando Villa-Lobos na Avenida Paulista.

6 – Livros de poesia Beat ao lado de microfones a cada dois quarteirões, para que o cidadão possa parar e ler em voz alta durante seu trajeto.

7 – Atualização periódica do “Necrológio” de poetas e artistas inteligentes.

8 – Teatro-Samba.

9 – Taças de vinho distribuídas gratuitamente nos escritórios e agencias bancárias.

Essas, entre outras solicitações que o espectador pode sugerir, contribuindo para que a vida recupere sua vocação sensual e lírica, são nossas propostas para cada apresentação de São Paulo Surrelista 2: A Poesia Feita Espuma,  onde homenageamos a cidade eternamente escondida pela hipocrisia e pelas leis corroedoras da felicidade. A segunda parte dessa produção que surgiu a partir do projeto aprovado pela Lei de Fomento ao Teatro, agrega jovens atores à Cia. Teatro do Incêndio, abrindo portas para sua manifestação artística, formação técnica  e aquisição de referências literárias e estéticas em geral.  É ainda um reencontro com personalidades marcantes de São Paulo e também com toda espécie de cidadão, bicho e flor que nasce no asfalto incandescente da metrópole de todas as possibilidades.  O espetáculo é um ritual e, portanto, não está sujeito às ações proibitivas da lógica ou da moral.  Convidamos a todos para celebrar, com os olhos voltados para as divindades desse lugar que sustenta o céu com suas colunas de edifícios.

 

          

São Paulo Surrealista prossegue em cartaz

Que beleza. São Paulo Surrealista, o espetáculo encabeçado por Marcelo Marcus Fonseca e Liz Reis, e que tem minha colaboração, foi prorrogado e fica em cartaz por mais um mês, até o dia 23 de junho. E às sextas-feiras passou de 21:30 a 21 h – achei bom. Tem tido sessões lotadas, antecipadamente vendidas. Surrealismo e inventividade despertam interesse. Quem ainda não viu, vá ver. A seguir, reproduzo ficha técnica e release.

Espetáculo: São Paulo Surrealista

Com: Cia. Teatro do Incêndio

Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca

Consultoria teórica e voz em off: Claudio Willer

Co-direção e figurinos: Liz Reis

Elenco: Liz Reis, Marcelo Marcus Fonseca, João Sant’Ana, Wanderley Martins, Sérgio Ricardo, David Guimarães, Giulia Lancellotti, Talita Righini, Sonia Molfi e outros.

Direção musical: Wanderley Martins

Iluminação: Rodrigo Alves

Fotografia: Bob Sousa

Composições originais: Marcelo Marcus Fonseca e Wanderley Martins

Produção e realização: Cia. Teatro do Incêndio

Apoio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo

Serviço

Local: Madame (antiga Madame Satã) – www.madameclub.com.br Endereço: Rua Conselheiro Ramalho, 873 – Bela Vista/SP – Tel: (11) 2592-4474 Temporada: sexta e sábado às 21 horas – Até 23/06/12 Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00), o ingresso dá direito à balada após apresentação. Bilheteria: 1h antes da sessão – Aceita cartões de crédito/débito (V, MC e AE). Reservas: 2347 1055  e  9628 1772 – Gênero: Surrealismo – Duração: 70 min – Classificação etária: 18 anos – Capacidade: 200 lugares – Ar condicionado Acesso universal – Estacionamento c/ manobrista (R. Cons. Ramaalho, 853): R$ 20,00.

A Cia. Teatro do Incêndio apresenta seu novo espetáculo São Paulo Surrealista, ritual teatral dirigido por Marcelo Marcus Fonseca. Com dia 2 de março (sexta-feira, às 21h30), a montagem inaugura a programação teatral da casa noturna Madame (antiga Madame Satã que reabriu suas portas totalmente reformada e sob nova direção).

Este novo projeto da companhia, contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, é uma ode à cidade e seus personagens, confrontando – em um jogo de imagens sobrepostas – as contradições e fantasias da metrópole. Em São Paulo Surrealista o público confere o resultado da primeira fase desta pesquisa do Teatro do Incêndio.

Claudio Willer – escritor e poeta, cujos vínculos literários são com a criação mais rebelde e transgressiva, como aquela representada pelo surrealismo e geração beat – foi consultor da companhia para esse projeto. Willer também fará participação especial na estreia do espetáculo.

O espetáculo não conta, necessariamente, uma história. Para revelar a cidade real, nada é realista. Os textos são colagens emolduradas por imagens e figuras da metrópole, sejam elas reais ou distorcidas, tendo na música ao vivo um elemento essencial para traduzir sua pulsação. “Esta montagem propõe também que o público perceba a cidade pelos olhos de André Breton, um dos criadores do surrealismo, em um jogo que ressalta pontos turísticos, monumentos, terreiros, restaurantes e bordeis paulistanos”, explica o diretor Marcelo Marcus Fonseca. Mário de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos comuns, ninfas e animais recebem o surrealista André Breton, observado por Antonin Artaud (dramaturgo francês, surrealista), para um mergulho na capital paulista, percorrendo Os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri. Em cena, 25 atores em uma celebração musical da cidade com alusões ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Frederico Fellini e textos escritos durante o processo pelo próprio grupo, com base na escrita automática característica do Surrealismo. Todas as canções foram compostas por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins especialmente para o espetáculo, algumas delas “em parceria” com Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire. São Paulo Surrealista é um espetáculo que interage com o público, questionando a existência pela natureza histórica, política, sensual e caleidoscópica de uma cidade anárquica num delicado equilíbrio de contrários. O público é recebido com uma taça de vinho (quem quiser beber outras terá que comprá-las) e também pode degustar o absinto, mas oferecido pelos atores em conta gotas. O espetáculo ainda propicia a experiência surreal de ver uma escola de samba tocando peça de Heitor Villa-Lobos.

São Paulo Surrealista

A seguir, divulgação, tal como distribuída pela Cia. Teatro do Incêndio. É a entrada em cartaz, regularmente, do que foi apresentado a 25 de janeiro no Museu da Língua Portuguesa e antes, como ensaio geral, nas Oficinas Culturais Oswald de Andrade.

Mergulho no surreal mostra símbolos e fantasias de São Paulo aos olhos da Cia. Teatro do Incêndio

São Paulo Surrealista estreia dia 2 de março no Madame (“Satã”) com direção de Marcelo Marcus Fonseca. Na estreia, o poeta Claudio Willer faz participação especial.

A Cia. Teatro do Incêndio apresenta seu novo espetáculo São Paulo Surrealista, ritual teatral dirigido por Marcelo Marcus Fonseca. Com estréia marcada para dia 2 de março (sexta-feira, às 21h30), a montagem inaugura a programação teatral da casa noturna Madame (antiga Madame Satã que reabriu suas portas totalmente reformada e sob nova direção).

Este novo projeto da companhia, contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, é uma ode à cidade e seus personagens, confrontando – em um jogo de imagens sobrepostas – as contradições e fantasias da metrópole. Em São Paulo Surrealista o público confere o resultado da primeira fase desta pesquisa do Teatro do Incêndio.

Claudio Willer – escritor e poeta, cujos vínculos literários são com a criação mais rebelde e transgressiva, como aquela representada pelo surrealismo e geração beat – foi consultor da companhia para esse projeto. Willer também fará participação especial na estréia do espetáculo.

O espetáculo não conta, necessariamente, uma história. Para revelar a cidade real, nada é realista. Os textos são colagens emolduradas por imagens e figuras da metrópole, sejam elas reais ou distorcidas, tendo na música ao vivo um elemento essencial para traduzir sua pulsação.

“Esta montagem propõe também que o público perceba a cidade pelos olhos de André Breton, um dos criadores do surrealismo, em um jogo que ressalta pontos, monumentos, terreiros, restaurantes e bordeis paulistanos”, explica o diretor Marcelo Marcus Fonseca.

Mário de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos comuns, ninfas e animais recebem o surrealista André Breton, observado por Antonin Artaud (dramaturgo francês, surrealista), para um mergulho na capital paulista, percorrendo Os Nove Círculos do Inferno de Dante Alighieri.

Em cena, 25 atores em uma celebração musical da cidade com alusões ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Frederico Fellini e textos escritos durante o processo pelo próprio grupo, com base na escrita automática característica do Surrealismo. Todas as canções foram compostas por Marcelo Fonseca e Wanderley Martins especialmente para o espetáculo, algumas delas “em parceria” com Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire.

São Paulo Surrealista é um espetáculo que interage com o público, questionando a existência pela natureza histórica, política, sensual e caleidoscópica de uma cidade anárquica num delicado equilíbrio de contrários. O público é recebido com uma taça de vinho (quem quiser beber outras terá que comprá-las) e também pode degustar o absinto, mas oferecido pelos atores em conta gotas. O espetáculo ainda propicia a experiência surreal de ver uma escola de samba tocando peça de Heitor Villa-Lobos.

Os Nove Círculos do Inferno, por São Paulo Surrealista

Os Nove Círculos do Inferno são os degraus propostos pelo espetáculo, inspirados na primeira parte da Divina Comédia, para explorar os signos, ou infernos, da cidade de São Paulo.  No primeiro círculo, “Pagãos no Limbo”, André Breton é batizado no Candomblé, abrindo passagem para a imersão nas contradições e tradições da metrópole, como a “Luxúria”, onde a paixão pelo dinheiro impera, e a “Gula”, retratando a filosofia da comida em um banquete a la Píer Pasolini e frases do poeta francês Benjamin Péret. No quarto círculo, a “Avareza” se materializa em um homem velho, personagem que expulsa as pessoas desse banquete e guarda tudo para si.

Uma aparição de Antonin Artaud, com fios elétricos ligados à sua cabeça, representa a “Ira”, justificada em texto que questiona a própria existência. “Heresia” é o sexto circulo: uma freira tortura um padre enquanto lê, para Artaud, uma carta ao Papa criticando a religião. Em “Violência e Bestialidade” nosso personagem mergulha nas baladas noturnas dos jogadores de futebol e seus empresários que molestam adolescentes (passagem pontuada por textos bestiais e violentos do Conde de Lautréamont, poeta uruguaio que viveu na França, precursor do Surrealismo).

“Fraude” é o oitavo círculo, que faz cair por terra o sétimo: as jovens molestadas saem de dentro de sacos de lixos, mas estão “grávidas” de bolas de futebol. No último, a “Traição”, traz o mapa de São Paulo marcado por pontos turísticos, mesclados a tumores diversos. E Artaud conclui que a cidade doente e que trai a si própria.

Ficha técnica

Espetáculo: São Paulo Surrealista

Com: Cia. Teatro do Incêndio

Roteiro e direção geral: Marcelo Marcus Fonseca

Co-direção e figurinos: Liz Reis

Elenco: Liz Reis, Marcelo Marcus Fonseca, João Sant’Ana, Wanderley Martins, Sérgio Ricardo, David Guimarães, Giulia Lancellotti, Talita Righini, Sonia Molfi e outros.

Direção musical: Wanderley Martins

Iluminação: Rodrigo Alves

Consultoria teoria e voz em off: Claudio Willer

Fotografia: Bob Sousa

Composições originais: Marcelo Marcus Fonseca e Wanderley Martins

Produção e realização: Cia. Teatro do Incêndio

Apoio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo

Serviço

Estreia: 2 de março de 2012 –  sexta-feira – 21h30

Local: Madame (antiga Madame Satã) – www.madameclub.com.br

Endereço: Rua Conselheiro Ramalho, 873 – Bela Vista/SP – Tel: (11) 2592-4474

Temporada: sexta (às 21h30) e sábado (às 21 horas) – Até 19/05/12

Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00), o ingresso dá direito à balada após apresentação.

Bilheteria: 1h antes da sessão – Aceita cartões de crédito/débito (V, MC e AE).

Reservas: 2347 1055  e  9628 1772 – Gênero: Surrealismo – Duração: 70 min – Classificação etária: 18 anos – Capacidade: 200 lugares – Ar condicionado

Acesso universal – Estacionamento c/ manobrista (R. Cons. Ramaalho, 853): R$ 20,00.

Dia 25: ato surrealista

Reproduzo, tal como recebi da ativa e talentosa Liz Reis. Diverti-me com o anúncio de que vou fazer papel de mim mesmo – isso é humor willeriano.

A Cia. Teatro do Incêndio visita a cidade de São Paulo pela ótica surrealista, de maneira debochada e cruel.
Mario de Andrade, Roberto Piva, Pagu, nativos, cidadãos, ninfas e animais recebem o criador do surrealismo, André Breton, observado por Antonin Artaud, para um mergulho na capital paulista, batizando Breton no Candomblé e percorrendo “Os Nove Círculos do Inferno” de Dante Alighieri através dos pontos turísticos, monumentos, terreiros, restaurantes e bordéis paulistanos.
O vídeo apresenta o ensaio aberto do espetáculo “São Paulo Surrealista”, na trajetória de sua construção, em um experimento público na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

São Paulo Surrealista
Roteiro e Direção: Marcelo Marcus Fonseca
Elenco: Liz reis, Wanderley Martins, João Santa’Ana, Sergio Ricardo, David Gumarães, Giulia Lancellotti, Thalita Riguini, Vinícius Gusman e outros
Participação especial: Claudio Willer como Claudio Willer

dia 25 de janeiro as 15h
unica apresentação
Museu da Língua Portuguesa (O Museu esta interligado a Estação Luz de Metrô/Trem ), Praça da Luz, s/nº – Centro , São Paulo – SP 
Entrada Gratuita 

Venham … !