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Surrealismo prossegue

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Este post, só para ficar registrada a bela foto de minha palestra de surrealismo de segunda feira passada, dia 8, na Cia. Corpos Nômades. Valoriza / destaca as obras que comentei. Feita por João Andreazzi – como podem ver, talentoso fotógrafo e não só encenador / criador teatral.

Segunda feira próxima tem mais (outras infos nos posts precedentes aqui).

Falando sobre surrealismo

Corpos Nômades 01 10 18

Ontem à noite – segunda feira, 01/10 – fotografado por João Andreazzi nos Corpos Nômades. Meu tema, origens do surrealismo. Ao fundo, o “douanier” (aduaneiro) Rousseau. Conforme Roger Shattuck em The Banquet Years (é o texto que está na minha mão, na edição francesa, Les Primitifs d’Avant-Garde) Rousseau nunca foi aduaneiro, trabalhou como guarda da alfândega, “gabelou”, passando em seguida a viver de tocar violino nas ruas para recolher uns trocados e da venda de seus quadros a preços irrisórios (ninguém o levava a sério, até ser descoberto por Alfred Jarry e divulgado por Apollinaire). Examinei também  “Art Brut” e artistas loucos – Adolf Wölfly, que não conheciam, impressionou.

Na próxima sessão, tratarei de surrealismo e antropologia (e mitos, evidentemente). Meu ponto de partida,  esta observação de Jacqueline Chénieux-Gendron em “Il y aura une fois”: “Uma das formas de surrealismo é a etnografia”.  Falarei sobre mitos. E sobre surrealismo e conhecimento. Pierre Mabille estará presente. VENHAM.

Mais no post precedente neste blog.

 

OFICINA: SURREALISMO, AS PORTAS DO MARAVILHOSO com Claudio Willer

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Informa o organizador:

Dias 01, 08, 15, 22 de outubro de 2018. Segundas das 19h30 às 21h30 Número de Vagas: 30 Público Alvo: Pessoas com interesse em literatura e criação artística em geral. Valor por aula de R$30,00 (pagos no dia de cada aula).

Inscrições através do e-mail ciacorposnomades@gmail.com  – anexar uma carta sucinta de interesse e escrever no assunto Oficina com Claudio Willer. Na sede da Cia. Corpos Nômades – Espaço Cênico O LUGAR Rua Augusta, 325 – São Paulo – SP .

Pretendo adicionar algo com relação a cursos que já dei. O tema do arcaico em sua relação com as inovações, por exemplo. O mundo mítico. Interessará a quem já fez e a quem ainda não fez esse tipo de jornada. Lembrando, a última gerou um grupo de Facebook, ‘Surrealismo solúvel’.

O surrealismo não será abordado exclusivamente como capítulo de literaturas nacionais e da história da literatura, mas como poética e visão de mundo. Como observou Octavio Paz em O Arco e a Lira, se “o surrealismo não é uma poesia, mas uma poética”, é “mais ainda, e, sobretudo, uma visão de mundo”. E, de modo mais enfático: “o surrealismo é um movimento de liberação total, não uma escola poética”. Também Julio Cortázar advertira contra enquadrar surrealismo em uma classificação periódica de escolas e movimentos literários: “Higiene prévia a toda redução classificatória: o surrealismo não é um novo movimento que sucede a tantos outros. Assimilá-lo a uma atitude e filiação literárias (melhor ainda, poéticas) seria cair na armadilha em que malogra boa parte da crítica contemporânea do surrealismo.”

Pretende-se não apenas ampliar o conhecimento da literatura propriamente surrealista, ou com vínculos como esse movimento, porém estimular a reflexão, a capacidade de leitura e interpretação de obras. E avançar na discussão das relações entre poesia, mito, magia, misticismo e hermetismo, mostrando como o surrealismo, sendo inovador, ao mesmo tempo retoma e até recupera uma tradição e modos arcaicos de pensar e ver o mundo.

Colagem Jorge de LimaCruzeiro Seixas 75_b

NOVAS PALESTRAS SOBRE POESIA E XAMANISMO

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Onde: CASA DAS ROSAS, ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA, +55 (11) 3285.6986 | 3288.9447 • contato@casadasrosas.org.br  Av. Paulista, 37 • Bela Vista • CEP 01311-902 • São Paulo • Brasil

Quando: Terças-feiras, 9, 16, 23 e 30 de outubro de 2018, das 19h às 21h

Informam os organizadores (reparem no link para inscrições): O ciclo de palestras mostrará como alguns poetas podem ser identificados a xamãs, e certos aspectos do xamanismo podem ser encontrados em autores como Dante Alighieri, William Blake e Rimbaud, bem como em modernos e contemporâneos como Jorge de Lima, Antonin Artaud, Herberto Helder e Roberto Piva.

Faça sua inscrição online ou presencialmente, na recepção da Casa das Rosas, a partir de 15/9/2018, até o preenchimento das vagas.

É necessário confirmar a inscrição frequentando a primeira aula de cada curso. Faltar na primeira aula implica o desligamento automático do aluno.

Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: A verdadeira história do século 20 (Córrego, 2016, Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); [etc]

Reparem na ilustração que escolhi, desta vez. Um “joker”, coringa, figura de baralhos e do tarô inspirado no “triskster” por sua vez associado a xamanismos. Acho que conseguirei adicionar algo ao que tenho dito sobre Antonin Artaud e xamanismo (falei na semana retrasada em Brasília), insistir na minha interpretação de Jorge de Lima como poeta xamânico, e examinar questões perturbadoras, como essa do mesmo xamanismo ocorrer no âmbito de diferentes cosmogonias e teogonias.

LIVROS MEUS ESTARÃO À VENDA

Na Livraria Tapera Taperá. Por ocasião da minha palestra sobre acaso objetivo e poesia e vida, na próxima quinta feira, conforme anunciado no post precedente.

Autografarei, é claro.

A verdadeira história do século 20 será vendido a R$ 20,00 o exemplar.

Estranhas experiências será vendido a R$ 30,00 o exemplar.

Ofereço aqui um poema de cada um dos livros:

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Meio-dia

a Terra respira

formigas transitam por suas nervuras

arabescos de pássaros

pontuam o pausado discurso das nuvens

só existe o espaço

a paisagem lacustre

que agora cobre uma cidade submersa

e sem saber por que vim parar aqui

o que me trouxe a esta fronteira de lugares e sensações

entro n’água

a claridade me leva à deriva

flutuo no amplo

embebido no dia mais que morno

sei-me hóspede de quem tenho sido

(a superfície do lago

se desmancha no movimento dos círculos concêntricos)

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A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SÉCULO 20

contemplação: estrela no fundo do mar

você: véu de gaze azulada roçando, suave apelo

furacão: róseo

perfeição: parábola de perfumes

lâmina: a mente alucinada

gruta: você e os arcanos da natureza

matemática do sonho: esta nuvem

gelo: explosão de relâmpagos

essa solidez, essa presença: capim ao vento

rápidos, passando à frente: lavanda

e também sombra de árvore

montanha: inteiramente nossa

intimidade sorridente: no calor da tarde

Íris: o nome da flor, o seio ao sol

– quanta coisa você fez que eu visse

o acaso nos transportava e poderíamos ir a qualquer lugar

o mundo tinha janelas abertas

e tudo era primeira vez

 

gnose do redemoinho, foi o que soubemos

 

 

 

Claudio Willer sobre o Acaso Objetivo: Poesia & Vida

Acaso objetivo - set 2018

(Gostei da colagem que o organizador, Matheus Chiaratti, fez comigo – adotei)
(Haverá livros meus – Estranhas experiências e A verdadeira história do século 20 – autografarei) (A palestra servirá como “esquenta” de um curso de surrealismo que apresentarei nos Corpos Nômades, a ser divulgado em breve)

Quando: Quinta-feira, 27 de setembro de 2018 de 19:00 a 21:30

Onde: Tapera Taperá, Av. São Luis, 187, 2º andar, loja 29 – Galeria Metropole, 01046-001  
Informa o organizador: Arte_Passagem e Tapera Taperá convidam o público a participar da mesa com o poeta Claudio Willer sobre a experiência do “acaso objetivo” na prática poética. A mesa ocorrerá em ocasião da abertura da intervenção artística Hotel Esfinge do artista Matheus Chiaratti para o arte_passagem.
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Claudio Willer (São Paulo, 1940) é poeta, ensaísta, tradutor, pesquisador do “acaso objetivo” na obra do surrealista André Breton, e publicou o ensaio “Magia, Poesia e Realidade: O Acaso Objetivo em André Breton”, disponível para leitura neste link: goo.gl/yZnJ1J
É a partir da herança da flânerie de Baudelaire na produção surrealista e suas reverberações na geração dos poetas brasileiros dos anos de 1960 que o artista encontra na cidade um campo fértil para suas deambulações, criando com ela uma disposição ao mistério e ao eventual, em que “sob os impulsos complementares do acaso e da sua imaginação, [o poeta ou o artista] procura melhor definir sua própria identidade, interrogando os diversos ‘enigmas’ encontrados – objetos, situações ou seres”. Nadja(1928), obra seminal de André Breton, será o ponto de partida para a nossa discussão.
A atualidade do “acaso objetivo” na produção artística é urgente. Encarar a cidade como um campo rico de embate, terreno fértil de história e de pensamento – ainda mais em tempos de gentrificação e de incêndios – é se integrar a ela como espectador ativo, dono de seu próprio percurso e atento aos símbolos que a cidade disponibiliza.
Uma passagem de Nadja, exaltada no prefácio de Eliane Robert Moraes da edição da Cosac Naify, conduz o pensamento para os mistérios do percurso: “Não sei por que é para lá, de fato, que meus passos me levam, que vou para lá quase sempre sem objetivo determinado, sem nada decisivo a não ser esse dado obscuro de saber que ali vai acontecer isto”.
 

 

Poesia e xamanismo em Brasília (amanhã)

Sabendo da minha vinda a Brasilia para o simpósio Devorando Artaud, Ian Viana & friends preparam isto, de bate-pronto. Gostei. Levarei exemplares de Estranhas Experiências para autografar:

Xamanismo em Brasilia

Informam os organizadores:

Uma surpresa maravilhosa!

Amanhã receberemos Claudio Willer (SP) para a palestra “Poesia e Xamanismo”.

Willer é um dos principais nomes da literatura brasileira. Como poeta,  distingue-se pela ligação com o surrealismo e a geração beat. Ao lado de Sergio Lima e Roberto Piva, é um dos únicos poetas brasileiros a receber menção do periódico francês La Bréche – Actión Surrealisté, dirigida por André Breton.

Co-editou, com Floriano Martins, a revista eletrônica Agulha, de 1999 a 2009. Ministrou inúmeros cursos e palestras e coordenou oficinas literárias em universidades, casas de cultura e outras instituições.

Sobretudo, Willer é poeta que, sem sombra de dúvidas, transforma sua vida em obra.

“poesia é isso, é isto, também é aquilo, é agora

poesia é o que sempre soubemos

o conhecimento animal”.

Ian Viana

No Setor

Coletivo Poético Assum Preto