Posts Tagged ‘criação poética’

Nova oficina de criação literária: Criação Poética, no SESC-Ipiranga

Será às quintas feiras, no horário das 19 às 21 h.
Oito sessões. Começa dia 10 de julho, e seguirá até o dia 28 de agosto.
O SESC-Ipiranga fica à Rua Bom Pastor, nº 822; telefone; (11) 3340-2000. email; email@ipiranga.sescsp.org.br. É acessível, lembrando que a estação Sacomã do metrô fica na mesma Rua Bom Pastor, porém na altura do nº 3.000. Vejam o mapa: http://www.sesc.com.br/portal/sesc/unidades/saopaulo/sesc+ipiranga
A oficina será na sala de convivência, na mesma rua, porém no número 709, e a inscrição para a oficina pode ser realizada na Central de Atendimento: bit.ly/criacaopoetica . A inscrição é de R$ 4,00 para comerciários, R$ 10,00, meia, R$ 20,00, seres humanos em geral, para a oficina toda.
Seguirei o mesmo programa e metodologia de oficinas anteriores: tratarei da imagem poética, valor literário, prosa poética e poesia, a expressão não-discursiva, a leitura. Interessará a poetas e também a prosadores e apreciadores de literatura em geral. Pedirei aos que escrevem que tragam amostras de textos de sua autoria.
Agradeço retransmissão e demais modos de divulgação.
A seguir, o “flyer” da oficina.

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A demissão de Claudio Daniel da curadoria de literatura do Centro Cultural São Paulo: uma petição

Claudio Daniel relata a demissão da curadoria de literatura do Centro Cultural São Paulo em seu blog:
http://cantarapeledelontra.blogspot.com.br/2014/04/relatorio-de-gestao.html
Um abaixo-assinado, dirigido ao Secretário Municipal de Cultura, expressa o que pensamos a respeito:
http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR71380
Achei ofensivo. Ele trabalhou um bocado. Com recursos muito escassos, além de suportar a pesada burocracia, tirou leite de pedra. Demitir desse jeito é falta de consideração com relação a ele e para quem freqüentou ou se apresentou. Por causa de algum ‘desentendimento administrativo’, interromperem uma programação de qualidade. Ninguém está nem aí para o que nós, participantes e freqüentadores, queremos ou esperamos.
Havia aberto essa programação, em fevereiro de 2011, lendo meus poemas para um público, segundo o Centro Cultural, de 130 pessoas. Retornei como espectador, leitor de poemas, participante em mesas ou conferencista. De modo evidente, havia-se consolidado um espaço para a poesia. Descontinuá-lo é retrocesso. Por isso, peço que assinem e divulguem.
Sobre paradoxos da política, farei alguns comentários outro dia. Ou não – talvez não haja paradoxos, apenas uma consistente e crescente mediocridade.

Surrealismo no SESC de Piracicaba, no final deste mês

Será um ciclo substancioso, examinando surrealismo sob vários ângulos. Dias 26 a 29 de março; ou seja, na próxima semana. Agradeço por retransmitirem a interessados em Piracicaba e região. Terei o prazer de participar, dando um curso breve – mas substancioso, espero – e participando de mesa instigante com Raul Fiker e Célia Musili. Haverá encenações teatrais pelo Teatro do Incêndio de Marcelo Marcus Fonseca (quem ainda não assistiu a São Paulo Surrealista, aproveite a chance) e outras atrações, como um estimulante workshop.

A seguir, a programação completa, tal como divulgada pelo SESC – mostra ainda segue pelo mês de abril, como pode ser verificado nesta matéria:http://www.sescsp.org.br/online/artigo/7398_ONDE+ESTA+O+SURREAL#/tagcloud=lista

Observem que tem links para inscrições e fones para informações:

Onde anda o surreal?
Retorno ao senso incomum

Projeto sobre um dos mais importantes e radicais movimentos estéticos do século XX e que propõe imersão em universo de símbolos que deslocam o homem de sua passividade habitual e coerência lógica, lançando-o em percepções que transpõem os limites da realidade.

MINICURSO: O Surrealismo no Brasil
As principais características do movimento e suas influências no Brasil, comCláudio Willer, poeta, ensaísta, crítico e tradutor brasileiro, doutor em Letras pela USP, com ensaio publicado no livro O Surrealismo (ed. Perspectiva, 2008). Citado em antologias de poesia surrealista e livros de história da literatura como um dos únicos poetas brasileiros a receber resenha do periódico francês La Brèche – Action Surréaliste, dirigida por André Breton, autor do Manifesto Surrealista19h às 22h. Internet Livre. Não recomendado para menores de 16 anos. Grátis.Inscrições no local ou pelo e-mail inscricao@piracicaba.sescsp.org.br, informando nome do curso, nome completo do participante, idade e telefone.

TEATRO
EM.CENA.AÇÃO

Com Cia Teatro do Incêndio

Fim de Curso
Texto: René de Obaldia
Tradução: Cláudio Willer
Direção: Marcelo Marcus Fonseca
A peça discute a morte de um professor universitário por jovens estudantes, que pedem clemência pelo crime. Os alunos alegam ter assassinado alguém que já estaria morto. Temas como coerção, liberdade, ideologia, morte, Deus e sociedade de consumo estão intimamente ligados nessa fábula de mistério, em que a vida se torna convulsiva e retalhada pela frieza das relações humanas. 20h. Ginásio. Não recomendado para menores de 16 anos.Ingressos: R$ 2,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados), R$ 5,00 (usuários, estudantes, idosos, professores da rede pública, aposentados e deficientes) e R$ 10,00.

ESPECIAL
ENCONTRO SURREAL
Willer & Fiker
Cláudio Willer e Raul Fiker conversam sobre a presença do surrealismo em suas obras literárias e os motivos que os levaram a “dialogar” com o movimento. Mediação: Célia Musilli. 11h. Teatro. Não recomendado para menores de 16 anos. Grátis.

WORKSHOP
Teatro e Surrealismo

Com o diretor Marcelo Marcus Fonseca para apresentação do processo de investigação do universo surrealista da Cia. Teatro do Incêndio. Após exercícios e debates, os participantes acompanharão a preparação e ensaio do espetáculo São Paulo Surrealista junto aos atores do grupo. 16h. Ginásio. Não recomendado para menores de 16 anos. Grátis. Inscrições na Central de Atendimento ou pelo e-mail inscricao@piracicaba.sescsp.org.br, informando nome do workshop, nome completo do participante, idade e telefone.

TEATRO
EM.CENA.AÇÃO

Com Cia Teatro do Incêndio

São Paulo Surrealista
Texto e direção: Marcelo Marcus Fonseca
Na trama, os escritores Mário de Andrade, Roberto Piva e Patrícia Galvão cruzam com cidadãos comuns e, em uma viagem surrealista, convidam o dramaturgo Antonin Artaud e o escritor André Breton, ambos franceses, para um passeio em São Paulo. Durante o trajeto, os poetas descobrem a relação entre a metrópole e o surrealismo, passando por ambientes típicos da boemia paulistana. 20h. Ginásio. Não recomendado para menores de 16 anos.Ingressos: R$ 2,00 (trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados), R$ 5,00 (usuários, estudantes, idosos, professores da rede pública, aposentados e deficientes) e R$ 10,00.

Mais em:

http://www.sescsp.org.br/programacao/28776_ONDE+ANDA+O+SURREAL#/content=programacao

SESC – Piracicaba: Rua Ipiranga, 155 , Centro PIRACICABA | CEP: 13400-480 Telefone:(19) 3437-9292 Entre em contato

Surrealismo, filosofia e política: mais

Havia postado no Facebook, reproduzo aqui para maior circulação, o link da revista digital Agulha, de Floriano Martins, na edição mais recente: http://www.revista.agulha.nom.br/ARC08capa.htm

Toda ela é de qualidade. E traz meu artigo sobre surrealismo e filosofia, versão revista da palestra que dei em dezembro na UNIFESP:
http://www.revista.agulha.nom.br/ARC08claudiowiller.htm

E também um artigo do ensaísta e poeta português António Cândido Franco, sobre as complexas relações de surrealismo, marxismo e anarquismo. A meu ver, surrealismo ‘advanced’, corrige equívocos e chavões:
http://www.revista.agulha.nom.br/ARC08andrebreton.htm

Além do sugestivo “Poesia e pederastia: o Mário de Andrade de Roberto Piva” de Ricardo Mendes Mattos, assim contribuindo para tirar do armário:
http://www.revista.agulha.nom.br/ARC08robertopiva.htm

Darei curso de surrealismo este mês. Mas será em Piracicaba, no SESC. Também haverá mesa, mostra e espetáculo. Divulgarei programação, em breve.

Meu blog tem 248 assinantes. Subscrevam, gostaria de chegar a 11.342  – pode ser também 10.738.

O resultado do concurso de leitura de poesia

Aquele da postagem precedente. Imediatamente, Elvio Fernandes e em seguida Elson Froes, Vince Vinnus, Fernanda Pacheco e Assis de Mello identificaram que o autor é Charles Bukowski. Fernanda já tinha o livro, no original – é o poema final do póstumo The people look like flowers at last. Os demais reconheceram pelo estilo.

Original a seguir (agradeço a Fernanda, que copiou do pdf). Elson e Vince acertaram que o tradutor sou eu. As 300 páginas de poemas saem este ano pela L&PM, estou fazendo última revisão. Se aparecer alguém que entenda de corridas de cavalos e sua terminologia, agradeço – ainda tenho dúvidas. Mesmo neste poema, talvez mexa em algo (reprieve, moratória?).

Este blog tem 246 assinantes ou “seguidores”. Agradeço aos que contribuírem para alcançar minha meta de 9.348 assinantes. 8.753, também pode ser.

sun coming down

no one is sorry I am leaving,
not even I;
but there should be a minstrel
or at least a glass of wine.

it bothers the young most, I think:
a nonviolent slow death.
still it makes any man dream;
you wish for an old sailing ship,
the white salt-crusted sail
and these a shaking out hints of immortality.

sea in the nose
sea in the hair
sea in the marrow, in the eyes

and yes, there in the chest.
will we miss

the love of a woman or music or food
or the gambol of the great mad muscled
horse, kicking clods and destinies
high and away
in just one moment of the sun coming down?

but now it’s my turn
and there’s no majesty in it
because there was no majesty
before it
and each of us, like worms bitten
         out of apples,
deserves no reprieve.

death enters my mouth
and snakes along my teeth
and I wonder if I am frightened of
this voiceless, unsorrowful dying that is
like the drying of a rose?

Um novo concurso de leitura de poesia

Consiste em responder o seguinte:
a. quem escreveu o poema a seguir?
b. quem o traduziu?

Vale tentar adivinhar. Possibilitará observações sobre dicções poéticas, estilo etc. Ganhador receberá exemplar autografado de livro meu.

sol se pondo

ninguém está triste por eu ir embora,
nem mesmo eu;
mas deveria haver um menestrel
ou ao menos um copo de vinho.

isso incomoda mais aos jovens, eu acho:
uma morte lenta sem violência.
ainda assim isso faz qualquer homem sonhar;
você deseja um velho veleiro,
a vela branca incrustada de sal
e o mar embalando sugestões de imortalidade.

mar no nariz
mar nos cabelos
mar na medula, nos olhos
e sim, no peito.
sentiremos falta
do amor de uma mulher ou música ou comida
ou o corcovear do grande cavalo louco e
musculoso,
pisoteando torrões de terra e destinos
para o alto e para bem longe
em um só momento de sol poente?

mas agora é a minha vez
e não há majestade nisso
pois não houve majestade
antes disso
e cada um de nós, como vermes mordidos
nas maçãs,
não merece moratória.

a morte penetra em minha boca
e rasteja ao longo dos meus dentes
e eu me pergunto se estou com medo deste
morrer sem voz e sem lamentos que é
igual ao murchar de uma rosa?

Novos poemas ambientalistas: Roberto Piva

Selecionei de Ciclones. São sublimes: “o nada árido das areias” – como sabia compor versos. Tenho o arquivo em word de Ciclones: após fazer que Sergio Cohn digitasse os poemas para a edição de 1997 da Nanquim, passou em casa para uma última revisão, gravei. Selecionei aqueles em que é mais evidente a dicotomia natureza-cidade – mas a relação de Piva com São Paulo é ambivalente: inferno tenebroso e também lugar de revelações, como já observei em ensaios.

gaivotas
estrelas que despencam
no mar
& se eclipsam

Baco
me transforma
num astro vibratório
com este elixir
de cacto selvagem.
Vejo uma andorinha
carregando um solfejo
enquanto o núcleo
do Sol explode

piratas
plantados
na carne da aventura
desertaremos as cidades
ilhas de destroços
Ilha Comprida 88

cem planetas? cem pupilas?
simpatia das coisas distantes
o nada árido das areias
Praia do Guaiuba 82


Meio-dia dourado
acaricia garotos & pássaros
luz de sonho
partindo o Mundo
no centro do coração
lâmina da Eternidade
Ilha Comprida 86

II.
pelos direitos não-
humanos do planeta
a Ilha Comprida
nada
nas pradarias do Céu
gavião pandemônio
talhado na parte
mais dura do vento

 

            para Sergio Cohn
eu caminho seguindo
o sol
sonhando saídas
definitivas da
cidade-sucata
isto é possível
num dia de
visceral beleza
quando o vento
feiticeiro
tocar o navio pirata
da alma
a quilômetros de alegria
            Ponto Chic 95

BR 116

necessito cometas
no céu Caiçara
onde plana o
falcão mateiro
Juquitiba, Miracatu,
Vale do Ribeira
gole de vinho
quando nasce a
manhã
na estrada que
leva ao mar
& a Ilha aflorando na
névoa malva
do maciço serpentário
da Juréia
                                                                    BR 116, 95