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Surrealismo prossegue

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Este post, só para ficar registrada a bela foto de minha palestra de surrealismo de segunda feira passada, dia 8, na Cia. Corpos Nômades. Valoriza / destaca as obras que comentei. Feita por João Andreazzi – como podem ver, talentoso fotógrafo e não só encenador / criador teatral.

Segunda feira próxima tem mais (outras infos nos posts precedentes aqui).

Poesia e xamanismo em Brasília (amanhã)

Sabendo da minha vinda a Brasilia para o simpósio Devorando Artaud, Ian Viana & friends preparam isto, de bate-pronto. Gostei. Levarei exemplares de Estranhas Experiências para autografar:

Xamanismo em Brasilia

Informam os organizadores:

Uma surpresa maravilhosa!

Amanhã receberemos Claudio Willer (SP) para a palestra “Poesia e Xamanismo”.

Willer é um dos principais nomes da literatura brasileira. Como poeta,  distingue-se pela ligação com o surrealismo e a geração beat. Ao lado de Sergio Lima e Roberto Piva, é um dos únicos poetas brasileiros a receber menção do periódico francês La Bréche – Actión Surrealisté, dirigida por André Breton.

Co-editou, com Floriano Martins, a revista eletrônica Agulha, de 1999 a 2009. Ministrou inúmeros cursos e palestras e coordenou oficinas literárias em universidades, casas de cultura e outras instituições.

Sobretudo, Willer é poeta que, sem sombra de dúvidas, transforma sua vida em obra.

“poesia é isso, é isto, também é aquilo, é agora

poesia é o que sempre soubemos

o conhecimento animal”.

Ian Viana

No Setor

Coletivo Poético Assum Preto

O I Simpósio Internacional Devorando Artaud: 70 anos

evento Artaud

Em Brasilia. Dias 13 e 14 deste mês. Auditório Pompeu de Souza na UnB. A seguir, a programação. Abro. Alex Galeno, Fagner França e Gustavo Castro, organizadores, também prepararam a substanciosa coletânea Antonin Artaud: Insolências (Moinhos, 2018),  já noticiada neste blog. Em um e outro, evento e coletânea, reunião de conhecedores de Artaud.

A propósito desses 70 anos , em breve teremos relançamento da minha coletânea Escritos de Antonin Artaud, de 1983 (e reedições), publicada pela L&PM. Noticiarei, é claro. Relendo, vi que teria pouca coisa a modificar, não obstante a quantidade de contribuições importantes, desde então.

Programação do I Simpósio Internacional Devorando Artaud: 70 anos

Organização: Alex Galeno, Ciro Inácio Marcondes, Fagner França e Gustavo Castro.

Data: 13 e 14 de setembro de 2018

Local: Brasília (UnB)

Programação 13/09

 10h – Conferência de abertura com o poeta, tradutor, professor e escritor Cláudio Willer.

Tema: Visões de Artaud

 12h00 – Intervalo

14h – Mesa redonda 1:

Alquimias do verbo

Gustavo Castro (UnB) – Tema: Artaudidades

Hermano Machado (UFRN/UECE) – Tema: Heterotopias no teatro: a concepção de Artaud

Florence Dravet (UCB) – Tema: Ao Sul da Carne

16h – Mesa redonda 2:

Pestes

Vanessa de Moraes (UCB) – Tema: A fecalidade em Artaud e os homens sem juízo

Alex Galeno (UFRN) – Tema: Artaud: Revolta, fábrica de ordem e cultura

 Programação 14/09

 10h – Mesa redonda 3:

Convulsões Cênicas

Ciro Inácio Marcondes (UCB) – Gesto e morte na Joana d’Arc de Dreyer: Artaud no cinema

Fagner França (UFRN) – Tema: Cinema da crueldade como experiência do pensamento

Gerlúzia Azevedo (IFRN) – Tema: O subjétil e a estética da crueldade artaudiana

 12h – Intervalo

 14h – Conferência com o poeta, pesquisador e ator Adeilton Lima

Tema: Poéticas do delírio, escritas delirantes: Antonin Artaud e Glauber Rocha

16h: apresentação da peça Para acabar com o julgamento de deus, com Adeilton Lima, seguida de conversa com público.

 17h30: Lançamento do livro AntoninArtaud – Insolências (Orgs. Alex Galeno, Fagner França e Gustavo Castro.)

 

 

POESIA E XAMANISMO NO COLÓQUIO DE ESTÉTICA INDÍGENA DA FAFIL / UFG EM GOIÂNIA

Estetica indígena

Falo dia 2 de agosto, quinta feira, a partir das 19 h, na Galeria da FAV. Minha palestra será complementada por uma fogueira, peixe, tapioca, tacacá e sucos. Programação saborosa. Se pudesse, assistiria aos três dias desse colóquio da Universidade Federal de Goiás, para aprender mais sobre tópicos que me interessam vivamente. Vejam, a seguir, o extenso cardápio. Mais informações em http://www.filosofia.ufg.br/n/105796-iii-coloquio-de-estetica-da-fafil-ufg-estetica-indigena-programacao-completa:

ESTÉTICA INDÍGENA
III Colóquio de Estética da FAFIL/UFG
2 a 4 de agosto de 2018
Locais: Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena (NTFSI), Cine UFG, Prédio de Humanidades (Auditório e salas), Galeria da FAV.

Dia 02/08:   Local: Auditório do Prédio das Humanidades 8:15 – Abertura oficial do evento 8:30 – Conferência: As artes indígenas: referentes sociais e cosmológicos, Lúcia Hussak van (Pesquisadora Titular do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI, vinculada ao Museu Paraense Emilio Goeldi)  Mediação – Carla Milani Damião (UFG) 09:00 – 10:00– Mesa redonda I: Expressões estéticas, Maria Luiza Rodrigues de Souza: (FSCUFG), Néle Azevedo (UNESP) e Kássia Oliveira Borges (UFAM).  Mediação – Samuel Gilbert de Jesus (FAV-UFG) 10:15 – 12:45 – Mesa redonda II: Relato sobre a produção do documentário A cultura do beijú – Povo Waura, Amatu Waura (EI-UFG) e Mauricio Kamayura (EI-UFG), Imagem e sonho: o diálogo da Claudia Andujar com os Yanomami, Raquel Imanishi Rodrigues (UnB)  Mediação – Rodrigo Cássio Oliveira (UFG)  12:45– 14:00 – Almoço  14:00 – 16:30 – Mesa redonda III: Imagens ameríndias, outro paradigma para pensar a arte, Rachel Costa (IFAC-UFOP), Auto-definições literárias, Tarsila Couto (FL-UFG) e Estética Boe-Bororo: o rito funeral como afirmação da vida, Alice Lino Lecci (UFMT).   Mediação – Luciana de Oliveira Dias (FL-UFG)  16:30 – 17:00 – Pausa

Local: Galeria da FAV: 17:00 – 18:30 – Conferência-conversa com Edgard Franco (FAV-UFG) – Arte, Hipertecnologia & Tecnoxamanismo: Processos criativos artísticos com Ciberpajelanças

19:00 – 21h – Abertura da exposição na FAV Performance Branco pureza sobre terra vermelha, Rubens Pillegi  Leitura de Cláudio Willer: Poesia e xamanismo Confraternização (fogueira, peixe, tapioca, tacacá e sucos)

Dia 03/08:  Local: Prédio das Humanidades

8:00 – 9:30 – Comunicações (Sala de defesas do PPGFIL) Coordenação: Lorraynne Bezerra Freitas 8:00 – 8:30 – As máscaras de Tawã e Iraxão: os artefatos encantados entre os Tapirapé – Vandimar Marques Damas

8:30 – 9:00 – Os Apyãwa e as imagens audiovisuais – Paula G. Viana dos Reis (UFMG) 9:00 – 9:30 – O nome vermelho de Yosano Akiko – Herick Martins Schaiblich (Graduação/UFG)

9:30 – 10:00 – Pausa  Coordenação: Bergkamp Pereira Magalhães

10:00 – 10:30 – Os donos do Brasil – João Lourenço Borges Neto (UFG)

10:30 – 11:00 – Vestires indígenas: reflexões iniciais sobre uma história da indumentária no Brasil – Rita Morais de Andrade (UFG)

11:00 – 11:30 – O rigoroso olhar índio: sobre “o quem das coisas” – Mariana Andrade (UFG)

11:30 – 12:00 – A estética da resistência e memória utópica em três filmes sobre o pós-maio de 68 – Rita Márcia Magalhães Furtado (UFG)

8:00 – 9:30 – Comunicações (Sala de defesas da FCS I) Coordenação: Kéllen A. Nascimento Ribeiro 8:00 – 8:30 – Filosofia com cinema – Rafael Fernandes (Unicamp/Fapesp)

8:30 – 9:00 – Imagens do pensamento selvagem: estética e cosmopolítica entre povos nômades da floresta – Francisco Augusto Canal Freitas

9:00 – 9:30 – Estética tropical. Objetos e ontologias culturais não-ocidentais (uma introdução) – Márcia Aurélio Baldissera

9:30 – 10:00 – Pausa Coordenação: Rámon Pereira Ataíde  10:00 – 10:30 – A escrita como cena substitutiva da pólis: memória, silêncio e testemunho em Salinas Fortes – Gilmário Guerreiro da Costa (UFG)

10:30 – 11:00 – “Que tipo de conceito é arte?”: a dissolução do problema da definição em Morris Weitz – Fernanda Azevedo Silva (UFG)

11:00 – 11:30 – Naveguei de Londres à Pérsia: devaneios errantes e flâneuses na obra de Annemarie Schwarzenbach e Virginia Woolf -Vrndavana Vilasine Laune Correia (UnB)

11:30 – 12:00 – O corpo como “texto-vivo”: uma leitura merleau-pontiana da obra Mulheres de Cinzas: as areias do Imperador, de Mia Couto – Iracy Ferreira dos Santos Júnior (UFOP)

8:00 – 9:30 – Comunicações (Sala de defesas da FCS II) Coordenação: Hugor Henrique Afonso Dias 8:00 – 8:30 – Quilombismo, descolonização e psicologia colonial: uma abordagem do pensamento negro de Abdias do Nascimento e Frantz Fanon – André Luiz de Souza Filgueira (PUC-Go/UnB

8:30 – 9:00 – A influência indígena na formação cultural do povo do sudoeste goiano – Eduardo Ferraz Franco (UFG)

9:00 – 9:30 – A arte rupestre no cotidiano: percepções estéticas da comunidade de Serranópolis – Goiás – Pollyanna de Oliveira Brito Melo (UFG)

9:30 – 10:00 – Pausa

Coordenação: Guilherme Bruno Giani 10:00 – 10:30 – O que não vemos, O que nos olha: Regimes do Visível nas Pinturas Anacé. Hércules Gomes de Lima (UFG) 10:30 – 11:00 – Grafismo indígena gavião: a pintura como elemento feminino – Ana Paula de Souza Fernandes (Univ. Federal do Sudeste do Pará)

11:00 – 11:30 – Música Timbira – Veronica Aldé

11:30-13:30 – Almoço

13:30-15:00 – Espaço de oficinas de criação com indígenas (Local: Núcleo TAHINAHAKY) 15:00 – 16:30 – Mesa IV – Pensamento em busca de raízes, Leca Kangussu (UFOP), Artes visuais, escritas de vida e decolonialidade, Manoela A. Afonso (FAV-UFG), Mirna Anaquiri Kambeba Omágua (FAV-UFG)  16:30 – 17:00 – Pausa  17:00 – 18:30 – Mesa redonda V – Autoria e expressões estéticas/artísticas indígenas em experiências pedagógicas interculturais, André Marques do Nascimento (EI-UFG), Lorena Dall’ara Guimarães (EI-UFG) e Arthur Bispo de Oliveira/Ricardo Kutokre Canela (EI-UFG).  Mediação – Carmelita Brito Felício (UFG/PPGFIL)

 

 

Dia 04/08: Programação: Fabiana Assis (PPGACV) e Benedito Ferreira Local: Cine-UFG (Auditório da FL)  8:30 – 10:00 – Itão kuegü: as hiper mulheres (2011) de Takumã Kuikuro, Carlos Fausto e Leonardo Sette (1h20) 10:00-10:30 – Pausa  10:30 – 12:30 – Corumbiara (2009) de Vincent Carelli (1h57) 12:30-14:00 – Almoço  14:00 – 16:00 – Cultura do Beiju – Povo Waura (2017) de professores e alunos do Núcleo de Formação Superior Indígena Takinahaky (00:42) e apresentação de produção áudio visual dos alunos indígenas (00:20) 16:00 – 16:20 – Pausa  16:30 – 17:45 – Taego Ãwa (2017) de Henrique Borela e Marcela Borela (1:15) 17:50 – 18:30 – Lançamento do documentário ITO (2017) de Takumã Kuikuro (00:22)   18:30 – 20:00 – Mesa VI – com convidados cineastas Takumã Kuikuro, Henrique Borela e Marcela Borela.

 

APROXIMAÇÕES ÀS VANGUARDAS: um novo curso ou ciclo de palestras

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Programamos algo diferente, entre o curso típico e o ciclo de palestras. Ocasião para conversar com o público, mostrar poesia – e também artes visuais – e destacar alguns tópicos originais, polêmicos ou instigantes.

Informa a Casa Mario de Andrade:

CURSO: APROXIMAÇÕES ÀS VANGUARDAS

Por Claudio Willer

Quando: Sábados, 5 e 19 de maio e 2 e 16 de junho, das 15h às 17h

Onde: Casa Mário de Andrade, Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda

Telefone: (11) 3666-5803 / 3826-4085

Inscrição Online

O que vai ser:

Uma série de palestras ministradas pelo poeta, tradutor e crítico literário Claudio Willer, pretende revelar ao público o sentido das vanguardas artísticas do século XX. Seguem-se os temas de cada encontro:

5 de maio: Dos simbolistas e decadentistas às vanguardas: quando a poesia enlouqueceu. A contribuição decisiva de Baudelaire. Lautréamont, Rimbaud; o enorme Alfred Jarry.

19 de maio: Todos os tempos e todos os lugares na poesia: dois poemas matriciais, “Zone” de Guillaume Apollinaire e The Waste Land, de T. S. Eliot.

2 de junho: Surrealismo: desfazendo alguns equívocos. O Brasil é um “país surrealista”? (Não, não é….). A complexa relação de poesia e vida.

16 de junho: Vanguardas e a recuperação do arcaico. Poetas-xamãs. Há ou houve uma segunda vanguarda? (Beats, surrealistas portugueses etc.).

Venham. Informem a interessados.

 

A palestra sobre surrealismo e cinema

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Falarei – e mostrarei imagens – encerrando – ‘coroando’, gostaram do chavão? – o ciclo ‘Navalha no olho – o exercício do olhar no cinema surrealista’ que preparamos, Carlos Gabriel Pegoraro e eu. No Centro Cultural São Paulo, sala Lima Barreto, amanhã, sexta feira, às 19h10.

Precede nova exibição de ‘A idade do ouro’, ‘Um cão Andaluz’ e ‘A bela da tarde’ de Buñuel. Tratarei – e do restante, também A foto é da homenagem a Buñuel, com outros diretores- seu admirador especial Alfred Hitchcock (comentarei), Billy Wilder, George Stevens, William Wyler, George Cukor, Robert Wise e outros, inclusive seu roteirista Carrière e o produtor Silverman – quando ‘O discreto charme da burguesia’ ganhou o Oscar em 1972. John Ford também compareceu, mas, doente, saiu antes, levado pelo enfermeiro.

Surrealismo e cinema: mostra de filmes e palestra

Buñuel

Sobre a mostra Navalha no Olho – o exercício do olhar no cinema surrealista, informa o Centro Cultural São Paulo:

Esta mostra busca encontrar nos mais diversos estilos os aspectos mais profundos do surrealismo. Contará com a colaboração na curadoria de Claudio Willer (poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde e ao surrealismo) e com sua palestra gratuita no dia 13/4, sexta, às 19h10.

Sala Lima Barreto (99 lugares). R$2,00 – a bilheteria será aberta uma hora antes da primeira sessão do dia (consulte a programação completa das duas salas de cinema do CCSP no site circuito Spcine)

PROGRAMAÇÃO

dia 6/4 – sexta: 15h15 O expresso de Shanghai de Joseph von Sternberg; 17h Via Láctea ou O estranho caminho de São Tiago de Luis Buñuel: 19h Cidade dos sonhos – Mulholland Drive de David Lynch.

dia 7/4 – sábado: 15h  Pandemônio – Hellzapoppin’ de H. C. Potter; 17h A idade do ouro – L’Âge d’Or e Um cão andaluz, Um Chien Andalou de Luis Buñuel; 19h30 A bela da tarde – Belle du Jour de Buñuel;

dia 8/4 – domingo: 15h30 O expresso de Shanghai; 17h Malpertuis de Harry Kümel; 19h30 Poesia sem fim de Alejandro Jodorowsky;

dia 10/4 – terça: 15h30 Pandemônio; 17h Amor sem fim de Amor sem fim, Peter Ibbetson, de Henry Hathaway; 19h Cidade dos sonhos

dia 11/4 – quarta: 15h Malpertuis; 17h Veludo azul de David Lynch; 19h30 Poesia sem fim

dia 12/4 – quinta: 15h Via Láctea ou O estranho caminho de São Tiago; 17h30 Amor sem fim; 19h30 Veludo azul

dia 13/4 – sexta: 15h A idade do ouro + Um cão andaluz; 17h15 A bela da tarde
19h10 Palestra com Claudio Willer

As sinopses e fichas técnicas estão aqui: http://centrocultural.sp.gov.br/site/eventos/evento/navalha-no-olho/

MEUS COMENTÁRIOS: Cinema é arte surrealista, e essa mostra poderia ser infinita. Só de Buñuel, poderiam ser uns dez filmes. Fizemos, Carlos Gabriel Pegoraro e eu, a programação possível, levando em conta a disponibilidade das cópias e de tempo, e o exame dos vários modos de olhar para o cinema, a partir do surrealismo. Além do mais evidente – L’Âge d’Or etc – adicionamos algumas raridades, como o estranho Malpertuis de Harry Kümel e Pandemônio – Hellzapoppin’ de H. C. Potter. Ambos, quem me chamou a atenção para eles foi Raul Fiker, cinéfilo voraz (assíduo nas exibições do Goethe e do MASP há algumas décadas) – . Hellzapoppin’, ele chegou a programar em um ciclo sobre surrealismo que coordenou na UNESP de Araraquara. Presto, assim, uma oblíqua homenagem ao amigo recentemente desaparecido. Ainda sobre Hellzapoppin’, caberiam outras comédias de escracho – Irmãos Marx, é claro, ou o melhor Jerry Lewis de O Mensageiro, The Bellboy. Mas vem sendo exibidas com frequência na TV a cabo. EM TEMPO: Nas sinopses, os dois protagonistas de Amor sem fim, Peter Ibbetson, de Henry Hathaway se encontrarem no Além é por conta da distribuidora, suponho – essa categoria, Além, é inteiramente estranha a André Breton, que amava esse filme. Exporei os motivos, em minha palestra.

Há uma entrevista comigo que certamente o Centro Cultural São Paulo divulgará, mas da qual reproduzo desde já os trechos iniciais:

  1. Quais são as principais características do cinema surrealista? R. Não há uma “forma” ou estilo surrealista. A relação é bilateral, o surrealismo está na obra e na sensibilidade de quem a aprecia. No entanto, posso destacar a dimensão onírica, a afinidade com o sonho. Filmes de cinema, mesmo os que narram uma história no modo discursivo, com histórias que têm começo, meio e fim, têm algo de sonhos projetados em uma tela. Como já foi dito (por Ado Kirou entre outros), cinema é arte surrealista. Enxergamos mais do valor de O expresso de Xangai de Von Sternberg, inclusive o modo como driblou a censura, a partir de uma sensibilidade aguçada pelo surrealismo. Carlão Reichenbach sabia disso, por isso batizou sua obra mais onírica de Filmedemência, anagrama de Filme de cinema. Lembro que um filme preferido por Breton, colocado por ele no mesmo plano que L’Âge d’Or de Buñuel, foi Peter Ibbetson (Amor sem Fim), de 1935, dirigido por Henry Hathaway e estrelado por Gary Cooper e Ann Harding. A história de um homem e uma mulher que se amam desde a infância. Ele é pobre. Ela foi destinada a outro pelo pai. O apaixonado, por acidente, mata esse pai, que o atacava. Vai preso. Na prisão, é espancado, quebram-lhe a coluna. Imobilizado, espera a morte. Mas sonha. Em seus sonhos, encontra a amada. Essa também sonha – e também o encontra. Ambos sonham o mesmo sonho, de modo sincrônico. Vivem por anos a fio, vão envelhecendo, sustentados pelos sonhos, realização do que a sociedade patriarcal e autoritária lhes negou. Dramalhão? Para Breton, a celebração do amor romântico, absoluto, sem limites: ganhou seu entusiasmo pela fusão de realidade e sonho, tópico surrealista por excelência.  )P. Qual o desafio que esse cinema, como um “exercício do olhar”, propõe ao espectador? R. Em Nadja, a narrativa de Breton que é uma das portas de entrada no surrealismo, há um trecho sobre o “sistema que consiste em jamais consultar o programa antes de entrar num cinema”. Nele, a lembrança do oitavo e último episódio de um filme em série “no qual um chinês, que havia encontrado não sei que meio de se multiplicar, invadia Nova York sozinho, com alguns milhões de exemplares de si mesmo”. É Les Empreintes de la Pieuvre(Os rastros do polvo). Nunca mais alguém lembraria Les Empreintes de la Pieuvre, se Breton não o houvesse comentado, valorizando justamente o que o filme tem de absurdo, de manifestação da imaginação desenfreada.

Há mais em uma série minha sobre surrealismo e cinema, publicada na revista Reserva Cultural e subsequentemente reproduzida aqui: http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/330 e http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/326