Posts Tagged ‘García Lorca’

Sobre Federico García Lorca por ocasião de mais uma efeméride, mais um 19 de agosto para lembrar seu assassinato em 1936

Homenagem a Frederico Garcia Lorca Flávio de Carvalho IMG_9147

Resolvi ilustrar com a escultura de Flávio de Carvalho homenageando-o, assim reunindo dois personagens notáveis – aquela mesma escultura depredada por fascistas brasileiros por volta de 1968, que ganhou de volta seu lugar na Praça das Guianas. Participei de manifestações pela recuperação da estátua, além de haver organizado homenagens a Lorca e publicado algo sobre sua vida e sua poesia.

Nunca esquecerei o susto que me provocou a descoberta do Poeta em Nova York – em 1961 ou 1962, eu estava em Poços de Caldas e fazia calor, havia comprado a edição da Losada. Poemas meus do período permanecerão engavetados, pois são epigonais, decalques do que havia lido. Quem me chamou a atenção para o Lorca de Poeta em Nova York foi, evidentemente, Roberto Piva – dizia passagens de cor, reunia amigos para leituras em voz alta, as marcas do Poeta em Nova York são evidentes em Paranóia e já escrevi a respeito.

Desta vez, reapresento o texto de uma palestra de 1998, que agora publico neste valioso Academia.edu. Este:

https://www.academia.edu/27896139/GARC%C3%8DA_LORCA_POETA_E_PERSONAGEM

Foi uma palestra que gostei de dar. Havia organizado um ciclo sobre Lorca na Biblioteca Mário de Andrade. Os espanhóis do Colégio Cervantes foram lá, gostaram do que eu disse e convidaram para seus “actos” por ocasião do centenário do poeta. Falei durante uma hora, sem parar. Sei que está algo desatualizada, que há mais desde Ian Gibson. Retomarei.

García Lorca na Martins Fontes, 2

Na próxima segunda feira, apresento-me, com Lelia Maria Romero, lendo e comentando poemas de García Lorca no auditório da livraria Martins Fontes. É a continuação do que fizemos a 07 de junho, com leitura de poetas brasileiros que o homenagearam:

https://claudiowiller.wordpress.com/2013/06/03/os-poetas-brasileiros-e-garcia-lorca/

Lembrando que 19 de agosto foi a data do assassinato dele. Virou tradição fazer algo. Acho muito bom: ocasião para tratar do colossal poeta, e, também, do que fascistas fazem.

No dia seguinte, como já noticiado no post precedente, será a palestra sobre literatura e drogas. Podemos emendar. Nosso problema jamais será a falta de assunto. Haverá mais.

A seguir, a nota preparada por Lelia.

EFEMÉRIDE&TRANSIÇÃO – encontro-homenagem

ONDE: Martins Fontes Paulista – Av.Paulista, 509 – metrô Brigadeiro

QUANDO: 19 de agosto, segunda feira, às 19h30 – auditório. 

CONVIDADO: Claudio Willer 

CURADORIA: Lelia Maria Romero

EFEMÉRIDE&TRANSIÇÃO

 SEGUNDA PARTE: TRANSIÇÃO

Lelia Maria Romero

conversa com o poeta ensaísta e tradutor

Claudio Willer.

“A morte é a pergunta das perguntas”

 Encontro-homenagem a Federico Garcia Lorca.

Setenta e sete anos após a Transição nos arredores de Viznar, em Granada, nos reunimos para caminhar por imagens sombrias e inquietantes. Pranto para Ignacio Sánchez Mejías: la muerte puso huevos em la herida. A teoria do duende: o toureiro mordido pelo duende faz esquecer que arremete constantemente o coração contra os cornos.  Divan do Tamarit: os mortos vão de asas de musgo.

 Claudio Willer – poeta, ensaísta e tradutor. Publicações recentes, Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia, ensaio; Geração Beat, ensaio; Estranhas Experiências, poesia. Traduziu Lautréamont, Ginsberg e Artaud. Doutor em Letras na USP, onde fez pós-doutorado. Mais em https://claudiowiller.wordpress.com/about.

 Lelia Maria Romero – poeta e escritora, pós graduanda em Jornalismo Literário. Autora de Poemas pra navegar e Andaluza. Pesquisa a Espanha medieval e através do Alandaluz voltou ao poeta Federico Garcia Lorca, em cuja poesia identifica traços da poética árabe-persa. Coordena o Projeto NARRARte, que promove oficinas de escrita criativa e saraus temáticos. Contato leliamiura@gmail.com

Os poetas brasileiros e García Lorca

A seguir, transcrevo programação da série coordenada por Lélia Maria Romero na Livraria Martins Fintes. Na próxima sexta-feira, apresento-me  como convidado. Consersaremos, diremos algo, e serão lidos os poemas de brasileiros evocando Lorca e o modo como ele foi morto: Drummond, Bandeira, Vinícius, Hilda, Renata, Piva e outros. Resgatei os poemas de Paulo Mendes Campos, cuja poesia não se acha em lugar nenhum. Deveria ser mais lida e circular mais.

É a primeira de duas sessões sobre o andaluz. A próxima será em agosto.

 EFEMÉRIDE&TRANSIÇÃO – encontro-homenagem

ONDE: Martins Fontes Paulista – Av.Paulista, 509 – metrô Brigadeiro

QUANDO: 07 de junho, sexta feira, às 19h30 – auditório

CONVIDADO: Claudio Willer 

CURADORIA: Lelia Maria Romero

Lelia Maria Romero

conversa com o poeta ensaísta e tradutor

Claudio Willer.

 AHORA TENGO UNA POESIA DE ABRIRSE LAS VENAS 

  LA POESIA NO QUIERE ADEPTOS, QUIERE AMANTES

No encontro-homenagem a Federico Garcia Lorca, caminhamos por suas descobertas, a teoria do duende, a expansão poética no Romancero Gitano, a afirmação no Poeta em Nova Iorque. Poesia para poesia: lembrança dos poetas que escreveram sobre e para ele. 115 anos após a Efeméride, em Granada, nos reunimos para celebrar sua vida e sua obra. As imagens sombrias e inquietantes, um mundo mitológico particular, o lúdico, a morte. Transição. Homenagem na homenagem: Pranto para Ignacio Sánchez Mejías e Divan do Tamarit.

Claudio Willer – poeta, ensaísta e tradutor. Publicações recentes, Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia, ensaio; Geração Beat, ensaio; Estranhas Experiências, poesia. Traduziu Lautréamont, Ginsberg e Artaud. Doutor em Letras na USP, onde fez pós-doutorado. Mais em https://claudiowiller.wordpress.com/about.

 Lelia Maria Romero – poeta e escritora, pós graduanda em Jornalismo Literário. Autora de Poemas pra navegar e Andaluza. Pesquisa a Espanha medieval e através do Alandaluz voltou ao poeta Federico Garcia Lorca, em cuja poesia identifica traços da poética árabe e persa. Coordena o Projeto NARRARte, que promove oficinas de escrita criativa e saraus temáticos. Contato leliamiura@gmail.com

García Lorca 75 anos

Que bom haverem-me lembrado, via Facebook, dos 75 anos da morte de García Lorca. Que pena não haver em 1977 os mesmos recursos de divulgação – na leitura sobre García Lorca que organizei junto com Ruth Escobar e atores convidados por ela na porta da livraria Brasiliense, filmavam-me e fotografavam-me – ninguém era jornalista, todos agentes de qualquer coisa.

O que estou fazendo: recolho, via Google, e copio aqui os links de García Lorca + Claudio Willer, algo das minhas contribuições ao tema (uma delas, a mais extensa, já postei no Facebook):

Federico García Lorca, poeta e personagem em http://www.revista.agulha.nom.br/ag28lorca.htm

Entrevista na rádio USP (por Marcello Bittencourt), este ano: http://www.radio.usp.br/programa.php?id=2&edicao=120616

Meu poema de 1976: http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=11621&titulo=Sobre%20os%2040%20Anos%20da%20Morte%20de%20Garc%EDa%20Lorca%20(1936-1976) (aliás, neste blog é só o começo do poema – ao final desta postagem reproduzo-o todo)

Depoimento (nem me lembrava): http://www.tirodeletra.com.br/porque/ClaudioWiller.htm

Notícia (bem detalhada): http://www.vermelho.org.br/prosapoesia/noticia.php?id_noticia=173042&id_secao=11

Piva + García Lorca: http://novaserie.revista.triplov.com/numero_02/claudio_willer/index.html

Um levantamento no Scielo, incluindo material que eu desconhecia: http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000012002000200021&script=sci_arttext

Para completar, uma série de links interessantes, enviados por Renato Brancatelli nos comentários ao que postei no Facebook:

Renato Brancatelli http://www.youtube.com/watch?v=mMSePWLkW2Y

 Patxi Andión- Oda a Walt Whiltman

From the album Poetas en Nueva York

Renato Brancatelli http://www.youtube.com/watch?v=zjk0c3bISSI&feature=relmfu

Lluis Llach- Els Negres (Norma y Paradis)

From the album Poetas en Nueva York

 http://www.youtube.com/watch?v=0-GE09ahiuA

Donovan- Unsleeping City

From the album Poetas en Nueva York

Renato Brancatelli http://www.youtube.com/watch?v=UH2qBC7ZUOY&feature=relmfu

Raimundo Fagner & Chico Buarque- A Aurora

From the album Poetas en Nueva York

Sobre García Lorca, 1, Pelos 40 anos da morte de García Lorca (1936/1976) 
(de “Jardins da Provocação”)

Eu vi pouca coisa nos jornais & revistas sobre os 40 anos da morte de
García Lorca
algumas manifestações e homenagens & uma notícia interessante (na Veja)
detalhando as circunstâncias – só isso
o resto, notas esparsas perdidas nos textos
quase ninguém lembrou
passou despercebido
ninguém quis lembrar
porque as pessoas não querem mais lembrar
e desistiram de falar
pois esta é a era do silêncio
silêncio de covas rasas e túmulos lacrados e circunscritos
silêncio vigiado e preso
silêncio de poeiras há pouco assentadas
pois todo estão mudos e perplexos
alguns mortos incomodam demais
e ninguém quer saber
ninguém quer ver
ninguém quer saber o que tem a ver
apenas este silêncio selado esponjoso grávido
de escorpiões & maresias & tempos & memórias
& vítimas do fascismo
silêncio sem preces nem retaliações
silêncio de palavras costuradas
sexos guilhotinados
uivos espalhados pelas madrugadas
silêncio fantasiado de escafandrista
silêncio de pupilas desorbitadas
tímpanos perfurados unhas arrancadas
gritos em corredores estreitos
jorros de silêncio naufrágios de silêncio
silêncio de cascos estilhaçados de tartaruga
desabando sobre o mundo
silêncio sobre o que foi
o que é
e o que se sabe
silêncio com endereço certo e data marcada
silêncio vômito do tempo e ejaculação precoce
silêncio de feltro
estiletes & punhais dentro da noite
& anteparos & mesas cirúrgicas
& corpos & anêmonas & brônquios
& sangue recém-coagulado pelas paredes
silêncio maior que o mundo e mais pesado que o tempo
silêncio de eletrodos & poções mágicas
silêncio de sorrisos oblíquos
rostos cúmplices
olhares de viés
silêncio conivente e sussurrado
silêncio fantasma à cabeceira
passos de silêncio
atmosferas de silêncio
perseguições na quietude do tempo presente
convulsões inesperadas
silêncio carregado de alucinações
que nos perseguem encapuzadas
silêncio de vértebras e rins e palavras ocultas e soterradas
e vigiadas
junto ao corpo de Federico García Lorca
assassinado por alcagüetes e tropas fascistas
em um campo de Granada em agosto de 1936
desde então ciosamente guardado
por uns poucos fantasmas carcomidos e fosforescentes
para que ninguém chegue perto
e tenha a coragem de romper o lacre
e soltar as palavras
a serem lançadas contra a opacidade do mundo

………………………………………………………………………………….

e acharam tudo muito bonito
gostaram demais dos textos
de fato, era um grande poeta
e ficou por isso mesmo

(achei em http://poenocine.blogspot.com.br/2010/12/breve-selecao-de-poemas-de-claudio.html ) – não adianta, diagramação orginal, os versos espalhados na página, só no livro