Archive for the ‘Artigos, Opniões e Provocações’ Category

Falando sobre surrealismo

Corpos Nômades 01 10 18

Ontem à noite – segunda feira, 01/10 – fotografado por João Andreazzi nos Corpos Nômades. Meu tema, origens do surrealismo. Ao fundo, o “douanier” (aduaneiro) Rousseau. Conforme Roger Shattuck em The Banquet Years (é o texto que está na minha mão, na edição francesa, Les Primitifs d’Avant-Garde) Rousseau nunca foi aduaneiro, trabalhou como guarda da alfândega, “gabelou”, passando em seguida a viver de tocar violino nas ruas para recolher uns trocados e da venda de seus quadros a preços irrisórios (ninguém o levava a sério, até ser descoberto por Alfred Jarry e divulgado por Apollinaire). Examinei também  “Art Brut” e artistas loucos – Adolf Wölfly, que não conheciam, impressionou.

Na próxima sessão, tratarei de surrealismo e antropologia (e mitos, evidentemente). Meu ponto de partida,  esta observação de Jacqueline Chénieux-Gendron em “Il y aura une fois”: “Uma das formas de surrealismo é a etnografia”.  Falarei sobre mitos. E sobre surrealismo e conhecimento. Pierre Mabille estará presente. VENHAM.

Mais no post precedente neste blog.

 

A matéria na revista Literatura e alguns tópicos relacionados

1 Revista Literatura julho 2018_n

Fiquei muito satisfeito com as páginas dedicadas a mim, entrevistado pelo poeta Luis Perdiz, nessa revista, Conhecimento Prático Literatura. A publicação toda é de qualidade. Crônicas, resenhas, artigos sobre tradução, erotismo, Camus, clássicos, leitura. É animadora a existência de mais uma revista literária, com distribuição ampla, vendida em bancas. Precisamos. Que estimule e forme leitores.

Perdiz finaliza sua matéria com uma pergunta, que transcrevo, junto com minha resposta:

Recentemente, amigos e leitores se mobilizaram por conta da falta de oportunidade remuneradas para você poder seguir com seus trabalhos. Teria algo a dizer acerca das dificuldades de um artista e de um entusiasta da literatura no Brasil atual?

Porra. Retrocessos brasileiros. É evidente que eu deveria ter direito a uma bolsa para prosseguir, por exemplo, sobre poesia e xamanismo – tenho algumas novidades, percepções originais do tema. Currículo para isso eu tenho. Ou então, poderia ser chamado para dar cursos, oficinas e tal regularmente, sem levar vida de frila. Apoio à produção de conhecimento, em geral, retroagiu no Brasil. Há, inclusive, fuga de cérebros, gente que se mudou para outro lugar.

O que vem por aí?

Dias ácidos, noites lisérgicas, crônicas. Vocês gostarão. Escrevi em três meses. Algo – mas só com subvenção, bolsa – sobre poesia e xamanismo.

Meus motivos para reclamação – e pedidos de ajuda que receberam apoio e solidariedade – estão detalhados neste post, na página do Instituto Hilda Hilst, preparado por meu amigo Gutemberg Medeiros, repercutindo o que foi publicado na rede social por meu amigo Oswaldo Pepe:

https://www.facebook.com/InstitutoHildaHilst/posts/vamos-ajudar-o-poeta-cl%C3%81udio/1546539658772091/

Subsistem. Quarto à poesia e xamanismo, estou preparando algo para apresentar no Colóquio de Estética Indígena, em Goiânia, na próxima semana. Será tema de meu próximo post. Também pretendo publicar algo sobre poetas / intelectuais em dificuldades – alguns precursores notáveis, inclusive em tempos nos quais não havia esse apoio de redes sociais e do meio digital.

 

CANTORAS NEGRAS

price2-800x445

A extraordinária cantora lírica Leontyne Price. Deslumbrante no repertório de soprano dramático e lírico-spinto. Nascida em 1927, protagonizou inicialmente papéis específicos para negras, como Porgy (de Gershwin) e Aida (de Verdi). Causou alguma comoção na primeira vez em que interpretou Tosca de Puccini, personagem “branca”, não especificamente negra, em 1957, na NBC. Recebeu um firme apoio do maestro Herbert von Karajan, que a chamou para turnês europeias, entre outros. Estrearia no Metropolitan em 1961. Lá se tornaria a ‘prima donna’, titular absoluta.

Tenho a gravação histórica, Il Trovatore de Verdi, regência de Karajan, com Price, Franco Corelli, Ettore Bastianini e Giulietta Simionato.

Amostras de sua qualidade:

https://www.youtube.com/watch?v=x0wJ0FBlcNA – em Aida de Verdi – na sequência, no mesmo youtube, com Pavarotti em Un ballo in maschera, nove minutos de bela cantoria, e outros bons trechos de ópera.

https://www.youtube.com/watch?v=qOWCa1HkfBM – La Traviata.

https://www.youtube.com/watch?v=OTZQHA73TXw – Norma de Bellini.

Já havia postado no Facebook sobre Marian Anderson, a contralto negra, voz inigualável segundo Arturo Toscanini – esse monumento ético, além de principal maestro de seu tempo. Para apresentar-se no Lincoln Memorial em 1939 – época de racismo fortemente institucionalizado – recebeu o apoio de Eleanor Roosevelt.

Aqui, Marian: https://www.youtube.com/watch?v=mAONYTMf2pk&feature=youtu.be

Nos comentários ao meu post, foram mencionadas cantoras negras de jazz. Lembro que Bessie Smith morreu sem atendimento médico porque o hospital aonde a levaram após um acidente automobilístico era só para brancos. E Billie Holiday recebeu marcação severa – proibida inclusive de apresentar-se profissionalmente por um tempo. B. B. King, já famoso como rei dos blues, rei do blues, e seus músicos, quando faziam turnê dormiam no ônibus depois de se apresentarem em cidades cujos hotéis não aceitavam negros.

Quanto a Dona Ivone Lara, a celeuma recente sobre quem a interpretaria isso não poderia ser entendido como um reverso, relação de espelho, do racismo?

O “HIPSTER”: SIGNIFICADOS, ORIGENS, ETIMOLOGIA

Havia postado no Facebook:

A mudança do sentido de “hipster”, de boêmio da pesada para alguém descolado, criador de moda: isso é coisa de jornalista brasileiro ou aconteceu antes lá, nos Estados Unidos? Mantive “hipster” – “hipsters com cabeça de anjo” – em minha tradução de Uivo de Ginsberg. Tenho algo sobre a etimologia / origem do termo. Acham que valeria a pena postar em meu blog?

Pergunta suscitou interesse. Transcrevo alguns comentários. Em seguida, até onde cheguei quanto à etimologia / origem do “hipster”.

ALGUNS COMENTÁRIOS:

Renata D’Elia: Veio antes dos gringos. Leia sobre o Brooklyn “hipster” de Nova York, Claudio Willer! São chamados de new hipsters. Rola até um padrão de barbas e de vestimentas.

Antonio Bivar: Aconteceu nos States, Claudio Willer, e corre mundo americanizado. Faz tempo, já.

Afonso Luz: Seria fundamental falares disso, pois começou com uma sociologia pouco cuidadosa de associar o “hipster” ao processo de “gentrification” da vida urbana, como se ele fosse o verdadeiro responsável pelos esquemas de operação financeira em áreas degradadas em que habita, quando na verdade há muito mais sob estas escolhas do que uma simples conveniência estética. Desde os anos 80 muitos dos empreendimentos imobiliários tentam transformar traços do experimentalismo em maneirismos decorativos das suas propostas comerciais, muito embora não sejam nunca de fato “hipster” e apenas uma sombra disso, como o art-deco já havia feito com o cubismo no início do século passado. E no Brasil isso ainda fica completamente deslocado, tanto de um lado como de outro, por conta de a gente também incorporar a crítica a esse processo de gentrificação de uma maneira também colonizada (e ressentida), sem que se tenha de fato uma construção reflexiva sobre ela, a ponto de “hipster” ter virado um xingamento da moda na boca daqueles que nem sabem do que estão falando.

Betty Vidigal, citando: “”Initially, hipsters were usually middle-class white youths seeking to emulate the lifestyle of the largely black jazz musicians they followed.”

Assis de Mello: Não deixe de postar, Willer!! Esse sentido de “hipster” atual macula a imagem tão temida, mas tão dadivosa, atribuída pela sociedade americana nas décadas de 50 e 60. Esse termo é para os beat e os hippie que ousaram tentar mudar o mundo para melhor. Kerouac, Ginsberg, Ken Kesey, Leary, e todos os outros, não merecem a sombra desses poodles de passarela de hoje.

Tito Martino: o termo vem da subcultura do Jazz anos 40 –Hipster or hepcat, as used in the 1940s, referred to aficionados of jazz, in particular bebop, which became popular in the early 1940s. The hipster adopted the lifestyle of the jazz musician, including some or all of the following: dress, slang, use of cannabis and other drugs, relaxed attitude, sarcastic humor, self-imposed poverty, and relaxed sexual codes.

Rodrigo Schaeffer: Convém lembrar que Kerouak fez uso do neologismo no clássico On the Road, onde ao elogiar o boêmio existencialista amante do jazz, viria a criar origem da palavra hippie, do hipster ou seja, algo como super, hiper… Lembro dessa mesma discussão ainda nos anos 80, antes da palavra ganhar status mainstream, onde revistas como cHiclete com Banana, do Angeli, trazia a tona a vanguarda passada a limpo no início da Abertura política na república das bananas. ..

ETIMOLOGIA / ORIGEM:

Em dicionários etimológicos, é observado que o exuberante blueseiro Cab Calloway (aprecio muitíssimo) havia utilizado a expressão “hepcat” nos anos de 1930. “Hipster” e “hip cat” viriam de “hepster”, palavra também misteriosa. Aliás, Kerouac vê um “hepcat” diante de sua janela, em Desolation Angels.

Mas eu tenho outra interpretação. Aliás, admitida por algum dos dicionários etimológicos que consultei há tempos. Seguinte: existe a “Hip flask”. Aquela garrafinha de bolso, achatada, contendo bebida alcoólica, preferencialmente uísque, de um tamanho que coubesse no bolso lateral do paletó – na altura do quadril, o “hip”. Muito usada por bebuns durante a Lei Seca, para encherem a cara discretamente. Portanto, vem dos anos de 1920 – a desastrosa proibição de comercializar bebida alcoólica, para satisfação de contrabandistas, destiladores clandestinos e mafiosos, durou de 1921 a 1933. Originariamente, “hip cat” seria, penso, quem trazia consigo a “hip flask”. “Hipster”, o doidão completo; e assim o termo estendeu-se para usuários de outras coisas e boêmios em geral.

Hippies? Aparecem em 1965/67. Crias dos beatniks e dos hipsters. Lembrando que a expressão “Beat Generation” foi criada por Jack Kerouac e John Clellon Holmes em 1948 – antes, os da turma tinham-se como “hipsters”.

No mais, concordo inteiramente com o que foi dito sobre a banalização do termo, agora desprovido do que tinha de transgressivo ou subversivo. Imaginem, os “angelheaded hipsters” de Ginsberg visualizados como barbudos descolados, instalando-se em “lofts” elegantes.

E, convenhamos, há caipiras! Fotos de uns agentes da PF conduzindo figurões para a cadeia – pela pinta de galãs, foram designados na matéria como “hipsters” … ! A que ponto chegamos … Estou chocado, escandalizado.

Lautréamont para homofóbicos

Quantidade de coisas para fazer – inclusive divulgação do que preparamos para os 80 anos de Piva. Mas, diante da efusão de alucinados atacando mostras de arte, encenações e o que estiver ao alcance, homenageio-os co0m a publicação de um trecho de Os cantos de Maldoror de Lautréamont, o começo da estrofe dos pederastas (quinta estrofe do Canto Quinto, na minha tradução na edição da Iluminuras):

“Ó pederastas incompreensíveis, não serei eu quem irá lançar injúrias contra vossa grande degradação; não serei eu quem irá atirar o desprezo contra vosso ânus infundibuliforme. Basta que as doenças vergonhosas, e quase incuráveis, que vos assediam, tragam consigo seu infalível castigo. Legisladores de instituições estúpidas, inventores de uma moral estreita, afastai-vos de mim, pois sou uma alma imparcial. E vós, jovens adolescentes, ou melhor, mocinhas, explicai-me como e porquê (porém mantende-vos a uma distância conveniente, pois eu também não sei resistir a minhas paixões) a vingança germinou em vossos corações, para ter feito aderir ao flanco da humanidade tamanha coroa de feridas. Vós a fazeis ruborizar-se por seus filhos, por vossa conduta (que, de minha parte, venero!); vossa prostituição, oferecendo-se ao primeiro que vier, põe à prova a lógica dos mais profundos pensadores, enquanto vossa sensibilidade exagerada ultrapassa o limite do espanto da própria mulher. Sois de uma natureza mais ou menos terrestre que a de vossos semelhantes? Possuís um sexto sentido que nos falta? Não mintais, e dizei o que pensais. Não é um interrogatório, isto que vos faço: pois, desde que freqüento como observador a sublimidade das vossas inteligências grandiosas, sei até onde devo ir. Sede abençoados por minha mão esquerda, sede santificados por minha mão direita, anjos protegidos por meu amor universal. Beijo vosso rosto, beijo vosso peito, beijo com meus lábios suaves as diversas partes do vosso corpo harmonioso e perfumado. Porque não dissestes logo quem éreis, cristalizações de uma beleza moral superior? Foi preciso que eu adivinhasse sozinho os inumeráveis tesouros de ternura e castidade que ocultavam as batidas de vossos corações oprimidos. Peito ornado de grinaldas de rosa e vetiver. Foi preciso que eu abrisse vossas pernas para vos conhecer, e que minha boca se pendurasse às insígnias de vosso pudor. Mas (coisa importante para ter em mente) não esquecei de, todo dia, lavar a pele de vossas partes com água quente, pois, senão, cancros venéreos cresceriam infalivelmente sobre as comissuras fendidas dos meus lábios insaciados. Ó! se em lugar de ser um inferno, o mundo não fosse mais que um imenso ânus celeste, vede o gesto que faço com meu baixo ventre: sim, teria enfiado minha vara através do seu esfíncter sangrento, destroçando, com meus movimentos impetuosos, as próprias paredes do seu recinto! A desgraça não teria soprado, então, dunas inteiras de areia movediça nos meus olhos cegos; teria descoberto o lugar subterrâneo onde jaz a verdade adormecida, e os rios do meu esperma viscoso teriam assim encontrado um oceano onde precipitar-se. Mas porque me surpreendo a lamentar-me por um estado de coisas imaginário, que nunca receberá a recompensa da sua realização ulterior? Não vale a pena construir fugazes hipóteses. Enquanto isso, que venha a mim aquele que arde no desejo de compartilhar meu leito; mas imponho uma condição rigorosa a minha hospitalidade: é preciso que não tenha mais de quinze anos. Que ele, de sua parte, não acredite que eu tenha trinta: que diferença faz? A idade não diminui a intensidade dos sentimentos, longe disso; e, embora meus cabelos tenham se tornado brancos como a neve, não foi por causa da velhice; foi, ao contrário, pelo motivo que sabeis. Eu não gosto das mulheres! Nem mesmo dos hermafroditas! Preciso de seres semelhantes a mim, em cujas testas a nobreza humana esteja marcada em caracteres mais nítidos e indeléveis!

AINDA SOBRE O FECHAMENTO DE UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE NO BANCO SANTANDER EM PORTO ALEGRE

Pelo maior alcance, pela visibilidade, por permanecer, transcrevo aqui meus posts no Facebook, na sequência cronológica:

1.

Episódio vergonhoso. Parece que MBL e organizações afins resolveram ampliar seu campo de atuação, deixando claro a que vieram, reeditando procedimentos como os dos nazistas contra a “arte degenerada”. E que corporações empresarias fazem questão de mostrar-se covardes. Será que a censura é mesmo algo que vai e que volta?

2

Quem, dentre as instituições culturais de São Paulo, teria a coragem de trazer pra cá essa mostra que foi fechada em Porto Alegre, no Santander? A do LGTB? Alô, alô, Pinacoteca, Centro Cultural, Fundação Bienal, MASP (se fosse no tempo do Bardi, ele topava), MAM, MAC-USP, Instituto Tomie Ohtake, Instituto Moreira Salles, Itaú Cultural, Caixa Cultural, CCBB, SESC (Danilo, que tal a idéia?)… Quem mais? Quem terá “i coglioni”, como dizem naquela península? Público, haverá. Fascistas fizeram uma boa propaganda.

3

Depois do episódio do Santander em Porto Alegre, que tal ficarmos assim: bancos e corporações afins só terão o direito de abrir centros culturais se mostrarem que a) têm vergonha na cara; b) não têm medo de fascistas; c) respeitam artistas e obras de arte. Convenhamos, não é pedir demais. Ah – claro que õrgãos públicos, também

4

Teatro Alfa, aqui em São Paulo, é do Santander, não é? Já não gostava, mausoléu suntuoso cravado em zona de bairros pobres, saguão parece desfile de moda quando tem espetáculo. Não vou mais lá. BOICOTE ÀS CORPORAÇÕES E INSTITUIÇÕES QUE SE CURVAM DIANTE DOS FASCISTAS!

Sobre o fechamento da mostra de de temática LGBT com 264 obras de artistas consagrados no Santander em Porto Alegre,

Após ser acusada por grupos de extrema direita de ser apenas apologia a pedofilia, zoofilia e anticristã, conforme noticiado aqui, entre outros lugares: https://jornalistaslivres.org/2017/09/fascistas-forcam-encerramento-de-exposicao-de-arte-em-porto-alegre/
Havia publicado no Facebook :
Episódio vergonhoso. Parece que MBL e organizações afins resolveram ampliar seu campo de atuação, deixando claro a que vieram, reeditando procedimentos como os dos nazistas contra a “arte degenerada”. E que corporações empresarias fazem questão de mostrar-se covardes. Será que a censura é mesmo algo que vai e que volta?
Vi algumas canhestras justificativas do fechamento. Por isso, prossigo, observando que:
a) Ninguém foi obrigado a visitá-la, iria quem quisesse, quem não estivesse a fim, que fosse a outro lugar;
b) Por isso, os argumentos – “argumentos”… – dessa gente implicam, necessariamente, a volta da censura, de alguém a resolver o que podemos ver e frequentar no cinema, teatro, que livros podemos ler etc.
c) Como todos sabem, é gigantesca a fila de obras proibidas e que causaram escândalo em um dado momento, porém reabilitadas mais tarde. As flores do mal de Baudelaire, inclusive. Eu vi o documentário sobre a mostra “Entartete kunst”, “arte degenerada”, promovida por Hitler. Os artistas expostos à execração, os dadaístas, cubistas, expressionistas, surrealistas, os Otto DixErich HeckelOskar KokoschkaFranz MarcEmil Nolde, figuram nos compêndios de História da Arte. Os artistas bons, saudáveis, na ótica totalitária, reaparecem eventualmente como exemplo de mau gosto. É bom lembrar que soviéticos fizeram a mesma coisa, ao imporem o “realismo socialista” como norma.
d) De todo modo, é inútil argumentar com essa gente. Determinados conteúdos os excitam. Terapia, quem sabe: trancá-los numa sala e obriga-los a assistir ao documentário sobre as fotografias de Robert Mapplethorpe? A Salò de Pasolini? Os dois volumes de Ninfomaníaca de Lars von Trier? Material educativo, que pode ajudar a esclarecê-los, felizmente não falta, hoje em dia – e isso torna ainda mais dissonante o que ocorreu em Porto Alegre.
Meio digital está aí – façamos que imagens e obras dessa mostra circulem. É a melhor resposta. Mostra inclui obras de Lygia Clark, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano, Fabio Del Re, Flávio Cerqueira, Gilberto Perin, Sandro Ka, Yuri Firmesa e Leonilson – entre outros notáveis pervertidos.