A MAIS NOVA TIRAGEM DE MEU RECENTE LIVRO DE POEMAS, “A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SÉCULO 20”

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Publicado no Brasil pela Editora Córrego – em Portugal, pelos Apenas Livros – Cadernos Surrealistas

Onde adquirir:

Na Livraria Sebo Clepsidra, à Rua Fortunato 117, Santa Cecília – há também outros livros meus lá, inclusive a edição argentina da minha poesia.

Na página / loja virtual da Editora Córrego. Aqui: : http://www.editoracorrego.com.br/produto/180607/a-verdadeira-historia-do-seculo-20-de-claudio-willer

Nos dois lugares, a preços promocionais.

A capa da edição brasileira é de Maninha Cavalcante. O posfácio, de Wilson Alves Bezerra.

Leiam-me.

Estimulem as papilas gustativas com um dos poemas;

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO SÉCULO 20

contemplação: estrela no fundo do mar

você: véu de gaze azulada roçando, suave apelo

furacão: róseo

perfeição: parábola de perfumes

lâmina: a mente alucinada

gruta: você e os arcanos da natureza

matemática do sonho: esta nuvem

gelo: explosão de relâmpagos

essa solidez, essa presença: capim ao vento

rápidos, passando à frente: lavanda

e também sombra de árvore

montanha: inteiramente nossa

intimidade sorridente: no calor da tarde

Íris: o nome da flor, o seio ao sol

– quanta coisa você fez que eu visse

o acaso nos transportava e poderíamos ir a qualquer lugar

o mundo tinha janelas abertas

e tudo era primeira vez

gnose do redemoinho, foi o que soubemos

DIÁLOGOS SINCRÔNICOS NA CASA DAS ROSAS: OS NOVÍSSIMOS

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Informa a Casa das Rosas:

AGENDA

SARAU

DIÁLOGOS SINCRÔNICOS: OS NOVÍSSIMOS

23/02 das 19h às 21h

Esta nova série de saraus da Casa das Rosas pretende evidenciar o diálogo entre gerações, trazendo leituras de poemas de autores já inseridos na tradição literária e abrindo o microfone para a multiplicidade poética do contexto atual.

Organização: Claudio Willer

QUANDO: Sábado, 23 de fevereiro de 2019, das 19h às 21h

ONDE:  CASA DAS ROSAS ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA
+55 (11) 3285.6986 | 3288.9447  contato@casadasrosas.org.br
Av. Paulista, 37  Bela Vista  CEP 01311-902  São Paulo  Brasil

A sessão focalizará poetas que orbitaram a Coleção Novíssimos, organizada por Massao Ohno nos anos 1960, contando com nomes como Roberto Piva, Carlos Felipe Moisés e Eunice Arruda. Os participantes poderão mostrar como essa poética permanece sendo uma referência às suas próprias criações.

MINHA SINOPSE E PARTICIPANTES:

A DÉCADA DE 1960 E OS POETAS NOVÍSSIMOS

Mesa composta por Celso de Alencar, Rubens Jardim e Wilson Alves Bezerra. Consistirá em depoimento de um participante ativo e continuador daqueles movimentos poéticos, Rubens Jardim, e dois leitores, ou melhor, poetas-leitores, Celso de Alencar e Wilson Alves Bezerra, que relatarão a experiência da descoberta de alguns dos poetas do período. Serão precedidos por algumas palavras do coordenador. Além dos que ganharam notoriedade e cujas obras tiveram boa recepção e circulação – como Roberto Piva, Lindolf Bell, Carlos Felipe Moisés e Álvaro Alves de Faria, por exemplo – pretende-se chamar a atenção para alguns poetas de qualidade ainda à espera de mais estudos e maior circulação.

Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: A verdadeira história do século 20, poesia (Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); Geração Beat (L&PM Pocket, 2009); Poemas para leer en voz alta (Andrómeda, San José, Costa Rica, 2007); Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004). Traduziu Lautréamont, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Antonin Artaud. Publicado em antologias e periódicos no Brasil e em outros países. Presidiu a UBE, União Brasileira de Escritores, em vários mandatos. Doutor em Letras na USP, onde completou pós-doutorado. Deu cursos, palestras e coordenou oficinas e outras atividades em uma diversidade de instituições culturais.

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“Por um mundo sem muros”: leituras de poesia, com 22 poetas, dia 22 de fevereiro

Togo

Skopje

Neste mês de fevereiro, estão sendo feitas leituras de poesia em diversos lugares do mundo, com o tema “Por um mundo sem muros”, organizadas pelo Movimento Poético Mundial. Evidentemente, visa aquele muro que não vai mais ser erguido, nos Estados Unidos fronteira com o México, o modo cada vez pior como imigrantes e refugiados vem sendo recebidos em lugares deste planeta, bem como as diversas modalidades de fechamentos de fronteiras físicas e institucionais estimuladas com tamanho afinco por autoritarismos.

Fernando Rendón, o valoroso organizador do Festival Mundial de Poesia de Medellin, convidou-me para preparar uma dessas apresentações de poetas, aqui em São Paulo. Não obstante as notórias dificuldades que venho enfrentando, achei importante promover o evento, pela boa causa e como reconhecimento do trabalho de Rendón. Tive a ajuda de amigos. Por enquanto, tenho 22 poetas confirmados. Considerem-se todos convidados. VENHAM.

Onde: Sebo Clepsidra Fortunato, Rua Fortunato 117, bairro de Santa Cecília, São Paulo. Registro a imediata adesão do pessoal deste novo espaço, a Clepsidra – Cid, Eduardo, Floid e comparsas.

Quando: dia 22 de fevereiro, sexta feira, das 19 às 22 h.

OS POETAS (22 já confirmados – deverá haver outros, mas achei bonita essa simetria de 22 poetas dia 22):

Benedito Bergamo

Beth Brait Alvim

Celso de Alencar

Diogo Cardoso

Fabiano Fernandes Garcez

Frederico Barbosa

Gabriel Rath Kolyniak

Gledson Souza

Jeanine Will

José Antonio Gonçalves

Leonardo Chagas

Luís Perdiz

Matheus Chiaratti

Paula Valéria Andrade

Roberto Bicelli

Roberto Casarini

Roger Willian

Rubens Jardim

Samanta Esteves

Wilson Alves Bezerra

Sobre poetas em dificuldades:um artigo, alguns acréscimos e um desabafo

Teve uma esplêndida repercussão o artigo de Wilson Alves Bezerra sobre poetas em dificuldades. Com apelo em meu favor, colocou-me em alta companhia.

O artigo:

https://revistacult.uol.com.br/home/literatura-e-indigencia-no-brasil/?fbclid=IwAR11uz_OwAxZVsoIsb9NFy_bwd3c-GyQMytPDE8JZXmCqc8n2Gi5B1m4r7g

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Nosso desejo de que os destinos literários de penúria e semi-indigência fossem mera memória de tempos idos se vê desmentido por recentes histórias nacionais

 

Os acréscimos:

PAUL CELAN – Já reconhecido como poeta, com uma obra extensa publicada, incluindo ensaios e traduções, jogou-se em 1970 de uma ponte no Sena por não ter mais aonde ir, após haver sido desalojado do quarto que ocupava. “Melancólico”, dizem notas biográficas – sim, mas absolutamente sem dinheiro.

MURILO MENDES – ninguém menos – em 1956, já consagrado, revela  a professora Maria Betânia Amoroso em “Murilo Mendes – O poeta brasileiro de Roma”  que Ruggero Jacobbi (grande Ruggero Jacobbi) lhe conseguiu um cargo de professor na Universidade de Roma porque Murilo não tinha mais como manter-se no Brasil.

ROBERTO PIVA – Acho que em 2005 ou 2006, por aí, foi ao INSS, acompanhado por um amigo nosso, Romulo Pizzi. Negaram-lhe aposentadoria, alegando tempo de serviço insuficiente, apesar de haver trabalhado bastante, lecionando em colégios. Não levaram em conta seu mal de Parkinson, doença incapacitante. Na mesma época, abriu-se vaga para professor visitante na Unicamp, R$ 7.000,00 por mês (bons tempos!), Alcir Pécora, organizador da edição de sua obra pela Globo, empenhou-se para que fosse escolhido, mas não, ficaram com o outro concorrente à vaga.

Isso, entre tantos outros casos – os que Wilson cita, Quiroga, Orides (li e conheci) etc. E os históricos, como Cesar Vallejo (morreu de fome).

O DESABAFO:  Além da minha contribuição como poeta, tradutor, ensaísta, agitador cultural, que Wilson cita de modo tão generoso, tenho titulação até pós-doc. Minha tese de doutorado – ‘Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna’ – e meu ensaio de pós-doc – ‘Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico’ – geraram uma bela fortuna crítica, uma quantidade de artigos elogiosos. Normalmente, teria mais uma bolsa de pós-doc, para dedicar-me a temas que interessam, como Poesia e Xamanismo – mas atualmente, NÃO TEM NADA, o miserabilismo cultural ao qual já me referia em 2014 cresceu de modo devastador. Quem sabe, com o breve relançamento de ‘Escritos de Antonin Artaud’, a esperada publicação de ‘Dias ácidos, noites lisérgicas’, a concretização de um lugar bom para dar cursos e oficinas, a barra se alivie. É aguentar-me até lá.

 

 

GRUPO DE ESTUDOS RIMBAUD

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Em primeiro lugar, agradeço muitíssimo pelo apoio recebido em um momento de dificuldade, uma transição algo complicada nesta fase da minha vida. Mais a respeito nas manifestações de Gledson Souza e Wilson Alves Bezerra no Facebook:

Sobre o GRUPO DE ESTUDOS RIMBAUD, é mais uma iniciativa do ativo Matheus Chiaratti. Em acréscimo ao informe, observo que, como se trata de grupo de estudos, tipo seminário, convém alguma  leitura – podem ser os volumes dele completo pelo Ivo, o Rimbaud por ele mesmo do Marsicano e Fresnot, o Rimbaud no Brasil de Carlos Lima, outras das traduções da poesia e da prosa poética, alguma das traduções de O barco bêbado, alguma das biografias, meu capítulo Rimbaud em Um obscuro encanto, etc.

Informa o organizador: COM CLAUDIO WILLER 6 encontros aos sábados intercalados – a começar no dia 19/01 10h às 12h – Endereço: Galeria Califórnia, r. Barão de Itapetininga, 255, sala 906.República, SP | R$ 210,00 pagos em dinheiro na primeira aula ou depósito para mim – Banco do Brasil, agência 0712-9, conta 1890-2 (meu cpf 516 745 138 – 87) – com envio de comprovante para matheusechiaratti@gmail.com

O grupo de estudos com o poeta Claudio Willer examinará as etapas da produção literária de Arthur Rimbaud (1854-1891): as poesias do seu início, quando ainda era um voraz leitor, adolescente no interior da França; as prosas poéticas de Uma Temporada no Inferno e Iluminações, as experiências catárticas e proféticas de um poeta-vidente; e, por fim, as suas correspondências, dados biográficos e a vida de reclusão na Abissínia, incluindo a negação da literatura. Afirma Claudio Willer: É hora de reler Rimbaud. Reacionários atualizam sua rebelião. Convidam à difusão dos impropérios contra os beatos em “Os pobres na igreja”, os burocratas em “Os assentados” e “Os aduaneiros”; os detentores do poder em “O Mal”; o beletrismo em “O que dizem ao poeta a respeito das flores”; valores estéticos em “Venus Anadiomene”; os bons sentimentos em geral em “O homem justo”. “Espero tornar-me um louco muito mau”: essa frase de “Vidas”, uma das Iluminações, poderia ser sua epígrafe geral. Com sua poética do delírio, do desregramento dos sentidos, atacou o próprio sentido das palavras: a relação de significação, substituído pela liberdade de significar. Em Uma estadia no Inferno, criou o monólogo do exilado
no mundo – “Por ora sou maldito, tenho horror à pátria”. Identificou-se aos marginais e criminosos: é “o forçado intratável contra quem se encerram as grades da prisão”. E especialmente aos negros, metáforas da diferença: “sou um bicho, um negro”. Em A Folie Baudelaire, Roberto Calasso o retrata como “adolescente selvático das Ardenas”, nascido e criado “numa terra renitente a civilizar-se”. Rimbaud, o poeta perverso. Em “Os poetas de sete anos”, encontra-se com uma “pirralha infernal”, que lhe pula às costas: “Ele por baixo então lhe mordiscava as popas, / porquanto ela jamais andava de calcinha.” Observa Calasso: “Até então a literatura vivera ignorando tudo isso. Nenhum escritor, nem mesmo Baudelaire, ousara mencionar cenas desse tipo. ” O poema “O barco ébrio”, que levou a Paris para mostrar a Verlaine, proclama seu ideal de liberdade absoluta. A tripulação do barco é morta, permitindo-lhe vogar à vontade. Para Calasso, “a cerimônia inaugural da literatura que soltou as amarras”. Exerceu especial influência através da fase final de sua obra. Sua poesia e prosa, junto com a “Carta do Vidente”, justificaram ver-se como o novo Prometeu: “O poeta é realmente o ladrão do fogo”. Uma estadia no inferno e Iluminações são literatura do século XX no final do século XIX. Iluminações poderia passar por obra escrita entre 1920 e 1930. Poemas descobertos e publicados mais tarde, como O álbum Zútico e Os stupra, são mais precursores ainda, pela ruptura com a relação de significação e de autoria. Sua retirada e silêncio têm múltiplas razões; entre outras, a derrota política. Sabia que “A verdadeira vida não está aqui”; preferiu não dizer mais nada a ter que expressar o desencantamento diante de um mundo que se fechava à realização da sua utopia, de “saudar o nascimento do trabalho novo, da nova sabedoria, a fuga dos tiranos e demônios, o fim da superstição, para adorar – os primeiros! o Natal na terra”. Sua vertiginosa recepção, como um dos autores de maior impacto no século XX, está na medida de seu inconformismo. E seus poemas e prosas poéticas continuarão a despertar talentos, mostrando possibilidades de expressar-se; manifestando o inconformismo diante do que está aí.

WILLER, Claudio. Arthur Rimbaud: o rebelde. https://www.academia.edu/7784336/Arthur_Rimbaud_o_rebelde

Brasil e os universos paralelos

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Esta minha postagem no Facebook teve suficiente aprovação para que eu achasse que valeria a pena reproduzi-la neste blog. Escolhi Alfred Jarry, autor de Ubu Rei e criador da Patafísica como ilustração por razões que o texto esclarece:

Hoje, estressado e me sentindo mal. Além de outros motivos mais sólidos – preciso me mudar e ainda não sei para onde -, deve ter sido por assistir a trechos da entrevista da Damaris Alves na TV ontem à noite. Achei que poderia valer como programa humorístico, mas não, volta à década de 1940 me fez mal. Acho que tive professora assim no 2º Primário. Outra coisa que me incomoda é como é que pode essas geopolíticas de doido, esse destampatório de absurdos e desinformação. União Européia foi criada para fazer frente ao bloco soviético, para competir com o comunismo, globalizando a economia de mercado, e por isso sempre foi atacada pelas esquerdas. A expressão “welfare society” sociedade de bem-estar, foi lançada na década de 1960 por Lyndon Johnson. O contrário do que esses tipos afirmam. Trump é tido por eles como enviado celestial – mas seu índice de aprovação sempre foi menor que a desaprovação e agora enfrentará dificuldades ainda maiores, com a perda – considerável – da maioria parlamentar. Hungria e Polônia terem governos hiper-nacionalistas e autoritários faz sentido, se explica pela história desses povos – dominados, parte de impérios por séculos. Polônia foi anexada pelo Império Russo de 1806 a 1917. Alfred Jarry denominou Ubu Rei inicialmente de “Os poloneses”, escolhendo como cenário um país que não existia. Hungria fazia parte do Império Austro-Húngaro, até 1918. Finalmente independente, teve um ditador da pesada, Horty, para ser ocupada pelos nazistas e em seguida pelos soviéticos, até 1990 – apesar de revoltas populares fortes como a de 1958. Tem lógica não quererem ver estrangeiros pela frente, especialmente imigrantes e refugiados. Algo completamente diferente do que houve no Brasil, convenhamos.Essa gente está discursando sobre um planeta paralelo, no qual muitos acreditam

UMA RIFA

Rifa Viva Willer

As instruções e informações pertinentes estão neste link, a seguir:

VIVA WILLER! 

Sorteio de uma pintura do artista Matheus Chiaratti

Até o dia 31 de janeiro | R$ 30 o bilhete

Link: https://goo.gl/ccZ6t7 

Matheus Chiaratti, artista plástico e escritor, organizou recentemente aquela concorrida sessão sobre acaso objetivo comigo no Tapera Taperá e outra em seu ateliê sobre Rimbaud. Estamos preparando para janeiro um grupo de estudos sobre Rimbaud, entre outras iniciativas.

Da minha parte. só tenho a agradecer pela reativação do Viva Willer! e pelo apoio e solidariedade. O ganhador também receberá exemplar de livro meu autografado.

Boas Festas para todos. Que 2019 traga belas surpresas e notícias animadoras. Um abraço a todos.