Mais sobre surrealismo e cinema

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De qual esplêndido filme é esta bela imagem? E qual a sua relação com surrealismo em geral e André Breton em especial?

Quem souber responder ganha livro meu autografado. Duvido que alguém consiga. Essa conexão, acho, é descoberta minha.

Revelarei durante minha palestra sobre surrealismo e cinema, tema do post precedente deste blog. Projetaremos trecho. Este domingo, no SESC Vila Mariana, a partir das 14 h.

Surrealismo e Cinema na Feira de Cinema do SESC Vila Mariana

De qual filme é esta bela imagem a seguir? Autografarei para quem souber dizer:

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Comentarei, entre outros, na minha palestra sobre surrealismo e cinema.

Quando e onde: no próximo domingo, dia 25 de novembro, às 14 h, no SESC Vila Mariana, Rua Pelotas 141, no festival Feira de Cinema, curadoria de Caio Lazaneo, Renato Coelho e Priscyla Bettim.

Informam os organizadores:

MASTERCLASS com Claudio Willer. 14h às 15h30: “Cinema e surrealismo”, com Claudio Willer (poeta, ensaísta e tradutor, em atividade desde a década de 1960).  A intenção é mostrar que surrealismo não é um “estilo” ou “estética”, porém um modo de enxergar, de relacionar-se com o mundo. Será examinada a dimensão onírica do cinema, a afinidade com o sonho. Mesmo filmes os que narram uma história no modo discursivo, com um começo, meio e fim, têm algo de sonho projetado em uma tela. Como já foi dito (por Ado Kirou entre outros), cinema é arte surrealista. Assim, enxergamos mais do valor de O expresso de Xangai de Von Sternberg – inclusive o modo como driblou a censura – a partir de uma sensibilidade aguçada pelo surrealismo. Um filme preferido por Breton, colocado no mesmo plano que L’Âge d’Or de Buñuel, foi Peter Ibbetson (Amor sem Fim), de 1935, dirigido por Henry Hathaway e estrelado por Gary Cooper e Ann Harding. A história de amantes que sonham o mesmo sonho, de modo sincrônico. Vão envelhecendo, sustentados pelos sonhos, realização do que a sociedade patriarcal e autoritária lhes negou.  Para Breton, a celebração do amor absoluto: ganhou seu entusiasmo pela fusão de realidade e sonho, tópico surrealista por excelência. Será chamada a atenção para alguns filmes esquecidos, deixados de lado, e que, além de seu valor como obras de cinema, deveriam figurar na cinematografia surrealista. Por exemplo, Malpertuis, do belga  Harry Kümel; (protagonizado por Orson Welles);Remorques de Jean Grémillon, roteiro de Jacques Prévert (com Jean Gabin e Michèle Morgan); Gone to Earth de Michael Powell e Emeric Pressburger (protagonizada por Jennifer Jones). E será apresentada a seguinte questão: do cinema brasileiro, qual ou quais filmes podem ser efetivamente associados aos surrealismo?  Claudio Willer – Fundamental poeta, ensaísta e tradutor paulistano, figura ativa na vida cultural da cidade de São Paulo desde os anos 1960 até os dias de hoje. Autor de clássicos da poesia brasileira de verve transgressora e surrealista como “Anotações para um apocalipse” (1964), “Dias Circulares” (1976) e “Jardins da provocação” (1981), entre outros. Tradutor de autores como Jack Kerouac, Allen Ginsberg, Lautréamont e Antonin Artaud. Pós-doutor em Letras pela USP.

Programação completa aqui: https://blog.lineup-br.com/2018/11/feira-de-cinema-no-sesc-vila-mariana.html Continue lendo

PUBLICADO NA ARGENTINA

CAPA CONTRACAPA

Extranhas experiencias

Poesía 1964-2004

Claudio Willer

Traducción y notas de Thiago Pimentel (tradução cuidadosa, precisa, gostei muito)

Prólogo y revisión de Reynaldo Jiménez

Fotografias de Irupé Tentorio (umas fotos internas abrindo cada livro, achei bonitas)

Nulú Bonsai / 2018 – Colección Ojo bala

Edición al cuidado de Sebastián Goyeneche

Patrocínio / apoio do Ministério das Relações Exteriores / Ministério da Cultura / Fundação Biblioteca Nacional

nulu.bonsai@gmail.com / http://www.nulubonsai.com.ar

Em breve darei notícia de locais aqui onde o livro também poderá ser encontrado. Nem preciso dizer que fiquei satisfeitíssimo. Meus agradecimentos ao Thiago, Sebastián, Reynaldo e demais participantes da empreitada.

EM TEMPO: a mesma editora também publicou uma bela edição da tradução de Paranóia de Piva por Edgar Saavedra. Continue lendo

RIMBAUD E RESISTÊNCIA / ALQUIMIA DO VERBO: UMA PALESTRA

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Será amanhã, dia 24/10, das 19h30 às 21 h.

Informa Matheus Chiaratti:

Arte_Passagem convida o público para a aula aberta com o poeta Claudio Willer: RIMBAUD e RESISTÊNCIA.
“A Alquimia do Verbo”
Arthur Rimbaud é considerado o primeiro poeta da modernidade, com uma obra incendiária e precoce, questionadora da ordem e da sociedade do final do século XIX. Passados quase cento e cinquenta anos desde “Iluminuras”, a atualidade da sua poesia inspira rebeldia e questionamento em tempos sombrios.
A aula será ministrada no ateliê 906, no edifício galeria Califórnia, e é necessário confirmar a presença através do e-mail arte.passagem@gmail.com; pede-se também, gentilmente, a colaboração de R$15 por pessoa.
Venham todxs. Ele não.

Também está em ‘eventos’ no Facebook: https://www.facebook.com/events/364978190922031

Lembrando, Matheus e Arte-Passagem haviam promovido comigo aquela concorrida sessão sobre acaso objetivo no Tapera Taperá, há duas semas.  Repitamos. Prossigamos.

Surrealismo prossegue

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Este post, só para ficar registrada a bela foto de minha palestra de surrealismo de segunda feira passada, dia 8, na Cia. Corpos Nômades. Valoriza / destaca as obras que comentei. Feita por João Andreazzi – como podem ver, talentoso fotógrafo e não só encenador / criador teatral.

Segunda feira próxima tem mais (outras infos nos posts precedentes aqui).

Falando sobre surrealismo

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Ontem à noite – segunda feira, 01/10 – fotografado por João Andreazzi nos Corpos Nômades. Meu tema, origens do surrealismo. Ao fundo, o “douanier” (aduaneiro) Rousseau. Conforme Roger Shattuck em The Banquet Years (é o texto que está na minha mão, na edição francesa, Les Primitifs d’Avant-Garde) Rousseau nunca foi aduaneiro, trabalhou como guarda da alfândega, “gabelou”, passando em seguida a viver de tocar violino nas ruas para recolher uns trocados e da venda de seus quadros a preços irrisórios (ninguém o levava a sério, até ser descoberto por Alfred Jarry e divulgado por Apollinaire). Examinei também  “Art Brut” e artistas loucos – Adolf Wölfly, que não conheciam, impressionou.

Na próxima sessão, tratarei de surrealismo e antropologia (e mitos, evidentemente). Meu ponto de partida,  esta observação de Jacqueline Chénieux-Gendron em “Il y aura une fois”: “Uma das formas de surrealismo é a etnografia”.  Falarei sobre mitos. E sobre surrealismo e conhecimento. Pierre Mabille estará presente. VENHAM.

Mais no post precedente neste blog.

 

OFICINA: SURREALISMO, AS PORTAS DO MARAVILHOSO com Claudio Willer

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Informa o organizador:

Dias 01, 08, 15, 22 de outubro de 2018. Segundas das 19h30 às 21h30 Número de Vagas: 30 Público Alvo: Pessoas com interesse em literatura e criação artística em geral. Valor por aula de R$30,00 (pagos no dia de cada aula).

Inscrições através do e-mail ciacorposnomades@gmail.com  – anexar uma carta sucinta de interesse e escrever no assunto Oficina com Claudio Willer. Na sede da Cia. Corpos Nômades – Espaço Cênico O LUGAR Rua Augusta, 325 – São Paulo – SP .

Pretendo adicionar algo com relação a cursos que já dei. O tema do arcaico em sua relação com as inovações, por exemplo. O mundo mítico. Interessará a quem já fez e a quem ainda não fez esse tipo de jornada. Lembrando, a última gerou um grupo de Facebook, ‘Surrealismo solúvel’.

O surrealismo não será abordado exclusivamente como capítulo de literaturas nacionais e da história da literatura, mas como poética e visão de mundo. Como observou Octavio Paz em O Arco e a Lira, se “o surrealismo não é uma poesia, mas uma poética”, é “mais ainda, e, sobretudo, uma visão de mundo”. E, de modo mais enfático: “o surrealismo é um movimento de liberação total, não uma escola poética”. Também Julio Cortázar advertira contra enquadrar surrealismo em uma classificação periódica de escolas e movimentos literários: “Higiene prévia a toda redução classificatória: o surrealismo não é um novo movimento que sucede a tantos outros. Assimilá-lo a uma atitude e filiação literárias (melhor ainda, poéticas) seria cair na armadilha em que malogra boa parte da crítica contemporânea do surrealismo.”

Pretende-se não apenas ampliar o conhecimento da literatura propriamente surrealista, ou com vínculos como esse movimento, porém estimular a reflexão, a capacidade de leitura e interpretação de obras. E avançar na discussão das relações entre poesia, mito, magia, misticismo e hermetismo, mostrando como o surrealismo, sendo inovador, ao mesmo tempo retoma e até recupera uma tradição e modos arcaicos de pensar e ver o mundo.

Colagem Jorge de LimaCruzeiro Seixas 75_b