A PROPÓSITO DO CENTENÁRIO DE CAMPOS DE CARVALHO

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Dei entrevista para uma revista semanal, mas a matéria “caiu” por causa do volume de tragédias da semana. Reaproveito-a aqui. Já dei palestra sobre Campos de Carvalho, este ano – mas continuo devendo um ensaio extenso sobre um dos melhores prosadores brasileiros. Aí vai (com pequenos acréscimos):

  • Na entrevista que concedeu a Antonio Prata e Sergio Cohn, Campos de Carvalho lembrou que seu editor dizia que ele escrevia para o futuro, que só seria lido depois de 30 anos. E o crítico Wilson Martins disse que Campos de Carvalho praticava um surrealismo que já estava datado nos anos 50 e era mais próximo das vanguardas dos anos 20. O senhor concorda com alguma dessas avaliações?

30 anos? Que 30 anos demorados… Tornaram-se mais de meio século. Wilson Martins foi um tradicionalista, bem reacionário. Escreveu bobagens sobre surrealismo, Alfred Jarry e muito mais. Quanto á recepção lenta de Campos de Carvalho, após o impacto inicial, pesou ele isolar-se. Eticamente, isso depõe a seu favor, pois mostra que não estava aí para a política literária e o mundanismo cultural.

  • Como podemos encaixar Campos de Carvalho na literatura brasileira? Ele se aproxima de algum movimento ou escola? Ele escreveu seus quatro romances principais entre 1956 e 1964, o mesmo período em que Guimarães Rosa escreveu seus principais livros e da renovação estética dos concretistas. É possível relacionar Campos de Carvalho com essa efervescência literária dos anos 1950?

Vejo uma vertente marginal na prosa brasileira, que se choca com o realismo, composta por Rosario Fusco, pelo rigorosamente contemporâneo Murilo Rubião, por José J. Veiga, e como precursores deles, Dyonélio Machado e Aníbal Machado. Em certa medida, também José Agripino de Paula. Prosa onírica, em alguns mais próxima à literatura do absurdo, em outros do surrealismo. Já foi observado – a propósito de Murilo Rubião – que “realismo mágico” começou aqui, mas ninguém reparou. Não o relacionaria ao concretismo – demasiado cerebral, racional.

  • Em vida, Campos de Carvalho se afastou da literatura. E a última vez que suas obras foram editadas foi em 1995. Ele parece ocupar um lugar de “célebre desconhecido”, sempre esquecido e sempre pronto a ser redescoberto. Na sua opinião, o que contribuiu para que ele ocupasse esse lugar: seu afastamento do mundo literário e abandono da literatura ou as características de sua obra?

Viés positivista da crítica brasileira. Rigor ético dele, como já disse: não estava aí para oba-oba, badalações, mundanismo literário. Ficou na dele, nunca foi perseguidor de glórias. Além disso, “A Lua vem da Ásia” é, digamos assim, mais leve. Os dois livros seguintes, “Vaca de nariz sutil” e “Chuva imóvel”, são mais pesados, violentos, transgressivos. Dão a impressão de que humor negro chegou até ele e parou. A aparente amenidade de “O púcaro búlgaro”, com seu tom de brincadeira, fez que recuperasse leitores: acabou sendo seu livro mais reeditado, além de ser adaptado para teatro.

  • Campos de Carvalho também foi contemporâneo dos beatniks, objeto de estudo do senhor, e que também eram influenciados pelo surrealismo. O senhor enxerga algum parentesco entre eles?

Dificilmente. Surrealismo, ele conhecia muito bem. Beats, não sei se chegou a tomar conhecimento, nunca lhe perguntaram nem tocou no assunto.

  • O senhor concorda com a classificação de Carvalho de Campos como um surrealista?

Se concordo? O próprio Campos de Carvalho declarou, em entrevista, que o surrealismo era seu modo de expressão .

  • Campos de Carvalho deixou herdeiros na literatura brasileira?

Dificílimo avaliar. Produção literária brasileira cresceu. Há tantos autores interessantes… Mas ele vem sendo estudado e comentado, ultimamente. Merecem atenção Augusto Guimaraens Cavalcanti com “Fui à Bulgária procurar por Campos de Carvalho” e Juva Batella com “Quem tem medo de Campos de Carvalho?”, dentre as publicações recentes.

  • “A lua vem da Ásia” está completando 60 anos. O que esse livro ainda nos diz?

Cresceu, desde então, o movimento antimanicomial, o ceticismo com relação à psiquiatria tradicional e à separação categórica de normalidade e loucura. Nesse sentido, é muito precursor. Curioso: Campos de Carvalho declarava-se contra Machado de Assis. No entanto, Machado já lançava dúvidas sobre a separação de loucura e normalidade – e não só no clássico “O alienista”. Vejo afinidade também na ironia, no uso das perífrases, nas ambivalências, no estilo apuradíssimo. Mas a chave para entender Campos de Carvalho é a frase de Rimbaud, “O EU é um outro”. Seus personagens são sempre esse “outro”, ou, antes, uma multiplicação de outros: “mas são tantos os eus atrás de um simples eu que a medida se impõe”. Em “A lua vem da Ásia” o eu / outro é um louco. Em seguida, será um assassino, um necrófilo, incestuoso, pedófilo, suicida. Também parafraseou bastante o “eu sou um negro” e “vocês são falsos negros” de Rimbaud. Finalmente, um viajante que não sai de onde está. Criaturas do avesso, digamos. Em comum a todos: abominarem a ordem estabelecida, execrarem a sociedade burguesa. Acho que a declaração final do Manifesto Surrealista de André Breton, de “inconformismo absoluto”, foi rigorosamente adotada por ele. A destacar, também, o ataque de Campos de Carvalho não só contra a lógica (“Aos 16 anos matei meu professor de lógica”), mas contra a própria linguagem, a relação de significação. Toda a sua obra é atravessada por uma dúvida sobre a relação entre as palavras e as coisas, gerando obras primas como estas: “Pago a pensão com a pensão que o Estado me paga pelo meu estado”, ou “julgam-me aposentado, pois estes são os meus aposentos”. É o mestre do duplo sentido e do paradoxo: “A verdade é que já nascemos órfãos, todos: mas isso eu não digo” (ao mesmo tempo em que o diz), ou “nunca vi tanta ladeira numa só memória”..

Autografarei “Estranhas Experiências”

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Quando: dia 7 de dezembro, quarta feira, a partir das 19 h.

Onde: na sede da UBE, União Brasileira de Escritores, , rua Rego Freitas, 454 – Cj. 61, (próximo ao metrô República), São Paulo, fone (11) 3231-3669.

Preço do exemplar: R$ 15,00. Conforme informado neste blog, é aquele final de tiragem do livro de poesia lançado em 2004 pela editora Lamparina. Com 142 páginas, inclui poemas de livros anteriores.

A UBE oferecerá um coquetel. Também haverá exemplares à disposição do meu livro de poesias mais recente, lançado este ano, A verdadeira história do século 20, editora Córrego – o exemplar custa R$ 30,00. Antes de iniciar, direi algo, lerei algum poema, para animar a sessão.

Também pode ser adquirido , frete incluído, na Loplop Livros de Alex Januário, diretamente , ou através da Estante Virtual. Para quem mora no entorno da Zona Oeste de São Paulo, Alex entrega a domicílio. O acesso à Loplop : http://loploplivros.blogspot.com.br/ (basta escrever ou telefonar ou qualquer outro modo de comunicação); tel. (11) 99238-8552 e loploplivros@gmail.com

Selecionei algo do que já escreveram sobre Estranhas experiências. Como podem ver, meu problema não é a falta de fortuna crítica:

“Poesia é o que sempre soubemos/ o conhecimento animal/ um núcleo raivoso anterior à Queda -Gnose”, escreve em “A Palavra” -poema emblemático, no qual o título e o conteúdo, aparentemente metalingüísticos, nos conduzem a uma série de iluminações alquímicas. Lendo “Estranhas Experiências” lado a lado com sua obra pregressa, percebe-se como o trabalho de Willer é homogêneo. Seu “caleidoscópio de plantas vivas em um jardim de espasmos” está em continuidade com o inventário de êxtases contido nos poemas em prosa de “Anotações para um Apocalipse” -e isso também é consistente com uma concepção de literatura que não se define pela busca de um novo repertório de formas.” Manuel da Costa Pinto, Labirinto de Convulsões, Folha de S. Paulo, Ilustrada, 16/10/2004

“Algo que se destaca a primera vista en la poética de Claudio Willer es esa virginización de lo mirado -fuertemente deudora del surrealismo y el creacionismo- que nos retrotrae a una especie de estadio antes del asombro. Podríamos ser más precisos y decir que en este autor hay una gramática que busca acceder al verbo primero en cuanto lleva implícita una trayectoria y una voluntad axial que es la de ser la recuperación del paraíso y, en su manifestación alfabetaria, interrumpir la caída del hombre, restituyéndolo a su condición de ser elegido. Evidentemente, estamos frente a una dimensión mesiánica -a la vez que dionisíaca- de la escritura.” Martin Palacio Gamboa, em Los trazos de Pandora, coletânea sobre poesia contemporânea brasileira.

“Assim também como Walt Whitman, Willer fala em versos longos e sem medida fixa, na tradição do autor de “Canto a mim mesmo” que afirma um discurso poético marcado de oralidade, sendo considerado por seu caráter andarilho o primeiro beatnik (“Eu canto a mim mesmo” / ”Eu canto o corpo”/”a vida plena de paixão”).” Lucila Nogueira em “Estranhas Experiências: Claudio Willer e a geração beat” http://www.jornaldepoesia.jor.br/ag43willer.htm

Estranhas Experiências é um livro que merece o leitor mais atento. Por ter chegado a verdades simples como: “poesia é o que sempre soubemos”. Por afirmar corajosamente, a cada linha, que “a rebelião romântica, individual, continuará a contribuir para a transformação do mundo”. Em suma, por se tratar de um livro que será eternamente moderno, como outros textos do mesmo autor – de poesia, ensaio e tradução.” Betty Milan em http://www.jornaldepoesia.jor.br/bettymilan.html#willer

“As palavras são o arco-íris do poeta, porque as palavras criam mundos novos e rebeldes, mundos cheios de água viva e refrescante, mundos para olhar com o sorriso das sensações puras e que edificam o sentimento de que vale a pena a grande aventura do desconhecido que a vida encerra.” Teresa Ferrer Passos, em TriploV, http://triplov.com/letras/teresa_ferrer/claudio_willer/index.htm

“A poesia de Willer transmite ao leitor uma sensação de visceral compromisso entre literatura e vivência. Por isso, tão próximo, o sexo. Sentimos a experiência humana, compartilhada através do ritmo destas palavras, vibrando, vivaz, como se ela tivesse ocorrido neste mesmo instante. Willer não precisa documentar a vida para aproximá-la de nós, ele a fecunda pela poesia e, num piscar de olhos, aí está ela, aqui, ao nosso lado.” Christiano Aguiar, “Desmedida Imaginação: sobre a poesia de Claudio Willer”, Crispim – Revista de crítica e criação literária, Editora Universitária da UFPE, N. 1, Recife, 2006 http://www.jornaldepoesia.jor.br/ag54aguiar.htm

“Poucos poetas hoje no Brasil já leram tanto e são tão cultos quanto Claudio Willer, que acaba de lançar o seu quarto livro no gênero, Estranhas experiências e outros poemas, que reúne produções de toda uma vida dedicada à poesia, mais especificamente, e à cultura de um modo geral. Willer chega à idade em que a vida anoitece com a clarividência que lembra a daqueles participantes da guerra civil espanhola que, embora derrotados no campo de batalha, nunca capitularam diante dos poderosos.” Adelto Gonçalves, em “Claudio Willer, ou a poesia em movimento”, Suplemento Das Artes Das Letras de O Primeiro de Janeiro, Porto, Portugal, 25/04/2005; e http://www.jornaldepoesia.jor.br/agon%C3%A7alves2.html

Ganhou o prêmio Jabuti pela escolha do leitor

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Wilson Alves-Bezerra. Na categoria poesia. Com “Vertigens”, editora Iluminuras, 2015

Prefácio meu. E Wilson declara que retomou a criação poética após ter feito oficina comigo – na UFSCar, em 2010. Motivo a mais de satisfação.

Wilson não faz o mundanismo literário, não foi atrás de votantes. Ganhou porque apreciaram seu livro.

A notícia do lançamento, ano passado, aqui neste blog: https://claudiowiller.wordpress.com/2015/08/28/lancamento-de-vertigens-novo-livro-de-poesias-de-wilson-alves-bezerra/

Sobre o prêmio: http://www2.ufscar.br/noticia?codigo=9182

 

“Estranhas experiências” à venda, em oferta

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Meu livro lançado em 2004. Final de tiragem – foi grande, próxima a 2.000 exemplares; por isso, sobraram alguns exemplares. Com 142 páginas, inclui poemas de livros anteriores.

Pode ser adquirido a R$ 15,00, frete incluído, na Loplop Livros de Alex Januário, diretamente , ou através da Estante Virtual. Para quem mora no entorno da Zona Oeste de São Paulo, Alex entrega a domicílio, rapidamente (ele é ágil).

O acesso à Loplop livros: http://loploplivros.blogspot.com.br/ (basta escrever ou telefonar ou qualquer outro modo de comunicação):

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loploplivros.blogspot.com.br

loplop livros loplop livros edições tel. (11) 99238-8552 vila madalena sp loploplivros@gmail.com livros de arte, teatro, cinema, arquitetura, crítica literária …

Também haverá exemplares à disposição no evento deste sábado, amanhã, em que falarei sobre Paranóia de Roberto Piva e que está noticiado no post precedente neste blog: https://claudiowiller.wordpress.com/2016/11/23/paranoia-de-roberto-piva-e-wesley-duke-lee-a-metropole-revisitada/ Estarão em companhia de A verdadeira história do século 20, lançado este ano pela Córrego.

Vejam o que já foi publicado sobre Estranhas experiências (não faltou boa recepção): https://claudiowiller.wordpress.com/2012/10/14/estranhas-experiencias-alguma-critica/

Completo a notícia com um dos poemas que estão no livro:

O OUTRO LADO:

só assim o poema se constrói:

quando o desejo tem forma de ilha

e todos os planetas são luas, embriões da magia

então podemos atravessar as chamas

sentir o chão respirar

ver a dança da claridade

ouvir as vozes das cores

fruir a liberdade animal

de estarmos soltos no espaço

ter parte com pedra e vento

seguir os rastros do infinito

entender o que sussurra o vazio

– e tudo isso é tão familiar

para quem conhece

a forma do sonho

“Paranóia” de Roberto Piva e Wesley Duke Lee: a metrópole revisitada

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No evento programado para este sábado à noite, dia 26 – a mesa que faz parte da Balada Literária e ocorrerá no Estudio Lâmina – voltarei a tratar de Paranóia. Direi algo sobre a poesia de Piva e a contribuição desse artista enorme, Wesley. Relatarei episódios que ninguém conhece – por exemplo, a gênese da foto que escolhi para ilustrar este post, uma das que estão no revolucionário poema de Piva. Estarei em companhia de ótimos interlocutores.

O evento: Vanderley Mendonça e Gabriel Kolyniak  conversam com Claudio Willer , Gustavo Benini e Roberto Bicelli, numa homenagem ao poeta Roberto Piva

Onde: Estúdio Lâmina. Avenida São João, 108 – 4o andar. Quando: Dia 26 de novembro, sábado, a partir das 20h

Em tempo: Haverá publicações de Piva e outras boas surpresas. A manifestação faz parte das atividades pela criação da Biblioteca de Roberto Piva. E o ativo Gabriel Kolyniak da editora Córrego confirma que também haverá livros de poesia meus – A verdadeira história do século 20 e Estranhas experiências – em oferta e a preços promocionais.

A programação completa da Balada Literária está aqui: http://baladaliteraria.com.br/programacao/

Palestra “Jorge de Lima – Grande poeta misterioso” será reapresentada

Posted 03/11/2016 by claudiowiller in Notícias, Novidades e Agitações. Tagged: , , , . | Editar

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(desta vez, estou ilustrando com reprodução de “fotomontagens” da série “Poesia em pânico” de Jorge de Lima, dedicada a Murilo Mendes)

Motivo: A tempestade que caiu sobre São Paulo na quarta feira, dia 09 de novembro, impediu, junto com a parada de linhas do metrô, a vinda de muitos interessados. Os que conseguiram chegar apreciaram muito. Quem esteve e quiser assistir novamente está dispensado do pagamento. Observo que será e não será a mesma palestra: nunca me repito, e a reflexão decorrente de examinar Jorge de Lima me possibilita refinar interpretações desse poeta tido como “obscuro” (porém Mallarmé também foi apelidado de “o obscuro”), “hermético”, “ininteligível” etc. Para adicionar credibilidade, transcrevo comentário que o poeta Luciano Garcez publicou no Facebook: “Ontem, depois de quase São Paulo se afundar na chuva – ilha que é – ocorreu o necessário curso na sede da UBE: “Jorge Lima – Grande poeta misterioso”, Claudio Willer, com sua sempre metículo/precisão de poeta também misterioso, desvendou aspectos insuspeitos e originais da obra do sinuoso poeta alagoano, linkando-a e desligando-a de exterioridades e estereotiparias: o surrealismo, o catolicismo, Ismael Nery, Fausto, o Trickster, o Barco Bêbado de Arthur… <meta http-equiv=”refresh” content=”0; URL=/?_fb_noscript=1″ /> Fiquem de olho, pode haver outra invenção órfica decodificada- outra vez o curso será dado, pelo que me disse o Bicelli!”

Quando: Dia 23 de novembro, a próxima quarta feira, às 19 h.

Onde: Mesmo local, mesma hora: na UBE, União Brasileira de escritores, rua Rego Freitas, 454 – Cj. 61. Observem, a seguir, instruções para inscrição e pagamento. Mais informações, ligue para: (11) 3231-3669. Para se inscrever basta enviar seu nome completo para secretaria@ube.org.br. Para efetuar pagamento (R$ 30,00 para associados e R$ 60,00 para não associados), dados bancários para depósito: Conta Corrente: Titular: União Brasileira de Escritores  Agência: 0170 Conta: 21495-1 Banco: Itaú CNPJ da União Brasileira Escritores: 62921937/0001-57 (também são aceitos pagamentos no local e na hora)

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Reproduzo anúncio anterior da palestra:

Há muito tempo pretendia escrever ou dizer algo sobre Jorge de Lima. Influência forte. À admiração somava-se a atração pelos labirintos, pela decifração de enigmas. Comecei a saldar esse débito, instigado pelo poeta Claufe Rodrigues, em União dos Palmares, Alagoas (sua cidade natal), durante a II Semana Jorge de Lima promovida pela Secretaria de Cultura local em abril de 2014, com a palestra “Aproximações a Jorge de Lima: o surrealista”. Em seguida, publiquei artigo na revista digital Agulha. Em setembro de 2015, voltei a ele no ciclo “Pensar o Brasil”, idealizado por Marcelo Marcus Fonseca do Teatro do Incêndio: fixei-me no trecho de Invenção de Orfeu sub-intitulado “O índio interior”. A cada vez, com a impressão de haver mais a ser dito. Por isso, aceitei com satisfação o convite da União Brasileira de Escritores para colaborar com o ciclo de palestras promovido pela entidade, escolhendo-o como tema.

Da programação distribuída pela UBE, incluindo sinopse:

Invenção de Orfeu, obra máxima de Jorge de Lima, é considerada não apenas hermética, porém caótica por alguns críticos. Serão apresentadas tentativas de interpretação, em parte originais, em parte citando a bibliografia existente, além de mostrar qualidades que justificam conferir-lhe especial relevo. Também será focalizado o modo como dialoga com outros poetas, tanto da tradição clássica, como Dante e Camões, quanto os românticos e rebeldes, especialmente Baudelaire e Rimbaud. Outros de seus livros também serão comentados – em especial, os Poemas negros. E ainda será examinado o autor, o próprio Jorge de Lima, como exemplo de integridade, de conduta eticamente elevada.

Palestra “Jorge de Lima – Grande poeta misterioso” será reapresentada

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(desta vez, estou ilustrando com reprodução de “fotomontagens” da série “Poesia em pânico” de Jorge de Lima, dedicada a Murilo Mendes)

Motivo: A tempestade que caiu sobre São Paulo na quarta feira, dia 09 de novembro, impediu, junto com a parada de linhas do metrô, a vinda de muitos interessados. Os que conseguiram chegar apreciaram muito. Quem esteve e quiser assistir novamente está dispensado do pagamento. Observo que será e não será a mesma palestra: nunca me repito, e a reflexão decorrente de examinar Jorge de Lima me possibilita refinar interpretações desse poeta tido como “obscuro” (porém Mallarmé também foi apelidado de “o obscuro”), “hermético”, “ininteligível” etc. Para adicionar credibilidade, transcrevo comentário que o poeta Luciano Garcez publicou no Facebook: “Ontem, depois de quase São Paulo se afundar na chuva – ilha que é – ocorreu o necessário curso na sede da UBE: “Jorge Lima – Grande poeta misterioso”, Claudio Willer, com sua sempre metículo/precisão de poeta também misterioso, desvendou aspectos insuspeitos e originais da obra do sinuoso poeta alagoano, linkando-a e desligando-a de exterioridades e estereotiparias: o surrealismo, o catolicismo, Ismael Nery, Fausto, o Trickster, o Barco Bêbado de Arthur…  Fiquem de olho, pode haver outra invenção órfica decodificada- outra vez o curso será dado, pelo que me disse o Bicelli!”

Quando: Dia 23 de novembro, a próxima quarta feira, às 19 h.

Onde: Mesmo local, mesma hora: na UBE, União Brasileira de escritores, rua Rego Freitas, 454 – Cj. 61 (Em tempo: para quem vier de automóvel, há estacionamentos viáveis dos dois lados da entrada do prédio da UBE).

Observem, a seguir, instruções para inscrição e pagamento. Mais informações, ligue para: (11) 3231-3669. Para se inscrever basta enviar seu nome completo para secretaria@ube.org.br. Para efetuar pagamento (R$ 30,00 para associados e R$ 60,00 para não associados), dados bancários para depósito: Conta Corrente: Titular: União Brasileira de Escritores  Agência: 0170 Conta: 21495-1 Banco: Itaú CNPJ da União Brasileira Escritores: 62921937/0001-57 (também são aceitos pagamentos no local e na hora)

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Reproduzo anúncio anterior da palestra:

Há muito tempo pretendia escrever ou dizer algo sobre Jorge de Lima. Influência forte. À admiração somava-se a atração pelos labirintos, pela decifração de enigmas. Comecei a saldar esse débito, instigado pelo poeta Claufe Rodrigues, em União dos Palmares, Alagoas (sua cidade natal), durante a II Semana Jorge de Lima promovida pela Secretaria de Cultura local em abril de 2014, com a palestra “Aproximações a Jorge de Lima: o surrealista”. Em seguida, publiquei artigo na revista digital Agulha. Em setembro de 2015, voltei a ele no ciclo “Pensar o Brasil”, idealizado por Marcelo Marcus Fonseca do Teatro do Incêndio: fixei-me no trecho de Invenção de Orfeu sub-intitulado “O índio interior”. A cada vez, com a impressão de haver mais a ser dito. Por isso, aceitei com satisfação o convite da União Brasileira de Escritores para colaborar com o ciclo de palestras promovido pela entidade, escolhendo-o como tema.

Da programação distribuída pela UBE, incluindo sinopse:

Invenção de Orfeu, obra máxima de Jorge de Lima, é considerada não apenas hermética, porém caótica por alguns críticos. Serão apresentadas tentativas de interpretação, em parte originais, em parte citando a bibliografia existente, além de mostrar qualidades que justificam conferir-lhe especial relevo. Também será focalizado o modo como dialoga com outros poetas, tanto da tradição clássica, como Dante e Camões, quanto os românticos e rebeldes, especialmente Baudelaire e Rimbaud. Outros de seus livros também serão comentados – em especial, os Poemas negros. E ainda será examinado o autor, o próprio Jorge de Lima, como exemplo de integridade, de conduta eticamente elevada.