O “HIPSTER”: SIGNIFICADOS, ORIGENS, ETIMOLOGIA

Havia postado no Facebook:

A mudança do sentido de “hipster”, de boêmio da pesada para alguém descolado, criador de moda: isso é coisa de jornalista brasileiro ou aconteceu antes lá, nos Estados Unidos? Mantive “hipster” – “hipsters com cabeça de anjo” – em minha tradução de Uivo de Ginsberg. Tenho algo sobre a etimologia / origem do termo. Acham que valeria a pena postar em meu blog?

Pergunta suscitou interesse. Transcrevo alguns comentários. Em seguida, até onde cheguei quanto à etimologia / origem do “hipster”.

ALGUNS COMENTÁRIOS:

Renata D’Elia: Veio antes dos gringos. Leia sobre o Brooklyn “hipster” de Nova York, Claudio Willer! São chamados de new hipsters. Rola até um padrão de barbas e de vestimentas.

Antonio Bivar: Aconteceu nos States, Claudio Willer, e corre mundo americanizado. Faz tempo, já.

Afonso Luz: Seria fundamental falares disso, pois começou com uma sociologia pouco cuidadosa de associar o “hipster” ao processo de “gentrification” da vida urbana, como se ele fosse o verdadeiro responsável pelos esquemas de operação financeira em áreas degradadas em que habita, quando na verdade há muito mais sob estas escolhas do que uma simples conveniência estética. Desde os anos 80 muitos dos empreendimentos imobiliários tentam transformar traços do experimentalismo em maneirismos decorativos das suas propostas comerciais, muito embora não sejam nunca de fato “hipster” e apenas uma sombra disso, como o art-deco já havia feito com o cubismo no início do século passado. E no Brasil isso ainda fica completamente deslocado, tanto de um lado como de outro, por conta de a gente também incorporar a crítica a esse processo de gentrificação de uma maneira também colonizada (e ressentida), sem que se tenha de fato uma construção reflexiva sobre ela, a ponto de “hipster” ter virado um xingamento da moda na boca daqueles que nem sabem do que estão falando.

Betty Vidigal, citando: “”Initially, hipsters were usually middle-class white youths seeking to emulate the lifestyle of the largely black jazz musicians they followed.”

Assis de Mello: Não deixe de postar, Willer!! Esse sentido de “hipster” atual macula a imagem tão temida, mas tão dadivosa, atribuída pela sociedade americana nas décadas de 50 e 60. Esse termo é para os beat e os hippie que ousaram tentar mudar o mundo para melhor. Kerouac, Ginsberg, Ken Kesey, Leary, e todos os outros, não merecem a sombra desses poodles de passarela de hoje.

Tito Martino: o termo vem da subcultura do Jazz anos 40 –Hipster or hepcat, as used in the 1940s, referred to aficionados of jazz, in particular bebop, which became popular in the early 1940s. The hipster adopted the lifestyle of the jazz musician, including some or all of the following: dress, slang, use of cannabis and other drugs, relaxed attitude, sarcastic humor, self-imposed poverty, and relaxed sexual codes.

Rodrigo Schaeffer: Convém lembrar que Kerouak fez uso do neologismo no clássico On the Road, onde ao elogiar o boêmio existencialista amante do jazz, viria a criar origem da palavra hippie, do hipster ou seja, algo como super, hiper… Lembro dessa mesma discussão ainda nos anos 80, antes da palavra ganhar status mainstream, onde revistas como cHiclete com Banana, do Angeli, trazia a tona a vanguarda passada a limpo no início da Abertura política na república das bananas. ..

ETIMOLOGIA / ORIGEM:

Em dicionários etimológicos, é observado que o exuberante blueseiro Cab Calloway (aprecio muitíssimo) havia utilizado a expressão “hepcat” nos anos de 1930. “Hipster” e “hip cat” viriam de “hepster”, palavra também misteriosa. Aliás, Kerouac vê um “hepcat” diante de sua janela, em Desolation Angels.

Mas eu tenho outra interpretação. Aliás, admitida por algum dos dicionários etimológicos que consultei há tempos. Seguinte: existe a “Hip flask”. Aquela garrafinha de bolso, achatada, contendo bebida alcoólica, preferencialmente uísque, de um tamanho que coubesse no bolso lateral do paletó – na altura do quadril, o “hip”. Muito usada por bebuns durante a Lei Seca, para encherem a cara discretamente. Portanto, vem dos anos de 1920 – a desastrosa proibição de comercializar bebida alcoólica, para satisfação de contrabandistas, destiladores clandestinos e mafiosos, durou de 1921 a 1933. Originariamente, “hip cat” seria, penso, quem trazia consigo a “hip flask”. “Hipster”, o doidão completo; e assim o termo estendeu-se para usuários de outras coisas e boêmios em geral.

Hippies? Aparecem em 1965/67. Crias dos beatniks e dos hipsters. Lembrando que a expressão “Beat Generation” foi criada por Jack Kerouac e John Clellon Holmes em 1948 – antes, os da turma tinham-se como “hipsters”.

No mais, concordo inteiramente com o que foi dito sobre a banalização do termo, agora desprovido do que tinha de transgressivo ou subversivo. Imaginem, os “angelheaded hipsters” de Ginsberg visualizados como barbudos descolados, instalando-se em “lofts” elegantes.

E, convenhamos, há caipiras! Fotos de uns agentes da PF conduzindo figurões para a cadeia – pela pinta de galãs, foram designados na matéria como “hipsters” … ! A que ponto chegamos … Estou chocado, escandalizado.

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Meus ensaios e seleções de poetas contemporâneos

Reproduzo a informação com a bela sugestão de compras de fim de ano de Valdir Rocha, artista plástico, editor, interlocutor e amigo de poetas:

Claudio Willer escreveu recentemente cinco ensaios, complementados com Pequenas Antologias, que foram publicados em cinco diferentes livros, com 48 páginas cada um, sobre a obra poética de Celso de AlencarEunice Arruda,Floriano MartinsMirian de Carvalho e Péricles Prade.
Os interessados nesses volumes poderão adquiri-los diretamente com Claudio Willer, dirigindo-lhe mensagem inbox.
Em tempo: as imagens reproduzidas em cada uma das capas são de minha autoria.

Adiciono:

cada livro está por R$ 20,00;

meu editor pela Córrego, Gabriel Kolyniak, colabora nas vendas: ele está em https://www.facebook.com/editoracorrego/ ou (11) 99557-9293 ou  gkolyniak@gmail.com – procurem-no, também tem exemplares dos meus A verdadeira história do século 20, que ele publicou, e Estranhas experiências;

nós (todos nós) estaremos hoje, sábado 18/11 na Casa das Rosas, na sessão evocativa de Eunice Arruda, organizada por André Arruda;

podemos dirigir os superlativos cabíveis para Valdir Rocha, que publicou a coleção, entre tantas outras  iniciativas importantes.

 

 

Volto a falar sobre Jorge de Lima

Desta vez, sobre Poemas Negros, em uma programação do SESC-Osasco, intitulada Livros além da prova. Na foto, estou na Serra da Barriga, reduto de Zumbi dos Palmares – tirada na ocasião em que fui a União dos Palmares, Alagoas, e dei palestra sobre Jorge de Lima em sua cidade natal. Com os poetas Claufe Rodrigues, que organizou, e Mano Melo.

É oportuno examinar a defesa da diversidade cultural por Jorge de Lima; seu repúdio ao racismo e ao preconceito, entre outras de suas qualidades literárias e éticas. Dividirei a sessão com o ator / autor teatral Marco Antonio Garbelinni, que examinará Claro enigma de Carlos Drummond de Andrade. O problema dos que comparecerem não será, portanto, a falta de poesia de qualidade.

MAIS SOBRE A PROGRAMAÇÃO:

Quando: dia 14 de novembro, terça feira, às 19 h.

Onde: SESC-Osasco, à Avenida Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, Jardim das Flores – no Quiosque 4..

O que é: Encontros mediados com especialistas e artistas sobre obras selecionadas pelos vestibulares, direcionados a estudantes e demais interessados. Bate-papo sobre as temáticas comuns entre autores, obras e períodos históricos, mescladas a leituras dramatizadas e performáticas. Para além dos conteúdos pautados pelos vestibulares, contribuindo para uma discussão mais crítica e formativa sobre a importância dos livros selecionados no contexto literário internacional.

O Lírico e o Cotidiano em Jorge de Lima e Carlos Drummond de Andrade com MARCO ANTÔNIO GARBELINNI E CLAUDIO WILLER

Partindo das obras Claro Enigma e Poemas Negros, os convidados irão dialogar com as formas poéticas de relatar seu tempo.

Marco Antonio Garbelinni 
Formado pelo Instituto de Artes e Ciências – Curso Técnico de Ator (1997/2000). Pesquisa a transposição de obras literárias para o universo teatral desde 2000, quando iniciou o projeto “Anjo Torto” inspirado na obra poética de Carlos Drummond de Andrade. Apresentou-se no SESC – Pompéia (2003) no projeto “Cartas aos Amigos” da obra de Mario de Andrade, e poemas da Coletânea os 100 maiores poetas brasileiros do século – no projeto “Luzeiros” de sua autoria em 2006. Rios de Machado apresentou “O Alienista” da obra de Machado de Assis (2008/10) SESC pompéia e Santos –  Leitura de Contos de Machado no SESC Consolação (2008) – “Adonirando Causos e Canções” de Adoniran Barbosa – SESC carmo/pompéia (2009/10). Adaptou, Produziu e atuou nos espetáculos Anjo Torto de Carlos Drummond de Andrade (2000), Fala Comigo Doce Como a Chuva de Tennessee Williams (2005) e Na Cadeira com os Pés na Varanda (2007) premio PAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo – Querência (2008/9) –  “O Rascunho de um Rio” da obra de João Guimarães Rosa no Sesc Santos (2010)

Claudio Willer 
Poeta, ensaísta e tradutor com vários livros publicados – poesia, ensaios, narrativa em prosa e traduções – além de participações em antologias e periódicos, no Brasil e no exterior. Doutor em Letras pela USP com a tese Um Obscuro Encanto: Gnose, gnosticismo e a poesia moderna (em livro: Civilização Brasileira, 2010). Pós-doutorado na USP com o tema “Religiões Estranhas”, Misticismo e Poesia. Coordenou dezenas de oficinas de criação e rodas de leitura (para escritores, agentes culturais, professores e estudantes), além de haver ministrado cursos, conferências e ciclos de palestras em instituições como a USP (curso de Letras), UFSCar (São Carlos – curso de Letras), Biblioteca Alceu Amoroso Lima (Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo), Instituto Moreira Salles, Escola Livre de Literatura da Secretaria em Santo André, Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Criança de Barueri, Clube Paulistano, Museu da Língua Portuguesa.

Local: Quiosque 4
Retirada de senha com 15 minutos de antecedência no local. 30 vagas.

VAMOS APOIAR AS MOBILIZAÇÕES CONTRA A CENSURA, DIANTE DO RECRUDESCIMENTO DA BOÇALIDADE

Em 1982, eu era secretário geral da UBE e participei da formação de um Comitê conta a censura, junto com dirigentes de associações, artistas e intelectuais. Lembro-me que também estavam João Batista de Andrade, Ester Goes, Ligia de Paula, Sergio Mamberti, Glauco Pinto de Morais, entre outros.

Em 1988, eu presidia a UBE. Fiz parte de outro comitê, com a incansável Graça Berman e outros artistas, que foi a Brasília levar as propostas referentes á Cultura para a Assembleia Constituinte. Todas incorporadas à Constituição. Inclusive ou principalmente o fim da censura.

QUE COISA…! Décadas depois, ter que começar tudo de novo … !!!

Isso, porque grupos suspeitíssimos têm atacado manifestações artísticas. Querem revogar a garantia constitucional da liberdade de expressão, restaurando a censura.

É preciso que os setores sadios da sociedade reajam.

Este domingo, dia 8 – quando teria sido o encerramento do “Queermuseum” em Porto Alegre, não fosse a covardia da instituição patrocinadora – haverá duas manifestações importantes em São Paulo. Comparecerei a ambas.

Uma delas, “Vamos todos ao MAM”, será no Parque Ibirapuera, a partir das 13 h. Desagravo em face das agressões ao museu e da tentativa – mal sucedida – de encerrar a exposição “Brasil em multiplicação”, por causa da performance “La bête”, de Wagner Schwartz. Mais, nesta notícia: https://www.revistaforum.com.br/2017/10/02/milhares-prometem-ficar-nus-em-ato-em-frente-ao-museu-de-arte-moderna-de-sp/ .

A outra é o Festival da Arte Degenerada, a partir das 15 horas, na Rua Ana Cintra e imediações. A esta, não só comparecerei, mas lerei algo. Transcrevo o informe preparado pelos organizadores:

Festival da Arte Degenerada sai às ruas contra censura de obras e faz convocação de artistas para grande ato no centro de SP

Manifestação acontece no dia 08 de outubro, data em que se encerraria a exposição Queermuseu, censurada em Porto Alegre. Artistas e coletivos estão convidados a realizarem intervenções.

Uma grande manifestaçãono centro de São Paulo mobiliza grupos e coletivos de arte para a realização do Festival da Arte Degenerada, no próximo dia 08 de outubro, data em que se encerraria a exposição Queermuseu. O evento contará com apresentações artísticas e uma caminhada para ocupar o Minhocão. O objetivo do grupo é “realizar um ato político e poético para escangalhar o centro de São Paulo e promover a união da classe artística e da população em geral contra o discurso reacionário”.

O evento terá início às 15h com um sarau aberto no Espaço Cultural Kazuá (Rua Ana Cintra,26), no centro da cidade. Em seguida, o grupo caminha até o Minhocão em “um grande cortejo degenerado repleto de música e performances”. A manifestação retorna para a sede da Kazuá para um encerramento com apresentações musicais, peças de teatro e exposição de obras.

Entre as apresentações confirmadas estão: o bloco carnavalesco Agora Vai, o coletivo Usina da Alegria Planetária, o grupo de intervenções urbanas Cia. Cachorra, o projeto Animália e os performers Malayka SN, Xerxes, Elmir Mateus, Heron Sena e Rafael Zorzella. O escritor e ensaísta Claudio Willer também marca presença realizando leituras de poemas de Roberto Piva, poeta morto em 2010.

O protesto acontece após os recentes casos de censura a obras de arte como o fechamento da exposição Queermuseu em Porto Alegre, a retirada do quadro “Pedofilia” de Alessandra Cunha do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso e a proibição na Justiça da encenação da peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” no SESC de Jundiaí.

Na última semana, uma nova tentativa de interdição artística atingiu os realizadores da performance “La Bête”, que está em cartaz no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo.Grupos de extrema-direita na internet passaram a divulgar um vídeo em que uma criança acompanhava a performance, que consiste na livre interação do público com o artista, completamente nu. Algumas pessoas chegaram a se reunir em frente ao museu no sábado, agredindo funcionários e tentando, sem sucesso,impedir a performance.

A ideia da manifestação surgiu a partir da mobilização da Editora Kazuá com os grupos Usina da Alegria Planetária, Cia. Cachorra e o bloco Agora Vai, que convocam todos os coletivos e grupos de teatro, música, dança, literatura, artes plásticas e visuais para se juntarem ao ato e montarem apresentações, performances e exposições durante todo o dia. Os interessados podem enviar uma mensagem para o email: comunicacao@editorakazua.com.br

A manifestação já possui evento no Facebook, onde será possível conferir os coletivos e artistas que irão se apresentar, assim que for montada a programação.O termo “arte degenerada” é uma referência à censura promovida pelo regime nazista às obras de arte consideradas subversivas na Alemanha.

Link para o evento no Facebook: https://goo.gl/pJkzLF

Vídeo-teaser: https://goo.gl/t6HRu6

Mais informações:

Evandro Rhoden(11 98020 – 9848)

Thiago Gabriel (11 95066-1900)

comunicacao@editorakazua.com.br

Mais um retorno do Conde de Lautréamont

É a adaptação de Os cantos de Maldoror pela Cia. Corpos Nômades de João Andreazzi, comemorando o décimo aniversário do Espaço Cênico O Lugar. O espetáculo esteve em cartaz ao longo de 2009 e 2010, e retornou este ano. A seguir, informações e ficha técnica. Exemplares remanescentes da minha tradução de Lautréamont completo, Os cantos de Maldoror – Poesias – Cartas pela ed. Iluminuras (é a quinta edição) estarão á venda na bilheteria do teatro, a R$ 50,00 cada.

Inspiradoem livro que instigou os surrealistas, o espetáculoHotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio, da Cia. Corpos Nômades, inicia temporada no Espaço Cênico O Lugar

Serviço

Hotel Lautreamónt – Os Bruscos Buracos do Silêncio

Temporada: De 30 de setembro a 12 de novembro. Sábados, às 21h e domingos, às 20h30

Local: Espaço Cênico O Lugar (Rua Augusta, 325 – Consolação. São Paulo – SP)

Recomendação Etária: 14 anos

Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia). São aceitos cartões de débito e crédito.

Capacidade: 64 lugares

Telefone do local: 3237-3224

Site: www.ciacorposnomades.art.br

A temporada, quechega com reformulação do espetáculo, também comemora os 10 anos do Espaço Cênico O Lugar, sede da Cia. Corpos Nômades

Ficha Técnica

Concepção Geral, Direção e coreodramaturgrafia: João Andreazzi.Elenco: Gervásio Braz, João Andreazzi, Cristiano Bacelar, RossanaBoccia e Vagner Cruz.Textos: Conde de Lautréamont.Assessoria dramatúrgica e tradução da obra do Conde de Lautréamont: Claudio Willer.Adaptações e novos textos: Claudio Willer e Cia. Corpos Nômades.Montagem da Trilha Sonora: Vanderlei Lucentini.Pianista ao vivo: Diogenes Junior.Iluminação: Décio Filho.Figurino: David Schumaker.Produção: Cia. Corpos Nômades.Fotos: Cris Lyra e Lenise Pinheiro.Recomendação etária: 14 anos. Agradecimentos: Bernhard Gal e Arco Duo (trechos da trilha sonora).

Fundada há 22 anos pelo coreógrafo, bailarino e professor João Andreazzi, um dos pilares da Cia. Corpos Nômades é a construção de performances de dança que dialoguem com outras linguagens criativas, como o teatro, as artes visuais e a literatura – sendo a última eleita para inspirar a criação de Hotel Lautréamont – Os Bruscos Buracos do Silêncio. O espetáculo inicia temporada com reformulações desde a primeira versão, de 2009, a partir do dia 30 de setembro, sábado, 21h, com ingressos a R$20. O projeto foi contemplado pelo 20º Programa Municipal de Fomento à Dança da cidade de São Paulo e, para comemoração dos 10 anos de existência do Espaço Cênico O Lugar, a Cia. Corpos Nômades conta com o apoio do O Boticário na Dança através do PROAC-ICMS/Governo do Estado de SP.

Baseado na obra Os Cantos de Maldoror,escrita pelo Conde de Lautréamont – codinome de IsidoreDucasse (1846 – 1870)–, o espetáculo da Cia. Corpos Nômades resgata figuras do livro considerado precursor do movimento surrealista na literaturae as recria a partir dos corpos dos bailarinos. João ressalta trechos em que animais mutantes são expressos no livro, como polvos, tubarões e águias que se formaram a partir de um mesmo corpo. “Há uma forte conexão com o zoomorfismo que faz parte da obra, mas não estamos diretamente ligados na parte descritiva e sim nas sensações que essas imagens causam”, diz João Andreazzi.

Um dos parceiros que colaborou diretamente com o coreógrafo na criação de Hotel Lautréamonté o escritor, poeta e tradutor Claudio Willer, responsável por uma das traduções da obra francesa para o português. “Ele assistiu um trabalho anterior nosso e identificou essas proximidades da dança a um corpo muito presente nas obras surrealistas”, dizo diretor. Entre diversas referências estéticas que fizeram parte do processo de criação da obra, Andreazzise diz especialmente contagiado pelo cinema produzido a partirdo movimento surrealista e da obra do artista plástico Max Ernst. Para Andreazzi, a proposta aberta do espetáculo tem o potencial de alcançar o público familiarizado à obra de Ducasse ou aosurrealismo, de forma geral, mas também de dialogar e causar reflexões em quem desconhece a temática.

Sobre Os Cantos de Maldoror

Livro poético escrito entre 1868 e 1869 por IsidoreDucasse sob o pseudônimo Conde de Lautréamont. Poeta francês de origem uruguaia, Ducasse serve de referência para a construção e a elaboração dos momentos cênicos coreografados. De Marcel Duchamp a Samuel Beckett e de Manoel de Barros a Shakespeare, Andreazzi releu os autores a partir do tratamento específico dado ao corpo por Deleuze e Guattari, propondo encenações múltiplas, plurais. Ao mesmo tempo dança, teatro e música, as elaborações visuais criadas por Andreazzi e apresentadas pela Cia. Corpos Nômades são únicas; criando símbolos em cena, em vez de simbolizar. O próprio ser mutante protagonista do Conto, Maldoror, dá ignição à criação coreográfica: trata-sede um homem que se recorda de haver vivido durante meio século sob a forma de tubarão, nas correntes submarinas que margeiam as costas da África. Ora jovem, ora de cabelos brancos; aqui moribundo, ali capaz de façanhas atléticas; transformado em águia para combater a esperança, polvo para melhor lutar com Deus, porco em seus sonhos, coisa informe, misturada à natureza, objeto de identidade indefinida.

Trecho do poema: “É um homem ou uma pedra ou uma árvore quem vai começar o quarto canto. Disfarça-se no combate ao bem: Tinha uma faculdade especial para tomar formas irreconhecíveis aos olhos mais treinados”.

MAIS MANIFESTAÇÕES E HOMENAGENS PELOS 80 ANOS DE ROBERTO PIVA

Informa Gabriel Kolyniak, à frente da Biblioteca Roberto Piva:

Esse fim de semana será de celebrações dos 80 anos do nascimento do Roberto Piva, que se completam no dia 25 de setembro, segunda-feira. No sábado – hoje – uma programação coordenada pelo Claudio Willer na Casa das RosasRoberto Piva 80 Anos na Casa das Rosas. – conforme o post precedente.

Domingo, estaremos na Funarte SP – Complexo Cultural Funarte SP. Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos.- a partir das 19h, para uma homenagem na forma de leituras abertas de poemas do Piva e de autores relacionados a ele.

Segunda-feira, comemoraremos os 80 anos do Piva no Estúdio Lâmina – Av. São João, 108 – 41 – Centro, São Paulo – SP, onde está abrigada a Biblioteca Roberto Piva, a partir das 19h, com direito à apresentação de Marcelo Drummond, que falará os poemas do primeiro livro de poemas do Piva, “Paranoia”.

VENHAM – PARTICIPEM – APOIEM A BIBLIOTECA RIBERTO PIVA

ROBERTO PIVA, 80 ANOS: A PROGRAMAÇÃO NA CASA DAS ROSAS

 

Quando: dia 23 de setembro, sábado, das 16h30 às 21 h.

Onde: Casa das Rosas, Av. Paulista, 37 – São Paulo – SP.

O poeta Roberto Piva completaria 80 anos a 25 de setembro de 2017. Frequentou a Casa das Rosas; apresentou-se em leituras de poesia e palestras. Evocando-o, é oferecida uma programação reunindo alguns de seus leitores, pesquisadores e divulgadores. A intenção é aprofundar, avançar no exame da obra e assim enriquecer sua leitura. A sessão ´dá prosseguimento ao evento na Biblioteca Mário de Andrade, dia 19/09. E ainda haverá manifestações, que serão anunciadas em um próximo post, na Funarte (dia 24) e Estudio Lâmina (dia 25).

PROGRAMAÇÃO:

16h30 às 18 h: PUBLICAR PIVA / A BIBLIOTECA ROBERTO PIVA: Gabriel Rath Kolyniak, da editora Córrego, Roberto Bicelli e Sergio Cohn, da editora Azougue, falarão sobre publicações de seus inéditos e dispersos, e mostrarão o que está sendo feito pela preservação e abertura ao público da sua extraordinária biblioteca. Fabio Weintraub coordenará a mesa.

18 às 19 h: OUVIR PARANÓIA: Apresentação de uma gravação inédita preparada por Toninho Mendes, com a leitura completa de Paranóia, acompanhado por trilha sonora de jazz que o próprio Piva havia escolhido e pela projeção das imagens de Wesley Duke Lee.

19 às 21 h: ESTUDAR PARANÓIA: Piva é um poeta não apenas lido, mas pesquisado, com 19 teses e dissertações já apresentadas sobre sua obra. Estão nesta página: https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/dissertacoes-e-teses/ Falarão autores de três dissertações sobre Paranóia, incluindo o exame da contribuição de Wesley Duke Lee: Danilo Monteiro, autor de Teatralidade da palavra poética em Paranóia de Roberto Piva. USP, 2010; Leonardo Morais; autor de Eu sou uma alucinação na ponta dos teus olhos: imagens poéticas em Paranóia de Roberto Piva e Wesley Duke Lee. Centro Federal de Formação Tecnológica de Minas Gerais, 2015 Mariana Outeiro, autora de  Imagem retórica e imagem plástica: relações verbovisuais na obra Paranoia de Roberto Piva. PUC, 2016: Claudio Willer coordenará a mesa.

Informações sobre a Biblioteca Roberto Piva em: https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/ . Teses e dissertações sobre ele, em https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/dissertacoes-e-teses/