Em homenagem

Maninha Cavalcante: 21 de dezembro de 1940 – 18 de abril de 2021

As ilustrações:

Retrato. Não me lembrava. Deve ser de uma série pela fotógrafa Linda Conde, por volta de 1970.

Minha foto predileta de nós dois, 1966, ateliê dela na R. Barata Ribeiro. Quem tirou? Regastein Rocha, Irco, outro amigo? não lembro.

Quadro, enviado por Roberto Bicelli.

Uma das ilustrações da edição de 1970 de Os Cantos de Maldoror.

Capa do livro de poesias Areal de Thereza Christina Rocque da Motta, década de 1980.

Ainda postarei mais da obra da obra dela.

MANINHA CAVALCANTE: 21 DE DEZEMBRO DE 1945, 18 DE ABRIL DE 2021.

Décadas de convivência.

Câncer. Muito bem assistida, nos últimos anos, pelo convênio Einstein Unibes.

A seguir, algo sobre a obra dela.

http://www.jornaldepoesia.jor.br/agmaninha7.htm

Um novo curso de surrealismo

Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "Sa Percorrendo o Surrealismo, com Claudio Willer"

Em acréscimo ao texto de apresentação a seguir, só para dizer que pretendo mostrar NOVIDADES (detesto me repetir) com relação ao que já disse ou publiquei. Com a plataforma Zoom (seja lá o que for isso) poderá haver uma presença maior de imagens visuais. Será como se eu estivesse operando pelo Datashow (Breton, que expressava restrições à tecnologia – ele e Éluard chegaram a assinar um manifesto contra o cinema falado… – ergueria o sobrecenho) (ah, sim… ! também tratarei desse tema inesgotável, o cinema… – faremos todos cara de cinéfilos) (mas falarei principalmente sobre imaginação, magia, a ruptura de fronteiras) (e poesia, claro…!). Bebé Cadum (que está neste cartaz de apresentação) também comparecerá. O Carteiro Cheval virá.

O TEXTO DE APRESENAÇÃO – agradeço fazerem que circule:

NOVO CURSO: “Percorrendo o surrealismo”, com Claudio Willer “Imaginação, acaso, maravilhoso, visões, o poético.Em um curso de surrealismo em 2012, no Museu da Língua Portuguesa, após examinarmos o Peixe Solúvel de André Breton, sugeri aos participantes que percorressem o Jardim da Luz, em frente do Museu, e procurassem peixe solúvel. Alguns acharam – não o peixe, é claro, porém corporificações de imagens dessa obra. Em outra ocasião, em um curso na Unicamp em 1914, organizei uma visita guiada a uma exposição sobre Frida Kahlo e as conexões entre mulheres surrealistas no México, no Museu Tomie Ohtake; e fomos examinar a adjacente Barão Geraldo, em busca de surrealismo. Em 2014, após percorrer – por imagens – o Castelo das Maravilhas do Carteiro Cheval e paramos na Vila Itororó, sugeri que participantes achassem construções surrealistas em São Paulo – o poeta Gonçalves imediatamente achou uma, dessas pelas quais você passa sem reparar. Assunto não falta. Há tantas outras descobertas, que correspondem a ampliações da percepção. Na metrópole (‘o verdadeiro rosto da metrópole é surrealista’, disse Walter Benjamin), na produção visual, na poesia (em primeira instância), na vida. Em nuvens, em paredes escalavradas. No cinema, sem dúvida. O surrealismo nasceu em um hospício. Relatarei. E na descoberta de produções simbólicas como a da Melanésia, entre outros ‘primitivos’. Na ruptura dos cânones e convenções. Consolidou-se nas experiências do acaso objetivo. Na magia. Na deambulação ao acaso. Sabem o que aconteceu na esquina da Alameda Eduardo Prado e Avenida Rio Branco? Relatarei descobertas e momentos marcantes do surrealismo. Adicionarei algo aos cursos já apresentados e a artigos já publicados. Com os recursos audiovisuais possibilitados pelo modo on-line, percorreremos lugares e obras. Faremos novas descobertas.”

PERCORRENDO O SURREALISMO, com Claudio WillerCurso em três sessões de 2 horas cada Às segundas-feiras, de 15 a 29/03/2021.Das 20 às 22 horas Via Zoom CENTO E CINQUENTA REAIS em até 10x via PagSeguro. INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES PELO LINK https://willercursos.wixsite.com/willer/cursos

LAWRENCE FERLINGHETTI,

Teria havido Beat Generation sem Ferlinghetti? Acho que sim, mas demoraria um pouco mais. O desassombro ao publicar Howl and other poems de Ginsberg, encarando o subsequente processo, é histórico. City Lights já existia há alguns anos. Entre seus primeiros títulos, coletâneas de Antonin Artaud e Jacques Prévert. Atualizou. Sabia onde queria chegar.

Matéria do NY Times, com uma foto rara.

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Mr. Ferlinghetti, standing, in 1957 at a poetry reading. He was a prolific writer of wide talents and interests whose work evaded easy definition.

Quando traduzi Ginsberg – 1982/83, ele vivia um drama: continuar na City Lights, manter-se fiel a Ferlinghetti, ou passar para a Harper & Collins e mudar de escala, para finalmente manter-se com a venda de livros.

Cadê imagem do evento de 100 anos de Ferlinghetti na Livraria Travessa, outubro de 2019? Quando li aquele incrível poema sobre os velhos italianos. Achar e postar aqui.

Vou publicar mais sobre ele. por enquanto, a sinopse biográfica que está em meu Geração Beat (onde é citado e comentado em inúmeras outras passagens) (a matéria do NY Times acima tem mais) (eu tgeria mais – voltarei ao assunto)

Lawrence Ferlinghetti nasceu em Nova York a 24 de março de 1919.[1] Filho de um imigrante italiano, foi criado por uma tia francesa. Passou seus primeiros cinco anos de vida em Strasbourg, França: outro bilíngüe na beat. Antes de servir no exército, foi jornalista esportivo e pescador; já publicava contos. Na Segunda Guerra participou, como oficial na marinha, da invasão da Normandia em 1944, e, em 1945, chegou a Nagasaki seis semanas depois da explosão da bomba atômica, o que consolidou suas convicções pacifistas. Com uma bolsa para veteranos de guerra, graduou-se e fez mestrado em Columbia, e doutorou-se em literatura na Sorbonne, antes de estabelecer-se em San Francisco em 1953. Atuou como ponte entre a literatura americana e francesa,[2] surrealismo inclusive. Tanto é que entre os primeiros títulos da City Lights estavam coletâneas de textos de Antonin Artaud e Jacques Prévert. É autor de A Coney Island of the Mind, Um Parque de Diversões da Cabeça,[3] outro livro de poesia que já vendeu milhões de exemplares; a reunião de poesias Endless Life, Vida Sem Fim;[4] The Secret Meaning of Things, O Significado Secreto das Coisas; a prosa poética de Her (Dela), textos políticos como Tirannus Nix? e tantos outros. Também é pintor. Sempre esteve presente no front político, incluindo suas viagens a Cuba em 1960, à Nicarágua sandinista nos anos 1980 e, mais recentemente, em apoio aos zapatistas mexicanos.


[1] Até a preparação deste livro, continua vivo.

[2] Conforme mostra Christopher Sawyer-Lauçanno no já citado Escritores Americanos em Paris, 1944-1960.

[3] Ferlinghetti, Um Parque de Diversões da Cabeça, tradução de Eduardo Bueno e Leonardo Fróes, L&PM Pocket, 2007 (reedição, já lançada em 1984)

[4] Ferlinghetti, Vida Sem Fim, tradução Nelson Ascher, Paulo Leminski, Marcos A. P. Ribeiro, Paulo Henriques Britto, Brasiliense, 1984.

Alguns links, com registros de participações: palestras, entrevistas etc.

Algo recente, disponível no meio digital.

  1. A entrevista para Eletrografia, recente, extensa e detalhada, disponível no Youtube – se quiserem saber, acho um belo trabalho de Anderson e Eliakim:
Eletrografia #9 - Claudio Willer

O link da entrevista é este: https://www.youtube.com/watch?fbclid=IwAR3kVDHySUQtovtzo8Tp0-BsRuRRfD7hgFWEBvkroZNJH2uvZLuo9gYOobI&v=aUTUUrg8dvs&feature=youtu.be

2. Palestra sobre Alfred Jarry, Patafísica, Ubu (atualíssimo!), Doutor Faustroll, pela Cia. Corpos Nômades / João Andreazzi:

PALESTRA SOBRE ALFRED JARRY, com Claudio Willer e Cia. Corpos NÔmades.

Ou https://www.youtube.com/watch?v=Smv28HNEgm4&feature=youtu.be&fbclid=IwAR1MpaQctYkhtBs712zTRWqpCyfTBT5aO2QY1PROFQx6vNIu-_KFTq9qvXQ (sei lá, me confundo…)

3. Minha palestra / entrevista sobre William Blake e gnosticismo:

William Blake e o gnosticismo

Abre no link ou como se fosse um link? Espero que sim.

4. Ah, e teve mais…! O Satyrianas, com tutti quanti, coordenados pela Renata D’Elia: https://www.facebook.com/ossatyros/videos/1512767918921545

(que horror, aparecer na tela acendendo cigarro… em plenos 80 anos… acho que às vezes sou irresponsável… não sigam meu exemplo, só minhas ideias)

HOUVE MAIS. O curso sobre Roberto Piva. O curso sobre Rimbaud. Mas estes, pagos, PRODUÇÃO DA “WILLER CURSOS” (ativos Renata, Eliakim, Ikaro), foram reservados para quem se inscreveu. Três exuberantes sessões, cada um, e sobrou assunto. Impressão de que, nos últimos dois meses, não tirei a cara da frente desta tela. HAVERÁ MAIS. Agradeço sugestões.

“TRÊS VEZES PIVA”, um novo curso

Informam meus colaboradores de Willer Cursos:

NOVO CICLO ONLINE – “TRÊS VEZES PIVA”, com Claudio Willer

Amigos por mais de 50 anos e cúmplices de uma criação poética marcada tanto pela Paulicéia Desvairada quanto pela comunhão com a natureza, os poetas Roberto Piva e Claudio Willer compartilharam uma visão de mundo influenciada pelas tradições mais rebeldes da poesia mundial. Em comum, a mesma reivindicação: a não separação entre poesia e vida, entre erudição e rua.

Marginalizado por décadas por suas ousadias, dicção transgressiva e irreverente, Piva acabou tornando-se, dez anos após sua morte e 57 anos após a estreia em livro com Paranoia, um poeta de especial prestígio entre os que integraram sua geração – aquela dos “Novíssimos” da década de 1960.

Nada mais oportuno do que o próprio Claudio Willer compartilhando o seu olhar sobre Piva neste ciclo de palestras ONLINE!

QUANDO: às quintas-feiras, de 26/11 a 10/12, das 20 às 22 horas (três encontros de 2 horas).

ONDE: Ao vivo no Google Meets

Preço: R$150,00 (Cento e Cinquenta Reais) somente via PagSeguro, à vista ou em até 18X no cartão.

​Inscrições até 24/11! Garanta já sua vaga!

PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O CICLO & PAGAMENTO: acesse o site! https://willercursos.wixsite.com/willer

Três sessões, com a duração de duas horas cada, incluindo o exame dos três volumes das obras reunidas pela Globo Livros, lançadas entre 2005 e 2008 – Um Estrangeiro na Legião, Mala na Mão & Asas Pretas, Estranhos Sinais de Saturno, além de publicações mais recentes, como a biografia-reportagem Os dentes da memória, a coletânea de entrevistas Encontros: Roberto Piva lançadas pela Azougue, o volume Antropofagias e outros escritos, pela Córrego / Biblioteca Roberto Piva, e o ainda inédito Corações de Hot-Dog. E a contribuição do que já foi escrito sobre ele: as 21 teses e dissertações – conforme o levantamento na página de internet da Biblioteca Roberto Piva – além de uma quantidade de ensaios e de uma filmografia, composta por documentários, mais a videografia e registros acústicos.

Marginalizado por décadas por suas ousadias, dicção transgressiva e irreverente, Piva acabou tornando-se, dez anos após sua morte e 57 anos após a estreia em livro com Paranoia, um poeta de especial prestígio entre os que integraram sua geração –dos “Novíssimos” da década de 1960. Comprovam-no, além da bibliografia sobre ele, seus leitores, incluindo poetas mais recentes em cuja obra se percebem os traços ou marcas dessa leitura.

Classifica-lo como “delirante”, “louco” ou “alucinado”, sendo procedente, também pode ser simplificador. Principalmente, ao deixar em segundo plano a amplidão de sua cultura e sua condição de entusiástico poeta-leitor.

Além de haver sido amigo e interlocutor de Piva, e de haver participado das bancas de pelo menos metade dessas teses e dissertações, e de constar da bibliografia de todas elas, publiquei vários artigos – alguns deles estão na página de internet Academia.edu. Pretendo, nesta série de palestras, ir além, adicionar ao que já foi dito sobre o autor de Paranoia. Com relação a esse livro, tratar da extraordinária contribuição do artista plástico Wesley Duke Lee, que o ilustrou com fotografias, cujo valor cresce com o tempo.

Esta foto NÃO é de Arthur Rimbaud

Que coisa. Postagem percorreu o mundo digital. Foi acolhida por páginas de internet de qualidade.

Mas não. De jeito nenhum. A foto documenta a derrubada do obelisco da Plâce Vendôme pelos insurretos da Comuna de Paris. E isso aconteceu a 16 de maio de 1871. A famosa “Carta do Vidente” de Rimbaud, a Paul Demeny, é de 15 de maio de 1871. Escrita em Charleville. Há outra carta de Rimbaud a Demeny, também em Charleville, de 14 de maio.

Então, de duas uma: ou Rimbaud estava em Charleville, ou em Paris.

Conforme a biografia ou sinopse biográfica, Rimbaud esteve ou teria estado na Comuna de Paris, na caserna de Baylone, mas no final de abril daquele ano. Por alguma razão, desistiu da Comuna, evadiu-se. Atravessou linhas inimigas – o cerco do exército alemão – a pé e conseguiu chegar a Charleville no começo de maio. Segundo Marasso e Petitfils, o poema “Coeur volé” (Coração roubado ou Coração logrado conforme a tradução) expressaria sua decepção com essa experiência de participação direta.

Outra coisa: a foto famosa, de Étienne Carjat (ilustra meu post precedente), é de outubro de 1871. Se as duas fotos fossem dele, teria rejuvenescido.

O Curso Rimbaud

“E à aurora, armados de ardente paciência, entraremos nas cidades esplêndidas”

VISÕES DE RIMBAUD: UM GUIA PARA A LEITURA

Terá sido Arthur Rimbaud o poeta do final do século 19 que exerceu maior influência na contemporaneidade? Por que? Sem deixar de lado sua biografia e sua lenda, o curso abordará a revolucionária poesia em prosa de “Uma Temporada no Inferno e “Iluminações”, além de toda a sua obra em versos.

Inscrições abertas até 16/10/2020

Informações gerais: ​Carga horária: 6h (3 encontros de 2h). Às terças-feiras, de 20/10/2020 até 03/11/2020. Horário: das 20h às 22h. Ao vivo, pelo Google Meets. Por R$150,00 (em até 12 vezes pelo pagseguro).

Através de https://pag.ae/7WtVqrDB7

Em detalhe:

Pague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Envie seu comprovante de pagamento para o e-mail:  willer.cursos@gmail.com

Do que tratará o curso?

Respostas possíveis estão nessas observações do notável prosador francês Julien Gracq:

“Em lugar de ver no sentimento poético o resíduo, em meio a uma sociedade submetida às normas da razão, de uma maneira de viver e de sentir condenada, objeto de discretos suspiros e piedosos lamentos, Rimbaud o invoca ao contrário como um pressentimento, uma solicitação veemente de ser preciso “mudar a vida” para levá-la à altura da lancinante revelação. De lamentação nostálgica e lamento estéril, a poesia para ele e através dele se torna o selo de uma promessa, chamado, grito de convocação, incitação à mobilização dos novos homens que se põem em marcha.”

Gracq ilustra, com algumas de suas frases fulminantes, expressões de um pensamento utópico e visionário, convocações ou anunciações da realização da poesia:

É mais que certo, é oráculo o que digo. … Eis o tempo dos Assassinos ….

Um toque de teu dedo no tambor liberta todos os sons e começa a nova harmonia.

Quando iremos afinal, além das praias e dos montes, saudar o nascimento do trabalho novo, da nova sabedoria, a fuga dos tiranos e demônios, o fim da superstição, para adorar – os primeiros! – o Natal na terra! O canto dos céus, a marcha dos povos!

… e então me será lícito possuir a verdade em uma alma e um corpo.

É a vigília, contudo. Acolhamos todos os influxos de vigor e de autêntica ternura. E à aurora, armados de ardente paciência, entraremos nas cidades esplêndidas.

VISÕES DE RIMBAUD: UM GUIA PARA A LEITURA incluirá reflexões sobre outras das frases que chamo de “fulminantes”, como “É preciso ser absolutamente moderno”, “Na Grécia, já o disse, versos e liras ritmam a Ação”. E, principalmente, “O EU é um outro” e “Eu digo que é preciso ser vidente, se fazer vidente. O poeta se faz vidente por um longo, imenso e pensado desregramento de todos os sentidos.” Será examinado o conjunto da sua obra; a produção poética em versos, a revolucionária poesia em prosa de Uma temporada no inferno e Iluminações, e sua marginalia, precursora, como o Álbum Zútico e Os Stupra, publicados apenas em 1942. Isso, sem deixar de lado a biografia, o modo como se constituiu em lenda para todos os que saíram de casa depois que o leram, além dos místicos, dos adeptos da alquimia, dos formalistas, dos surrealistas e dos experimentalistas.

Poemas serão projetados na tela ao serem comentados. Participantes receberão resumo de cada aula, e poderão encaminhar perguntas e comentários por e-mail.


A coletânea Rebelados da Cultura: Revoltas e Antropolíticas

Fui publicado em uma coletânea especialmente importante e atraente, “Rebelados da cultura: Revoltas e Antropolíticas”, organizada por Alex Galeno, Fagner Torres e Lucas Fortunato. Por enquanto, só através de kindle/Amazon.

Rebelados da Cultura: Revoltas e Antropolíticas (Revolta e Cultura Livro 1) https://www.amazon.com.br/dp/B08H9W1WHQ/ref=cm_sw_r_other_apa_OoIwFbQN8JP92

Informam os organizadores:

Depois de bastante trabalho, é com muita satisfação que comunicamos o lançamento do primeiro volume do livro Rebelados da Cultura: Revoltas e Antropolíticas, projeto desenvolvido em parceria com a Caravela Selo Cultural e Selo Marginália, por meio da coleção Revolta e Cultura. Devido à grande adesão d@s colegas ao projeto, decidimos dividir os livros por temáticas e em três volumes, chamados de Trilogia da Revolta. A decisão triplicou  os custos da publicação, levando em conta a organização, edição e tradução de alguns textos, inteiramente custeada pelos organizadores, sem qualquer recurso de outra ordem. Os livros sairiam inicialmente em suporte físico, mas por causa da Pandemia fomos obrigados a alterar os planos. Lançaremos os volumes em formato e-book e trabalharemos para viabilizar a trilogia impressa para o próximo ano. Enquanto isso, a versão digital do livro agiliza o processo de distribuição da obra, contornando a questão da crise sanitária. O segundo volume deverá sair dentro de 6 meses, e o terceiro, em 1 ano. A decisão de publicação em formato digital pela Amazon resolve inicialmente as questões de divulgação e distribuição da obra em âmbitos nacional e internacional. Para quem desejar uma cópia digital, por gentileza, envie sua solicitação que retornaremos com o link de acesso à íntegra do livro digital. Quem não possuir o dispositivo kindle pode baixar o aplicativo para PC. 

Mais uma vez, gostaríamos de agradecer a todos os autores e todas as autoras que dispuseram de seu tempo e do seu trabalho para contribuírem com este belo e necessário projeto. 

Vejam o índice:

PREFÁCIO 6

APRESENTAÇÃO 7

ENTREVISTAS 11

“Seguimos como sonâmbulos e estamos indo rumo ao desastre” 12

uma entrevista com Edgar Morin

Úrsula Passos

Por uma ciência mais Antígona e menos Creonte 18

Fagner França

Arte, Tecnologia e Resistência 36

Entrevista com Steve Kurtz – Critical Art Ensemble

Lucas Fortunato

Cláudio Willer: poeta rebelde 45

Alex Galeno, Fagner França

ENSAIOS 50

Genealogia da Revolta 51

Lucas Fortunato, Alex Galeno

Breviário da revolta 73

Edgard de Assis Carvalho

A primavera dos povos 89

Michel Maffesoli

A mística de Orides Fontela: 105

revolta e selvageria

Gustavo Castro

Revolta e anarquia 117

Edson Passetti

As lutas anarquistas no presente entre a utopia e as heterotopias 127

Acácio Augusto

Imagino, logo existo! 142

– Existir e resistir na imaginação, ou o Coringa nosso de cada dia…

Alípio De Sousa Filho

Álvaro Guimarães 165

As transas contraculturais de um encenador

Raimundo Matos de Leão

Artivismos e Insurgências em Performance 180

Felipe Henrique Monteiro Oliveira

Resistências: 185

as guerras de Antonin Artaud

Florence de Mèredieu

“Existe algo que destrói meu pensamento”: 194

cartas imaginadas entre Ana K. e A. Artaud

Ana Kiffer

Carta para Michel Foucault 207

Tony Hara

Bartleby – um resto de naufrágio resiste no mar 216

Rosanne Bezerra de Araújo

Loucos, santos e chapados 229

(literatura como revolta)

Pablo Capistrano

Direitos dos Robôs, ou Pensar o Impensável 242

David J. Gunkel

Um certo estado de furor 249

Camille Dumoulié

Gestos de revolta feminina 258

Florence Dravet

UMA NOVA OFICINA LITERÁRIA

certificado Rimbaud 1

(ilustração é do ano passado: distribuindo certificados de um curso sobre Rimbaud, organizado por Matheus Chiaratti / Arte/Passagem)

AGORA, NO MEIO DIGITAL. A seguir, depoimento sobre oficinas, programa da próxima, instruções de como inscrever-se, depoimentos de quem participou de oficinas anteriores:

SOBRE OFICINAS LITERÁRIAS

Minha primeira participação em uma oficina de criação literária foi em 1987, na Biblioteca Mário de Andrade, convidado pela poeta Eunice Arruda. Meu tema: surrealismo e imagens poéticas. Passei a coordenar oficinas regularmente a partir de 2002. Inicialmente, na Casa da Palavra, em Santo André. Foram quatro anos consecutivos; isso, a pedido de participantes. Poetas e prosadores foram estimulados a escrever mais e a publicar: José Geraldo Neres, Edson Bueno de Camargo, Vanessa Molnar, entre outros.

Naquelas oficinas e nas que coordenei subsequentemente – em unidades do SESC, na USP, UFSCar, mais recentemente no Ed.Lab – constatei o quanto a criação se confunde com a leitura; a ligação entre escrever algo original e enxergar mais em um texto, captar mais sentidos em obras literárias. A oficina de criação e a roda de leitura, desenvolvimento da criatividade e da sensibilidade, se confundem. Leituras se harmonizam com o exame do que é trazido pelos participantes. E o autor / participante pode atuar como leitor crítico, com um duplo benefício: para sua escrita, e para aquela de quem foi lido e comentado.

De tudo isso resultou, em várias ocasiões, o que chamo de “efeito oficina”. É quando a criação de um participante dá um salto; adquire, digamos assim,  fisionomia própria; constitui-se uma identidade literária. Vários dos meus “oficineiros”, como os denomino, poderão atestar. E, principalmente, mostrar as publicações nas quais estão presentes rastros dessa experiência. Outra consequência importante foi romper bloqueios: participantes que não estavam mais escrevendo poesia retomaram essa modalidade de criação.

O trabalho presencial tem atrativos; o contato pessoal pode ser enriquecedor. Mas, nesta próxima oficina, nos beneficiaremos com o trabalho no meio digital, pelo modo remoto. Pode ser mais confortável; abre oficinas para quem teria dificuldades para comparecer pessoalmente. Dará condições para intercâmbio, troca de textos e informações.

Na última oficina, partindo de meu tema mais forte, as imagens poéticas, cheguei até os haicais e seu precursor, a poesia chinesa da dinastia T’ang, um milênio antes. Poetas da natureza. Pretendia, se houvesse continuidade, focalizar o Brasil como tema ou substância de poemas. Examinar Poemas negros de Jorge de Lima, por exemplo? Talvez. São possibilidades. Há outras. Chegar à poesia puramente sonora, feita de glossolalias? Confrontar cantos arcaicos / xamanismo e poesia contemporânea, como o faz Herberto Helder em Magias? O grupo, o conjunto de “oficineiros”, dirá. Mostrarão o caminho a seguir”.

A PROGRAMAÇÃO: CRIAÇÃO, LEITURA E OFICINAS LITERÁRIAS

A finalidade da oficina será estimular a criação literária, examinar sua relação com a leitura e expor metodologias e procedimentos. Interessará a poetas, e também a prosadores; a estudantes de Letras e áreas afins; a leitores em geral. Será obtido um melhor relacionamento com o texto literário e com a própria linguagem. Combinará procedimentos de duas modalidades de oficina: aquelas voltadas especificamente para a criação, e outras focalizando a leitura. Já foram alcançados resultados expressivos: participantes de oficinas já tiveram obras não apenas publicadas, porém premiadas e reconhecidas pela crítica.

2         Conteúdo

  • O valor: o que permite que um texto literário seja considerado “bom”?
  • A imagem poética;
  • Poesia e prosa; a poesia na prosa;
  • Modalidades de criação; “inspiração” versus “trabalho”;
  • Criação e leitura: a relação da criação original com a leitura de outras obras;
  • A poesia e o poético; literatura e vida; poesia, linguagem e realidade.
  1. Procedimento: Oficinas literárias são um trabalho coletivo. Seu coordenador não é neutro: avalia, sugere, recomenda leituras. Contudo, não deve impor seus valores e referencial poético. Parte da oficina será mais expositiva; em outra, textos dos participantes serão examinados, em um trabalho coletivo. Poderão ser propostos outros temas e exercícios. Serão recomendadas leituras. Entre outras, O Arco e a Lira, de Octavio Paz, obra básica para tratar de valores poéticos e da criação poética.

ONDE, COMO E QUANDO:

– 8 sessões com 2 horas de duração cada (16 horas/aula ao todo)
– De 20/08/2020 até 15/10/2020 (às quintas-feiras)
– Sempre das 20 às 22 horas
– Ao vivo, no Google Meets (os links serão enviados aos participantes um dia antes de cada aula, por e-mail)

– Investimento: R$ 550,00 (Quinhentos e Cinquenta Reais) à vista ou em até 12X no cartão de crédito.

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COMO SE INSCREVER:

            Faça o pagamento pelo PagSeguro https://pag.ae/7WfXxmLKp e nos envie o comprovante + seus dados (nome completo, RG, e-mail e telefone) por e-mail: willer.cursos@gmail.com  

Você receberá a confirmação da inscrição por e-mail em até 1 dia útil. Nosso meio de comunicação será sempre por aqui! Quem vai te responder é o Ikaro Max.

IMPORTANTE: Só receberemos inscrições até 17/08/2020!

OBSERVAÇÕES:

*As oficinas serão ministradas ao vivo e não ficarão gravadas!
** Por conta da dinâmica do curso, não poderemos repor faltas.
*** Você pode desistir do curso até a terceira aula. Neste caso, estornaremos 40% do valor investido (via PagSeguro). Desistências a partir da quarta aula não serão reembolsadas.
**** Para melhor aproveitamento, o grupo deverá ter, no máximo, 20 pessoas. Se o interesse por inscrições exceder esse número, iniciaremos uma lista de espera para formação de uma nova turma, sempre por ordem de chegada. Avisaremos por e-mail!

SOBRE:  Claudio Willer é poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde, ao surrealismo e geração beat. Livros recentes: Escritos de Antonin Artaud – nova edição, revista; organizador e tradutor (L&PM, 2019); Dias ácidos, noites lisérgicas – relatos (Córrego, 2019); Extrañas experiencias – poesia 1964-2004 (tradução de Thiago Pimentel, Nulú Bonsai, Buenos Aires, 2018); A verdadeira história do século 20, poesia (Córrego, São Paulo, 2016; Apenas Livros, Lisboa, 2015); Os rebeldes: Geração Beat e anarquismo místico, ensaio (L&PM, 2014); Manifestos, 1964-2010, (Azougue, 2013), Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (Civilização Brasileira, 2010); Geração Beat (L&PM Pocket, 2009); Poemas para leer en voz alta (tradução de Eva Schnell, Andrómeda, San José, Costa Rica, 2007); Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004). Traduziu Lautréamont, Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Antonin Artaud, Bukowsky, Aimé Césaire, entre outros. Publicado em  antologias e periódicos no Brasil e em outros países. Presidiu a UBE, União Brasileira de Escritores, em vários mandatos. Doutor em Letras pela USP, onde completou pós-doutorado. Deu cursos, palestras, coordenou oficinas literárias e outras atividades em uma diversidade de instituições culturais.

ALGUNS DEPOIMENTOS DE QUEM JÁ PARTICIPOU DE OFICINAS:

            “Fiz a primeira oficina literária com Claudio Willer em 2011. Seguiram-se a essa tantas outras. Seu modo de ler e pensar poesia teve a potência de um reator atômico em minha cabeça, dada sua particularidade e riqueza. Não tenho dúvidas de que esse encontro com Willer mudou completamente meu modo de pensar e criar poesia. Sempre que posso, o ouço – um parque de diversões na mente!” – Diogo Cardoso

            “Uma experiência pra sair do lugar. Deixar de apenas colher a poesia do mundo para injetá-la onde você quiser!” – Jeanine Will/ Caminhão de Mudanças

            “Academia e magia das palavras. Palestra de pontas de garfo.” – Benedito Bérgamo

            “Willer, suas oficinas fazem renascer a criação poética. Incentivam leituras. Despertam ideias para novos livros. Trazem as palavras certas para os poemas. Seu método de trabalho é muito importante para os novos escritores. Prossiga, sempre com nosso apoio.” – José Antonio Gonçalves

            “Uma oficina literária é sempre uma aposta: o participante se coloca corajosamente na posição de quem escreve. Uma oficina conduzida por Claudio Willer está à altura das grandes apostas: Willer fala de literatura como poeta que é, não se detém em amenidades e opera com as forças da melhor e menos óbvia poesia. Ao fazer uma oficina com Claudio Willer, tenha uma certeza: coisas acontecerão.”  – Wilson Alves-Bezerra

             “Participar das oficinas de criação literária ministradas por Claudio Willer, me abriu horizontes e uma enorme gama de autores brasileiros e da literatura mundial para reforçar minhas leituras, e visão crítica da escrita. Pensar novos diálogos e me descobrir capaz de alcançar novos voos. Sou grato por revelar caminhos, e de apoiar cada participante a buscar o melhor de si e de seu processo criativo.” José Geraldo Neres

            “Na tarde de 16 de junho de 1997, escrevi os 22 poemas de ‘Lilases’, durante três horas e meia, tomando os primeiros versos de cada poema de ‘A Terra Devastada’, de T.S. Eliot, como resultado de um exercício, depois do término da oficina poética realizada por Claudio Willer, em São Paulo, entre março e junho de 1997. O poema, em uma tradução portuguesa, fora lido na festa de encerramento, na véspera, pelos alunos, a quem também dediquei o livro. A minha participação, a convite de Willer, foi para ‘aumentar o coeficiente de poetas’, uma vez que os demais participantes eram contistas, mas queriam fazer uma oficina de poesia. Eu estava passando por um período de retorno à escrita, e a oficina poética foi fundamental para tomar esse novo impulso. Voltei a escrever e não parei mais, depois de um lapso de 13 anos sem publicar, entre 1982 e 1995. Lanço agora a minha ‘Poesia Reunida’, com a produção dos últimos 40 anos (1980-2020), e uma das pedras fundamentais foi o incentivo que recebi de Willer, que prefaciou meu primeiro livro individual, em 1982, ‘Joio & trigo’. Sem ele, nada disso teria sido possível. Nem a primeira, nem a segunda fase da minha escrita poética, que se estende até hoje, com 20 livros publicados.”  – Thereza Christina Rocque da Motta

Conheci Claudio Willer antes de me dar conta de que se tratava de Claudio Willer. Na biblioteca da escola, quando estava no primeiro ou segundo colegial, deparei-me com um livro de capa roxa, bastante singular, chamado “Cantos de Maldoror” e “Poesias”. Li aquilo e foi um choque. Anos depois, na faculdade, deparei-me novamente com o livro numa barraca de usados. Comprei. Conheci logo depois outro grande amigo e poeta, Paulo Ortiz, que então avisou: Willer vai dar uma palestra sobre Herberto Helder na USP! Fomos – levei o Maldoror e Willer, ao tomar em mãos para autografar, exclamou seu característico “UM LEITOR!”. Desde esse dia, foram palestras e oficinas – “A criação poética”, “A natureza e algusn poetas”, “Poetas da natureza e o Sagrado”, “Magia e Criação Poética”, “Os Rebeldes – Geração Beat e Anarquismo Místico”, “Barroco e Surrealismo”… oficinas e palestras que aconteciam e faziam coisas estranhas acontecerem, que traziam consigo novos amigos, livros, experiências singulares e por vezes sobrenaturais. Tudo isso para dizer que Willer fez parte de uma formação paralela à que eu tinha na academia – um conhecimento mais profundo e mágico, que só os grandes poetas são capazes de ministrar e partilhar. Ouvir de sua voz cavernosa o seu outro característico bordão: “PUBLIQUE!” é uma das grandes honras que pude receber ao longo desse período de formação – que continua até hoje. – Elvio Gonçalves Fernandes Junior