ROBERTO PIVA, 80 ANOS: A PROGRAMAÇÃO NA CASA DAS ROSAS

 

Quando: dia 23 de setembro, sábado, das 16h30 às 21 h.

Onde: Casa das Rosas, Av. Paulista, 37 – São Paulo – SP.

O poeta Roberto Piva completaria 80 anos a 25 de setembro de 2017. Frequentou a Casa das Rosas; apresentou-se em leituras de poesia e palestras. Evocando-o, é oferecida uma programação reunindo alguns de seus leitores, pesquisadores e divulgadores. A intenção é aprofundar, avançar no exame da obra e assim enriquecer sua leitura. A sessão ´dá prosseguimento ao evento na Biblioteca Mário de Andrade, dia 19/09. E ainda haverá manifestações, que serão anunciadas em um próximo post, na Funarte (dia 24) e Estudio Lâmina (dia 25).

PROGRAMAÇÃO:

16h30 às 18 h: PUBLICAR PIVA / A BIBLIOTECA ROBERTO PIVA: Gabriel Rath Kolyniak, da editora Córrego, Roberto Bicelli e Sergio Cohn, da editora Azougue, falarão sobre publicações de seus inéditos e dispersos, e mostrarão o que está sendo feito pela preservação e abertura ao público da sua extraordinária biblioteca. Fabio Weintraub coordenará a mesa.

18 às 19 h: OUVIR PARANÓIA: Apresentação de uma gravação inédita preparada por Toninho Mendes, com a leitura completa de Paranóia, acompanhado por trilha sonora de jazz que o próprio Piva havia escolhido e pela projeção das imagens de Wesley Duke Lee.

19 às 21 h: ESTUDAR PARANÓIA: Piva é um poeta não apenas lido, mas pesquisado, com 19 teses e dissertações já apresentadas sobre sua obra. Estão nesta página: https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/dissertacoes-e-teses/ Falarão autores de três dissertações sobre Paranóia, incluindo o exame da contribuição de Wesley Duke Lee: Danilo Monteiro, autor de Teatralidade da palavra poética em Paranóia de Roberto Piva. USP, 2010; Leonardo Morais; autor de Eu sou uma alucinação na ponta dos teus olhos: imagens poéticas em Paranóia de Roberto Piva e Wesley Duke Lee. Centro Federal de Formação Tecnológica de Minas Gerais, 2015 Mariana Outeiro, autora de  Imagem retórica e imagem plástica: relações verbovisuais na obra Paranoia de Roberto Piva. PUC, 2016: Claudio Willer coordenará a mesa.

Informações sobre a Biblioteca Roberto Piva em: https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/ . Teses e dissertações sobre ele, em https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/dissertacoes-e-teses/

 

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ROBERTO PIVA, 80 ANOS: HAVERÁ MANIFESTAÇÕES

Dia 25 de setembro Roberto Piva – 1937-2010 – completaria 80 anos. Homenagens são preparadas. Gabriel Kolyniak, Roberto Bicelli, eu, amigos, colaboradores da Biblioteca Roberto Piva, organizamos.

Nestes tempos de acontecimentos estranhos, de recrudescimento do obscurantismo, a voz do grande inovador da poesia brasileira tem que estar cada vez mais presente.

Vejam o que vem aí:

  1. DIA 19 DE SETEMBRO, TERÇA FEIRA, NA BIBLIOTECA MÁRIO DE ANDRADE: A partir das 19 h: Renata D’Elia (palestra sobre Os dentes da memória), Claudio Willer, Roberto Bicelli, Beth Brait Alvim, Guilherme Ziggy, Gabriel Kolyniak, Rubens Zárate, Celso de Alencar, Contador Borges, Raul Fiker, Chiu Yi Chih, outros convidados.
  2. DIA 23 DE SETEMBRO, SÁBADO, PROGRAMAÇÃO NA CASA DAS ROSAS: Das 16h30 às 21 h, incluindo mesa sobre publicações de Piva e entrevistas com ele, uma gravação inédita de Paranóia lido na íntegra pelo próprio Piva, e comentários sobre esse livro, por autores de dissertações a respeito: a programação detalhada será postada em separado.
  3. DIA 24 DE SETEMBRO, DOMINGO, VIVA PIVA! no auditório da Funarte – SP.
  4. DIA 25 DE SETEMBRO, SEGUNDA FEIRA, festa de 80 anos do Piva no Estúdio Lâmina. Incluirá a apresentação de Paranóia criada por Marcelo Drummond.

Lautréamont para homofóbicos

Quantidade de coisas para fazer – inclusive divulgação do que preparamos para os 80 anos de Piva. Mas, diante da efusão de alucinados atacando mostras de arte, encenações e o que estiver ao alcance, homenageio-os co0m a publicação de um trecho de Os cantos de Maldoror de Lautréamont, o começo da estrofe dos pederastas (quinta estrofe do Canto Quinto, na minha tradução na edição da Iluminuras):

“Ó pederastas incompreensíveis, não serei eu quem irá lançar injúrias contra vossa grande degradação; não serei eu quem irá atirar o desprezo contra vosso ânus infundibuliforme. Basta que as doenças vergonhosas, e quase incuráveis, que vos assediam, tragam consigo seu infalível castigo. Legisladores de instituições estúpidas, inventores de uma moral estreita, afastai-vos de mim, pois sou uma alma imparcial. E vós, jovens adolescentes, ou melhor, mocinhas, explicai-me como e porquê (porém mantende-vos a uma distância conveniente, pois eu também não sei resistir a minhas paixões) a vingança germinou em vossos corações, para ter feito aderir ao flanco da humanidade tamanha coroa de feridas. Vós a fazeis ruborizar-se por seus filhos, por vossa conduta (que, de minha parte, venero!); vossa prostituição, oferecendo-se ao primeiro que vier, põe à prova a lógica dos mais profundos pensadores, enquanto vossa sensibilidade exagerada ultrapassa o limite do espanto da própria mulher. Sois de uma natureza mais ou menos terrestre que a de vossos semelhantes? Possuís um sexto sentido que nos falta? Não mintais, e dizei o que pensais. Não é um interrogatório, isto que vos faço: pois, desde que freqüento como observador a sublimidade das vossas inteligências grandiosas, sei até onde devo ir. Sede abençoados por minha mão esquerda, sede santificados por minha mão direita, anjos protegidos por meu amor universal. Beijo vosso rosto, beijo vosso peito, beijo com meus lábios suaves as diversas partes do vosso corpo harmonioso e perfumado. Porque não dissestes logo quem éreis, cristalizações de uma beleza moral superior? Foi preciso que eu adivinhasse sozinho os inumeráveis tesouros de ternura e castidade que ocultavam as batidas de vossos corações oprimidos. Peito ornado de grinaldas de rosa e vetiver. Foi preciso que eu abrisse vossas pernas para vos conhecer, e que minha boca se pendurasse às insígnias de vosso pudor. Mas (coisa importante para ter em mente) não esquecei de, todo dia, lavar a pele de vossas partes com água quente, pois, senão, cancros venéreos cresceriam infalivelmente sobre as comissuras fendidas dos meus lábios insaciados. Ó! se em lugar de ser um inferno, o mundo não fosse mais que um imenso ânus celeste, vede o gesto que faço com meu baixo ventre: sim, teria enfiado minha vara através do seu esfíncter sangrento, destroçando, com meus movimentos impetuosos, as próprias paredes do seu recinto! A desgraça não teria soprado, então, dunas inteiras de areia movediça nos meus olhos cegos; teria descoberto o lugar subterrâneo onde jaz a verdade adormecida, e os rios do meu esperma viscoso teriam assim encontrado um oceano onde precipitar-se. Mas porque me surpreendo a lamentar-me por um estado de coisas imaginário, que nunca receberá a recompensa da sua realização ulterior? Não vale a pena construir fugazes hipóteses. Enquanto isso, que venha a mim aquele que arde no desejo de compartilhar meu leito; mas imponho uma condição rigorosa a minha hospitalidade: é preciso que não tenha mais de quinze anos. Que ele, de sua parte, não acredite que eu tenha trinta: que diferença faz? A idade não diminui a intensidade dos sentimentos, longe disso; e, embora meus cabelos tenham se tornado brancos como a neve, não foi por causa da velhice; foi, ao contrário, pelo motivo que sabeis. Eu não gosto das mulheres! Nem mesmo dos hermafroditas! Preciso de seres semelhantes a mim, em cujas testas a nobreza humana esteja marcada em caracteres mais nítidos e indeléveis!

Mais sobre o triplo lançamento de ensaios meus sobre nossos poetas e outros acontecimentos

Relembrando: Quando: dia 15 de setembro, sexta feira, das 19 às 21 h. Onde: Casa das Rosas: Av. Paulista, 37 – São Paulo – SP. O lançamento do que escrevi sobre Celso de Alencar, Eunice Arruda e Péricles Prade. Complementam os ensaios poemas que escolhi. Iniciativa de Valdir Rocha (que no dia seguinte – sábado a partir das 11 h. – inaugura a exposição Reflexões Plásticas no Centro Cultural dos Correios, Avenida São João, s/nº, Vale do Anhangabaú – detalhes a seguir):

  1. Abriremos com uma breve présentation. Diremos algo: Valdir Rocha, Celso de Alencar, Péricles Prade, eu. André Arruda, filho de Eunice, também estará.
  2. O editor Gabriel Kolyniak, da Córrego, colabora cuidando das vendas. Trará a famosa maquininha, possibilitando uso de cartões.
  3. É claro que meu propósito, assim como de Valdir Rocha, é a difusão da boa poesia contemporânea brasileira. Haverá, inclusive, outros volumes futuros. Mas tenho também um óbvio interesse em um bom resultado comercial. Os volumes custam R$ 20,00 cada um. Combinei com Valdir que haverá uma promoção: quem comprar os três, pagará R$ 50,00.

VENHAM

Sobre a exposição de Valdir Rocha: A partir das 11 horas do dia 16 de setembro de 2017 o Centro Cultural Correios, em São Paulo, receberá a exposição Reflexões Plásticas, de Valdir Rocha, sob a curadoria de Jorge Anthonio e Silva. A exposição ficará em cartaz até 19 de novembro, com horário de visitação das 11 às 17 horas. O artista plástico Valdir Rocha apresentará mais de 100 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos, aquarelas e fotografias. O vernissage inclui ainda lançamento dos seguintes livros: Valdir Rocha e a persistência do mistério, de Floriano Martins (Fortaleza: ARC Edições) e Reflexões plásticas de Valdir Rocha, de Jorge Anthonio e Silva (São Paulo: quaisquer), contando com a presença dos respectivos autores.

Agenda deste mês de setembro está animadora. Amanhã, quinta feira, também teremos o lançamento de O Equivocrata de Raul Fiker pela Córrego, na livraria Tapera Taperá, Galeria Metrópole.

AINDA SOBRE O FECHAMENTO DE UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE NO BANCO SANTANDER EM PORTO ALEGRE

Pelo maior alcance, pela visibilidade, por permanecer, transcrevo aqui meus posts no Facebook, na sequência cronológica:

1.

Episódio vergonhoso. Parece que MBL e organizações afins resolveram ampliar seu campo de atuação, deixando claro a que vieram, reeditando procedimentos como os dos nazistas contra a “arte degenerada”. E que corporações empresarias fazem questão de mostrar-se covardes. Será que a censura é mesmo algo que vai e que volta?

2

Quem, dentre as instituições culturais de São Paulo, teria a coragem de trazer pra cá essa mostra que foi fechada em Porto Alegre, no Santander? A do LGTB? Alô, alô, Pinacoteca, Centro Cultural, Fundação Bienal, MASP (se fosse no tempo do Bardi, ele topava), MAM, MAC-USP, Instituto Tomie Ohtake, Instituto Moreira Salles, Itaú Cultural, Caixa Cultural, CCBB, SESC (Danilo, que tal a idéia?)… Quem mais? Quem terá “i coglioni”, como dizem naquela península? Público, haverá. Fascistas fizeram uma boa propaganda.

3

Depois do episódio do Santander em Porto Alegre, que tal ficarmos assim: bancos e corporações afins só terão o direito de abrir centros culturais se mostrarem que a) têm vergonha na cara; b) não têm medo de fascistas; c) respeitam artistas e obras de arte. Convenhamos, não é pedir demais. Ah – claro que õrgãos públicos, também

4

Teatro Alfa, aqui em São Paulo, é do Santander, não é? Já não gostava, mausoléu suntuoso cravado em zona de bairros pobres, saguão parece desfile de moda quando tem espetáculo. Não vou mais lá. BOICOTE ÀS CORPORAÇÕES E INSTITUIÇÕES QUE SE CURVAM DIANTE DOS FASCISTAS!

Sobre o fechamento da mostra de de temática LGBT com 264 obras de artistas consagrados no Santander em Porto Alegre,

Após ser acusada por grupos de extrema direita de ser apenas apologia a pedofilia, zoofilia e anticristã, conforme noticiado aqui, entre outros lugares: https://jornalistaslivres.org/2017/09/fascistas-forcam-encerramento-de-exposicao-de-arte-em-porto-alegre/
Havia publicado no Facebook :
Episódio vergonhoso. Parece que MBL e organizações afins resolveram ampliar seu campo de atuação, deixando claro a que vieram, reeditando procedimentos como os dos nazistas contra a “arte degenerada”. E que corporações empresarias fazem questão de mostrar-se covardes. Será que a censura é mesmo algo que vai e que volta?
Vi algumas canhestras justificativas do fechamento. Por isso, prossigo, observando que:
a) Ninguém foi obrigado a visitá-la, iria quem quisesse, quem não estivesse a fim, que fosse a outro lugar;
b) Por isso, os argumentos – “argumentos”… – dessa gente implicam, necessariamente, a volta da censura, de alguém a resolver o que podemos ver e frequentar no cinema, teatro, que livros podemos ler etc.
c) Como todos sabem, é gigantesca a fila de obras proibidas e que causaram escândalo em um dado momento, porém reabilitadas mais tarde. As flores do mal de Baudelaire, inclusive. Eu vi o documentário sobre a mostra “Entartete kunst”, “arte degenerada”, promovida por Hitler. Os artistas expostos à execração, os dadaístas, cubistas, expressionistas, surrealistas, os Otto DixErich HeckelOskar KokoschkaFranz MarcEmil Nolde, figuram nos compêndios de História da Arte. Os artistas bons, saudáveis, na ótica totalitária, reaparecem eventualmente como exemplo de mau gosto. É bom lembrar que soviéticos fizeram a mesma coisa, ao imporem o “realismo socialista” como norma.
d) De todo modo, é inútil argumentar com essa gente. Determinados conteúdos os excitam. Terapia, quem sabe: trancá-los numa sala e obriga-los a assistir ao documentário sobre as fotografias de Robert Mapplethorpe? A Salò de Pasolini? Os dois volumes de Ninfomaníaca de Lars von Trier? Material educativo, que pode ajudar a esclarecê-los, felizmente não falta, hoje em dia – e isso torna ainda mais dissonante o que ocorreu em Porto Alegre.
Meio digital está aí – façamos que imagens e obras dessa mostra circulem. É a melhor resposta. Mostra inclui obras de Lygia Clark, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Clóvis Graciano, Fabio Del Re, Flávio Cerqueira, Gilberto Perin, Sandro Ka, Yuri Firmesa e Leonilson – entre outros notáveis pervertidos.

LANÇAMENTO DE UMA NOVA COLEÇÃO DE ENSAIOS E COLETÂNEAS DE POESIA

Quando: dia 15 de setembro, sexta feira, das 19 às 21 h.

Onde: Casa das Rosas: Av. Paulista, 37 – São Paulo – SP

Escrevi sobre três excelentes poetas: Celso de Alencar, Eunice Arruda e Péricles Prade. Complementam os ensaios poemas que escolhi

Iniciativa – mais uma – de Valdir Rocha, o artista plástico e amigo de poetas, artistas e apreciadores da poesia e das artes, criador dos selos editoriais Pantemporâneo e Quaisquer . São dele as capas exibidas aqui.

Abrindo, direi algo. Celso de Alencar, Eunice Arruda e Péricles Prade terão poemas lidos. Eunice nos deixou recentemente. Celso e Péricles estarão presentes.

Será um belo encontro. Venham.