A palestra sobre surrealismo e cinema

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Falarei – e mostrarei imagens – encerrando – ‘coroando’, gostaram do chavão? – o ciclo ‘Navalha no olho – o exercício do olhar no cinema surrealista’ que preparamos, Carlos Gabriel Pegoraro e eu. No Centro Cultural São Paulo, sala Lima Barreto, amanhã, sexta feira, às 19h10.

Precede nova exibição de ‘A idade do ouro’, ‘Um cão Andaluz’ e ‘A bela da tarde’ de Buñuel. Tratarei – e do restante, também A foto é da homenagem a Buñuel, com outros diretores- seu admirador especial Alfred Hitchcock (comentarei), Billy Wilder, George Stevens, William Wyler, George Cukor, Robert Wise e outros, inclusive seu roteirista Carrière e o produtor Silverman – quando ‘O discreto charme da burguesia’ ganhou o Oscar em 1972. John Ford também compareceu, mas, doente, saiu antes, levado pelo enfermeiro.

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Mais sobre surrealismo e cinema: Malpertuis

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Quem puder, vá assistir a Malpertuis no CCSP amanhã – terça – às 15 h. Achei incrível rever – cresceu com o tempo. Estranho não se falar nesse filme.

Mais sobre surrealismo e cinema

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Ontem – sexta feira dia 6 – fui ao Centro Cultural e revi um dos meus Buñuel prediletos, ‘A Via Láctea – O estranho caminho de Santiago’. Tratarei, na minha palestra dia 13. O conhecimento – junto com Jean-Claude Carrière, o roteirista, autor de um livro sobre Simão o Mago – das heresias e debates no âmbito do cristianismo. Passa de novo na quinta feira dia 12 às 15 h (vejam programação no post precedente) e é fácil de achar.

Amanhã – domingo – às 17 h. retorno ao Centro Cultural para rever o misteriosíssimo Malpertuis – esse, nós estamos resgatando, há décadas que não circula.

 

 

 

 

 

 

 

Surrealismo e cinema: mostra de filmes e palestra

Buñuel

Sobre a mostra Navalha no Olho – o exercício do olhar no cinema surrealista, informa o Centro Cultural São Paulo:

Esta mostra busca encontrar nos mais diversos estilos os aspectos mais profundos do surrealismo. Contará com a colaboração na curadoria de Claudio Willer (poeta, ensaísta e tradutor, ligado à criação literária mais rebelde e ao surrealismo) e com sua palestra gratuita no dia 13/4, sexta, às 19h10.

Sala Lima Barreto (99 lugares). R$2,00 – a bilheteria será aberta uma hora antes da primeira sessão do dia (consulte a programação completa das duas salas de cinema do CCSP no site circuito Spcine)

PROGRAMAÇÃO

dia 6/4 – sexta: 15h15 O expresso de Shanghai de Joseph von Sternberg; 17h Via Láctea ou O estranho caminho de São Tiago de Luis Buñuel: 19h Cidade dos sonhos – Mulholland Drive de David Lynch.

dia 7/4 – sábado: 15h  Pandemônio – Hellzapoppin’ de H. C. Potter; 17h A idade do ouro – L’Âge d’Or e Um cão andaluz, Um Chien Andalou de Luis Buñuel; 19h30 A bela da tarde – Belle du Jour de Buñuel;

dia 8/4 – domingo: 15h30 O expresso de Shanghai; 17h Malpertuis de Harry Kümel; 19h30 Poesia sem fim de Alejandro Jodorowsky;

dia 10/4 – terça: 15h30 Pandemônio; 17h Amor sem fim de Amor sem fim, Peter Ibbetson, de Henry Hathaway; 19h Cidade dos sonhos

dia 11/4 – quarta: 15h Malpertuis; 17h Veludo azul de David Lynch; 19h30 Poesia sem fim

dia 12/4 – quinta: 15h Via Láctea ou O estranho caminho de São Tiago; 17h30 Amor sem fim; 19h30 Veludo azul

dia 13/4 – sexta: 15h A idade do ouro + Um cão andaluz; 17h15 A bela da tarde
19h10 Palestra com Claudio Willer

As sinopses e fichas técnicas estão aqui: http://centrocultural.sp.gov.br/site/eventos/evento/navalha-no-olho/

MEUS COMENTÁRIOS: Cinema é arte surrealista, e essa mostra poderia ser infinita. Só de Buñuel, poderiam ser uns dez filmes. Fizemos, Carlos Gabriel Pegoraro e eu, a programação possível, levando em conta a disponibilidade das cópias e de tempo, e o exame dos vários modos de olhar para o cinema, a partir do surrealismo. Além do mais evidente – L’Âge d’Or etc – adicionamos algumas raridades, como o estranho Malpertuis de Harry Kümel e Pandemônio – Hellzapoppin’ de H. C. Potter. Ambos, quem me chamou a atenção para eles foi Raul Fiker, cinéfilo voraz (assíduo nas exibições do Goethe e do MASP há algumas décadas) – . Hellzapoppin’, ele chegou a programar em um ciclo sobre surrealismo que coordenou na UNESP de Araraquara. Presto, assim, uma oblíqua homenagem ao amigo recentemente desaparecido. Ainda sobre Hellzapoppin’, caberiam outras comédias de escracho – Irmãos Marx, é claro, ou o melhor Jerry Lewis de O Mensageiro, The Bellboy. Mas vem sendo exibidas com frequência na TV a cabo. EM TEMPO: Nas sinopses, os dois protagonistas de Amor sem fim, Peter Ibbetson, de Henry Hathaway se encontrarem no Além é por conta da distribuidora, suponho – essa categoria, Além, é inteiramente estranha a André Breton, que amava esse filme. Exporei os motivos, em minha palestra.

Há uma entrevista comigo que certamente o Centro Cultural São Paulo divulgará, mas da qual reproduzo desde já os trechos iniciais:

  1. Quais são as principais características do cinema surrealista? R. Não há uma “forma” ou estilo surrealista. A relação é bilateral, o surrealismo está na obra e na sensibilidade de quem a aprecia. No entanto, posso destacar a dimensão onírica, a afinidade com o sonho. Filmes de cinema, mesmo os que narram uma história no modo discursivo, com histórias que têm começo, meio e fim, têm algo de sonhos projetados em uma tela. Como já foi dito (por Ado Kirou entre outros), cinema é arte surrealista. Enxergamos mais do valor de O expresso de Xangai de Von Sternberg, inclusive o modo como driblou a censura, a partir de uma sensibilidade aguçada pelo surrealismo. Carlão Reichenbach sabia disso, por isso batizou sua obra mais onírica de Filmedemência, anagrama de Filme de cinema. Lembro que um filme preferido por Breton, colocado por ele no mesmo plano que L’Âge d’Or de Buñuel, foi Peter Ibbetson (Amor sem Fim), de 1935, dirigido por Henry Hathaway e estrelado por Gary Cooper e Ann Harding. A história de um homem e uma mulher que se amam desde a infância. Ele é pobre. Ela foi destinada a outro pelo pai. O apaixonado, por acidente, mata esse pai, que o atacava. Vai preso. Na prisão, é espancado, quebram-lhe a coluna. Imobilizado, espera a morte. Mas sonha. Em seus sonhos, encontra a amada. Essa também sonha – e também o encontra. Ambos sonham o mesmo sonho, de modo sincrônico. Vivem por anos a fio, vão envelhecendo, sustentados pelos sonhos, realização do que a sociedade patriarcal e autoritária lhes negou. Dramalhão? Para Breton, a celebração do amor romântico, absoluto, sem limites: ganhou seu entusiasmo pela fusão de realidade e sonho, tópico surrealista por excelência.  )P. Qual o desafio que esse cinema, como um “exercício do olhar”, propõe ao espectador? R. Em Nadja, a narrativa de Breton que é uma das portas de entrada no surrealismo, há um trecho sobre o “sistema que consiste em jamais consultar o programa antes de entrar num cinema”. Nele, a lembrança do oitavo e último episódio de um filme em série “no qual um chinês, que havia encontrado não sei que meio de se multiplicar, invadia Nova York sozinho, com alguns milhões de exemplares de si mesmo”. É Les Empreintes de la Pieuvre(Os rastros do polvo). Nunca mais alguém lembraria Les Empreintes de la Pieuvre, se Breton não o houvesse comentado, valorizando justamente o que o filme tem de absurdo, de manifestação da imaginação desenfreada.

Há mais em uma série minha sobre surrealismo e cinema, publicada na revista Reserva Cultural e subsequentemente reproduzida aqui: http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/330 e http://www.tertuliaonline.com.br/postagem/ver/326

O filme ‘Árvores vermelhas’, ‘Resd trees’:

Red Trees

História do meu tio, Vilém Willer, judeu perseguido na então Tchecoslováquia, que escapou por pouco, e do meu primo Alfred – vieram para cá em 1947. Minha avó ficou, morreu de tifo no campo de Teresin (o mesmo em que morreu o poeta Robert Desnos, também de tifo) Dirigido pela filha de Alfred, Marina Willer, produzido pelo irmão Marcelo Renaux Willer – ambos, portanto, também meus primos.

O filme é uma beleza, assisti na pré estreia. Mostra como era a vida naquele tempo e naquelas circunstâncias, de um modo muito sóbrio, preciso, com imagens arrebatadoras. O terrível não suprime o valor estético. Sendo uma história que conheço, tenho como avaliar, acho. Na abertura, Marcelo disse algo sobre sua atualidade, diante do recrudescimento de racismos, negacionismos, ódios e tal.

Vão ver.

 

Nova palestra sobre Alfred Jarry, o Doutor Faustroll e a Patafísica

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O ETERNO VOO DE DR. FAUSTROLL NA CLAREZA OBSCURA DO AR

QUANDO: Dia 1º de abril, domingo – sim…! Em pleno dia universal da mentira e domingo de Páscoa…! – das 16 às 18 h.

ONDE: Cia. Corpos Nômades, Rua Augusta 325, São Paulo. 01305-000

Evento no Facebook; https://www.facebook.com/events/351575682013560/

Alfred Jarry celebrizou-se como criador de Ubu Rei – mas sua obra e sua contribuição são gigantescas. Em sua vida breve (1873-1907), criou desenfreadamente. Primeiro a efetivamente entender Lautréamont (também encenado com especial carinho pela Cia. Corpos Nômades), foi o grande precursor e iniciador das vanguardas, dadaísmo e surrealismo. Já está tudo lá, nos três volumes de obra completa totalizam mais de 3.000 páginas pela coleção Pléiade da Gallimard. Direi algo sobre Patafísica, a arte das soluções imaginárias, sobre as antecipações científicas visionárias no Faustroll, e também sobre as versões de Ubu, Os dias e as noites, O supermacho e outras de suas criações. Principalmente, sobre a tentativa de síntese de conhecimentos tradicionais, herméticos, e a ciência mais avançada, e a espantosa fusão de criação e vida a que procedeu, levando-o a tornar-se personagem de si mesmo. Na foto, Jarry e sua inseparável bicicleta.

INFORMA A CIA. CORPOS NÔMADES: Claudio Willer falará sobre Alfred Jarry e sua obra. Esta atividade está conectada ao tema do novo espetáculo da Cia. Corpos Nômades “O Eterno Voo de Dr. Faustroll na Clareza Obscura do Ar – Uma Navegação no Bingo da Sociedade Secreta da Patafísica”, inspirado no mito de Fausto e no texto de Alfred Jarry – Gestas e Opiniões do Doutor Faustroll, Pataphysico – Romance Neoscientifico, traduzido por Eclair Almeida. Nesta obra Jarry traça um universo rico e eclético de referencias à arte, à ciência, à patafisica e ao imaginário da existência e da alma humana e a superfície de Deus.

Os participantes desta palestra ganharão 01 ingresso para assistir ao espetáculo “O Eterno Voo de Dr. Faustroll na Clareza Obscura do Ar” do dia 1º de abril (domingo) às 19h30 que acontece no próprio Espaço O LUGAR.

Inscrições: encaminhar um e-mail com o assunto do evento, com um carta de interesse para o e-mail: ciacorposnomades@gmail.com Até o dia 31/03/2018.

POESIA E CIDADE NO SESC BELENZINHO

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quando: Dia 20 de março, terça feira, das 19 às 21 h. SESC Belemzinho,

onde: R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo – SP, 03303-000, Fone (11) 2076-9700

Convidado por Caco Pontes, eu me apresentarei no ciclo Musa Cidade, com  uma panorâmica das relações entre poetas e metrópoles modernas, desde William Blake (sim, nisso ele também foi precursor) e o indispensável Baudelaire até contemporâneos como Roberto Piva.

Informa o SESC Belenzinho:

LITERATURA

Práxys Poétika: Musa Cidade COM CACO PONTES E CONVIDADOS

A oficina tem como principal abordagem a performance poética contemporânea, nos aspectos sonoros, vocais e corporais, contando também com exercícios de criação literária para levantamento de material. Diversas referências são pesquisadas através de textos, vídeos e áudios no decorrer dos encontros, com o objetivo de provocar a percepção estética, senso crítico, além de estimular o desenvolvimento rítmico e fonético. A temática central desta edição será pautada na relação poética com a cidade de São Paulo, passando por conteúdos clássicos, contemporâneos, além de receber convidados e convidadas especiais, oferecendo experimentos nas diferentes áreas e linguagens que serão investigadas ao longo da oficina.

Participações:

20/3 – Claudio Willer
27/3 – Sandra-X
03/4 – Claudia Schapira
10/4 – Caleb Mascarenhas
CACO PONTES é poeta e multiartista. Autor dos livros ‘O incrível acordo entre o silêncio & o alter ego’ (2008), ‘Sensacionalíssimo’ (2013), ‘Sociedade Vertical’ (2014) e co-autor de “Varal de Poemas” (2010), antologia publicada em Barcelona, com traduções de seus poemas para espanhol e catalão. Participou como convidado de mostras e festivais como Flip, Balada Literária, Bienal do Livro de SP, Feira do Livro de Buenos Aires, Feira do Livro de Guadalajara e Primavera do Livro do Chile. Sócio-fundador da plataforma de produção criativa Panaméricas Diásporas, idealizador dos projetos Baião de Spokens, Verso Móvel Sound System, Cordelíricos e integrante do grupo Stereotupi. Tem composições em parceria com Alice Ruiz, Gustavo Galo e Jonathan Silva.
Local: Sala de Oficinas 3