Palestra sobre Alfred Jarry, autor do Gestas e Opiniões do Doutor Faustroll, Pataphysico

Quando: sábado, dia 9 de dezembro, das 17h às 19h

Onde: Espaço Cênico O Lugar, sede da Cia Corpos Nômades, Rua Augusta, 325 – Consolação – São Paulo – Reservas e informações – (11) 3237-3224 – ciacorposnomades@gmail.com Convênio com estacionamento na Rua Augusta, 108.

Programação da X MOSTRA LUGAR NÔMADE DE DANÇA 2017.Mais em http://www.ciacorposnomades.art.br/wordpress/?p=3695 Evento gratuito.

Sabem quando dei palestra sobre Alfred Jarry? Em 1985, convidado pela Cooperativa Paulista de Teatro, na preparação do Ubu Rei pela Cia. Ornitorrinco de Cacá Rosset. Voltei a tratar desse gênio, em artigos e capítulos de livros. Ubu tem importância especial, é claro. Mas Jarry é autor de milhares de páginas: as versões de Ubu, de Ubu Rei a Ubu acorrentado (a história de Ubu Rei, ao contrário. aplicando o princípio hermético de cada coisa conter seu contrário), as poesias, Les minutes de sable mémorial, a primeira narrativa em prosa, Haldernablou, e Le sûrmale (O supermacho), O Amor Absoluto, história de um amor incestuoso entre o Cristo e a Virgem Maria; César Anticristo, afirmação de Nero como salvador, invertendo o Apocalipse cristão; Messalina, que vê a grande prostituta como santa; L’autre Alceste, narrativa de um sincretismo extremo.

Doutor Faustroll —Gestas e Opiniões do Doutor Faustroll, Pataphysico – — Romance Neoscientifico, na tradução de Eclair Antonio Almeida Filho e Odulia Capello, é sua obra mais autobiográfica. Vale como declaração de princípios; junto com Os dias e as noites, relato satírico de como prestou serviço militar. Expõe sua visão do mundo; apresenta a Patafísica, ciência dos epifenômenos, “arte das soluções imaginárias”. Viajar em um barco que inventou, acompanhado por um criado, o “Grande Macaco Papião Bossa-de-Nado”. Fascinado pela ciência, além de estudioso de hermetismo e ocultismo, projeta noções de física atômica e eletromagnetismo no mundo de múltiplas dimensões que percorre nessa viagem, antecipando as representações do Universo e do mundo sub-atômico que viriam através da contribuição dos Einstein, Max Plank e Heisenberg.

Antecipando o que pretendo apresentar, dois comentários sobre Jarry. Do ensaísta Roger Shattuck, em The Banket Years, The Origins of the avant-garde in France:

Aquilo que distingue Jarry de toda uma tradição de visionários, de Plotino a Rimbaud, é, antes de tudo, haver tentado, chegando quase ao suicídio, atingir um grau novo de existência, através do mimetismo literário, de confusão entre vida e arte. […] Uma tal transformação pressupõe, como princípio absoluto, uma inteira liberdade do homem.

De André Breton, na Antologia do humor negro:

A literatura, a partir de Jarry, se desloca perigosamente em um terreno minado. O autor se impõe à margem de sua obra. […] Dizemos que a partir de Jarry, muito mais que de Wilde, a diferenciação entre vida e arte, tida por muito tempo como necessária, vai se encontrar contestada, para acabar sendo aniquilada em seu princípio.

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O melhor presente para meu aniversário de 77 anos: adquiram meus livros

mk-07-carro

A efeméride será este sábado, dia 02/12. 77 anos. Que cifra mais carregada de sentidos…. Duas vezes o arcano 7 do Tarô, A carruagem. Ou o hexagrama 7 do I Ching, O exército. Ambos, curiosamente, com o mesmo sentido, de avançar – apesar de serem originários de épocas e culturas tão diferentes. O Tarô ou Tarot, tal como o jogamos, foi criado por Aliette ou Eteilla, ocultista do século XVIII, informa-nos Alexandrian, porém baseado em jogos de cartas do Renascimento, por sua vez incorporando imagens do hermetismo de Alexandria. O I Ching é antiquíssimo, do século VI AC, época de Lao-Tsé e Confúcio (que o sistematizou), mas desenvolvendo jogos com varetas e marcas em cascos de tartarugas já existentes.

Com relação às minhas obras mais recentes, reproduzo a bela sugestão de compras de fim de ano de Valdir Rocha, artista plástico, editor, interlocutor e amigo de poetas:

Claudio Willer escreveu recentemente cinco ensaios, complementados com Pequenas Antologias, que foram publicados em cinco diferentes livros, com 48 páginas cada um, sobre a obra poética de Celso de AlencarEunice Arruda,Floriano MartinsMirian de Carvalho e Péricles Prade.
Os interessados nesses volumes poderão adquiri-los diretamente com Claudio Willer, dirigindo-lhe mensagem inbox.
Em tempo: as imagens reproduzidas em cada uma das capas são de minha autoria. 

Adiciono: cada livro está por R$ 20,00; meu editor pela Córrego, Gabriel Kolyniak, colabora nas vendas: ele está em https://www.facebook.com/editoracorrego/ ou (11) 99557-9293 ou  gkolyniak@gmail.com. Procurem-no, também tem exemplares dos meus A verdadeira história do século 20, que ele publicou, e Estranhas experiências.

Terminei um livro de crônicas intitulado Dias ácidos, noites lisérgicas. Começarei prospecção de editor. Quero escrever sobre Poesia e Xamanismo –  mas se houver subvenção.

Meus ensaios e seleções de poetas contemporâneos

Claudio Willer

Reproduzo a informação com a bela sugestão de compras de fim de ano de Valdir Rocha, artista plástico, editor, interlocutor e amigo de poetas:

Claudio Willer escreveu recentemente cinco ensaios, complementados com Pequenas Antologias, que foram publicados em cinco diferentes livros, com 48 páginas cada um, sobre a obra poética de Celso de AlencarEunice Arruda,Floriano MartinsMirian de Carvalho e Péricles Prade.
Os interessados nesses volumes poderão adquiri-los diretamente com Claudio Willer, dirigindo-lhe mensagem inbox.
Em tempo: as imagens reproduzidas em cada uma das capas são de minha autoria.

Adiciono:

cada livro está por R$ 20,00;

meu editor pela Córrego, Gabriel Kolyniak, colabora nas vendas: ele está em https://www.facebook.com/editoracorrego/ ou (11) 99557-9293 ou  gkolyniak@gmail.com – procurem-no, também tem exemplares dos meus A verdadeira história do século 20, que ele publicou, e Estranhas experiências;

nós (todos nós) estaremos hoje, sábado 18/11 na Casa das Rosas, na sessão evocativa de Eunice Arruda…

Ver o post original 20 mais palavras

O “HIPSTER”: SIGNIFICADOS, ORIGENS, ETIMOLOGIA

Havia postado no Facebook:

A mudança do sentido de “hipster”, de boêmio da pesada para alguém descolado, criador de moda: isso é coisa de jornalista brasileiro ou aconteceu antes lá, nos Estados Unidos? Mantive “hipster” – “hipsters com cabeça de anjo” – em minha tradução de Uivo de Ginsberg. Tenho algo sobre a etimologia / origem do termo. Acham que valeria a pena postar em meu blog?

Pergunta suscitou interesse. Transcrevo alguns comentários. Em seguida, até onde cheguei quanto à etimologia / origem do “hipster”.

ALGUNS COMENTÁRIOS:

Renata D’Elia: Veio antes dos gringos. Leia sobre o Brooklyn “hipster” de Nova York, Claudio Willer! São chamados de new hipsters. Rola até um padrão de barbas e de vestimentas.

Antonio Bivar: Aconteceu nos States, Claudio Willer, e corre mundo americanizado. Faz tempo, já.

Afonso Luz: Seria fundamental falares disso, pois começou com uma sociologia pouco cuidadosa de associar o “hipster” ao processo de “gentrification” da vida urbana, como se ele fosse o verdadeiro responsável pelos esquemas de operação financeira em áreas degradadas em que habita, quando na verdade há muito mais sob estas escolhas do que uma simples conveniência estética. Desde os anos 80 muitos dos empreendimentos imobiliários tentam transformar traços do experimentalismo em maneirismos decorativos das suas propostas comerciais, muito embora não sejam nunca de fato “hipster” e apenas uma sombra disso, como o art-deco já havia feito com o cubismo no início do século passado. E no Brasil isso ainda fica completamente deslocado, tanto de um lado como de outro, por conta de a gente também incorporar a crítica a esse processo de gentrificação de uma maneira também colonizada (e ressentida), sem que se tenha de fato uma construção reflexiva sobre ela, a ponto de “hipster” ter virado um xingamento da moda na boca daqueles que nem sabem do que estão falando.

Betty Vidigal, citando: “”Initially, hipsters were usually middle-class white youths seeking to emulate the lifestyle of the largely black jazz musicians they followed.”

Assis de Mello: Não deixe de postar, Willer!! Esse sentido de “hipster” atual macula a imagem tão temida, mas tão dadivosa, atribuída pela sociedade americana nas décadas de 50 e 60. Esse termo é para os beat e os hippie que ousaram tentar mudar o mundo para melhor. Kerouac, Ginsberg, Ken Kesey, Leary, e todos os outros, não merecem a sombra desses poodles de passarela de hoje.

Tito Martino: o termo vem da subcultura do Jazz anos 40 –Hipster or hepcat, as used in the 1940s, referred to aficionados of jazz, in particular bebop, which became popular in the early 1940s. The hipster adopted the lifestyle of the jazz musician, including some or all of the following: dress, slang, use of cannabis and other drugs, relaxed attitude, sarcastic humor, self-imposed poverty, and relaxed sexual codes.

Rodrigo Schaeffer: Convém lembrar que Kerouak fez uso do neologismo no clássico On the Road, onde ao elogiar o boêmio existencialista amante do jazz, viria a criar origem da palavra hippie, do hipster ou seja, algo como super, hiper… Lembro dessa mesma discussão ainda nos anos 80, antes da palavra ganhar status mainstream, onde revistas como cHiclete com Banana, do Angeli, trazia a tona a vanguarda passada a limpo no início da Abertura política na república das bananas. ..

ETIMOLOGIA / ORIGEM:

Em dicionários etimológicos, é observado que o exuberante blueseiro Cab Calloway (aprecio muitíssimo) havia utilizado a expressão “hepcat” nos anos de 1930. “Hipster” e “hip cat” viriam de “hepster”, palavra também misteriosa. Aliás, Kerouac vê um “hepcat” diante de sua janela, em Desolation Angels.

Mas eu tenho outra interpretação. Aliás, admitida por algum dos dicionários etimológicos que consultei há tempos. Seguinte: existe a “Hip flask”. Aquela garrafinha de bolso, achatada, contendo bebida alcoólica, preferencialmente uísque, de um tamanho que coubesse no bolso lateral do paletó – na altura do quadril, o “hip”. Muito usada por bebuns durante a Lei Seca, para encherem a cara discretamente. Portanto, vem dos anos de 1920 – a desastrosa proibição de comercializar bebida alcoólica, para satisfação de contrabandistas, destiladores clandestinos e mafiosos, durou de 1921 a 1933. Originariamente, “hip cat” seria, penso, quem trazia consigo a “hip flask”. “Hipster”, o doidão completo; e assim o termo estendeu-se para usuários de outras coisas e boêmios em geral.

Hippies? Aparecem em 1965/67. Crias dos beatniks e dos hipsters. Lembrando que a expressão “Beat Generation” foi criada por Jack Kerouac e John Clellon Holmes em 1948 – antes, os da turma tinham-se como “hipsters”.

No mais, concordo inteiramente com o que foi dito sobre a banalização do termo, agora desprovido do que tinha de transgressivo ou subversivo. Imaginem, os “angelheaded hipsters” de Ginsberg visualizados como barbudos descolados, instalando-se em “lofts” elegantes.

E, convenhamos, há caipiras! Fotos de uns agentes da PF conduzindo figurões para a cadeia – pela pinta de galãs, foram designados na matéria como “hipsters” … ! A que ponto chegamos … Estou chocado, escandalizado.

O melhor presente para meu aniversário de 77 anos: adquiram meus livros

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A efeméride será este sábado, dia 02/12. 77 anos. Que cifra mais carregada de sentidos…. Duas vezes o arcano 7 do Tarô, A carruagem. Ou o hexagrama 7 do I Ching, O exército. Ambos, curiosamente, com o mesmo sentido, de avançar.

Com relação às obras mais recentes, reproduzo a bela sugestão de compras de fim de ano de Valdir Rocha, artista plástico, editor, interlocutor e amigo de poetas:

Claudio Willer escreveu recentemente cinco ensaios, complementados com Pequenas Antologias, que foram publicados em cinco diferentes livros, com 48 páginas cada um, sobre a obra poética de Celso de AlencarEunice Arruda,Floriano MartinsMirian de Carvalho e Péricles Prade.
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Terminei um livro de crônicas intitulado Dias ácidos, noites lisérgicas. Começarei prospecção de editor. Quero escrever sobre Poesia e Xamanismo –  mas se houver subvenção.

 

 

 

Volto a falar sobre Jorge de Lima

Desta vez, sobre Poemas Negros, em uma programação do SESC-Osasco, intitulada Livros além da prova. Na foto, estou na Serra da Barriga, reduto de Zumbi dos Palmares – tirada na ocasião em que fui a União dos Palmares, Alagoas, e dei palestra sobre Jorge de Lima em sua cidade natal. Com os poetas Claufe Rodrigues, que organizou, e Mano Melo.

É oportuno examinar a defesa da diversidade cultural por Jorge de Lima; seu repúdio ao racismo e ao preconceito, entre outras de suas qualidades literárias e éticas. Dividirei a sessão com o ator / autor teatral Marco Antonio Garbelinni, que examinará Claro enigma de Carlos Drummond de Andrade. O problema dos que comparecerem não será, portanto, a falta de poesia de qualidade.

MAIS SOBRE A PROGRAMAÇÃO:

Quando: dia 14 de novembro, terça feira, às 19 h.

Onde: SESC-Osasco, à Avenida Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, Jardim das Flores – no Quiosque 4..

O que é: Encontros mediados com especialistas e artistas sobre obras selecionadas pelos vestibulares, direcionados a estudantes e demais interessados. Bate-papo sobre as temáticas comuns entre autores, obras e períodos históricos, mescladas a leituras dramatizadas e performáticas. Para além dos conteúdos pautados pelos vestibulares, contribuindo para uma discussão mais crítica e formativa sobre a importância dos livros selecionados no contexto literário internacional.

O Lírico e o Cotidiano em Jorge de Lima e Carlos Drummond de Andrade com MARCO ANTÔNIO GARBELINNI E CLAUDIO WILLER

Partindo das obras Claro Enigma e Poemas Negros, os convidados irão dialogar com as formas poéticas de relatar seu tempo.

Marco Antonio Garbelinni 
Formado pelo Instituto de Artes e Ciências – Curso Técnico de Ator (1997/2000). Pesquisa a transposição de obras literárias para o universo teatral desde 2000, quando iniciou o projeto “Anjo Torto” inspirado na obra poética de Carlos Drummond de Andrade. Apresentou-se no SESC – Pompéia (2003) no projeto “Cartas aos Amigos” da obra de Mario de Andrade, e poemas da Coletânea os 100 maiores poetas brasileiros do século – no projeto “Luzeiros” de sua autoria em 2006. Rios de Machado apresentou “O Alienista” da obra de Machado de Assis (2008/10) SESC pompéia e Santos –  Leitura de Contos de Machado no SESC Consolação (2008) – “Adonirando Causos e Canções” de Adoniran Barbosa – SESC carmo/pompéia (2009/10). Adaptou, Produziu e atuou nos espetáculos Anjo Torto de Carlos Drummond de Andrade (2000), Fala Comigo Doce Como a Chuva de Tennessee Williams (2005) e Na Cadeira com os Pés na Varanda (2007) premio PAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo – Querência (2008/9) –  “O Rascunho de um Rio” da obra de João Guimarães Rosa no Sesc Santos (2010)

Claudio Willer 
Poeta, ensaísta e tradutor com vários livros publicados – poesia, ensaios, narrativa em prosa e traduções – além de participações em antologias e periódicos, no Brasil e no exterior. Doutor em Letras pela USP com a tese Um Obscuro Encanto: Gnose, gnosticismo e a poesia moderna (em livro: Civilização Brasileira, 2010). Pós-doutorado na USP com o tema “Religiões Estranhas”, Misticismo e Poesia. Coordenou dezenas de oficinas de criação e rodas de leitura (para escritores, agentes culturais, professores e estudantes), além de haver ministrado cursos, conferências e ciclos de palestras em instituições como a USP (curso de Letras), UFSCar (São Carlos – curso de Letras), Biblioteca Alceu Amoroso Lima (Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo), Instituto Moreira Salles, Escola Livre de Literatura da Secretaria em Santo André, Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Criança de Barueri, Clube Paulistano, Museu da Língua Portuguesa.

Local: Quiosque 4
Retirada de senha com 15 minutos de antecedência no local. 30 vagas.

VAMOS APOIAR AS MOBILIZAÇÕES CONTRA A CENSURA, DIANTE DO RECRUDESCIMENTO DA BOÇALIDADE

Em 1982, eu era secretário geral da UBE e participei da formação de um Comitê conta a censura, junto com dirigentes de associações, artistas e intelectuais. Lembro-me que também estavam João Batista de Andrade, Ester Goes, Ligia de Paula, Sergio Mamberti, Glauco Pinto de Morais, entre outros.

Em 1988, eu presidia a UBE. Fiz parte de outro comitê, com a incansável Graça Berman e outros artistas, que foi a Brasília levar as propostas referentes á Cultura para a Assembleia Constituinte. Todas incorporadas à Constituição. Inclusive ou principalmente o fim da censura.

QUE COISA…! Décadas depois, ter que começar tudo de novo … !!!

Isso, porque grupos suspeitíssimos têm atacado manifestações artísticas. Querem revogar a garantia constitucional da liberdade de expressão, restaurando a censura.

É preciso que os setores sadios da sociedade reajam.

Este domingo, dia 8 – quando teria sido o encerramento do “Queermuseum” em Porto Alegre, não fosse a covardia da instituição patrocinadora – haverá duas manifestações importantes em São Paulo. Comparecerei a ambas.

Uma delas, “Vamos todos ao MAM”, será no Parque Ibirapuera, a partir das 13 h. Desagravo em face das agressões ao museu e da tentativa – mal sucedida – de encerrar a exposição “Brasil em multiplicação”, por causa da performance “La bête”, de Wagner Schwartz. Mais, nesta notícia: https://www.revistaforum.com.br/2017/10/02/milhares-prometem-ficar-nus-em-ato-em-frente-ao-museu-de-arte-moderna-de-sp/ .

A outra é o Festival da Arte Degenerada, a partir das 15 horas, na Rua Ana Cintra e imediações. A esta, não só comparecerei, mas lerei algo. Transcrevo o informe preparado pelos organizadores:

Festival da Arte Degenerada sai às ruas contra censura de obras e faz convocação de artistas para grande ato no centro de SP

Manifestação acontece no dia 08 de outubro, data em que se encerraria a exposição Queermuseu, censurada em Porto Alegre. Artistas e coletivos estão convidados a realizarem intervenções.

Uma grande manifestaçãono centro de São Paulo mobiliza grupos e coletivos de arte para a realização do Festival da Arte Degenerada, no próximo dia 08 de outubro, data em que se encerraria a exposição Queermuseu. O evento contará com apresentações artísticas e uma caminhada para ocupar o Minhocão. O objetivo do grupo é “realizar um ato político e poético para escangalhar o centro de São Paulo e promover a união da classe artística e da população em geral contra o discurso reacionário”.

O evento terá início às 15h com um sarau aberto no Espaço Cultural Kazuá (Rua Ana Cintra,26), no centro da cidade. Em seguida, o grupo caminha até o Minhocão em “um grande cortejo degenerado repleto de música e performances”. A manifestação retorna para a sede da Kazuá para um encerramento com apresentações musicais, peças de teatro e exposição de obras.

Entre as apresentações confirmadas estão: o bloco carnavalesco Agora Vai, o coletivo Usina da Alegria Planetária, o grupo de intervenções urbanas Cia. Cachorra, o projeto Animália e os performers Malayka SN, Xerxes, Elmir Mateus, Heron Sena e Rafael Zorzella. O escritor e ensaísta Claudio Willer também marca presença realizando leituras de poemas de Roberto Piva, poeta morto em 2010.

O protesto acontece após os recentes casos de censura a obras de arte como o fechamento da exposição Queermuseu em Porto Alegre, a retirada do quadro “Pedofilia” de Alessandra Cunha do Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso e a proibição na Justiça da encenação da peça “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu” no SESC de Jundiaí.

Na última semana, uma nova tentativa de interdição artística atingiu os realizadores da performance “La Bête”, que está em cartaz no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo.Grupos de extrema-direita na internet passaram a divulgar um vídeo em que uma criança acompanhava a performance, que consiste na livre interação do público com o artista, completamente nu. Algumas pessoas chegaram a se reunir em frente ao museu no sábado, agredindo funcionários e tentando, sem sucesso,impedir a performance.

A ideia da manifestação surgiu a partir da mobilização da Editora Kazuá com os grupos Usina da Alegria Planetária, Cia. Cachorra e o bloco Agora Vai, que convocam todos os coletivos e grupos de teatro, música, dança, literatura, artes plásticas e visuais para se juntarem ao ato e montarem apresentações, performances e exposições durante todo o dia. Os interessados podem enviar uma mensagem para o email: comunicacao@editorakazua.com.br

A manifestação já possui evento no Facebook, onde será possível conferir os coletivos e artistas que irão se apresentar, assim que for montada a programação.O termo “arte degenerada” é uma referência à censura promovida pelo regime nazista às obras de arte consideradas subversivas na Alemanha.

Link para o evento no Facebook: https://goo.gl/pJkzLF

Vídeo-teaser: https://goo.gl/t6HRu6

Mais informações:

Evandro Rhoden(11 98020 – 9848)

Thiago Gabriel (11 95066-1900)

comunicacao@editorakazua.com.br