A propósito da Biblioteca de Roberto Piva, uma consulta

Vejam 

Gabriel Rath Kolyniak alerta que, para manter-se, a Biblioteca de Roberto Piva precisa de recursos: “[…] abril é um mês crítico para nosso projeto. O dinheiro arrecadado com o crowdfunding foi suficiente para apenas pagar alguns meses de aluguel adiantadamente. Passado abril, precisamos encontrar uma solução para manter a Biblioteca onde ela está.” Lembrando, fica à Avenida São João, 108, sala 24, perto do metrô São Bento. Mais em https://www.facebook.com/bibliotecarobertopiva/?pnref=story Vejam também: https://bibliotecarobertopiva.wordpress.com/contact/

Proponho-me – depois de conversar com Gabriel – a dar cursos, destinando metade do arrecadado para a Biblioteca. Recentemente, no teatro da Cia. Corpos Nômades – O Lugar, tivemos Xamanismo e Poesia, com bons resultados: cobramos R$ 30,00 por aula, com direito a meia para quem pagasse pelo curso todo. Valores seriam esses. Mas eu quero saber quais temas suscitam maior interesse. Só não darei oficina de criação literária, por motivos éticos: comecei uma, agora, também cobrando mensalidade, no EdArt, e não concorro comigo mesmo.

Os temas possíveis de cursos – informem quais preferem no espaço para comentários deste blog ou no Facebook, onde isto também aparecerá :

ROBERTO PIVA: POESIA E POÉTICA: quatro aulas, duração de duas horas cada, incluindo a contribuição de teses, dissertações e ensaios tratando dele, além de publicações recentes como a biografia-reportagem Os dentes da memória, a coletânea de entrevistas e a nova antologia, todas lançadas pela Azougue, e o volume de inéditos Antropofagias e outros escritos, pela Córrego.

XAMANISMO E POESIA: também quatro aulas; basicamente, o curso que acabei de dar na Cia. Corpos Nômades – O Lugar, e que suscitou interesse.

SURREALISMO: UMA POÉTICA DO DELÍRIO, com oito aulas, versão atualizada do que apresentei há dois anos na Unicamp e na Cia. Corpos Nômades – O Lugar, tratando de poesia, artes visuais, cinema, objetos, espaços urbanos e arquitetura, acaso objetivo e demais tópicos relevantes.

UMA INTRODUÇÃO À LEITURA DE JACK KEROUAC: três aulas, mostrando a complexidade da obra do criador do termo Geração Beat, sugerindo interpretações e roteiros de leitura. Nas três palestras na mostra de cinema Geração Beat, que atraíram mais de cem pessoas (público excedeu, faltou lugar), ficou claro para mim que sobrava assunto, que caberiam mais palestras

ALLEN GINSBERG E A GERAÇÃO BEAT: três aulas, examinando- como poeta, pensador político e personagem relevante do século 20 – nestes dois tópicos, Ginsberg Kerouac, tenho acréscimos e novidades com relação aos livros e artigos que já publiquei.

POESIA E CIDADES – de William Blake, Gérad de Nerval e Baudelaire até os contemporâneos: seis aulas. Ministrei esse curso por duas vezes, em 2008, e obviamente tenho novidades.

Consulto também sobre datas e horários: sextas feiras à noite, tipo 19h30 às 21h30? Ou sábados no fim da tarde, por volta das 18 hs?

20 anos sem Allen Ginsberg (3 de junho de 1926 – 5 de abril de 1997)

De um artigo de Mikal Gilmore publicado na Rolling Stone de maio de 1997 e reproduzido no substancioso compêndio The Rolling Stones Book of the Beats: “A uma dada altura em sua última semana de vida, ele [Ginsberg] cantou acompanhando uma gravação de “C. C. Rider” pela vocalista de blues da década de 1920 Ma Rainey – a primeira voz de que Ginsberg se lembrava de ouvir quando criança.” Em seu necrológio para Naomi Ginsberg, sua mãe morta em um hospício, pôs este verso “com teus olhos de Ma Rainey morrendo numa ambulância”. Tratei, em uma palestra recente, do significado dos blues para a poesia de Ginsberg. Seu modo de ler poemas, achava-o parecido com um “kantor” de sinagoga; mas Ginsberg esclareceu, em uma entrevista para Harvey R. Kubernik, também na Rolling Stone: “… eu cresci com os blues, Ma Rainey e Leadbelly. Ouvi-os ao vivo na estação de rádio WNYC, no final dos anos trinta e começo dos quarenta. Há algo de uma relação do canto hebraico com os blues que eu sempre tive.” Em outro trecho, comenta que Frank Sinatra havia aprendido seu modo de expressar-se, de dizer as palavras das músicas, com os negros. Pela mesma razão, suponho, Kerouac estava nas filas de fãs para assistir a shows de Sinatra em 1939, antes de conhecer Ginsberg e os demais beats.

Quero voltar a tratar disso em palestras, mostrando algo da contribuição dos negros americanos, com os quais Ginsberg, Kerouac e outros beats se solidarizavam e se identificavam. Associar aos rumos que a poesia de Ginsberg tomou depois dos poemas de alto impacto como “Uivo”, “América” e “Kaddish”, e suas parcerias com músicos (Bob Dylan, Paul McCartney em Dance of Skeletons, The Clash etc).

Também do artigo de Gilmore: “Mais que qualquer outra coisa, contudo, Ginsberg foi alguém que convocou a bravura para dizer verdades escondidas sobre coisas de que não se falava, e algumas pessoas ganharam consolo e coragem de seu exemplo. Esse exemplo – a insistência em que ele não iria simplesmente calar a boca e de que não se deveriam aceitar valores e experiências delimitadas – talvez seja o maior presente de Ginsberg para nós.”

Fiz uma seleta de posts sobre Ginsberg já publicados aqui:

Minha tradução de “Kral Majales”, seu poema sobre a expulsão da Tchecoslováquia em 1965, com observações sobre sua religiosidade plural, não-institucional: https://claudiowiller.wordpress.com/2012/04/08/um-poema-de-ginsberg/

Um dos meus posts mais visitados é “Allen Ginsberg para homofóbicos”, com a tradução de “Please master”, “Por favor meu amo”, por Paulo Henriques Brito, publicado em A queda da América (L&PM): https://claudiowiller.wordpress.com/2015/06/05/allen-ginsberg-para-homofobicos-um-poema-edificante-e-instrutivo/

Pdf de cartas d Ginsberg, incluindo instruções importantes para minha tradução: https://claudiowiller.wordpress.com/2014/06/09/mais-paginas-de-cfartas-de-allen-ginsberg/

A comparação do trecho de “Kaddish” com “Union libre” de Breton, sugerida por Barry Miles: https://claudiowiller.wordpress.com/2014/06/03/kaddish-de-allen-ginsberg-1926-1997/

Reproduzo trecho do meu post de 2011, sobre sua lucidez e capacidade de antecipação:

“A exaltação mística e o ímpeto messiânico de Ginsberg coexistiram com um pensamento político articulado e atento aos detalhes. A passagem de algumas décadas confere valor adicional a suas declarações e manifestações. Isso, pelas tomadas de posição que o projetaram como liderança na mobilização contra o militarismo norte-americano e a intervenção no Vietnã, e por críticas como aquela ao regime cubano, então precursoras e atualmente óbvias, em tópicos como a perseguição de homossexuais e repressão à “santeria”. E por precisas análises pontuais. Por exemplo, em sua palestra sobre Ezra Pound, “Poetic Breath, and Pound’s Usura”, de 1971, publicada em Allen Verbatim. Após discorrer sobre prosódia, ritmo e respiração em poemas de Charles Olson e William Carlos Williams, detém-se nos famosos versos sobre a usura do Canto XLV dos Cantos de Pound. Mostrando a musicalidade de um verso como “Azure hath a canker by usura”; comenta o modo como o próprio Pound lia esses versos; observa a escolha de “with usura the line grows thick” em vez de “with usura the line gets thick”, argumentando que em Pound o som tinha sentido e cada vogal tem “substancialidade”. Finalmente, levando em conta esses valores sonoros, caracteriza o Canto XLV como um “grande exorcismo da usura” e contextualiza, denunciando a privatização e controle do dinheiro por bancos, que por sua vez se tornam credores dos governos:

Assim, o que Pound está observando é que todo o sistema monetário, o sistema bancário, é uma alucinação, e ele está explicando a estrutura dessa alucinação e retroagindo historicamente, porque a estrutura muda em cada era da reforma bancária. […] A questão é que a franquia é comprada por um grupo de monopolistas privados; daí em diante eles possuem o negócio bancário, nesse sentido, pois pagaram um milhão ao governo e tem um milhão em seus porões, e subitamente, no papel, possuem dezoito milhões a mais do que o capital inicial.

Nem é preciso insistir na pertinência dessa análise; o quanto se aplica à crise econômica em curso, decorrente da condução de políticas econômicas por bancos e da especulação desenfreada. Poderia constar em artigos escritos de 2008 até hoje.

Outro exemplo da sintonia fina em análises políticas está em Indian Journals, o diário de sua estada na Índia por mais de um ano, de março de 1962 a maio de 1963. No meio de poemas, reflexões sobre criação poética, registros de leituras, relatos de alucinações e efeitos de drogas, descrições do que via no período em que, junto com Peter Orlowski, levou vida de saddhu, monge mendicante, acrescentou um recorte de jornal. É um artigo intitulado “A classe privilegiada”, denunciando que “1% dos lares do país possuem nada menos que 75% dos bens privados”. Assim argumentou que a estatização, a economia fechada e o monopólio bancário geram corrupção e acentuam a concentração de renda – também algo evidente hoje, à luz das melhoras do quadro econômico daquele país.

Ainda sobre os bons insights políticos de Ginsberg, seu exame, também precursor, do tema das drogas, tal como exposto na série de palestras-diálogos de Allen Verbatim intitulada “Political Opium” (ópio político). Nelas, ao caracterizar o tráfico de drogas como flagelo urbano, argumentou tratar-se de resultado da proibição . Focalizou especialmente o Harrison Act de 1920, que baniu o ópio e derivados, e criminalizou seus usuários – invariavelmente, conduzindo à colaboração entre policiais e crime organizado, além de desviar recursos do que realmente interessaria, pesquisas e políticas de saúde pública em favor de viciados, obrigando-os a ter nos traficantes seus únicos interlocutores.

Apontar economias fechadas e burocratização como fonte de corrupção; proclamar que a transferência das decisões de política econômica para os bancos levaria ao desastre; insistir em que a criminalização do uso de drogas fortalece o crime organizado; tomar a defesa da diversidade sexual e cultural como crítica ao ‘socialismo real’: aí estão tópicos de uma agenda que deixou de ser exclusiva de seguidores ou continuadores da Geração Beat. No entanto, Ginsberg formulou esse tipo de crítica em 1962 (relativamente às economias fechadas), 1965 (sobre Cuba), 1970 (contra a criminalização de drogados) e 1971 (sobre os bancos e a especulação financeira). Pode-se, por isso, caracterizá-lo como um lúcido analista político.

Em outras intervenções, Ginsberg foi igualmente precursor, nas manifestações pacifistas, na defesa incondicional da liberdade de expressão, do multiculturalismo, da tolerância e respeito à diferença.

Tudo isso, hoje em dia, é agenda de setores amplos da sociedade e de um diversificado elenco de personalidades públicas; mas eram temas minoritários, alguns vistos como excêntricos, quando apresentados por Ginsberg; e também, em inúmeras ocasiões, por McClure, Ferlinghetti, Snyder, Di Prima, Waldman e outros beats.

O registro dessas manifestações corrige um estereótipo relativo ao místico, como alguém isolado e alheio ao mundo. Passar metade do ano recluso, em meditação (na época em que o traduzi), e a outra metade dedicando-se a uma intensa atuação pública chega a ser uma metáfora da harmonia desses dois campos, misticismo e política.”

VENDA PROMOCIONAL DE “ESTRANHAS EXPERIÊNCIAS”

Oferta prossegue, pois ainda há exemplares.

Claudio Willer

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Conforme já informado em meu blog, é o livro de poesia lançado em 2004. Final de tiragem –foi grande, próxima a 2.000 exemplares. Por isso, ainda há alguns. Com 142 páginas, inclui poemas dos livros anteriores.

Pode ser adquirido a R$ 15,00, frete incluído, nos seguintes locais:

  1. Loplop Livros de Alex Januário, diretamente em seu blog. O acesso à Loplop livros: http://loploplivros.blogspot.com.br/ Para quem mora no entorno da Zona Oeste de São Paulo, ele entrega a domicílio (é ágil). Informações adicionais: Loplop livros edições loploplivros@gmail.com , Avenida Professor Alfonso Bovero 1119, sobreloja, Sumaré / Pompéia, São Paulo, CEP 05019-01, tel. (11) 3862-7268 (lembrando, Loplop é a criatura criada pelo surrealista Max Ernst, presente em colagens e quadros)
  2. Estante Virtual: https://www.estantevirtual.com.br/loploplivros/Claudio-Willer-Estranhas-Experiencias-363678877
  3. Livraria virtual da editora Córrego de Gabriel Kolyniak: http://www.editoracorrego.com.br/produto/214751/estranhas-experiencias-de-claudio-willer

Está, nos dois pontos, Loplop e Córrego, em companhia de A verdadeira história do século 20, meu livro de…

Ver o post original 589 mais palavras

Estarei lá, neste sarau

Na próxima terça feira, a partir das 20h30 h, iniciativa de meu amigo Benedito Bergamo e outros apreciadores da poesia. Estarei neste encontro, assim retornando à Praça Roosevelt, lerei e direi algo e trarei exemplares de A verdadeira história do século 20.

Também autografarei meu livro durante a palestra sobre Allen Ginsberg em Ribeirão Preto

A verdadeira história do século 20, meu livro mais recente de poesia, lançado ano passado:

O preço do exemplar é R$ 30,00.

A palestra será este sábado, às 11h00 no SESC de Ribeirão Preto, conforme as informações aqui:

https://claudiowiller.wordpress.com/2017/03/20/nova-palestra-allen-ginsberg-e-a-geracao-beat-em-ribeirao-preto/

Agradeço avisarem interessados. Até lá.

 

 

Nova palestra: Jack Kerouac e a Geração Beat, um guia de leitura

Quando: Na próxima quinta feira, 30 de março às 19h30 até as 21h30

Onde: EdLab – Editora Hedra: Rua Fradique Coutinho, 1139, Vila Madalena – São Paulo – SP. Fone 11 3097-8304 / e-mail: edlab@hedra.com.br.

Inscrições: R$ 10,00

Informam os organizadores: O poeta, ensaísta e tradutor CLAUDIO WILLER retoma o ciclo de palestras sobre a Geração Beat desta vez para inaugurar um novo espaço de debates e produção literária: o Ed.Lab, na sede da Editora Hedra.

Veja também em https://www.facebook.com/events/404429646589624/ –

Meu comentário: Palestras anteriores sobre o tema – nas mostras de cinema beat em Brasilia, São Paulo e Rio de Janeiro – lotaram auditórios, a ponto de faltarem lugares e sobrar público. Por isso retomo, desta vez utilizando as confortáveis instalações do EdLab da editora Hedra e seus parceiros, cobrando um ingresso de R$ 10,00. Entendo que, a cada nova apresentação, é possível adicionar, refinar interpretações desse autor cada vez mais lido e estudado, assim desmentindo a crítica retrógrada que negava seu valor. Palestras anteriores estão disponíveis no YouTube – mas, convenhamos, ao vivo, podendo conversar, é mais confortável e interessante.

Kerouac fascina. Examinar sua obra é desvendar um universo. Explorou as possibilidades da expressão escrita através de narrativas memorialísticas e de auto-ficção, poemas, crônicas e outras modalidades. Interessa especialmente o que o criador do termo “Geração Beat” tem de paradoxal, ambivalente, contraditório. O modo como ficcionalizou sua biografia e ao mesmo tempo se inventou, transformando-se em personagem de si mesmo. A mitologia pessoal que criou. Por exemplo, a criação de On the Road: sim, ele escreveu o livro em três semanas; no entanto, três revisões subseqüentes foram por sua iniciativa, antes de entregá-lo à Viking Press; e, como atestam seus diários, já o vinha escrevendo desde 1948. Ele se pôs a viajar com Neal Cassady depois da decisão de fazer seu registro da Geração Beat.

Tomando o conjunto da obra de Kerouac e On the Road em especial, é possível propor roteiros de leitura e interpretações que adicionam sentido, recorrendo a uma ensaística que vem crescendo, atestando sua importância e atualidade. Examinarei a relação de On the Road e Visões de Cody, outra de suas obras primas; mostrarei como Doctor Sax é polifônico; interpretarei a flagrante contradição entre Vagabundos iluminados e Anjos da desolação. Principalmente, mostrarei como explorou topdas sua prosódia, na qual se combinam o apaixonado por jazz, o falante do dialeto joual (sua primeira língua) e o leitor de Shakespeare, Joyce, Dostoievski, Rimbaud e tantos outros

Nova palestra: Allen Ginsberg e a Geração Beat, em Ribeirão Preto

Onde: SESC de Ribeirão Preto, Rua Tibiriçá, 50 – Centro, 14010090 Ribeirão Preto. No Auditório. 202 lugares. Acesso livre.

Quando: Sábado, dia 25 de março, às 11 h.

Informam os organizadores:

Em março, o CLIP – Clube de leitura com interesse em poesia – tratará da gênese da Geração Beat e da contribuição literária de Ginsberg através de “Uivo”, “América”, “Sutra do Girassol” e tantos outros poemas. Ginsberg insistiu que a criminalização do uso de drogas fortalece o crime organizado, tomou a defesa da diversidade cultural e sexual – praticando-a intensamente. Receberá atenção também a religiosidade heterodoxa de Ginsberg, mostrando que misticismo não é sinônimo de alheamento e abstenção.
Claudio Willer é poeta, tradutor, ensaísta e fez pós-doutorado em Letras pela USP.

Venham. Avisem interessados. Problema não será a falta de assunto. Trarei exemplares do meu livro de poesia A verdadeira história do século 20. Obrigado!

EM TEMPO: Reproduzo aqui também as gravações no YouTube das minhas palestras sobre Jack Kerouac e a Geração Beat, nas mostras de cinema beat no CCBB, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sobrou público, mesmo com auditórios grandes:

Em São Paulo: https://www.youtube.com/watch?v=i4pedYkXQcg&feature=share

No Rio de Janeiro: https://www.youtube.com/watch?v=uEQYTk0SPR4&feature=share