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O Bebê Cadum irá a Campinas, à Unicamp, após ser aclamado em Londrina, na UEL

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Apresentarei e comentarei o personagem de Liberdade ou Amor! de Robert Desnos durante o curso Surrealismo: uma poética do delírio, já anunciado aqui, no Centro Cultural do IEL-Unicamp. Relatarei novamente seu combate com o boneco Bibendum, feito de pneus. Da narrativa de Desnos, também poderemos acompanhar a visita do Corsário Soluço ao Clube dos Bebedores de Esperma e outras belas passagens.

Impressionou em Londrina, e repetirei em Campinas, a projeção da minha tradução de “União livre” acompanhada pela gravação da leitura do poema pelo próprio André Breton (tem no Youtube). Assim como trechos de Os cantos de Maldoror de Lautréamont com projeção de colagens de Max Ernst. E imagens de arquiteturas e casas surrealistas. Em Londrina, apesar de ser uma cidade nova, sem anacronismos, foi achada uma casa surrealista. Houve aproximação de parques e jardins da cidade do Norte do Paraná com o parque das “Buttes Chamont” de O camponês de Paris de Louis Aragon. Uma ponte sobre um dos lagos lembrou a “ponte dos suicidas” (mostrei) do parque invadido por Aragon, Breton e Marcel Noll. Impressionaram O abraço do polvo, o filme comentado em Nadja; e Peter Ibbetson.

A tecnologia está aí para que façamos um uso surrealista dela.

Lembrando, o curso de surrealismo no auditório do Centro Cultural do IEL – Unicamp começa na terça feira, dia 01 de setembro. Segue, todas as terças feiras, por oito semanas. Não se preocupem – já dei cursos de surrealismo de 12 sessões, e cursos de 8 sessões que foram prolongados para 12 por sugestão de participantes.

Mais informações: https://claudiowiller.wordpress.com/2015/07/20/curso-de-surrealismo-na-unicamp-no-centro-cultural-do-iel/

Inscrições gratuitas, através de e-mail para a Secretaria de Extensão do IEL: seee@iel.unicamp.br

Evidentemente, poesia e criação poética são centrais. Mas, além de tratar de outros campos, artes visuais, cinema, objetos, arquiteturas, etnografia, Portugal (indispensável), Brasil etc, quero avançar na relação de surrealismo e vida, no seu caráter “de empreendimento prometeico, totalizante”, no dizer de Jacqueline Chénieux-Gendron. Daí o comparecimento do Bebê Cadum e demais personagens e figuras que acabo de mencionar.

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Curso Surrealismo: uma poética do delírio em Londrina

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ONDE: Campus da UEL, Universidade de Londrina, PR, Sala 101 do CLCH –

QUANDO: Dias 21 e 22 de agosto, sexta feira e sábado. HORÁRIOS: 21-08, sexta-feira, das 19h às 23h; 22-08, sábado, das 8h às 12h e das 14h às 18h, sala 101.

INSCRIÇÕES de 10 a 19 de agosto 2015, pelo site da UEL (Proex, Divisão de Eventos). Valor: R$ 10,00. PÚBLICO ALVO: alunos de graduação e pós-graduação em Letras, Artes, História, Filosofia, Sociologia, Educação e Áreas afins; demais interessados. Haverá emissão de certificados para comparecimento integral. PROMOÇÃO: Programa de Pós-Graduação em Letras.

Iniciativa da professora Marta Dantas, autora de um belo ensaio sobre Nadja de André Breton e um substancioso livro sobre Arthur Bispo do Rosário, entre outras contribuições relevantes. Já dei minicurso sobre Geração Beat na UEL em 2009, também convidado por ela. Desta vez, será aproveitando a viagem para ser banca da tese sobre Kerouac de Gabriel Pinezi – pelo que tenho visto, inclusive na ocasião anterior em que fui banca, da tese de Ricardo Mendes Mattos sobre Piva no IP da USP, entre outras, a inteligência brasileira vêm se expressando através de trabalhos acadêmicos substanciosos e originais.

Ilustrei o post com uma das máscaras dos índios Hopi que fascinavam Breton. Do mesmo modo como no curso recente que dei na Cia. Corpos Nômades, eu me apoiarei em imagens, tratando de poesia e da relação de surrealismo e cidade, objetos surrealistas, outras culturas e o mundo mítico. Agradeço retransmissão e outros modos de divulgação.

Preparei uma ementa:

O tema “poética do delírio” será abordado através de dois ensaios de André Breton, “Le méssage automatique” e “Situação surrealista do objeto”, além do que está em meu ensaio “Surrealismo e filosofia”: os três, tratando do confronto de subjetividade e objetividade. Serão examinados os modos de confusão das duas instâncias, subjetividade e objetividade, na criação poética, e também nas artes visuais, cinema, arquitetura. E na própria vida, através da errância ou disponibilidade; do sonho; das aproximações a outras culturas e sociedades; dos encontros e da categoria criada por Breton, o acaso objetivo. Os tópicos serão ilustrados através da exibição de material audiovisual, além das leituras de textos. Conseqüentemente, o curso poderá interessar a estudantes, pesquisadores e outros interessados não só da área de literatura, porém de artes visuais, cinema, filosofia e antropologia.

Vou me apoiar bastante em dois livros maravilhosos: Le Surrealisme et le Rêve de Sarane Alexandrian (livro dele sobre surrealismo e artes visuais também é ótimo), e Le Miroir du Merveilleux de Pierre Mabille. Textos sugeridos para leitura prévia, da minha página no Academia.edu, https://independent.academia.edu/ClaudioWiller :

https://www.academia.edu/…/A_PROP%C3%93SITO_DO_SURREALISMO_…

https://www.academia.edu/…/MAGIA_POESIA_E_REALIDADE_O_ACASO…

https://www.academia.edu/6542…/Sobre_surrealismo_e_filosofia

E do meu blog: https://claudiowiller.wordpress.com/2012/02/09/andre-breton-pierre-mabille-haiti-vodu/

Em breve haverá mais, inclusive um curso como este, mas com oito sessões, na Unicamp.  Agradeço divulgarem, propagarem, difundirem, fazerem circular a informação

Curso de surrealismo na Unicamp: no Centro Cultural do IEL

Vejam que beleza. Será meu curso mais extenso de surrealismo desde aqueles de pós na USP em 2010 e de 2011/2012 para o Teatro do Incêndio, que tiveram 12 sessões. Utilizarei o mesmo tratamento do recente curso nos Corpos Nômades, com bastante recursos visuais, porém detalhando, avançando. E também farei isso em outras localidades e instituições, a serem divulgadas em breve. O ano de 2015 está sendo produtivo.

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Parabéns à equipe do Prof. Paulo Vasconcellos pelo bom gosto dos cartazes digitais.

Postarei também nova divulgação, em breve, da minha palestra “Roberto Piva, poeta do corpo”, dia 04/08, abrindo o excitante ciclo sobre erotismo no mesmo local. E divulgarei programa deste curso.

Venham. Agradeço divulgação enfática.

 

Nova oficina de surrealismo em abril

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A seguir, o informe divulgado na programação da Cia. Corpos Nômades em http://www.ciacorposnomades.art.br/wordpress/?cat=3: OFICINA: SURREALISMO, UMA POÉTICA DA ALUCINAÇÃO com Claudio Willer – GRATUITO Dias 08, 15, 22, 29 de abril de 2015. Quartas 19h30 às 21h30 Número de Vagas: 30 Público Alvo: Pessoas com interesse em literatura e criação artística em geral Inscrições até 03/04/2015 através do e-mail ciacorposnomades@gmail.com – anexar uma carta sucinta de interesse e escrever no assunto Oficina com Claudio Willer. Na sede da Cia. Corpos Nômades – Espaço Cênico O LUGAR Rua Augusta, 325 – São Paulo – SP Lembrando o produtivo trabalho com o grupo dirigido por João Minelli Andreazzi que resultou na bem sucedida adaptação de Os cantos de Maldoror de Lautréamont, intitulada “Hotel Lautréamont: os bruscos buracos do silêncio”. Permaneceu em cartaz de 2009 a 2011, repetindo temporadas com aclamação do público e crítica. Desta vez, pretendo fazer uma abordagem original do surrealismo. Avançar na questão do sonho, do objeto, da alucinação. Interessará aos que já assistiram a palestras e seminários meus sobre o tema, e aos que ainda não tiveram essa ocasião. André Breton, no Segundo Manifesto do Surrealismo, proclamou: “Tudo indica a existência de um certo ponto do espírito, onde vida e morte, real e imaginário, passado e futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo, cessem de ser percebidos como contraditórios”. O que é o “ponto do espírito”? Algo abstrato ou concreto? Pode ser visto, experienciado? Sim. Na opinião de Octavio Paz, “Filho do desejo, nasce o objeto surrealista: a reunião de montanhas é outra vez cena de gigantes, as manchas na parede ganham vida, põem-se a voar e são um exército de aves que, com seus bicos terríveis rasgam o ventre da formosa acorrentada.” Os deslocamentos de objetos, caminhar ao acaso e ter encontros inesperados, o método paranóico-crítico de Salvador Dali, os registros de sonhos, a escrita automática, segue Paz, não são “exercícios gratuitos de caráter estético”, pois “Seu propósito é subversivo: abolir esta realidade que uma civilização vacilante nós impôs como a só e única verdadeira”. A destruição da falsa realidade revela outra, que “se levanta de sua tumba de lugares comuns e coincide com o homem”, na qual “somos de verdade”. Nela, “o mundo já não se apresenta como um ‘horizonte de utensílios’, mas como um campo magnético.” O curso “O surrealismo: uma poética da alucinação”, combinado sessões expositivas, leituras e práticas de criação, convidará a todos os seus participantes a empreender a destruição da falsa realidade; a enxergar, ouvir e sentir mais, assim dando conta das aproximações ao maravilhoso. O surrealismo será exposto em seus fundamentos e praticado. (ilustrei com o conhecido quadro de Max Ernst, mostrando como via os surrealistas)

Algumas frases e imagens do surrealismo

Havia preparado este arquivo para o cuso / oficina de surrealismo que precedeu a encenação de São Paulo Surrealista em 2011/2012 pelo Teatro do Incêndio. Adiciono a este blog, para utilizar no curso que darei agora em Piracicaba (começará daqui a 24 h). E, é claro, em todos os surrealismo próximos.

Lautréamont: A poesia deve ser feita por todos, não por um. […] belo como […] o encontro fortuito de uma máquina de costura e um guarda-chuva sobre uma mesa de dissecção.

Rimbaud: O poeta é realmente o ladrão do fogo. O poeta torna-se vidente através de um longo, imenso e estudado desregramento de todos os sentidos. … Que exploda na sua indignação pelas coisas insólitas e inomináveis: virão outros horríveis trabalhadores, que começarão pelos horizontes em que ele se perdeu! Acabei achando sagrada a desordem do meu espírito.

Breton:

Imaginação querida, o que amo em ti é não perdoares.

A atitude realista, inspirada no positivismo, de São Tomás a Anatole France, parece-me hostil a todo impulso de liberação intelectual e moral. Tenho-lhe horror, por ser feita de mediocridade, ódio e insípida presunção.

Tudo indica a existência de um certo ponto do espírito, onde vida e morte, real e imaginário, passado e futuro, o comunicável e o incomunicável, o alto e o baixo, deixem de ser percebidos como contraditórios.

“Transformar o mundo”, disse Marx; “mudar a vida”, disse Rimbaud: estas duas palavras de ordem, para nós, são uma só.

A poesia se faz na cama como o amor Seus lençóis desfeitos são a aurora das coisas A poesia se faz nos bosques Ela tem o espaço de que necessita […] O abraço poético como o abraço de carne Enquanto dura Proíbe toda escapada sobre a miséria do mundo,

a beleza será CONVULSIVA, ou então não será. […] A beleza convulsiva terá que ser erótico-velada, explodente-fixa, mágico-circunstancial, ou não será beleza.

Michel Carrouges:

Esse sentimento extraordinário de espera, que brilha com todos os seus fogos no surrealismo e principalmente no pensamento de Breton, é a chave de ouro da liberdade.

Adiciono também imagens que selecionei para o mesmo curso (houve muito mais, muitas outras):

A cascata púrpura carregava revólveres cujas coronhas eram feitas de passarinhos. (Breton)

Se todos os cavalos levassem ímãs em lugar de ferraduras, o coração dos amantes deixaria de latejar. (Breton e Desnos)

O que é a razão? É uma nuvem comida pela lua; (Breton e Eluard)

O que é a arte? É uma concha branca em uma bacia cheia de água (Breton e Giacometti)

Esta floresta é clara como seda. (Radovan Ivsic)

A volúpia é a mais poderosa sensação que nós temos da velocidade (Malcolm de Chazal)

A volúpia está no centro do ciclone dos sentidos (Malcolm de Chazal)

O olho tem todos os gestos do peixe. (Malcolm de Chazal)

A água desce até as árvores/ O céu sobe até os lábios. (Octavio Paz)

batuque da mulher de braços de mar de cabelos de fonte submarina/ sua rigidez cadavérica transforma os corpos em lágrimas de aço/ todos os fasmas folhudos fazem um mar de agaves azuis e de jangadas. (Aimé Césaire)

Rosas enoveladas vergavam no sono,/ enquanto letras com os cabelos/ escorrendo num muro./ Extraordinário, pendurado no sono/ sinistro, um negro peixe/ morria durante a neve inteira. (Herberto Helder)

Tuas mãos azuis são um contrapeso, um solo longínquo inanimado de um saxofone num deserto de beijos. Nossas bocas só agora meio despertas fazem passar pássaros em revoada sob a pele. (Piva)

Os eixos da imensa vibração exaltam a tinta da folhagem seca na esfera dos trombones marinhos um pouco à minha disposição em brilhos de Tômbola. Espinheiro de carga elétrica nos túneis de ovos fritos. (Piva)

Novamente, o curso de surrealismo no Museu da Língua Portuguesa

Reapresento o link do anúncio de meu curso, postado a 21 de junho (o tempo passa!).

https://claudiowiller.wordpress.com/2011/06/21/surrealismo-rebeliao-expressao-e-criacao-um-novo-curso/

Todas as isntruções e informações estão aí. Ainda há vagas (poucas). Mas combinei de acrescentar mais vagas, pois sempre, infelizmente, há alguns que se inscrevem e não comparecem. Por isso, pediria àqueles que se inscreveram mas não poderão vir que avisem aos organizadores, assim reabrindo vagas. E mantenho o convite aos demais. Será um prazer (re)encontrá-los.