Radovan Ivsic e Edmond Jabès na Casa das Rosas: retransmitindo

Simples retransmissão, cópia de postagem anterior. É que eu já havia publicado a notícia, mês passado, mas com data errada.

Será dia 24 de maio, esta próxima sexta-feira, a partir das 19 h.

Lançamentos de nada menos que Poesia Reunida de Ivsic e Desejo de um começo, Angústia de um só fim de Jabès.

Publicados pela Lumme.

Traduzidos por Eclair Antonio Almeida Filho

Estará presente Annie Le Brun – ensaísta, viúva de Ivsic – junto com Eclair, tradutor, e Fernando Paixão, prefaciador. E apreciadores de poesia aos quais eu já havia apresentado Ivsic na tradução de Eclair, em oficinas de criação e cursos de surrealismo.

Atualização cultural e tanto. Ninguém poderá dizer que não está havendo edições da mais alta qualidade. Ivsic, o surrealismo permanente. Sobre Jabès, lembro o belo ensaio de Jacques Derrida em A escritura e a diferença.

(a propósito de Casa das Rosas: também comparecerei amanhã, quinta-feira, para a sessão de poetas coordenada por Paulo Sposati Ortiz, que convidou um lindo elenco de leitoras)

A seguir: dois poemas de Ivsic (saíram também no Folhetim – desculpem, no Sabático – não, na Ilustríssima – confundo suplementos, reais e virtuais) e um trecho de Jabès. (ninguém poderá reclamar de falta de poesia de qualidade neste blog). Ao final, notas biográficas.

Radovan Ivsic:

DE TUDO

De tudo que sei
E que sei que sabes
De tudo que vejo
E que sei que tu vês
De tudo que ouço
Quando escuto teu coração
De tudo que me dizes
E que tanto amo
De tudo que se passa
Quando fechas os olhos
De todos os sonhos
De todas as estrelas
De todas as nuvens
De tudo isso sabes
O que me alegra ainda mais?

De tudo isso o que me alegra ainda mais
É que sei que sabes
Porque tu sabes e eu sei também
Tu sabes que me amas
E eu sei que te amo.

BRIONI

Para Annie
Os cervos são borboletas
as borboletas  são peixes
os peixes são claridade
a claridade é morte
a morte é laranja
a laranja é vulcão
o vulcão é feno
o feno é elefante
o elefante é afogamento
o afogamento é riso
o riso é montanha
a montanha é anel
o anel é solidão
a solidão é areia
a areia é roda
a roda é terremoto
o terremoto é cílios
os cílios são cascata
a cascata é bigorna
a bigorna é lembranças
as lembranças são vermelho

o vermelho é chicote
o chicote é fim
o fim é mel
o mel é nuvem
a nuvem é o infinito
o infinito é infinito

Edmond Jabès:

Fragmentos de Desejo de um começo, Angústia de um só fim

« …um livro – dissera ele – que jamais escreverei porque ninguém pode escrevê–lo, sendo um livro:

«  – contra o livro.

« – contra o pensamento.

« – contra a verdade e contra apalavra.

« – um livro, portanto, que se esfarela à medida que se forma.

« – contra o livro, pois o livrosó tem, por conteúdo, a si mesmo e ele não é nada.

« – contra o pensamento, poisesteé incapaz de pensar sua totalidade e mesmo o nada.

« – contra a verdade, pois a verdade éDeus e Deus escapa ao pensamento; contra a verdade, portanto, quepermanece, para nós, uma legendária desconhecida.

« – contra a palavra, enfim, pois a palavraapenas diz o que ela pode e esse pouco é o nada que só o nada poderia exprimir.

« E,no entanto, eu sei:

« – que o livro se escreve contra o livro que busca torná–lo nada.

« – que o pensamento pensa contra o pensamento que lhe inveja seu lugar.

« – que a verdade se impõe, através do instante vivido, enquanto só instante a viver.

« – que ovocábulo, apagando–se, não revela nadaalém do que a aflição dohomem que ele apaga ».

Radovan Ivsic (Zagreb, 1921-2009) é um crítico-poeta-dramaturgo surrealista franco-croata, de uma poesia que poderíamos chamar de um surrealismo da natureza, da magia e do sonho. Seu primeiro livro – Narciso – publicado em 1943, numa tiragem de 100 exemplares, foi retirado imediatamente de circulação pela polícia titista da então Iugoslávia sob a acusação de arte subversiva. Ao ver o clima de terror e repressão que tomou conta do seu país, Ivsic resolveu imigrar em 1954 para a França, sendo recebido em Paris por Benjamin Péret. Lá toma parte nas atividades surrealistas organizadas por Breton. Após a morte de Breton em 1966, Ivsic passa a dirigir em seu lugar as Éditions Surréalistes. Dentre suas peças teatrais, destaca-se Le Roi Gordogan. Sua obra em francês encontra-se publicada em três volumes pela Gallimard: Poèmes (este sairá em tradução integral pela Lumme sob o título de Poesia Reunida), Théâtre e Cascades (volume de textos críticos).

O poeta, ensaísta e escritor de fragmentos Edmond Jabès (Cairo, 1912 – Paris, 1991)  consagrou toda sua obra a escrever rumo ao Livro, ao livro, ao relato. Tanto que grande parte de seus livros traz a palavra « Livro » em seu título: temos sete Livros das Questões, quatro Livros dos Limites (que inclui um Livro do Diálogo e um Livro da Partilha), três Livros das Semelhanças, outros três Livros das Margens, um Livro da Hospitalidade. Podemos, inclusive, afirmar que todo livro jabesiano está na ausência de livro ou em busca de tornar-se livro e Livro. Seus meios são o deserto, a voz, o silêncio, sábios, estrangeiros, a pena (pluma), o neutro, o ilimitado, numa escritura fragmentária mas não fragmentada.

Ginsberg: outro poema, para comparações

Eu deveria ter agregado á postagem anterior. Aos assinantes, peço desculpas por fazê-los abrir o blog a toda hora. Não sou maníaco e não pretendo ultrapassar umas três a quatro postagens por semana. Mas é que a comparação dos dois poemas, a “Canção da Vovó Terra” e o “Sutra do girassol”, me pareceu interessante. Ambos têm a região de San Francisco como cenário; ambos focalizam a degradação urbana. Mas como mudou o tom, no intervalo de 33 anos, de 1956 a 1988! No “Sutra do girassol”, um dos poemas mais populares de Ginsberg – foi traduzido por outros três bons poetas, além de mim – esta tradução é a mesma publicada em livro, em Uivo e outros poemas, L&PM – há uma transcendência, um misticismo, a proclamação da existência de uma essência luminosa em todas as coisas, superando a degradação. Já na “Canção da Vovó Terra”, não há mais nada: acabou. Resta a Gaia recolher os destroços e retirar-se: é isso que me parece dizer o poema.

Sutra do girassol[1]

Caminhei pela beira do cais de bananas e latarias e me sentei à sombra enorme de uma locomotiva da Southern Pacific para olhar o sol que se punha entre as colinas de casas como caixotes e chorar.

Jack Kerouac sentou-se a meu lado sobre um poste de ferro quebrado e enferrujado, companheiro, pensávamos os mesmos pensamentos da alma, chapados e de olhos tristes, cercados pelas retorcidas raízes de aço das árvores da maquinaria,

A água oleosa do rio refletia o rubro céu, o sol naufragava nos cumes dos últimos morros de Frisco,[2] nenhum peixe nessas águas, nenhum ermitão nessas montanhas, só nós dois com nossos olhos embaçados e ressaca de velhos vagabundos à beira-rio, malandros cansados.

Olha o Girassol, disse ele, lá estava a sombra cinzenta e morta contra o céu, do tamanho de um homem, encostada ressecada no topo do montão de serragem velha– 

– Ergui-me encantado – meu primeiro girassol, recordações de Blake – minhas visões – Harlem

e infernos dos rios do Leste, pontes com o clangor dos Sanduíches Gordurosos de Joe,[3] carrinhos de bebês mortos, negros pneus carecas largados lá, o poema do cais à beira-rio, preservativos & penicos, facas nada inoxidáveis de aço, só o lixo úmido e os artefatos de afiados gumes passando para o passado –

e o Girassol cinzento reclinado contra o crepúsculo, desoladamente rachado e ressecado pela fuligem e a fumaça e o pó de velhas locomotivas em seu olho – 

corola de turvas pontas retorcidas e partidas como uma coroa arrebentada, sementes roladas do seu rosto, boca em breve desdentada ao ar ensolarado, raios de sol se apagando na cabeça cabeluda como uma teia de fios secos,

folhas tesas como ramos presos ao tronco, gesto enraizado na serragem, pedaços de estuque caídos dos negros galhos, mosca morta na orelha,

Ímpia coisa velha destroçada, você, meu girassol, Ó minha alma, como então te amei!

A fuligem não era uma fuligem humana porém morte e locomotivas humanas,

toda essa roupagem de pó, esse véu de pele escurecida da estrada, essa fumaça da face, essa pálpebra de negra miséria, essa fuliginosa mão ou falo ou protuberância de algo artificial pior que a própria sujeira – industrial – moderna – toda a civilização maculando sua louca coroa dourada –

e todos esses torvos pensamentos de morte e olhos empoeirados do desamor e tocos e raízes retorcidas embaixo, dentro do seu montão de areia e serragem, notas falsas de borracha de dólar, pele de maquinaria, as entranhas e vísceras do carro que tosse e chora, as latas vazias e abandonadas com suas enferrujadas línguas de fora, o que mais poderia eu nomear, a cinza queimada de algum cigarro do caralho, bocetas dos carrinhos e os túrgidos seios dos carros, bundas gastas dos bancos e esfíncteres dos dínamos – todo esse

emaranhado nas suas raízes mumificadas – e você aí postado a minha frente ao sol poente, toda a sua glória em sua forma!

Beleza perfeita de um girassol! excelente existência perfeita de um adorável girassol! doce olho natural voltado para a lua nova “hip”, desperto vivaz e excitado respirando a dourada brisa da luz do sol poente!

Quantas moscas zumbiram a seu redor ignorando sua fuligem, enquanto você amaldiçoava os céus da ferrovia em sua alma em flor?

Pobre flor morta? Quando foi que você esqueceu que era uma flor? quando foi que você olhou para sua pele e resolveu que era uma suja e impotente locomotiva velha? o espectro da locomotiva? a sombra e vulto de uma outrora poderosa locomotiva americana louca?

Você nunca foi uma locomotiva, Girassol, você é um girassol!

E você, Locomotiva, você é uma locomotiva, não se esqueça!

E assim agarrei o duro esqueleto do girassol e o finquei a meu lado como um cetro,

e faço meu sermão para minha alma, e também para a alma de Jack e para quem mais quiser me escutar.

– Nós não somos nossa pele de sujeira, nós não somos nossa horrorosa locomotiva sem imagem empoeirada e arrebentada, por dentro somos todos girassóis maravilhosos, nós somos abençoados por nosso próprio sêmen & dourados corpos peludos e nus da realização crescendo dentro dos loucos girassóis negros e formais ao pôr do sol, espreitados por nossos olhos à sombra da louca locomotiva do cais na visão do poente de latadas e colinas de Frisco sentados ao anoitecer.

Berkeley, 1955


[1] SUTRA DO GIRASSOL – Sutra são textos védicos, de doutrina filosófico-religiosa. O girassol é uma flor-símbolo para Ginsberg, que, na experiência místico-visionária de 1948 em seu apartamento no Harlem, lia o poema Ha! Sun-Flower dos Songs of Experience, quando ouviu a voz do próprio Blake recitando o poema.

[2] Frisco – San Francisco. Os moradores desta cidade não apreciam essa designação.

[3] Sanduíches Gordurosos de Joe – Joe’s é outra cadeia de lanchonetes.

Mais uma tradução inédita de Allen Ginsberg

Que pena não ter podido assistir semana passada à encenação de I am America, baseada em poemas de Ginsberg, pelo Grotowski Ensemble no SESC-Consolação – estava no Colóquio Lautréamont em Goiânia, que aliás foi ótimo (ainda comentarei aqui). O que vi na estréia, Canções de uma Festa Elétrica, e que já comentei aqui, me impressionou vivamente – intérpretes obtendo o máximo de resultado com o mínimo de recursos. Do que traduzi para legendagem (também já elogiei profissionalismo), selecionei este, a seguir – “Grandma Earth’s Song”. É um poema mais que irônico, sarcástico, nada otimista, de 1988 – como sempre, bem profético.

Canção da Vovó Terra

Comecei a descer a encosta da Capitol Hill percorrendo as negras e desconhecidas avenidas centrais,
confuso e sem saber quais ruas seguir desde o distrito de Fillmore até o Paço Municipal no centro do vale,
e ao passar por um quarteirão ou dois eu vi uma frágil velha andando na minha direção
subindo a colina, uma senhora maltrapilha carregando sacos andando com passos firmes e antigos a Velha Mamãe terra
arrastando um carrinho de compras cheio de latas garrafas jornais & plástico
Atados
Com meias de seda caminhando e cantando sozinha a caminho do Paço Municipal

Quando obtusas origens escrevem leis
de Jerusalém a Nova York
Pobres Judeus quebram Queixos de Árabes
Negros comem porco ensebado

Quais as Notícias do Planeta?
a pílula de veneno de Wall Street
Palestinos apedrejam Judeus
Água escorre encosta abaixo

Jovens soldados vão morrer
O velho presidente pega aids
Eles levaram o céu à falência
A camada de ozônio se extingue

Gente doida descolou dinheiro
Eu sou o dono dos Capitólios
O Xerife me chama de queridinho
O exército é um bando de malucos

Eu quero meus carnês da Previdência
Eu quero meu próprio filme
Eu tenho dez lamparinas de Querosene
Eu estou com 99 anos de idade

Essa cidade já morreu
Esse país está indo ladeira abaixo
Esse estado é feito de chumbo
Não consigo sentir meus filhos

Meu nome é Gaia ha ha ha
ponham-me na cadeia eu vou ferrar o céu
Nada a perder ou a ganhar Papai
Nascido e você vai morrer

Bombas de Adão & jornalistas espalham boatos
Falsários fazem piadas no Salão Oval
Eu vivo em caixas de papelão
Eles mataram o útero do oceano

Rasgue seu carnê da Previdência
Comerei meu caminho até o Céu
Joguem-me em Walnut Creek[1]
Eu vomitarei o Oceano Pacífico

Observando enquanto ela passava, achei que improvisava repentes das ruas
Canção épica popular gargalhando no Cérebro imortal de cada um
Tudo o que vier à mente é a política certa para arruinar o Estado Policial

Meu post anterior: http://claudiowiller.wordpress.com/2013/04/24/ciclo-grotowski-e-ginsberg-surrealista/


[1] Walnut Creek: localidade nas imediações de San Francisco, na Bay Area

Censura judicial e na rede social, somadas

Trago a notícia publicada no Estadão de hoje. Sobre decisões judiciais que, ao invés de limitarem a censura no Facebook, reforçam-na. Eles querem mais. Acham que censura pouca é bobagem. Ou que liberdade de expressão tem que ser severamente vigiada. Aí vai:

http://noticias.r7.com/sao-paulo/protestos-nas-redes-sociais-vao-parar-na-justica-19052013

Trata da proibição de um usuário do Facebook expressar-se, protestando – certamente com razão – contra um empreendimento imobiliário.

O que me parece mais grave: a decisão é do Tribunal de Justiça de São Paulo. Uma instância superior, um colegiado, e não apenas algum juizão retrógrado. Estão institucionalizando a censura, apesar de expressamente proibida pela Constituição.

Já tratei aqui de censura judicial, proibição liminar da circulação de livros. Houve, também, inúmeras decisões proibindo jornalistas e jornais de mencionarem políticos – e ainda multando-os pesadamente: resultou, entre outros casos, em alguns jornalistas inadimplentes no Acre, de tão multados que foram por mexerem com Sarney e membros do clã. Também partiram para cima de blogs e do google.

E já tratei bastante de censura no Facebook, em várias postagens, formando dossiê.

Desta vez, com um tribunal interferindo em postagens no Facebook, é como se as duas modalidades convergissem, ou se somassem.

O arcaico contra o moderno. Quem ganhará a parada?

Mas, enquanto isso, qualquer hora dessas, é capaz de ainda quererem censurar este blog.

Mais argumentos contrários à usina de Belo Monte

Dois bons artigos, na Folha de hoje, reforçando argumentos contrários à usina de Belo Monte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/108760-desmatamento-pode-reduzir-capacidade-da-usina-de-belo-monte.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/108761-pesquisa-reforca-desconfianca-de-que-novas-barragens-chegarao-ao-xingu.shtml

Ou seja: vem mais desmatamento aí. O resultado de Belo Monte equivalerá a outros fracassos amazônicos, como aqueles de Tucutuí e Balbina: não produziram nada do previsto.

Meu argumento principal: índice de desperdício de energia elétrica, entre a fonte geradora e o usuário final, é de 40%. Programa de redução do desperdício, nem pensar. Prioridade é mesmo grandes obras, respectivos rolos, atrasos e sobrepreços.

Matéria na Veja desta semana reclama de índios Munducuru viajarem 600 km para protestar e ocupar canteiro de obras. Acontece que, além de não estarem cumprindo os acordos com os índios, a usina afetará alto e médio Xingu, também. O tucunaré que se pesca no Xingu, por exemplo: percorre o rio todo. E, como se vê pela matéria aqui copiada, meio ambiente em geral sofrerá.

O que é a poesia? A gravação

Está no ar, disponível on line, a gravação completa de O que é a poesia? – palestra, depoimento e debate; curadoria e mediação: Edson Cruz, Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, dia 27 de abril de 2013:

http://www.livestream.com/mandebemnoenem/video?clipId=pla_feac028f-de13-4d05-b697-b5b2903c9523&utm_source=lslibrary&utm_medium=ui-thumb

Faz parte de uma série de vídeos com poetas.

Comecei com uma palestra sobre imagem poética e haicais, em seguida conversei com o público e terminei lendo um poema. Nosso problema jamais será a falta de assunto. São duas horas e 15 minutos de gravação, apesar de às vezes Edson Cruz olhar o relógio – que bom agora haver essa capacidade de armazenamento na internet e, principalmente, pessoas interessadas. E podem, sempre, a exemplo dessa vez, ir me servindo taças de vinho enquanto falo. Aliás, teve ato falho – na altura de uma hora e 50 minutos – em vez de Raquel Cozer foi Rosane Pavam. Deve ter sido efeito do vinho – ou não, sou distraído mesmo.

É a sessão que já havia comentado aqui, perguntando se o público foi de 76, 84 ou 93 pessoas. Está em http://claudiowiller.wordpress.com/2013/04/30/um-encontro-e-dois-poemas/  Ao final da sessão, na altura de duas horas e 10 minutos, leitura do poema já reproduzido nesse meu link – comparem o texto gravado e a leitura.

Faremos mais.

Digam-me o que acharam.

Lautréamont em Goiânia. Poetas também.

Participo do VIII Colóquio de Filosofia e Literatura: Lautréamont, em Goiânia, nos dias 15, 16 e 17 deste mês. Minha palestra:”Lautréamont, leitor de Baudelaire”. Dia 17, sexta-feira, à tarde, encerrando.O Colóquio é organizado pela Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e será no auditório da Área III da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

Pela quantidade de estudos e publicações sobre Lautréamont, não garanto a originalidade de tudo o que direi. Algo já foi ouvido por participantes de cursos e oficinas comigo. Partirei da constatação, por Pichon-Rivière, de que o pai de Isidore Ducasse / Lautréamont já tinha exemplar de As flores do mal em sua biblioteca em Montevidéu. Lautréamont chegou á França baudelairiano, me parece. Relação vai muito além da recriação hiperbólica do poema “O homem e o mar” e ocorrências semelhantes, inclusive radicalização do “Hino à beleza” nos “belo como”. Dá para supor que pesquisou em arquivos e bibliotecas para ler artigos de Baudelaire publicados em jornais e magazines, mas ainda não em livro – por exemplo, aquele sobre o humor e o riso. Há outras relações, mais estranhas.

A seguir, a programação do Colóquio. Substanciosa. Irei para expor e para aprender. Inclui lançamentos de livros. Entre outros, encabeçados por Bachelard, a poesia de Congresso Espiritual dos Ranúnculos, por Fabrício Clemente.

Amostras da poesia de Fabricio, disponíveis no meio digital, corroboram o que venho dizendo sobre renovação através de poetas expressando-se por imagens. Vejam:

Cantar a pele de Lontra: http://cantarapeledelontra.blogspot.com.br/2009/12/quatro-poemas-de-fabricio-clemente.html
e http://cantarapeledelontra.blogspot.com.br/2010/03/novos-poetas-ii-fabricio-clemente.html

Zunai: http://www.revistazunai.com/poemas/fabricio_clemente.htm
Mallarmargens: http://www.mallarmargens.com/2012/05/locus.html

Fabricio também é autor da dissertação Estilhaços de visões: poesia e poética em Roberto Piva e Claudio Willer, apresentada à Letras da USP em 2012, por enquanto disponível em http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-11122012-101230/pt-br.php . Espero que ganhe a forma impressa.

Confiram a programação completa:

Quarta-feira, 15/05

9h30 – abertura
10h – Marisa Werneck – O bestiário do sertão: o princípio animal em Guimarães Rosa
14h – Rodrigo V. Marques – Lautréamont à luz da psicanálise: em torno do animal humano
15h45 – Goiamérico Felício – Filosofia, poesia: mínimas coisas

Quinta-feira, 16/05

10h – Marly Bulcão – Bachelard diante do onirismo dinâmico e visceral de Lautréamont
14h – José Ternes – Bachelard e Lautréamont: literatura, primitividade e animalidade
15h45 – Éclair Antônio A. Filho – A experiência de Lautréamont, por Maurice Blanchot
19h – Evento de lançamento (Praça Universitária)

Sexta-feira, 17/05

10h – Contador Borges – Lautréamont e a violência dos signos
14h – Nilson Oliveira – Lautréamont/ Blanchot: a escrita como fratura
15h45 – Cláudio Willer – Lautréamont, leitor de Baudelaire

Lançamentos:

Lautréamont, de Gaston Bachelard Edições Ricochete, 2013

Revista Polichinello nº 14 – ‘Literatura Selvagem’

Congresso espiritual dos ranúnculos (Poesia) de Fabrício Clemente Edições Ricochete, 2013

16 de maio Palácio da Cultura, Praça Universitária  19 horas

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